Respeitar o tempo dos nossos filhos

3.12.20



 A experiência fez-me olhar para cada meu filho como pessoa única. Sei as deadlines principais do desenvolvimento mas não faço disso a minha bíblia, talvez o Tomás me tenha ensinado isso mesmo.

Cada criança é uma criança e como tal tem o seu ritmo.

E como mãe de três filhos, posso afirmar que embora a base da educação seja a mesma, tenho três crianças completamente diferentes.

A Maria Constança dos três foi quem desenvolveu mais rápido mas acredito que isso deve-se maioritariamente por ser a terceira, tem um estímulo que mais nenhum deles teve, e a juntar a isso temos o facto de ser menina. 

Mas embora ela seja super despachada e tenha comportamentos de uma criança de dois e três anos, continua a ser uma bebé e como tal continua a dar noites, a pedir colo e a ter mau feitio na hora de comer.

Quando decidi mudar a Constança do quarto, foi numa tentativa de perceber se ela já estava preparada, ela já tinha mostrado sinais de estar pronta para dar esse passo, mas assim que a mudei ela rapidamente mostrou que não estava ainda preparada.

E não houve nenhum drama com isso, voltei a reformular o quarto e regressou para junto de mim. 

Até que os meses passaram e com a mudança do quarto, voltei a tentar, sabendo que podia correr bem ou não, mas não quis de deixar de tentar. O que é certo é que quatro meses chegaram para ganharr a maturidade suficiente para fazermos a mudança de fora tranquila. No entanto continua a adormecer ao colo, e tem noites que dorme seguido até às seis, mas também tem noites que às três já me está a chamar e lá a vou buscar para se aninhar a nós.

Esta independência é ganha por eles, e são eles que nos dizem quando estão ou não preparados para esta grande mudança.

Sinto-a feliz no seu quarto com os irmãos e isso é o mais importante. Aquele quarto é o ponto de equilíbrio dos três e é ali que quero que se encontrem.

Se a meio da noite um a um começa a ir para a nossa cama não há dramas (pelo menos para nós). 

Sou a favor de respeitarmos o tempo dos nossos filhos porque cada criança é uma criança e o que pode funcionar para um não funciona certamente para o outro.

E se estivermos tranquilos eles vão sentir isso e serão crianças seguras de si próprio. E desengane-se quem acha que as crianças que mais precisam de colo são as que no futuro são mais inseguras, só serão se esse colo lhes for retirado prematuramente.

Na dúvida ouçam o vosso coração e dos vossos filhos. 💗 





O meu grande Amor

2.12.20

Gerir uma família não é fácil. E por mais que exista monotonia esta nunca é levada à letra porque todos os dias são diferentes.

Tapa-se um lado e destapa-se o outro, tal como os cobertores no inverno.

É preciso respirar fundo várias vezes, ajustar prioridades vezes sem conta em prol de um bem comum.

É preciso sonhar mais além e ambicionar por nós e por eles.

Traça-se um caminho e segue-se pé ente pé até chegarmos ao destino.

Ninguém disse que seria fácil, mas todas as pessoas dizem que ninguém vive sem amor e sem a partilha. E eu acredito!

É fácil nos deixarmos atropelar pelos nossos três filhos. Mas depois ao mesmo tempo que nos perdemos encontramo-nos nos olhares trocados entre as tarefas diárias.

Ele faz-me recuar no tempo e eu levo-o a fazer coisas que até então achava impossíveis.

Não me diz que não a nada, mesmo que isso implique algum sacrifício da sua parte. Eleva as minhas ideias e ainda as aplaude de longe. Discreto por natureza, um pai de família, o meu verdadeiro amor.





A (maior) dor da maternidade

26.11.20

Em tempos recebi uma mensagem para que pudesse falar sobre a dor de perder um filho ainda na barriga e embora saiba que infelizmente é algo que acontece não podia escrever algo que felizmente não sei o que é.

Acredito que exista dor, uma dor que nos corrói a alma, mas na vida há coisas que só quem passa por elas é que sabe. 

Tenho consciência que é um assunto tabu, que pouco se fala, e que tantas mães são tratadas com indiferença, pela parte médica quando isso acontece.

E embora eu conheça muito pouco sobre o assunto, sei que um feto por mais pequeno que seja, é um bebé que se está a formar, e é nosso. Não precisamos de o ter nas mãos para chama-lo de filho ou até mesmo para o amar da mesma forma.

É uma perca! E um amor que teve pouco tempo para se materializar.

Hoje partilho uma história, não minha, mas de uma mãe, que sentiu essa dor.

"Corria o ano de 2010, um ano de mudanças e recomeços, já tinha dois filhotes e queria o terceiro de uma nova relação, estávamos felizes, consegui engravidar facilmente, na primeira consulta foram feitos vários exames devido à minha idade, 38 anos.

Corria tudo bem até vir um resultado que nos abalou um bocadinho, lesão de alto grau no Colo do Útero, na altura não compreendi bem o que seria mas a médica que viria a ser a minha médica (Anjo no Hospital de Cascais) alertou-me que era muito grave e o meu problema era a gravidez, fiz biópsia, resultado final "Cancro no Colo Útero".

Vacilei, fiquei meio perdida, quais seriam as minhas hipóteses? Não queria perder o meu bebé, deram-me três soluções e escolhi a que para mim seria a mais acertada, ser tratada grávida. Fui tratada excelentemente e corria bem, mas às 20 semanas numa ecografia de rotina com uma médica que não conhecia levei com esta frase "o bebé está morto, não tem batimentos", assim sem preocupações e eu sozinha, digerir foi difícil, acreditar foi quase impossível.

O nosso Postal de Natal

24.11.20

A sessão de Natal já faz parte do nossa família. É aquela fotografia que se repete ano após ano, sempre com o mesmo entusiamo.

E é com base nestas fotografias que muitos presentes são feitos.

Ansiosa todos os anos para o cenário que vou encontrar, nervosa com a forma que eles se vão comportar pois com crianças é sempre imprevisível de saber como vai correr. E à medida que a família aumenta o grau de dificuldade também aumentou. É uma única máquina para três crianças e manter três rostos prontos a sorrir é um verdadeiro desafio. 


Cada vez mais autónomos e quando os vi no cenário, o meu coração apertou. Foi talvez uma tomada de consciência, os meus filhos cresceram e eu não tinham percebido.

Quando um simples pedalar se torna numa vitória

24.11.20

Nunca disse que o caminho seria fácil mas sempre disse que não seria impossível.

Recusei tudo o que me chegava de negativo e o que de alguma forma me cortava os sonhos. 

Lutei, lutei muito, mas sonhei ainda mais. E nunca duvidei da suas capacidades. Dei-lhe sempre a mão, mostrei "cara feia" quando tinha de ser, repreendi e o meu coração chorou quando o vi tentar vezes sem conta e sempre sem sucesso.

Assisti à sua resiliência ao longe e aplaudi-o nas suas forças e fraquezas.

Acompanhei a frustração e os inúmeros incentivos da sua terapeuta.

Mas sempre acreditei! Mesmo quando tive médicos que me disseram "Não insista mãe, não lhe faça tantas terapias, ele nunca deixará de ter trissomia".

Segredei-lhe ao ouvido "orgulho" porque é isso que sinto por ele.

Orgulho pelo seu exemplo de resiliência e admiração por aos seis anos ter mais horas de trabalho que muitos adultos.

Trabalha desde o seu primeiro mês e não sabe o que é viver livre de obrigações. No entanto nunca perdeu o seu encanto de criança, nem permiti que alguma vez isso lhe fosse roubado.

Hoje o Tomás, vence mais uma etapa do seu percurso. Começou a pedalar, algo tão simples para tantas crianças e sem questões para tantos pais.

Mas hoje o meu coração bateu mais forte quando recebi este vídeo da professora.

Hoje fez-se festa! E o Tomás venceu mais uma batalha, tão simples para outros e tão complexa para outros.

Palmas meu filho!

És grande!

O nosso maior orgulho!

Parabéns!!

E agora já podes acompanhar os teus amigos e o teu mano de bicicleta.











Dia do Pijama

20.11.20

Em tempos difíceis como os que enfrentamos é importante celebrar as pequenas coisas da vida, coisas que até então passavam despercebidas.

Hoje celebra-se a importância da família, do quanto é bom ir para escola e ter um local quentinho à nossa espera.

