10 dicas para ultrapassar o isolamento da melhor forma possível

7.4.20
Passar semanas após semanas com crianças em casa não é tarefa fácil.

Não é o normal, porque o normal implica sair de casa, fazer programas em família e passar os dias de forma livre.

Eles vão acumulando energia e nós tensão.

Desta forma partilho convosco 10 dicas para aproveitarem da melhor forma o tempo em família:


  1. Manter a calma e tranquilidade. Os filhos são como esponjas e absorvem tudo.
  2. Fazer um plano diário para a sanidade mental de todos. Os horários de trabalho dos filhos, de brincadeiras e dos pais têm de ficar estabelecidos para evitar o "stress" familiar. As reuniões laborais devem ser em horários em que um dos adultos está disponível.
  3. Criar um plano de tarefas domésticas e de refeições. Prover a interajuda.
  4. Limitar o tempo de Televisão, Tablets e telemóveis
  5. Arranjar atividades físicas. É importante gastar as energias que se acumulam, além de que é importante para a saúde manter o corpo em movimento.
  6.  Manter uma rotina. Os ritmos biológicos devem ser mantidos e os horários devem ser cumpridos, vestirem-se e alimentarem-se de forma saudável.
  7. Explorar a criatividade. Usar revistas, jornais velhos, fazer colagens entre muitas outras. 
  8. Recorrer a jogos e brinquedos que promovam a diversão e a aprendizagem (teatros, jogos de tabuleiro, mímica...)
  9. Utilizar as plataformas das redes sociais para manter as relações de amizade e familiares.
  10. Desfrutar do tempo de isolamento em família pois para todos os efeitos é um privilégio conseguir ver os filhos a crescer.
Panamá | Head-Ji 






Gestão de expetativas

6.4.20
São vários os desafios que esta quarentena nos tem imposto. É uma adaptação diária a um novo mundo que nos foi imposto, sem perguntar sequer se estávamos preparados.

Existem dias bons e outros menos bons...

A semana passada partilhei convosco a minha necessidade em criar um planeamento semanal, onde me pudesse focar e tornar os dias mais produtivos.

O balanço foi positivo, tornou a minha semana mais calma e não me senti a correr contra o tempo, tinha algo a cumprir como se de um guião se tratasse, nem sempre os horários foram cumpridos mas ajudou bastante a controlar melhor o nosso tempo.

Faltou no meio o meu tempo, mas isso são outras conversas e nesta fase ainda não consegui, nem sei se vou conseguir. Com três crianças têm sido difícil encontrar-me, o papel de mãe teve de prevalecer ao meu papel enquanto mulher.

São opções de vida e neste momento esta foi a minha.

Desempenhar o papel de mãe é fácil, não tem grande ciência, é uma questão de sensibilidade e de coração mas o de ser mãe/professora já é outra conversa. É aí que me vejo a falhar, que choro e que me frustro.

Na maioria das vezes os meus filhos não estão dispostos a fazer o que eu tenho pensado para eles e sentir o seu pouco entusiasmo para tal é algo que tenho alguma dificuldade em lidar. Não sei se é a facilidade da televisão numa sala comum a todos ou um tablet à disposição que os dispersa por completo ou se é o papel de mãe e de professora em simultâneo que não entendem e que não querem partilhar em conjunto.

Até ao momento, mais que passar o dia a cozinhar e a lavar a roupa, é esta a minha maior questão. É isto que me faz chorar, duvidar de mim própria e que me faz desesperar.

O que é certo é que são eles as crianças, a adulta sou eu, e cabe a mim articular feitios, necessidades e gerir expetativas. É um duro caminho e de adaptações constantes.

Para esta semana tracei na minha cabeça, fazer um esforço maior para ir de encontro ao que gostam e ao que querem, aproveitar ainda mais a natureza que nos rodeia e tornar destes dias os melhores possíveis e que nos unam ainda mais.

Não é fácil deitar para o ar expetativas, despejar o copo, ver o copo meio cheio, ver as coisas com os olhos de crianças, mas sinto que embora difícil, seja esse o caminho.

Afinal de contas, em breve a nova vida ai retomar (assim espero) e eles tem tempo de aprender as competências na escola. Eu vou esforçar-me para lhes dar mais tempo de brincadeiras livres e imaginárias e caminhar lado a lado ao ritmo deles.

E por aí quais as vossas maiores dificuldades?



Saudades

2.4.20
Saudades!

Saudades do aconchego no coração e na alma!

Saudades dos abraços sem fim

Saudades dos 1000 beijos

Saudades das conversas presenciais e que se esgotam no silêncio

Saudades de os ter na minha vida!