A nossa casa, mais pequena ou maior, pouco importa, pois o importante é a vida que está para lá das quatro paredes.

Ter uma família e uma casa devia ser um direito paras todas as crianças mas infelizmente nem todas têm essa sorte.

Não podemos esquecer que existem crianças, sem abraços e "ralhetes" típicos em qualquer família.

É importante mostrar aos nossos filhos que mais importante que bens materiais, há coisa que o dinheiro não compra e a família é o nosso maior bem.

Feliz Dia do Pijama para todas as crianças 💓



Proteger a família em tempos de pandemia

19.11.20

Nunca foi tão importante como agora mantermos a nossa casa limpa, higienizada e purificada. É nas nossas paredes que nos encontramos, que largamos a máscara e que nos sentimos verdadeiramente em segurança.

E se sempre dei atenção em ter uma casa "limpa" hoje é ponto de honra. Em casa não entram sapatos da rua, o desinfetante está à porta como se este fosse o nosso porteiro, tais como as máscaras sempre prontos a serem usadas na hora de sair.

E todo o ar que vive em nossa em casa e que não se vê, deve ser cuidado para que se combata  possíveis vírus, bactérias, mofo, ácaros e alérgenos de animais. 

Já tinha o purificador de ar da Airfree e voltei a reforçar com mais um no quarto dos meus filhos para que tenha o ar sempre purificado.

Nunca foi tão importante como agora proteger o ar interno da nossa casa. A grande vantagem do purificador do ar da Airfree é que este destrói os vírus no geral que possam estar em suspensão no ar. 

É uma marca 100% portuguesa, que possui tecnologia patenteada. A tecnologia TSS é exclusiva, pois não usa filtros para a estilização do ar, ou seja, usa o mesmo conceito natural de fervura da água para esterilizar o ar.

Funciona à base do calor e mata todo o tipo de vírus, bactérias e micro organismos que se encontram no ar. Deixando o ambiente limpo e agradável.

Esta foi uma das soluções para proteger a minha família. Uma solução silenciosa, simples, sem custos de manutenção e portuguesa.

O aparelho tem uma luz, que acaba por servir de luz de presença por isso, no nosso caso, foi como um dois em um visto que os meus filhos estão numa fase em que não gostam de dormir no escuro.





Palmas, porque o palco é dele!

18.11.20

 Hoje pela primeira fui a um programa de televisão com o coração dividido, feliz pela oportunidade de uma vez mais ir falar da nossa história e pelo meu querido projeto Desenvolve-T, mas incompleta por não poder levar comigo o meu braço direito e esquerdo, a Filipa, a terapeuta do Tomás e a pessoa que de mãos dadas criou juntamente comigo este nosso Desenvolve-T.

Olhando para trás é um orgulho enorme que sinto em nós, nos nosso percurso, na equipa que juntas construímos a pulso e nas famílias que temos diariamente a lutar connosco para que os seus filhos tenham um desenvolvimento o mais "típico" possível.

O Tomás é o elemento central de tudo isto, e se pensarmos muito sobre o assunto, é fácil perceber que o Desenvolve-T jamais existiria se ele não tivesse vindo ao mundo.

É o nosso melhor Relações Públicas e a nossa estrela cintilante que nos faz todos os dias fazer mais e melhor por ele mas também por todas as famílias que confiam diariamente em nós.

Não queremos ser só mais um centro, queremos ser família e o ombro amigo que tantas vezes falta, queremos proporcionar uma equipa multidisciplinar coesa e pró-activa que dê confiança aos pais que todos os dias nos chegam. 

Hoje o Desenvolve-T cresceu mais um pouco e deu um passo gigante na sua notoriedade e estamos gratas por isso. Obrigada Tânia Ribas de Oliveira e RTP pela oportunidade.

Hoje foi um dia especial. E quem diria que passado seis anos de umas lágrimas enevoadas no turbilhão de emoções que vivia teria forças para construir um caminho tão bonito.

E como o Tomás disse "Palmas" porque a vida é um palco e cabe a nós escolher a forma que queremos dançar nele.

Obrigada querida Tânia por este carinho!


Look
Calções | Maria Costura
Túnica | Alecrim
Meias e Botas | Pés de Cereja 






Obrigada

17.11.20

No mês em que o Blog faz seis anos uma vez mais vejo o nome "Tomás, My Special Baby" posicionado entre as mil contas de Instagram com mais engagement de Portugal.

Um Blog que começou com um objetivo muito claro: Mostrar que é possível sermos felizes na adversidade, que podemos ser uma família igual a tantas outras e que Trissomia 21 não é nada mais que um cromossoma a mais.

Sem conhecimentos na área e sem qualquer intenção a mais do que partilhar, hoje o Blog é mais que um simples Blog, é um Blog de referência em temas como a maternidade e família. E lido por milhares de famílias.

E embora não seja a minha fonte de rendimento é o que pede mais o meu tempo e a minha dedicação.

Vocês viram a minha família nascer, partilham as minhas angústias, os meus medos, choram as nossas tristezas mas acima de tudo festejam as nossas vitórias como vossas e isso é tão bom de sentir.

Nunca ambicionei ter muitos seguidores mas sim criar uma comunidade bonita, onde existe respeito, admiração mútua e onde possamos todos aprender uns com os outros e isso para mim é o mais importante.

Gerir redes sociais e um blog não é fácil e dá muito trabalho. Não são só fotografias, é muito mais que isso, requer disponibilidade, disciplina e criatividade.

Todos os dias são diferentes. Temos percalços e coisas boas. 

É preciso ouvir, para também sermos ouvidos e respeitados. Como também é necessário ignorar pessoas que acham que podem tudo atrás de um écran. 

O mais importante é quem está connosco verdadeiramente. que interessa é quem está connosco de coração.

Não sei quanto mais tempo estarei por aqui, a minha família está a crescer, e um dia os meus filhos vão assumir o comando da sua própria vida. E quem sabe se o meu sonho de ver o Tomás escrever para todos vocês na primeira pessoa não se torna realidade.

E quando esse dia chegar. A minha missão fica comprida e direi "até sempre".

O mais importante eu já ganhei, que foi ajudar famílias a serem felizes no meio da loucura de se "ser diferente". 

Mais que perfeição quero inspirar pela realidade e pela força do amor.

Embora cada vez mais o Instagram assuma o seu peso, o Blog continua a ser a "casa da mãe" deste grande projeto.

Obrigada por estarem desse lado e por também fazerem também parte de nós mesmo, que não nos conheçamos além de um nickname.

Este reconhecimento não é só meu mas de todos vocês.

Um grande beijinho

Andreia


Camisolas You&Me da Zippy com a Carolina Patrocínio


Sugestões de look's de Natal

16.11.20

Embora estejamos a viver um ano atípico aos poucos e poucos começa-se a preparar a noite mais bonita do ano.

A oferta é muita e existe para todos os gostos. O Xadrez continua a marcar presença nos look's. No entanto os veludos e os lisos começam aos poucos a ganhar destaque.

As cores variam entre os verdes, boudeaux e cinzas.

Partilho convosco algumas sugestões de look que fui vendo e que gostei muito.

Todas estas sugestões são de marcas portuguesas. 

1- Baby by Pikis 2. Maria Minorca 3.Match Babies&Kids 4.Pompon Clothing
5. Maria Costura 6. Zippy 7. Puro Mimo 8. Baby by Pikis


Obesidade Infantil

12.11.20

Embora ninguém me tenha dito nada sobre o peso do Francisquinho, o tamanho das suas roupas diziam que alguma coisa não estava bem.

A roupa deixou de servir e os números subiram exponencialmente. E embora cada criança tenha o seu ritmo, ter o meu filho a vestir dois a três números acima da sua idade era sinal que algo não estava bem.

Não o pesei mas as roupas acabam por nos dar também as devidas respostas.

Há um ano que o Francisquinho começou a ser seguido com a Dra. Sandra, mais conhecida como a Papinhas da Xica, e com alguns ajustes na alimentação rapidamente voltou ao peso normal, até que se meteu uma pandemia pelo meio, e o sedentarismo aumentou e a dispensa começou a ser de livre trânsito.

Ele por adorar comer e por ter tanta piada na forma que nos convence a dar-lhe só mais um "bocadinho", fomos fechando os olhos. Até que eu disse basta quando tomei consciência que a sua roupa tinha deixado de servir e que as suas roupas novas passaram a um número inaceitável.

É um facto que ele é uma criança alta e que vai disfarçando. O seu olhar doce com ar de reguila também lhe dá piada e tudo isto muitas vezes nos leva para um caminho mais fácil. Por vezes é mais fácil ignorar o problema.

Até que decidi voltar à consulta de nutrição e confirmou-se o que temia mas que ninguém me ouvia (família e amigos) o Francisquinho não tem só peso a mais, mas sim obesidade infantil e ouvir isso foi como um "murro no estômago".

Como é que eu permiti o meu filho chegar a este ponto? Porque é que não me apercebi mais cedo?

São perguntas que não me saem da cabeça e que me deixam desconfortável.

Mas de nada serve lamentar, o caminho é em frente e com a ajudar da Dra. Sandra delineamos um plano alimentar, que a meu ver não será fácil pela restrição alimentar que implica mas que será um começo para os novos hábitos alimentares.

Obesidade Infantil é uma doença crónica e bastante complexa. É um assunto sério e não pode ser trado de ânimo leve.

Muito provavelmente, uma criança obesa será um adolescente e adulto propenso a desenvolver problemas de saúde graves, como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, apneia do sono, doenças hepáticas e diferentes tipos de cancro.

Além de que Uma criança obesa é facilmente vítima de bullying e de outras formas de discriminação, com consequências ao nível da autoestima e do rendimento escolar.

E como mãe, este assunto preocupa-me e os olhos sérios que a Dra. Sandra olhou para mim mostrou exatamente isso.

Sei que vamos atravessar um caminho com alguma turbulência, vou ter que ser mais forte mas será por uma boa causa.

Alinhei toda a família nesse sentido. Vou pedir também ajuda à escola. E espero na próxima vez que voltarmos termos um número mais amigo na balança.

Sei que é giro ter um filho "gordinho", muitas vezes são os que chamam mais atenção porque são os mais queridos e os que mais dá vontade de agarrar. Mas obesidade é um assunto sério e que merece ser olhado com preocupação.

E é nesta idade que devemos de consciencializar para evitar futuros problemas.




Deixo aqui os contacto se precisarem também de ajuda:

Desenvolve-T
Centro de Terapias Infantil
Nutrição Infantil
Dra. Sandra Santos
91 646 46 16 ou 211 601 028
terapias@desenvolve-t.com




Um mês de escola

11.11.20

Um mês depois, de uma escola diferente, do ensino público, de uma nova realidade, e o balanço até ao momento, não podia ser mais que positivo.

A adaptação correu da melhor forma possível. O Tomás tem este dom de aceitar a mudança de uma forma inigualável. Embora tenha tido uma noite agitada de véspera, entrou sem medos, naquela que seria a sua escola por uns longos anos (pelo menos assim espero).

Estes tempos distancia-nos da escola e isso para mim tem sido o mais difícil de lidar. Sei que ele está bem, pelo menos a forma carinhosa que fala dos seus amigos e da professora mostra exatamente isso. "Os meus amigos". Sinto que está feliz! E isso para mim é o mais importante.

Como mãe e embora não queira ser tratada de forma diferente, senti-me no dever de falar com todos os pais sobre o Tomás, mostrando quem é o Tomás verdadeiramente e que a sua trissomia não o define. No entanto pedi para que explicassem aos seus filhos com veracidade se os seus filhos questionassem algo. Só podemos construir uma sociedade inclusiva se os nossos filhos forem ensinados a aceitar a diferença. Recebi só boas mensagens e naquele momento tive a certeza que o Tomás está integrado numa turma com crianças cheias de valores. É quase como um "peso que me saiu de cima".

A professora tem tido paciência para me responder aos meus email's, inclusive já reuni com ela para que pudesse falar mais do Tomás e dos seus objetivos para com ele. Mostrei-lhe as suas virtudes e as suas maiores dificuldades.

Expliquei-lhe também que vinha de uma má experiencia e que isso poderia levar-me a estar mais em cima.

E embora a professora tenha respondido sempre aos meus email's e ter acalmado sempre o meu coração, ainda não me habituei a estar mais tempo atrás das grades que na sua sala, que infelizmente só conheço por fotografia. Custa-me todos os dias vê-lo a ir para um desconhecido. A falta do toque custa-me e a falta da comunicação do que foi feito durante o dia também.

A escola perde, nós perdemos e eles também pois parece que a escola passou a ser algo distante e em que não temos acesso.

Com o Covid tem sido muito difícil a escola aceitar as terapeutas do Tomás, a articulação com a equipa também se torna difícil pois a escola também não está recetiva a isso. E isso para mim tem sido muito difícil de aceitar.

Embora o Tomás tenha também uma professora de ensino especial custa-me ver que não existe articulação dos trabalhos entre as terapeutas do Tomás, que o conhecem de A a Z e que conhecem todas as estratégias de trabalho a usar com ele, com a escola. Não existe o querer e quando isso acontece é muito difícil mostrar que aqui quem perde é uma criança. Já tive oportunidade de dizer o que penso, já expus a situação a quem de direito mas continuo com poucas respostas fundamentadas.

Sempre trabalhei em equipa e custa-me ver que o meu filho possa perder ou atrasar competências porque não existe boa vontade e flexibilidade.

Posso não ganhar esta luta mas vou lutar para conseguir. Ao mesmo tempo vou medindo os seus ganhos e percas e ver o que será melhor para ele.

E no fim do ano habilito-me a estar no quadro de honra da mãe mais chata e ansiosa como já tiveram oportunidade também de me dizer.

Mas apesar de tudo, o balanço é positivo!

Ele está feliz e enquanto os seus olhos brilharem ao correr em direção ao portão é porque estamos no caminho certo.

E com vocês como está a ser este início?





Lágrimas destes tempos

9.11.20

Um ano que começa aproximar-se do fim mas que nos continua a deixar sem ar todos os dias mais um pouco.

Um ano difícil, que nos roubou o gosto pela vida.

As pessoas tornaram-se ainda mais egocêntricas, impacientes e com falta de empatia pelo próximo. O outro passou a não importar desde que o nosso esteja assegurado.

Nos olhos das pessoas vê-se medo. E os sorrisos deixaram de existir.

Um ano que assusta só de pensar para onde nos leva. E esta incerteza constante assusta e muito.

É ver negócios e negócios a esticarem até caírem. Famílias inteiras a perderem o seu sustento e o pão na mesa.

E se antes achei que aquela pausa forçada tinha sido a maior oportunidade que a vida tinha dado às famílias, hoje já grito aos céus para isto parar. Já teve "piada" mas basta!!

Já deu para rir, para apreciar a vida com outros olhos mas está na hora de voltarmos a uma normalidade que se dissipou no tempo.  

E a falta desta luz ao "fundo do túnel" atormenta-me.

É um facto que temos uma vida inteira para ir ao cinema, jantar com amigos e até de dançar até os pés nos doerem mas quando esse dia chegar como estaremos todos nós? Como estaremos emocionalmente? Quantos voltarão a ter as suas vidas de volta desde que a pandemia se instalou?

Quem seremos nós? E os nossos filhos?

Os nossos filhos, esta geração que tanto me preocupa e me inquieta no meio disto tudo.

A minha Constança está a crescer sem ver sorrisos no rosto de desconhecidos. Não sabe o que é um colo de alguém que se acabou de conhecer. Não sabe o que é um concerto, nem tão pouco saberá o que é ter medo do Pai Natal, que se encontra em cada esquina no mês mais bonito do ano.

Ao Tomás e ao Francisco foram-lhe roubadas tantas coisas que já perdi a conta. Perderam as festas de anos com os amigos, os teatros, os musicais, os abraços e os beijos de quem os rodeia.

É isto que todos os dias me leva às lágrimas. É quando me perguntam (todos os dias) se falta muito para o Panda e o Caricas, quando lhes digo que não podem tocar nem abraçar quem não conhecem, que não podem ir à casa dos seus amigos da escola, que não podem entrar no parque infantil, que não podem, que não podem! Estou cansada! Estou seriamente preocupada com esta geração e no impacto que isto vai ter nas suas vidas.

Se me virem por aqui, vão ver uma família normal, com os cuidados necessários mas não vão ver a proibir de abraçar ou a partilhar um brinquedo. São crianças e não dimensionam o problema que estamos a viver. Acima de tudo não quero que vivam no medo e quando isto terminar, não quero que desconheçam palavras tão simples como partilha, empatia e amor. 