No meio disto tudo acho que tem sido o mais difícil de gerir. Sempre fomos uma família muito unida, em que se contavam pelos dedos as vezes que não estávamos todos juntos.

Talvez fosse essa frequência que tivesse dado banalidade ao "estar".

Os meus filhos nunca tiveram mais de dois dias sem os avós e essas saudades têm sido difíceis de gerir, as deles e as nossas.

Os facetimes são mais que muitos, os telefonemas também, mas não substituem o toque.

Seguram as saudades mas não são o suficiente!

Embora o T e o Fm saibam que existe um vírus lá fora, não entendem o porquê de não verem os avós. Por vezes choram, outras pedem para irem dormir a casa deles, outras falam com eles com os olhos a brilhar...

Vinte e dois dias depois "matamos" as saudades, com distância, a MC assim que viu a sua Avó Mimi quase que lhe saltou para os braços, que sorriso bom de se ver.
Sorriu, fez gracinhas e mostrou que embora pequenina não se esqueceu de quem lhe deu sempre muito colo.

Encheu o coração, foi oxigénio que nos chegou e que bom foi ver, falar, mesmo com a distância exigida.

Que bom que foi...

Saudades!




Viver o agora com a incerteza do futuro

1.4.20
Devido à pandemia que se instalou no nosso país todas as famílias tiveram de se reorganizar. As prioridades mudaram, os trabalhos físicos foram substituídos pelo online, a casa passou a ser o nosso trabalho, o nosso refúgio, a escola. 

Em semanas vimos a nossa vida estruturada a destruturar-se por completo, o certo passou a incerto. Virámos mães a tempo inteiro, professoras, donas de casa, "mulheres", cozinheiras, animadoras infantis e ainda seguramos a nossa profissão.

O barco tremeu por momentos, eram vários papéis para um só pessoa, a primeira impressão é que não conseguimos, a segunda é vontade de fugir e a terceira é abraçar tudo isto e levar o barco para a frente com a nossa maior força.

Acredito que quando isto tudo acabar quem vai precisar de uma quarentena vão ser as mães, pelo menos eu vou precisar de um dia (só) para mim.

O que é certo é que ninguém nos preparou para fazer tudo isto, pelo menos desta forma, sem perguntar. Foi algo imposto e que nos fez reinventar uma vez mais.

Os dias não tem sido fáceis, atrevo-me a dizer que junca trabalhei tanto na minha vida como agora. O dia foge-me das mãos no meio de tantos papéis. 

Não tenho muito a dizer do nosso governo, as medidas estão as ser tomadas e em momento algum senti que não nos tivesse a ajudar. Sei que não vai conseguir chegar a todos, são muitas as empresas fechadas, são muitas as pessoas que viram os seus rendimentos a zero mas acredito ou quero acreditar que vamos conseguir (todos) levantar-nos desta grande queda.

O que não foi contemplado ou equacionado é que trabalhar em teletrabalho e ficar em casa com filhos pequeninos é algo incompatível com uma vida serena e eficaz. É aqui que sinto que isto se torna caótico, entre emails e trabalhos inadiáveis, almoços para dar, rabinhos para limpar e colo não sobra tempo, nem tão pouco concentração para muito.

Em casa somos dois supostamente em teletrabalho mas para o trabalho do meu marido continuar a 100%, o meu teve de ficar pelos 30%. Não se consegue! É impossível igualar estes dois mundos por mais organização que se tenha. Eles exigem muito de nós, requerem muita atenção e se juntarmos as atividades que a escola propõe sobra muito pouco. As minhas idas à casa de banho nunca foram tão reduzidas como agora pois não existe esse tempo nosso.

Os dias são uma roda viva!! Uma loucura total, uma loucura de amor pela nossa família mas uma verdadeira loucura.
O passado já lá vai, o futuro não o vemos. Cabe viver o presente da melhor forma! Com a certeza que todas as famílias estão a ter o maior teste das suas vidas. Jamais seremos iguais depois disto e nada mais nos vai abalar porque nós mulheres já mostrámos que conseguimos tudo, mesmo que a noite chegue e nos doa os pés e nos caíam lágrimas de cansaço misturadas com o medo de não sermos capazes.

Estamos juntas!!         

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                








Trissomia 21 Vs Covid-19

30.3.20

Começo por vos dizer que este texto não foi escrito por mim mas sim pelo Dr. Miguel Palha - Peditara do Neurodesenvolvimento.

O primeiro médico que nos acolheu neste mundo, que tem também uma filha com Trissomia 21, já na casa dos 30. O médico que escreveu o prefácio do meu livro. Um médico que confio e que respeito pelo seu trabalho de investigação.

Atento à pandemia que o nosso país enfrenta escreveu sobre o COVID 19 e a Trissomia 21 e porque este cantinho tornou-se num blog de referência partilho também esta informação útil e esclarecedora para todos os pais que têm filhos com necessidade especiais.

"As pessoas com trissomia 21 apresentam, pensa-se, um maior risco de infecção pelo Covid-19, embora esta afirmação careça, no tempo presente, de validade científica objectiva. Esta maior vulnerabilidade, não só para a contracção da infecção a COVID-19, mas, também e sobretudo, para a gravidade da mesma, poderá estar relacionada com, entre outros, os seguintes factores:

  • As pessoas com trissomia 21 têm uma prevalência muito aumentada de défices da imunidade, fenómeno abundantemente investigado por diversas equipas de cientistas;
  • As pessoas com trissomia 21 apresentam, quase universalmente, uma forma moderada a grave de hipotonia muscular (geradora de uma menor capacidade de drenagem das secreções pulmonares);
  • As pessoas com trissomia 21 têm uma muito maior incidência (e prevalência) de alterações anatómicas e funcionais significativas, mormente cardíacas, renais e de outros órgãos e sistemas;
  • As pessoas com trissomia 21 apresentam uma prevalência muito aumentada de obesidade, ela própria um factor de risco para as infecções, nomeadamente pulmonares, e para um estado de inflamação crónico;
  • As pessoas com trissomia 21, por razões ainda não bem conhecidas, experimentam um processo de envelhecimento precoce, expresso, não raramente, sobretudo a partir dos 35 de idade, por manifestações clínicas compatíveis com a Doença de Alzheimer;
  • As pessoas com trissomia 21 exibem, amiúde, comportamentos de risco motivados pelo défice cognitivo, expressos por uma menor capacidade de adopção de medidas de protecção (afastamento físico do interlocutor adequado, lavagem das mãos eficaz e regular, etc., …);
  • Nas pessoas com trissomia 21, sobretudo naquelas com idade superior a 18 anos, há, reconhecidamente, uma elevada taxa de institucionalização, facto potenciador da transmissão do agente patogénico;
  • Adicionalmente, num cenário de escassez de oferta de cuidados de saúde, designadamente a disponibilidade de cuidados intensivos, as pessoas com trissomia 21, serão, quase de certeza, preteridas no acesso aos mesmos. A título de exemplo, transcrevemos as orientações propostas recentemente para as unidades de saúde do estado americano do Alabama: “… new guidance published Alabama officials says that persons with severe mental retardation, advanced dementia or severe traumatic brain injury may be poor candidates for ventilator support”.

Até ao momento (28-03-2020), não encontrámos, na imprensa médica, referências relativas à morbilidade e à mortalidade das pessoas com trissomia 21 infectadas com o COVID-19. Há, tão-somente, o relato de uma cidadã norte-americana com trissomia 21, de 67 anos de idade, Emily Wallace, que terá morrido da doença em causa, sem que tivesse conseguido aceder a uma unidade de cuidados intensivos, aparentemente por decisão médica.

Depois de estudada a bibliografia médica internacional disponível e recente, embora muito escassa, sobre a infecção a COVID-19 na população com trissomia 21, recomendamos, genericamente, para as pessoas afectadas por esta doença genética:

  • Execução, rigorosa e activa, das recomendações emanadas pela Direcção Geral de Saúde, como, entre outras:
  • Isolamento social absoluto;
  • Afastamento físico dos interlocutores (superior a 2 metros), mesmo familiares;
  • Lavagem frequente das mãos com solutos apropriados;
  • Prática frequente e moderada de exercício físico (nas situações de confinamento a uma casa sem jardim ou similar, poderá praticar-se dança, ginástica, etc., …);
  • Alimentação saudável e variada, pouco calórica, com inclusão aumentada de alimentos ricos em vitaminas, oligo-elementos e anti-oxidantes, como frutas e legumes;
  • Administração de um polivitamínico corrente, que inclua a maioria das vitaminas e dos oligo-elementos, em doses estritamente convencionais (doses acrescidas de vitaminas poderão ser contraproducentes e até prejudiciais);
  • Cumprimento rigoroso do calendário vacinal recomendado para a trissomia 21;
  • Tratamento vigoroso de qualquer outra doença entretanto diagnosticada (infecção urinária; furunculose; cáries dentárias; gengivites; conjuntivites; etc., …);
  • Proporcionar um ambiente muito rico e estimulante de um ponto de vista cognitivo e linguístico, a fim de se evitar a ocorrência das diversas e indesejáveis regressões neurodesenvolvimentais, bem como de patologia do foro da saúde mental, sobretudo as perturbações depressivas;
  • No caso de serem notadas manifestações sugestivas de infecção a COVID-19 (tosse; febre; dificuldade respiratória; falta de forças; etc., …), deverá ser estabelecido um contacto, imediato, com o SNS24.
Iremos, de certeza, ultrapassar esta vicissitude. Sobretudo, se tivermos sempre presentes, no nosso pensamento, os preceitos éticos e humanistas que nos são tão caros e que nos guiam: o princípio da discriminação positiva e da inclusão social; e o ideal da valorização das diferenças das pessoas mais vulneráveis, mormente com perturbação do neurodesenvolvimento intelectual".