Quero e faço todos os dias para que os meus filhos saiam disto com as mínimas sequelas emocionais.

Todo o nosso presente vai tomar proporções no seu futuro e é importante que em momento algum nos esqueçamos disso. 

Que nunca nos esqueçamos que os nossos filhos jamais voltarão a ter 1, 2, 3, 4, 5...10 anos. Para o ano eles já não terão essa idade, os interesses mudarão e o mundo estará diferente.

Que sejamos todos conscientes das nossas atitudes, sem esquecer que temos a responsabilidade de não roubarmos o sorriso e a ingenuidade das nossas crianças pois o amanhã pode nunca mais existir.

Um dia acordaremos e eles estarão a sair de casa e tanta coisa se perdeu no meio de uma pandemia sem fim.

Um Natal que se aproxima pobre, sem a emoção das ruas, sem espetáculos, sem trocas de presentes, sem família e amigos.






A nova aposta do futebol Português

6.11.20
O meu marido é fã do futebol já eu confesso não sou grande apreciadora. No entanto gosto do futebol como desporto e tudo o que envolve: resiliência, companheirismo e toda a componente emocional e física.

Nunca duvidei que os meus filhos fossem para o futebol, com um pai "louco" por futebol não havia forma de isso não acontecer. Já era uma coisa pensada em família. O desporto faz muito bem e desde que não seja visto como algo competitivo tem-se mais a ganhar do que a perder.

Embora os meus filhos não sejam ainda "loucos" pelo futebol, achamos que é um desporto bastante adequado para gastarem energia e aprenderem a importância do trabalho em equipa e do saber perder e ganhar.

Mais uma vez não equacionamos a trissomia 21 mas sim o interesse dos nossos filhos. Tínhamos como certo que iam experimentar e se gostassem  ficavam, caso não quisessem não iriam mais e estava tudo bem com isso.

O interesse será sempre deles e só depois vem o nosso gosto. Em  tempos numa palestra ouvi que "os pais estão mais preocupados em enchê-los de atividades do que saber realmente se eles estão felizes em fazê-las.

E na altura quando ouvi fez todo o sentido. Vivemos numa sociedade em que queremos que os nossos filhos saibam fazer tudo, jogar futebol, tocar piano, falar inglês. Tudo isto para que sejam exibidos como prémios aos amigos.

Em momento algum duvidamos se o Tomás seria ou não capaz deste novo desafio. Ele gosta muito de jogar à bola, mas nem sempre tem a concentração pedida, no entanto nunca sentimos que não fosse aceite na equipa por isso. Ele quando quer joga, quando não quer mais sai. E está tudo bem. É só um desporto e o objetivo principal é que se divirtam. 

O Francisco, está super feliz e dá gosto vê-lo a jogar. Sinto-o que está verdadeiramente feliz e empenhado em aprender e isso para nós é o mais importante.

Todos os dias pergunta se é dia de Futebol e esta pergunta mostra bem o quanto gosta.

Por isso apresento-vos as mais recentes apostas do futebol Português: Francisco e Tomás. 






(Finalmente) o Novo quarto

5.11.20

Já faz um ano a primeira vez que partilhei sobre a mudança do quarto dos meus filhos. Entretanto meteu-se uma pandemia com direito a confinamento no meio e que me fez recuar um pouco, até que em Junho voltei a pegar nos meus rascunhos e dar-lhes forma.

Antes

Foi talvez das mudanças mais difíceis para mim, passei por vários testes de cores e por várias ideias, umas seguiram em frente mas na maioria todas elas acabaram por não passar de uma intenção.

Fazer de um quarto de catorze metros quadrados, um espaço onde vão dormir três crianças é uma "aventura" e se juntarmos a isto, um quarto misto ainda mais desafiante se torna.

Foram aqui que se prenderam as minhas dificuldades. Onde meter três cama? E quais as cores predominantes? 

A minha preocupação principal era que todos sentissem que aquele era o seu quarto. Não queria que fosse nem muito de rapaz para que a Constança não sentisse que aquele quarto não era dela, nem queria que eles achassem que perderam o seu espaço em prol da irmã.

Queria um quarto neutro, que transmitisse tranquilidade, sem "ruído" e que todos gostassem. Por saber do desafio que era fazer este quarto pedi ajuda à pessoa que decorou a minha casa e que tanto confio pelo seu gosto para me ajudar.

Foi a Inês que me ajudou a desbloquear algumas ideias e que me deu o empurrão que precisava para sair do papel para a ação.

Foram dois meses de alguns encontros, de testes de cores, de várias peças equacionadas para a decoração até que chegamos ao "é isto". Após termos decidido tudo foi encomendar todos os materiais, mandar fazer as colchas e almofadas e dar início à encomenda.

Não foi uma mudança fácil mas não podia estar mais contente com o resultado final. Ficou tal e qual como imaginei ou ainda melhor.

O tempo que se perde em nós

3.11.20

Quem me conhece sabe que é verdade, sempre fui daquelas mulheres que ambicionava casar e ter filhos. Quase como se fosse mote da minha vida. A carreira nunca foi prioridade. Não condeno quem opte pela carreira, pelo contrário. São opções de vida.

Mas a minha forma de estar na vida nunca privilegiou o trabalho à família. No entanto a minha vida ainda (e penso que nunca acontecerá) passará por estar exclusivamente dedicada à família.

Admiro quem tenha estrutura económica para o fazer e até chego a ter um pouco de inveja (boa) da vida "por casa" mas nem sempre a vida nos dá o que ambicionamos.

Não acho que ser só mãe ou estar só por casa tenha menos valor de quem assume um cargo importante numa empresa. São opções de vida, onde não existe o certo ou o errado. 

Com a quarentena que tivemos, acredito que o papel de mãe a 100% assumiu outra valorização na sociedade, pois quem fica a cuidar dos filhos trabalha tanto ou mais de quem sai todos os dias paro trabalho.

É um trabalho emocional e físico enorme, onde não se para cinco minutos para o "cafézinho". Nunca está tudo feito e há sempre alguém para cuidar ou ir buscar.

Com o confinamento, e porque tive estrutura para o fazer, abdiquei do meu trabalho por alguns meses só para cuidar da minha família e talvez tenha sido a fase em que me senti mais cansada, mais feliz e completa.

Foi muito bom enquanto durou! E todos os dias agradeci a oportunidade que a vida me tinha dado (mesmo que tenha sido pelas piores razões).

Foi bom! Tinha conseguido alcançado a felicidade em pleno e a tão proclamada qualidade de tempo com os meus filhos.

Entretanto voltei ao trabalho e este voltou a assumir destaque na minha vida. Não consigo estar parada por isso tudo o que me pedem digo que sim. Vivo de objetivos e movo montanhas para não falhar com os outros mas também comigo própria.  E isso implica um grande esforço meu, de muitas horas de sono mas também do tempo com os meus filhos.

Combinei comigo mesma sair às 17h do trabalho, tenho dias que consigo, outros que nem tanto e quando não consigo custa-me muito. Já chego a casa cansada, com pouca paciência e consequentemente com poucas horas de qualidade para os meus filhos.

A Constança na semana que passou sentiu a minha ausência, tive muito pouco presente, dei-lhe pouco da minha atenção e ela perdeu-se no vazio.

Por vezes não é preciso que os outros nos digam, também nós percebemos as nossas falhas e sentimos quando os nossos filhos não estão bem.

Senti-a mais impaciente e com "sede" dos meu braços, a prova disso eram as lágrimas que deitava assim que lhe tirava o meu colo.

O trabalho pode dar-nos muito mas ainda nos tira mais.

E quem disser que o papel de mãe e de profissional são compatíveis é porque deseja muito pouco para ambos os papéis porque é impossível estar a 100% nos dois lados.

É normal falharmos, não somos invencíveis do tempo e é preciso percebermos que uma mãe tem várias vidas dentro dela e que nem sempre conseguimos alcançar o equilíbrio em todos os nossos papéis.

Look Mum | Monkiki





Halloween

28.10.20

Não sou fã do Halloween mas os meus filhos adoram.

Infelizmente este ano será bem diferente do normal, no entanto apesar de tudo quero que se divirtam e que se deliciem à mesa com doces e travessuras.

Preparei um lanche divertido com sugestões rápidas e feitas em três tempos para um lanche em família.

Utilizei produtos da Condi pois além de gostar da sua qualidade nunca falham nas receitas.