Miguel Palha
Pediatra do Neurodesenvolvimento


9 Meses

27.3.20
Quem diria que aos nove meses iria viver contigo da mesma forma que vivemos durante os teus primeiros seis meses.

Com nove meses feitos hoje entramos oficialmente em contagem decrescente para o teu primeiro ano. Já devia estar habituada a este tempo que corre de uma forma veloz e sem piedade mas ainda não me habituei e acredito que nunca me vou habituar.

De um momento para o outro começaste a bater palmas, a brincar com os teus manos e a rastejar a casa toda. Deslocas-te para todo o lado com uma enorme velocidade e o que mais gostas é andar atrás de mim para ver se te pego ao colo.

Uma bebé amorosa, com o mundo nos olhos e que me tem dado uma serenidade inigualável.

Hoje fazes nove meses, não sabes o que se passa no mundo, mas um dia vou dizer-te bem baixinho que houve um vírus invisível que te devolveu o meu tempo e a minha maior disponibilidade. E que bom que está a ser acompanhar este teu desenvolvimento.

Continua a falar com os olhos e sê feliz minha "rica" filha.






Look
Tapa Fraldas | Be Chic
Gola | Bean Baby Clothes
Collants | Pés de Cereja 

Placa 
Caturra























Viver com uma nova realidade

26.3.20
Ainda estamos numa fase muito inicial mas acredito que todos nós ainda nos estejamos a adaptar a esta nova realidade.

Uma realidade diferente ao que estávamos habituado, com outro ritmo, em que as ajudas que contávamos se dissiparam por completo. De um momento para o outro somos apenas nós e a nossa família, sendo que (na maioria) até excluí avós e tios.

É uma aprendizagem constante com várias tentativas de organização familiar.

Gostava muito de vos dizer que aqui em casa já estava tudo sobre rodas mas não. Ainda estamos a limar as arestas e a adaptar-nos a esta vida caseira.

Tenho absorvido as várias dicas que vou vendo e ouvido nos vários canais de comunicação e tentando adaptar à minha realidade. É importante perceber que todas as famílias são diferentes, cada uma com a sua necessidade e dinâmica e o que pode funcionar para uma, pode não funcionar para outra.

E é aqui que se sente a maior dificuldade, é ajustar todo este mundo num só dia.

Comecei sem planear e a viver o dia a dia da melhor forma possível mas tenho sentido que isso frustra-me várias vezes ao longo dia e desfoca-me do tudo e do nada.

Entretanto o T começou as terapias, a escola decidiu (finalmente) dizer um olá e orientar os pais para as suas atividades e isso obrigou-me a ajustar os nossos dias e a programa-los com um maior cuidado.

Entre um pai que trabalha em teletrabalho, uns filhos com idade ainda pequena, uma bebé que ainda precisa muito de colo, de uma casa para gerir, de roupas para lavar e passar, de almoços e jantares para fazer, é quase obrigatório que haja um planeamento diário/semanal que nos ajude a orientar o dia da melhor forma.

É este o caminho para o (meu) bem estar familiar e para um maior aproveitamento dos dias.

E é com essa linha de pensamento que vou estipular horários para as atividades escolares, para as terapias, para os momentos de lazer, para as brincadeiras livres e até para as lides domésticas (que são mais que muitas) e assim tentar que os meus/nossos dias sejam ainda mais produtivos. Depois dou-vos o feedback, se resultou e até vos posso mostrar o meu plano sendo que uma vez mais vos digo que cada família é uma família.

Até ao momento as minhas maiores dificuldades é arranjar atividades para que fujam à televisão e ao tablet. Com ou sem planeamento tento sempre que haja uma a duas atividades que os estimulem mas que também lhe dê liberdade de movimento e de criatividade. Se o mundo nos obrigou a parar e a viver de forma lenta e tranquila é isso que vou fazer. Vou simplesmente aproveitar!

Felizmente já existem algumas marcas que disponibilizam diversas atividades e respectivos materiais para brincarmos com os nossos filhos de uma forma lúdica mas orientada, é o caso da Okapibox (pelo que sei neste momento já está esgotada) e da  Jump in by Tiazana.

Falo dos materiais, que para mim, tem sido dos maiores desafios, pois há muita coisa que tenho mas também há muita coisa que não tenho, já para não falar que já estou a ficar sem plasticinas e tintas.

Contudo na minha opinião é importante percebermos que os pais não são escola e não devemos ter a pretensão de o sermos. Somos apenas pais mas (pelas razões óbvias) estamos com mais tempo para lhes dedicarmos mais atenção, de olharmos nos seus olhos e de vivermos da forma mais divertida e criativa que a nossa cabeça nos permite com os nossos filhos.






Lavar as mãos de forma divertida

25.3.20

Com a chegada do Covid-19 aumentou a importância de lavar as mãos. Nem sempre é fácil para os nossos filhos perceberem o porquê de lavarmos as mãos por isso a Enfermeira Ângela explica como podemos tornar este momento mais divertido.

É importante atualmente aumentar a sua frequência para uma maior proteção.





Enfermeira Especialista em Saúdeo Infantil e Pediátrica
Ângela Baptista
b_a_badobebe@hotmail.com

Pelos olhos de uma criança

24.3.20

Num momento em que todos os dias ouvimos falar do mundo e do seu estado atual, este Tomás aqui no nosso pequenino Portugal é um Mundo.

A caminhada é um dos muitos exercícios que diariamente o T deve fazer. Num dia, que aos olhos de hoje nos parece já muito distante, embora tenha sido o mês passado, estava a fazer a caminhada e tinha ido fazer as suas compras: 4 gomas, após isso continuámos a caminhada até nos depararmos com um senhor empoleirado no muro, com uma máquina fotográfica ao pescoço.

Do seu charme natural, o Tomás, lançou ao senhor um "Olá" acompanhado com um sorriso rasgado que foi retribuído no mesmo segundo.

Fugiu da caminhada para ir ao seu encontro, abraçou-o e perguntou-lhe por que estava ali. A resposta foi simples: uma gaivota magoada, sem conseguir voar, chamou-lhe atenção e tinha telefonado às autoridades para a irem buscar e salvá-la. O Tomás ficou fascinado, olhou-o de novo, apresentaram-se os dois e o senhor que ali estava, de máquina ao pescoço, à aguardar que alguém viesse resgatar a gaivota pediu-me para tirar uma fotografia ao Tomás "que é tão bonito, com um sorriso tão cativante"... Embora nos dias de hoje seja perigoso e se oiça falar tanto na proteção de dados e na confidencialidade, anui e deixei-o captar este "pequeno Mundo" que é o Tomás.

Os dias passam a correr. A expressão "a vida foge-nos das mãos" é uma verdade e a COVID-19 se calhar chega com o propósito - pelos piores motivos, claro - de nos mostrar isso mesmo, que passamos a vida atrasados para chegar a qualquer que seja o lugar, sempre com pressa, excepto quando somos crianças que paramos para perceber as coisas e para colocar simples perguntas como "por que motivo está aqui, parado?" e só aí conseguimos olhar uns para os outros e ver que há seres humanos formidáveis que despendem do seu tempo para salvar gaivotas.

Este vírus, maldito, veio trazer-nos a possibilidade de voltarmos a olhar as coisas e pessoas com os olhos da criança que éramos : com tempo, contemplando.

Ana Filipa 
(Terapeuta do Tomás)

Entretanto no programa da RTP, Mundo Digital, que deu este Domingo, este mesmo senhor ouviu ao longe o nome Tomás, curioso foi ver se seria aquela criança que tanto o cativou e qual foi o seu espanto quando se apercebeu que era o menino que tanto o tinha cativado. Enviou-nos mensagem, e pelas suas palavras e com o coração nos dedos relatou-me este episódio que tanto o tinha marcado e  enviou-me a famosa fotografia que lhe tinha tirado.

José Manuel Teixeira Photography



Uma vida suspensa mas que não pode parar

23.3.20
Ao suspender a vida esta ganha vida própria e deixamos de a controlar. Por um lado o Covid-19 obrigou-nos a parar, a pensar e a reestruturar os valores que tantas vezes ficaram esquecidos com o stress do dia a dia mas por outro tirou-nos a nossa alma, roubou-nos os planos e qualquer perspectiva de futuro.

Primeiro encarei isto como umas "férias" forçadas e diferentes, depois tudo isto ganhou outras dimensões.

Estar longe das pessoas que fazem parte de nós custa. Ficar sem perspectivas do amanhã também mas sentir que um dos teus filhos precisa de apoio, de uma equipa multidisciplinar para o seu desenvolvimento vital para um futuro próximo custa horrores. 