E vocês já começou a pensar no Halloween?





Pãezinhos de leite

Ingredientes
250g leite
100g margarina
50g açúcar
1 saqueta fermento de padeiro Condi
2 ovos
700g farinha
1 c.chá de sal

Preparação
Aquecer em banho maria a margarina, o leite e açúcar. De seguida juntar os restantes ingredientes e amassar até criar uma bola

Acompanhei com compota de frutos vermelhos.

Para a compota:
Ingredientes
1Kg de frutos vermelhos
500g açúcar
Pectina Condi. A Pectina é um gelificante natural. Torna as compotas mais espessas e homogéneas.

Preparação
Envolver tudo num tacho e mexer até ferver e ganhar consistência.

Gomas
Ingredientes
1 pacote de gelatina Condi
1 pacote de gelatina neutra Condi
230g água

Preparação
Coloque num tacho todos os ingredientes e misture bem.
Como não tinha formas para gomas, usei as cuvetes de gelo e resultou na perfeição.


Para a decoração utilizei os descartáveis da Pimm Parties. As abóboras são do Lidl.










Está na hora de (mudar)

28.10.20
Mudei o Tomás para o seu quarto no dia que foi batizado, tinha seis meses. Correu lindamente pois desde esse dia que não acordou mais durante a noite.

O Francisquinho, pela sua forma de ser e por precisar tanto do meu aconchego só foi aos dois anos. 

A Maria Constança vai hoje passar a primeira noite com os seus irmãos. Já tínhamos tentado antes mas sem sucesso, os horários do deitar ainda estavam desencontrados e rapidamente voltou para o nosso quarto.

Nunca tive muitas pressas com a mudança do quarto, acredito que cada bebé dá os sinais quando se sente preparado. 

Tudo a seu tempo. Há quem defenda que devem ir nos primeiros meses para que se habituem a regular-se sozinhos e há quem defenda que só a partir de um ano o cérebro está preparado para esta "separação".

A minha opinião é que devemos respeitar o bebé que temos, sem comparações com os demais. O certo para o meu bebé pode ser o errado para o bebé da outra mãe. Não acredito que existam fórmulas.

Quando mudam, crescem na autonomia, e embora pareça algo simbólico é um grande passo para a sua maturidade.

A Constança começou a dormir a noite toda e está com um sono bastante tranquilo, e foram estes sinais que me levam a achar que está pronta. 

Vai juntar-se ao quarto dos irmãos e será ali que vai criar memórias. De ralhetes por não adormecerem e dos acordares em bando.

Não sei se vai correr bem, acredito que sim, mas se não correr volta para junto dos pais. E sabem que mais? Independentemente do que for "Está tudo bem".

E vocês como gerem o momento de transitar de quarto?






Fim-de-semana em Tróia

26.10.20

Um fim-de-semana idealizado pelo meu pai, marcado e remarcado várias vezes.

E mesmo com o tempo instável e um país a entrar uma vez mais em estado de contingência fomos. O destino foi Tróia e sabíamos que estaríamos exclusivamente em família e fora de aglomerados de pessoas.

Foram dois dias fantásticos, em que vivemos numa tranquilidade imensa, como só troia nos sabe transmitir.

Passeamos pela praia, onde levantamos a areia entre brincadeiras. E apreciámos o silêncio e o som das arvores e do mar ao longe.

Um retiro que nos fez esquecer por momentos o mundo lá fora. 

Estávamos em três vivendas mas que nos centrávamos numa só para as grandes conversas, as gargalhas e as histórias do passado. Brindámos à família e ao amor que nos une.

Não levei nenhum único brinquedo, o que fez com que eles tivessem que puxar pela sua criatividade. Brincaram e exploraram a natureza, saltaram e correram até ficarem sem forças. 

Senti verdadeiramente que eles estavam felizes. Respiraram ar puro e viveram o amor na sua plenitude e isso é o mais importante.

O nosso fim-de-semana foi assim, e o vosso?

Ficámos no Tróia Residence e adoramos pelo conforto, tranquilidade e envolvência.



A minha cozinha nova

22.10.20

 Adorava ter uma cozinha grande, não que passe grande parte do meu dia lá, mas é seguramente das divisórias mais importantes e que melhor bem estar me causa.

Das coisas que mais prazer me dá é encher o frigorífico e a dispensa de cor. É ali que me organizo e que tudo começa. Se não tiver uma cozinha organizada dificilmente encontro equilíbrio para as minhas inúmeras tarefas.

Não sou uma cozinheira eximia, nem tão pouco criativa mas sou esforçada para proporcionar à minha família uma alimentação equilibrada.

É ali que reúno a família e amigos para grandes almoços e jantaradas.

De tempos em tempos, destralho a cozinha, sempre em busca de uma maior organização e de mais espaço mas por ser pequena nunca consegui chegar ao que queria.

A quantidade de alimentos repetidos que tinha na dispensa era prova disso porque como deixava de estar no meu campo de visão, perdia-me na hora de ir às compras.

Até que tropecei na página da Bruna - Organizar c' Alma, e lhe pedi ajuda. Uma querida disponibilizou-se para me ajudar e fazer milagres.

Foi a minha casa, viu onde estava o "problema", entregou-me uma proposta, ajustamos com as minhas necessidades e voltou mais tarde para fazer milagres.

Hoje tenho uma cozinha organizada, funcional e que me equilibra para as minhas outras tarefas.

Vejam o vídeo da mudança 😃

Espero que gostem!!





A sorte procura-se

20.10.20



Quando o Tomás nasceu a palavra ou melhor as palavras que mais ouvi, foram duas: Intervenção Precoce. Não havia tempo para esperar, era começar o quanto antes pois embora houvesse coisas que não fizessem muito sentido, tinham que ser feitas, pois quanto mais estímulos ele tivesse mais potenciaria o seu desenvolvimento.

E se queria que mais tarde fosse aceite na sociedade, levei a intervenção precoce como bíblia para a minha vida. Foi aqui que apostei tudo. E que também me fez abdicar de outras coisas, tudo em prol de um bom desenvolvimento.

Dei-lhe a oportunidade de vivenciar todas as terapias que a meu ver o iam beneficiar. Experimentei muito mas acreditei ainda mais. Confiei!

Mas é preciso perceber o que existe e fazer escolhas. Se acreditamos é confiar e não continuar à procura de respostas que teimam em nunca chegar. É certo que não saberemos se as nossas escolhas serão as mais acertadas mas a vida é mesmo isto.

Uma vez o meu marido disse que não sabia se o que fazíamos era o melhor, mas que preferia tentar, do que viver na incerteza do "se" e não posso estar mais de acordo.

É tendencioso da nossa parte irmos em busca de respostas, mas o excesso de informação pode também a desfocar-nos do que realmente é importante.

Todas as terapias são importantes, mas nem todas se enquadram com a criança ou na dinâmica familiar. É escolher com o coração e com a certeza que fazemos o nosso melhor.

No nosso percurso já contamos com muitas profissionais,  umas que não criei laços, outras que passaram a ser um bocadinho também nossas.

Tive azares e sorte como tudo na vida. E em seis anos percebi o que queria para o Tomás. Uma equipa coesa, que fosse mais além do esperado.

Nem sempre é fácil encontrar, mas encontra-se. É apenas preciso acreditar e experimentar.

A Inês é exemplo disso, ex-estagiária de uma terapeuta que me deixou ótimas memorias. Hoje é a terapeuta do Tomás e do Francisquinho e vai muito além da sua profissão. 

Trabalha com alma e isso nem todos conseguem pois há coisas que não se aprendem em cadeira de faculdade.

A sorte procura-se e acreditem que eu procurei muito para ter a melhor equipa a trabalhar com o Tomás.

Resultado disso é o seu sorriso quando está em terapia.



Desenvolve-T




6 Estratégias para ajudar as crianças no momento em que estão hospitalizadas

19.10.20

No artigo anterior falei-vos sobre algumas reações e comportamentos gerais que a criança pode apresentar quando passa pela experiência da hospitalização. O objetivo é conseguirmos minimizar ao máximo o sofrimento da criança. Sabem que a hospitalização em determinadas situações pode ser inclusive uma oportunidade de aprendizagens positivas? Sim! Por exemplo é durante o internamento que por vezes os pais aprendem a massagem de relaxamento ao bebé…ou a saber interpretar o seu choro! Como profissional é esse o objetivo.

Quero partilhar convosco a minha visão pediátrica do cuidar as crianças e família que faz diferença quando existe um internamento ou um processo de doença. Funde-se com o conceito de parceria. Os familiares são atores principais, conhecedores privilegiados da criança e por isso “meus parceiros”. No entanto, é também importante que os pais saibam que as suas manifestações influenciam o comportamento da criança, mas que é legítimo terem as suas fragilidades e limitações, devendo recorrer aos profissionais de saúde para obter suporte. Não têm que estar sozinhos. Assim nesta dinâmica de equipa será mais fácil vivenciar o processo da hospitalização. Concordam?

Apresento-vos algumas estratégias que podem ser utilizadas pelos familiares ou outros cuidadores significativos da criança. São estratégias gerais e mais uma vez refiro que são necessárias adaptações à idade da criança. Aqui com certeza vão ter a ajuda do “vosso” enfermeiro.

Estratégias para aumentar o conforto da criança: 
  • Estar consciente para as alterações comportamentais da criança e conhecê-las (ver artigo anterior)
  • Garantir a presença de um acompanhante significativo para a criança. Está comprovado que esta presença representa melhores respostas ao nível físico (redução de níveis de dor, insónia…) e ao nível emocional (menor irritabilidade, agressividade). 
  • Sempre que possível manter-se na “linha visual” do bebé, tocar e oferecer afetos, mimo! 
  • Permitir a sucção não nutritiva (chuchar) provocando prazer e com isso afastamento do medo e ansiedade. 
  • Utilizar os objetos significativos da criança (ex: fraldinha de pano, numa criança mais velha pode ser uma foto, o seu telemóvel!) 
  • Sempre que possível preparar a criança para os acontecimentos. Deixá-la contatar com o material (brincadeira lúdica) (ex: mãe e filho colocarem a touca cirúrgica, manipularem uma seringa e deixar fazer uma “pica”no boneco!), contar histórias que a aproximem da realidade vivenciada: ”O Diogo vai ser operado!” “Anita no Hospital”. Brincar com o Playmobil do bloco operatório, desenhar o corpo humano identificando o local afetado… 
De acordo com a idade da criança encorajar a sua participação no processo de tratamento, incluí-la nas conversas, sempre em articulação com o enfermeiro responsável. Importante permitir a verbalização e exteriorização de sentimentos da criança e deixar sempre bem claro que os procedimentos não são punição (daí ser totalmente ERRADO os pais ameaçarem as crianças com “olha que se te comportas mal a Enfª dá uma pica!).
Fazer por manter ao máximo as rotinas familiares da criança (hora do banho por exemplo)
Proporcionar, tanto quanto possível, a liberdade de movimentos
O recurso a: Medidas de distração (musicoterapia, jogos, vídeos lúdicos, histórias), Relaxamento/Diminuição da tensão muscular (Massagem-proporcionando o relaxamento através da libertação de hormonas do relaxamento, Posicionamento de conforto, Respiração lenta/ou profunda, Mindufulness, Aplicação de Calor/Frio). Relaxamento criativo em momentos de dor ou procedimentos dolorosos (por exemplo imaginar que somos leves leves como o algodão, bater palmas com muita muita força! 

Utilizar o reforço positivo com palavras encorajadoras e a recompensa.
Dentro do possível tornar o meio hospitalar o menos “formal” possível, adaptando-se ao mundo da criança.

Talvez possam sentir que terão dificuldade em aplicar estas estratégias …mas como disse não estão sozinhos. Os profissionais de saúde irão ajudar. Neste período pandémico que atravessamos vemos medidas aqui referidas com algumas limitações a serem aplicadas, no entanto todos estamos sensíveis ao superior interesse da criança.

Enfª Ângela Baptista – Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica



______________________________________________________________________________________________________Nota Bibliográfica: Guias Orientadores de Boas Práticas de Saúde Infantil e Pediátrica – Vol II Ordem dos Enfermeiros 2011 


A Hospitalização

16.10.20

Recentemente o Tomás passou pela experiência da hospitalização. Nesse período muitos foram os comentários solidários para com uma situação pela qual todas as crianças e suas famílias podem passar um dia. Felizmente assistimos a um evoluir positivo, considerando-se somente quando estritamente necessária, e o menos duradoura possível. Representa uma experiência exigente para a criança e a família. Impõem-se alterações repentinas na rotina de vida. 

Com base nos meus conhecimento partilho convosco sobre o que podemos esperar que a criança vivencie durante a experiência da hospitalização. Reconhecer é o passo mais próximo de compreender e ajudar. 

O foco de quem cuida da criança internada passou a ser compreender a experiência da hospitalização, tornando-a menos traumática possível! A família é o maior parceiro do enfermeiro, o cuidador por excelência nos serviços de saúde por ser quem de fato está as 24H diárias. Ambos lutamos para o maior bem estar da criança.

Antes de mais quero tornar de vosso conhecimento a existência de um documento importantíssimo:

“A Carta da Criança Hospitalizada (1988)” ,  implementa dez direitos, que se assumem como mandatários no decurso da hospitalização. Destaco dois:

O 1º direito, que define de forma clara em que condições a hospitalização deve ocorrer: “A admissão de uma criança no hospital só deve ter lugar quando os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia.”

O 2º direito, no qual encontramos respostas relativamente ao acompanhamento da criança: “Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou seus substitutos, junto dela, dia e noite, qualquer que seja a sua idade ou o seu estado.”

Assim, a criança deve estar próxima de quem ama, e que representa para si a sua segurança (exceto raras situações em que, por motivos muito particulares de saúde, a criança não possa estar acompanhada).

Falo-vos agora de fatores que foram estudados como sendo os mais expectáveis numa criança hospitalizada. Porque é importante? Reconhecê-los permite atuar e responder positivamente.

Um futuro incerto

15.10.20

 Os tempos não estão fáceis e não tendem a melhorar.

As notícias que nos chegam são de instabilidade e voltaram para nos assombrar. A possibilidade de uma segunda vaga ainda pior que a primeira, um Natal à porta, o nosso sistema de saúde, a saúde dos nossos e dos demais, os nossos empregos e a nossa vida entregue ao acaso. É assustador!

As medidas voltaram a apertar e a nossa liberdade começa-se a dissipar.

Olho para trás e vejo o que os meus filhos perderam e que continuam a perder diariamente. A Maria Constança embora super estimulada pelos irmãos, nunca foi a um teatro ou musical ou a um simples parque infantil. Na rua não vê muito além de máscaras e isso assusta-me.

Tão pequenina e com uma realidade tão distante dos velhos tempos.

Um ano que começa a preparar-se para acabar e outro que espreita na incerteza.

As escolas estão diferentes. A forma de ver a vida também e se antes era bom brincar na rua, hoje receia-se pelo vírus.

A partilha deixou de fazer parte do nosso vocabulário e isso assusta-me cada vez mais.

Os abraços e os beijos verdadeiros são como água no deserto e isso é assustador, pelo menos para mim.

Assusta-me verdadeiramente esta nova geração. 

Assusta-me sair de casa com medo de contrair o vírus e ainda mais de ser a responsável para passar para as pessoas que mais gosto.

É um medo maior pela incerteza de um mundo que está a mudar e que nos está a roubar o que de mais valioso temos, a liberdade e os afetos.

Cabe a nós pais dosear comportamentos mas com equilíbrio, sabendo que todas as nossas escolhas terão consequências para o futuro dos nossos filhos.

Hoje celebra-se o dia Mundial da lavagem de mãos e nunca foi tão importante como agora explicar aos nossos filhos a sua importância.

Que nos mantenhamos todos seguros e que em breve voltemos a abraçar a vida tal como ela merece.






Tomás

13.10.20
Ainda antes de ter noção do que me estava a acontecer, no meio de um turbilhão de emoções imaginável, ainda com os focos de luzes sobre mim do bloco de partos, apertei-o com força e jurei-lhe identidade.

Que fosse chamado pelo seu nome próprio: Tomás. Movi e ainda movo montanhas para que ele seja reconhecido por si e não pela sua caraterística maior: Trissomia 21.

O segredo de abraçar a diferença é essa mesmo, e embora saibamos que exista, se a olharmos de frente, sem medos. "Sim! O Tomás tem Trissomia 21" ela perde a sua força. Em momento algum achei que isso fosse condicionante para a sua e a nossa felicidade.