Parar uma semana é bom, até fecho os olhos para quinze dias mas mais que isso o meu coração treme só de pensar. As notícias sobre este tempo de quarentena não são animadoras e isso assusta-me.

No meu caso em particular, tenho muita coisa em jogo. Foram cinco anos a dar muito de nós para que o T tenha o desenvolvimento que tem para que este se perca em meses.

E isto eu não negoceio com este vírus invisível. Portanto o T hoje começou as suas terapias online. Estava verdadeiramente feliz por voltar ao seu ritmo, vestiu-se, meteu a mochila às costas e despediu-se porque ia para o Desenvolve-T. Ficou à minha espera e ainda me disse para me despachar. Ainda não tinha percebido que a terapia seria feita à distância, para ele foi uma novidade ter um écran a dividir a emoção, o toque e o seu esforço. 

Sabemos que não é a mesma coisa, mas serve para segurar os mínimos, para que todo este trabalho não caía.

É verdade que o mundo não vai acabar, que existe uma vida pela frente. Mas quando falamos de desenvolvimento a conversa não pode nem deve ser a mesma. É uma corrida contra o tempo, é um trabalho árduo de prevenção e que não pode ser descurado em tempo algum.

O pico de desenvolvimento de uma criança é até aos seis anos, o T tem cinco e está com os pés num primeiro ciclo que tem tudo menos de simpático, e todos os dias são precisos.

Vai ser inevitável reformular todas as suas férias porque é preciso correr contra o tempo...

Quando comecei a trabalhar com o T (tinha ele um mês) eu só tinha um filho, não era fácil de gerir mas era fazível. Hoje, passado cinco anos tenho mais dois filhos. E hoje tive a perfeita noção que não consegui chegar aos três, senti-me a ser engolida pelas suas necessidades. O T a ter pela primeira vez terapia online, e eu com mais dois filhos a tentar gerir euforias e barulhos...

Não foi fácil! Não vai ser fácil... mas é a forma que encontrei para minimizar as consequências trazidas por esta pausa forçada.

E o Pai? O Pai, está a trabalhar em forma de tele-trabalho e não consegue segurar as pontas. Sim porque isto de se achar que se consegue trabalhar com filhos é a maior anedota deste COVID-19.

Neste momento foi a solução que encontrei e é o que vou fazer! Vou manter as suas terapias à distância. Ele adorou, tranquilizou o meu coração mas sentir que não consegui ter estado ali lado a lado frustrou-me.

Foi um dia difícil! Vão ser semana(s) desafiantes mas com a certeza que darei o meu melhor mesmo que ao fim do dia chore em silêncio por não ter estado mais presente, ao seu lado.





Sê feliz!

21.3.20
Primeiro chora-se, depois têm-se dúvidas, segundo reage-se e terceiro aceita-se da forma mais mágica que há.

É como misturar vários ingredientes, sem saber como combinam entre si, com várias dúvidas pelo meio sobre os vários alimentos e temperos, estudamos os livros e até pedimos ajuda aos melhores mestres, por fim é no instinto que vamos buscar a coragem que precisamos, e quando destapamos a tampa da panela temos a comida mais surpreendente de todas.

A Trissomia 21 é assim.

O caminho que começa por ser incerto e cheio de pedras de caminho vai-se transformando em certezas e em flores. 

Hoje Tomás, de alguma forma, é o teu dia. É um dia especial pela sua união e por se dar voz a esta tua condição que tanto te dá e te tira.

Hoje é o Dia Internacional da Trissomia 21. Nunca o tenhas medo de admitir, nem vergonha por ela fazer parte de ti. Ela faz parte de ti e tu dela. Não te define é certo mas da-te magia. Uma magia única e um brilho no olhar que ofusca de tão cintilante que é.

Cativas, agarras as pessoas, fazes com que amem no sentido mais puro e relativizas tudo à tua passagem.

Nunca tenhas medo. Desbrava o caminho com a força que te caracteriza. Mostra que para ti tudo é possível e nunca deixes que te digam o contrário. A felicidade é possível com a perfeição e a imperfeição lado a lado.

Sê Feliz!

A todas as famílias que enfrentam a realidade da Trissomia 21, ou outras patologias: Acreditem que a vida continua a sorrir. Chorem tudo o que têm a chorar, mas no dia em que as lágrimas se esgotarem, vão à luta sem medos. Não se detenham com lamentações, pois os nossos filhos continuam a crescer.
A felicidade está ao vosso alcance. Lutem por isso, por vós, pela vossa família, pelo vossos filhos e não permitam que ninguém vos tire esse brilho.

Andreia Paes de Vasconcellos










Isolada mas feliz

20.3.20
Felizmente temos a sorte de ter uma casa com jardim e foi com esse pensamento que decidimos vir para esta nossa casa que tanto nos acolhe e nos transmite paz.

Faz exatamente hoje uma semana que chegamos a esta casa, com malas e malas, eles super felizes e nós com um nó na garganta sem saber até quando iríamos cá ficar e como iríamos lidar com este isolamento social.

Não é fácil viver isolado das pessoas de quem gostamos e privadas de um passeio mais demorado, ou de uma simples ida ao supermercado livre de medos.

A agenda cheia deu lugar a uma agenda vazia, em que o dia é planeado dia a dia e ajustado às necessidades de cada um.

O B tem trabalhado a partir de casa e embora juntos estamos grande parte do dia separados. Tem sido uma experiência para todos, onde testa os nossos limites e que nos mostra o nosso lugar nesta nossa bolha, que se chama família.

É nas adversidades que nos ouvimos e acontecem as melhores coisas, é só preciso estar atento aos sinais e aproveitar.

Esta quarentena isolou-me do stress do dia a dia, da minha vida agitada que tantas vezes me roubava dos meus filhos e obrigou-me a respirar e a simplesmente estar.

De um momento para o outro tornei-me na mãe que sempre quis ser, a mãe presente, a mãe com uma maior dose de paciência, a que brinca, a que dá comer e a que adormece.

Eles estão mais felizes que nunca, não se aperceberam do que se está a passar. As birras acabaram, aquela agitação descontrolada de fim do dia também. Passaram a estar tranquilos e serenos.

E até a MC está diferente, começou a fazer sestas mais prolongadas e até as noites melhoraram consideravelmente.
Começou a rastejar, já percorre a casa toda e o que gosta mais de fazer é andar atrás de mim. E até começou a interessar-se mais pelos brinquedos. 
Parece que aquele "abandono" (escrevi sobre isto aqui) que os bebés sentem nesta fase é mesmo verdade pois bastou uma maior disponibilidade da minha parte para ela se transformar numa bebé muito mais calma. Continua a gostar do meu colo mas já consegue passar tempo sem ele.

Estamos acima de tudo todos positivos e felizes por estarmos todos bem e em "segurança".

Embora com alguma vontade da normalidade, tenho a certeza que nunca fui tão isolada e tão feliz!

Desejo que o vosso isolamento esteja a correr da melhor forma possível. Fiquem em casa! Protejam-se e pensem positivo porque isto quando acabar estaremos todos muito mais fortes, de carteira vazia mas de alma lavada certamente.









Meu querido Pai

19.3.20
Que ano...

Primeiro foi-me roubado estar presente no aniversário da minha mãe, agora chegou a vez de também não te poder dizer bem baixinho ao ouvido "Gosto de Ti" Pai.

É incrível como damos por adquirido aquele beijo e abraço diário e depois aparece um vírus que nos mostra que a vida não é como a matemática e que é uma ciência pouco exata.

Hoje é o teu dia e eu sou grata por me ter saído na rifa "O melhor pai do Mundo".

Uma relação, que poucos percebem, falamos a mesma linguagem e conheço o teu sentido de humor como ninguém. Gerimos frustrações mútuas e não vivemos sem o nosso "bom dia".

Por vezes acho que és chato, que exiges mais de mim do que as minhas próprias capacidades. Respiro tantas vezes fundo, perco a vezes que reviro os olhos mas sou incapaz de te falhar.

Desde sempre que me dás a mão e que me ajudas a percorrer o meu melhor caminho, educaste pelo exemplo e pela presença. E é em ti que me encontro quando me perco nas adversidades da vida.

Foste e continuas a ser o meu maior e melhor amigo, em quem confio a minha vida e os meus maiores segredos.

Hoje é o teu dia, e eu não posso estar contigo.

Tenho um orgulho gigante em ti, no que construíste e na forma como levas a nossa família.

E o meu maior medo é ficar sem o teu abraço.

Feliz Dia a todos os Pais que levam os filhos à frente de tudo porque isso sim é ser o verdadeiro Pai o resto é apenas uma palavra.




13 Ideias de (uma boa) Sobrevivência para a quarentena

18.3.20

Os últimos dias, decerto têm sido dias de um grande desafio para todas as famílias com crianças em casa. É verdade que os nossos médicos têm sido verdadeiros heróis na linha da frente, mas logo a seguir vêm os pais que tendo de gerir as suas tarefas profissionais que se mantém, têm também de assumir a tempo inteiro as profissões de educadores, professores, enfermeiros, psicólogos, cozinheiros, artistas, etc. Têm também de gerir não só as emoções das crianças, como as suas num momento em que vivenciamos um período de adaptação a algo pelo qual nunca passamos antes e que nos desperta sentimentos como preocupação, medo, ansiedade.