Arrisco em dizer que talvez seja é mais feliz porque ele mostra-me todos os dias um jardim repleto de flores, daqueles que só se vêm no país das maravilhas. Ao contrário de tudo o que me disseram é possível ser-se feliz mas também, apesar das adversidades,  nuca dei oportunidade à vida de me fazer infeliz.

Como já disse o caminho que escolhemos para nós depende exclusivamente de nós e quando o T nasceu vi o meu destino rodeado de dois caminhos, era simples: Ou agarrava-me à vida, e aceitava. Ou vivia no sofrimento por um diagnóstico que tem tanto de concreto como de incertezas.

Talvez tenha escolhido o mais difícil, não sei. Mas hoje posso olhar para um futuro com uma única certeza absoluta: O Tomás será o Tomás e será o que ele quiser da vida. A minha única exigência para com ele é que seja feliz, tudo o resto, a vida resolve-se sozinha (como diz a Querida Catarina Beato).

Foi o meu filho que me mostrou da forma mais dura que todos somos iguais com a nossas diferenças. E é isso que sinto quando o vejo junto de outras crianças. Não consigo diferencia-lo perante os seus pares pois quando olho só vejo uma criança feliz.

Não podia estar mais feliz e orgulhosa por o Tomás ter dado a cara a uma das marcas mais queridas da nossa família. A Pés de Cereja convidou-o para ser um dos rostos da nova coleção Outono/Inverno.
Ele brilhou tal como as outras crianças e juntos mostraram que não existe impossíveis, que é possível amar a diferença da forma mais poética que existe.

Porque a diferença está apenas no olhar de quem a quer ver.





Fotografias | Daniela Sousa Photography



Obrigada Pés de Cereja pela oportunidade e por mostrarem que todos somos iguais com as nossas diferenças.

Tenho um miminho para vocês que estão sempre desse lado 😍

10% de Desconto com a apresentação do código TOMAS10 válido a partir do dia 12 de Outubro até ao dia 22 de Outubro.




Fim-de-semana no campo

12.10.20
Há quem diga que não devemos repetir locais onde já fomos felizes. Que as expectativas serão tão altas que é inevitável não nos desiludirmos porque jamais se conseguem replicar estados de espírito.

Concordo que só se vive o momento uma única vez, e que por mais vezes que voltemos vamos sentir sempre de forma diferente, o que não significa que seja menos bom.

Voltámos ao Zmar, e embora tenha sido diferente foi igualmente perfeito.

O tempo ajudou e muito. Lembrou o Verão que acabou de acabar. E vivemos da forma mais crua a natureza. Respiramos ar puro, demos mergulhos na piscina de ondas, corremos até deixar o nosso rasto no ar. E passamos grande parte do tempo isolados, a olhar para os animais e a contemplar a grandeza da natureza.

Senti-os verdadeiramente felizes com pouco. Sem telemóveis e brinquedos. Foi perfeito!!

E nesta fase de maior cuidado, é um resort fantástico para ir pois é enorme e não existe concentração de pessoas. Passamos grande parte do tempo na Quinta Pedagógica sozinhos a contemplar a mãe natureza e com uma sensação de liberdade única.

O Zmar é daqueles locais que dá vontade de repetir vezes sem conta pela paz que nos transmite.

Ideal para estar em família, para longos passeios, sem horas. No Alentejo, perto da praia e do campo e pensado essencialmente para as crianças.

Uma vez mais prometemos voltar.









Chicco
Pés de Cereja











Igual a si próprio

6.10.20

Numa altura em que as sociedades são padronizadas, em que se vive para se ser igual aos demais. Em que metade cria e a outra emita. Muitas crianças nascem para contrariar o padrão.

É quase como um grito, em que o bom não é ser igual mas sim igual a si próprio. 

Deve-se saber viver em sociedade, pelo respeito, por uma maior empatia e amor pelo próximo mas isso não implica que se perca autenticidade. 

Não penso muito no futuro, porque não me faz bem, não quero acordar os meus medos adormecidos. Não sei se é o melhor mas é o que me faz viver feliz por isso para mim está tudo bem.

Não sei como será o futuro do Tomás mas sei o que quero para o seu presente e é neste sentido que todos os dias movo o mundo, para lhe dar todas as ferramentas necessárias para que no futuro consiga construir o seu próprio caminho, com confiança nele próprio e sem inseguranças maiores. 

Todos os dias é uma contagem decrescente para a adolescência. Onde deixará de ter piada por ser criança e onde terá de provar o seu lugar junto do seu grupo. Onde a mãe deixará de estar na retaguarda e ele terá de assumir o comando da sua vida.

A mim não terá de provar nada porque sei o seu valor, mas terá de provar que merece ser olhado de igual. Vai dar trabalho, vai, mas vai valer (tanto) a pena. Porque afinal de tudo, "se és capaz de fazer és capaz de fazer".

Chorarei várias vezes as suas angústias, limparei as suas lágrimas, mas sei que ele será capaz de vencer. Vai haver quem gozará mas também quem dará a mão. 

O Bullying pode ou não fazer parte dos nossos dias, não sei, mas também não quero pensar muito nisso.

As conversas na altura chegarão e algumas vezes as palavras faltarão mas chegará o dia em que lhe vou segurar o rosto com as mãos, que o aconchegaram no seu primeiro choro, e lhe direi "És especial demais para seres igual aos outros".


Boneca | Ufalufa







 


Amor

2.10.20

 Não foram muitos dias, foram dois, mas o suficiente para voltarmos a renascer o nosso Amor.

O dia a dia muitas vezes faz esquecer as razões que nos uniu, o amor esse nunca desaparece, mas a chama da paixão abranda pelo desgaste que os filhos, o trabalho e uma casa nos dão.

É preciso por vezes parar, deixar tudo para trás e voltarmos ao início de como tudo começou.

E que bem nos fez esta pausa, tem sido um ano exaustivo, o tempo de quarentena não nos deixou respirar e o voltar à rotina também não.

Enquanto casal, já nos sentíamos muito cansados e com vontade de termos tempo a dois, para nos reencontramos nos braços um do outro e até meter toda a conversa em dia, que tantas vezes fica perdida entre banhos e colheres de sopa.

O local escolhido não podia ter sido o melhor. Já tinha ouvido falar muito do Hotel Areias do Seixo, só não estava à espera que fosse tão perfeito.

Localizado no Oeste, junto ao mar e da natureza, acalma-nos a alma e remete-nos para a nossa verdadeira essência. Paz, Amor foi o que senti ali!

Nunca tinha sentido, nem tão pouco vivido o que ali vivi. Tudo ali está pensado ao pormenor. Um hotel para adultos, romântico, rústico e cheio de bom gosto.

A palavra Amor é que mais se vê por ali. 

A música de fundo que nos adormeceu e acordou no meio de almofadas, um banho de espuma e muitas outras coisas bonitas.

Ali não existe televisão, só um bom copo de vinho, lareira, mantas e amor.

Viemos felizes! Atingimos a maioridade e metade da nossa vida foi passada ao lado um do outro.

Dois dias bastaram para nos apaixonarmos novamente um pelo o outro.






9 Anos de um Grande Amor

1.10.20

Há 9 anos começava a maior aventura das nossas vidas.

Ambos com 27 anos, acabadinhos de sair de casa dos pais, para o mundo dos adultos. Com uma casa por estrear e cheios de sonhos por concretizar.

Na bagagem já levávamos nove anos de um grande Amor que culminou num dia inesquecível.

Lembro-me de na véspera ter fumado o meu primeiro cigarro à frente da minha mãe, de lhe ter pedido para não chorar porque eu queria aguentar-me firme para que as emoções não falassem mais alto.

Um casamento planeado com o máximo rigor pelo meu pai e que me conseguiu proporcionar tudo o que alguma vez sonhara.

Foi um dia verdadeiramente feliz e que ainda hoje digo que adorava repetir vezes sem conta.

No dia 1 de Outubro dissemos o "sim" a uma vida em conjunto. Em que sabíamos de antemão que os problemas iriam surgir, que iríamos descordar vezes sem conta mas que teríamos a certeza que seria para a vida toda.

Parece que foi ontem, mas já foi há nove anos que construí o meu maior império, a minha família. O meu porto seguro. Onde me zango, rio, choro, onde me encontro quando me perco e onde sou verdadeiramente feliz!

Não existem segredos, existe apenas um amor verdadeiro, que apesar de algumas adversidades, acaba sempre por prevalecer. 

E hoje se voltasse atrás, voltaria a subir ao altar para me encontrar no homem que escolhi há nove anos para ser meu.

Até velhinhos 

Centrimagem




Coração Bom

30.9.20

 42 Dias depois do maior desafio da nossa vida.

Voltámos ao hospital onde o Tomás foi operado.

Voltámos para duas consultas importantes, eu confiante que tudo estaria bem e que ele podia começar a fazer a sua vida normal sem qualquer limitação e ele feliz por ir para junto dos seus "doutores" como chama.

Depois de umas boas horas de espera, fomos atendidos. Ecografia feita, observação na cicatriz, verificação do plano de medicação e ambos os médicos foram unânimes, o Tomás teve uma recuperação fantástica.

Está forte e com o seu coração bom!

Vai voltar a poder fazer exercício físico e vai reduzir a toma de medicação.

Saímos felizes e vitoriosos desta batalha que se atravessou no nosso caminho.

Voltamos em Janeiro para vigiar.

Obrigada a toda equipa que nos acompanhou e que lutou pelo bem estar do seu coração, hoje, são os responsáveis pela nossa felicidade.



 

Atrás das grades

28.9.20

Um ano letivo que começou a medo. Uma escola pública e um novo mundo por descobrir.

Tenho a sorte do Tomás ser das pessoas que conheço que mais aceita a mudança com tranquilidade. No seu primeiro dia, pouco dormiu e até dores de barriga teve, mas mesmo assim não perdeu o seu sorriso. 

Como todos os outros foi de lancheira na mão, sem qualquer referência, para dentro de uma escola que nunca lhe tinha visto as paredes.

Não sei o que é ser pequenino e ver-se de repente sem o aconchego dos pais, ver máscaras e desinfetante "ao molhos", não ver sorrisos mas olhares e não poder ter nenhum abraço para aconchegar.

Mas sei o que é ficar do lado das grandes a ver  a sua audácia em ir, de peito aberto e sem medos.

E se por um lado o seu sorriso em ir e voltar tranquiliza-me, a falta do contacto com a professora ainda me inquieta.

Tem sido o mais difícil para mim de gerir. Quando o vou buscar, sinto falta de saber mais, de ir um pouco mais além do que ele me conta. 

Sinto falta de ver as paredes da escola decoradas de desenhos, de sentir o cheiro da sala onde passa grande parte do seu tempo e de trocar olhares e palavras com a professora.

Tenho criado uma relação à distância por mail e temo estar a concorrer ao lugar da "mãe mais chata" do ano mas tenho necessidade de saber como estão as coisas a correr.

É um ano diferente, de uma grande exigência emocional para todos. É preciso confiar! Segurar a nossa ansiedade e deixa-los voar.

Eles precisam de sentir a tranquilidade nas nossas palavras e nós precisamos de os ver a serem simplesmente crianças.

E se antigamente, era só mais um dia. Agora cada dia é uma vitória de superação para todos.

E vocês, como têm gerido estes dias atrás das grades?






Mood Board do novo quarto

25.9.20

Já estou nos últimos preparativos para o novo quarto.

Eles estão super entusiasmados e eu ansiosa por ver finalmente a minha ideia concretizada.

O mais difícil em todo o processo foi escolher as cores, porque queria um quarto em que ambos se identificassem e por isso não podia predominar uma única cor.

No entanto por ser menina não quis excluir por completo o rosa e optei pelo rosa velho a contrastar com o cinza e verde.

Os móveis vão ser entre o branco e o pinho.

Por ter um quarto de brincar, optei que este fosse um quarto em que encontrassem tranquilidade, sem brinquedos, só com alguns livros.

Vai ter a presença de um papel de parede, que marcará bastante o quarto por isso optei por cores suaves e sem padrões fortes.

Ansiosa por vos mostrar toda esta mudança 😉

Tecidos: Nomalism Puxadores: Zara Home Carrinho de bonecas: Vertbaudet Pratelieras: Vertbaudet


20+1 Conselhos das crianças para os pais

24.9.20

"Papás, peço-vos que baixem um bocadinho o som da televisão ou que a desliguem mesmo. Aquilo que lá ouvem deixa-vos muito sérios e tristes. Não consigo perceber bem porquê e isso deixa-me um bocadinho preocupado. 

Eu e os outros meninos já voltámos à escolinha e vocês já não estão sempre comigo.

Há muitas coisas que estão diferentes e há muitas regras novas. Gostava de conseguir ver a cara da minha professora mas ela diz que tem de estar mascarada porque o carnaval chegou mais cedo. É muito engraçada ela.

Vocês andam com uma cara muito preocupada e ultimamente só falam do que se passa na escola.

Quero dizer-vos algumas coisas que são muito importantes para muitos papás como vocês e para crianças como eu. Perninhas à chinês e cabelos para trás das orelhas para me ouvirem bem:"

A escola

1. Já vos ouvi dizer que estão com medo que eu vá para a escola – É na escola que eu posso aprender, brincar, aprender a resolver os problemas, sentir que sou capaz, fazer amigos e descobrir que existem pessoas diferentes de mim – Façam-me sentir-me seguro naquele lugar, dizendo bem da escola à minha frente, lembrando-me das coisas boas que acontecem e que aprendo durante o dia;

2. Ajudem a minha professora a conhecer-me melhor, dando-lhe informações sobre as minhas características, interesses, dificuldades e quando tiverem alguma dúvida sobre mim ou sobre a escola perguntem-lhe;

3. Conversem comigo sobre as novas regras da escola e dos espaços públicos para que eu me possa sentir livre em segurança;

4. Tenho medo que se esqueçam de mim na escola, tranquilizem-me dizendo-me todos os dias a pessoa que me irá buscar à escola e em que momento do dia (a antecipação ajuda-me a sentir-me mais seguro);

5. Estive muito tempo sem vir à escola, já me esqueci de algumas coisas que sabia – Dêem-me tempo e ensinem-me novamente sem me fazerem sentir culpado por já não me lembrar;

6. Coloquem todos os dias na minha mochila muitos miminhos, palavras boas, sorrisos, tranquilidade, orgulho e confiança em mim!

7. Quais são as vossas intenções para mim este ano? Escolham com carinho e lembrem-se que eu tenho o meu tempo e o meu ritmo, não me comparem com os outros meninos.

Em casa

8. Nos últimos tempos, estivemos sempre juntos, tive mais a vossa atenção e brincamos muito, continuem a ter um tempinho no vosso dia para brincarmos e fazermos coisas em conjunto;

9. Para me sentir bem e poder viver o dia da melhor forma, preciso de uma rotina certa, principalmente nas horas de descanso. Preparem a minha mochila e roupa no dia anterior e acordem-me com carinho para que as manhãs sejam mais calmas;

10. Definam bem as regras (justas) e exijam-me que as cumpra: Digam-me claramente o que esperam de mim, o que é bom e o que não é bom para mim o que posso e o que não posso fazer – as regras têm de ser claras e coerentes para que as possa compreender e integrar e não tenham medo de me dizer que não – o mundo não será sempre da forma como eu gostaria que fosse;

11. Sejam o meu exemplo – aprendo por observação e por imitação e irei repetir aquilo que aprender com vocês;

12. Escutem com atenção o que eu vos digo – por palavras, por silêncios ou através do que eu faço – Pergunte-me como me sinto, o que gosto e não gosto – a minha opinião tem importância;

13. Conheçam as minhas características e as minhas necessidades para compreenderem melhor o meu comportamento - quando não me sentir compreendido por vocês vou fazer muitas birras;

14. Estejam atentos aos meus sinais - por vezes sinto-me estranho, impaciente, com dores de barriga e de cabeça, talvez tenha medo ou esteja preocupado - estejam atentos ao meu sono, alimentação, controlo dos esfíncteres, alterações de comportamento, comportamentos obsessivos, tiques, desinteresse. Se não passar, procurem alguém para me ajudar;

15. Ajudem-me a descobrir as emoções – falando sobre como se sentem - o que vos deixa tristes, zangados, calmos e identificando as minhas quando eu as estiver a sentir – só assim poderei depois descobri-las sozinho em mim e nos outros e saber o que fazer;

16. No tempo em que tive aulas em casa tive de aprender a ser mais autónomo – aproveitem e continuem a querer que eu faça algumas tarefas sozinho;