Será certamente uma fase de aprendizagens para todos. É o tempo de recolhimento e de reflexão sobre a forma como estamos (ou não) ligados uns aos outros e valorizar, sobretudo, a presença e o privilégio da presença de cada um na nossa vida.

Nestes dias passados entre muito colo e mimo, brincadeiras e certamente muitas birras, o mais importante é que possamos estar todos bem de saúde e ainda que a casa esteja um caos, que por dentro possamos ficar mais arrumados e com cada coisa no sítio certo.

Porque ainda vamos no início e a paciência e a criatividade nem sempre esticam, deixamos algumas ideias de sobrevivência para que os dias de quarentena com crianças decorram dentro da maior normalidade possível:
  • Para quem ainda não o fez, explicar às crianças a fase que estamos a passar. Já existem histórias e vídeos na internet para explicar às crianças o que é o COVID19. No final, perguntar se ficaram com alguma dúvida, se querem fazer algum desenho ou trabalho sobre o tema e não voltar a forçar o assunto, respondendo de forma sincera se a criança perguntar algo posteriormente;
  • Evitar ter a televisão ligada o dia todo e expor as crianças às notícias que constantemente são divulgadas. As crianças poderão começar a sintomatizar alguns dos sintomas ou terem crises de ansiedade se estiverem preocupadas ou ansiosas com o tema ou com o stress sentido por parte dos adultos;
  • Manter as rotinas: horas de acordar e de descanso, momentos das refeições, higiene, vestir com a roupa do dia (e não de pijama) – isto estende-se também aos adultos;
  • Manter uma alimentação equilibrada. Cuidado com o excesso de açúcar que para além de ser pouco saudável, é uma fonte de energia (que as crianças já têm acumulada);
  • Fazer uma reunião de família onde se elabora o conjunto de regras da casa e de funcionamento da quarentena, uma lista de atividades e ideias para fazer durante os dias (individualmente e em família) e as tarefas domésticas que cada um pode fazer. Elaborar um cartaz com as regras estabelecidas e um mapa de registo de tarefas para cada um, avaliando diariamente o seu cumprimento;
  • Para os alunos em idade pré escolar e escolar, organizar o dia das crianças distribuindo as atividades pelas várias áreas: atividades pedagógicas, atividades lúdicas, atividades físicas e expressivas e atividades livres (para as crianças com trabalhos para fazer, distribuir equilibradamente o numero de páginas dos manuais, livros de fichas e tarefas pelos dias de quarentena);
  • Definir um tempo para a utilização das tecnologias (1 hora diária para as crianças mais pequenas e 2horas a partir dos 10 anos) – a visualização de televisão não entra neste tempo mas a sua utilização deve ser avaliada pelo bom senso;
  • Manter a casa organizada, definindo um quarto ou um espaço para brincar e um espaço da calma com almofadas, música calma e livros;
  • Abrir as janelas e privilegiar o acesso às varandas, quintal, terraços e jardins de casa para apanhar vitamina D;
  • Elaborar um diário da quarentena em papel ou digital, com o contributo de todos;
  • Utilizar doses extra de amor, de paciência, de tolerância e de brincadeira, exigindo sempre o cumprimento das regras e das tarefas combinadas por todos;
  • Permitir o tempo sem programar atividades, para que as crianças possam entender a importância de gerir o tédio e estimular a sua criatividade;
  • Ter uma comunicação e um pensamento positivo e otimista. Ainda que as crianças possam achar que estes são os seus dias de sorte por poderem ter os seus pais só para eles, eles são observadores muito atentos e absorvem o clima e energia que sentem à sua volta.

De seguida, seguem algumas ideias para aproveitarem o tempo de uma forma divertida:










Páginas online com ideias:

Histórias para o pré escolar - https://historiasparapre.blogspot.com/

Apoio escolar – https://www.escolavirtual.pt/

http://www.quadroegiz.com/

Jogo sobre o Corona Vírus para a família - http://temp.assec.pt/jogos/

Atividades Criativas :

https://casabrincar.blogspot.com/2020/03/ideias-para-brincar-em-casa-e-em-familia.html?m=1

https://www.facebook.com/thedadlab/


Com regras e com amor,

A vossa psicóloga,
Ana Trindade

Sugestões Dia do Pai

17.3.20
Este ano o Dia do Pai vai ser celebrado de forma diferente. Não vão haver planos além do "ficar em casa" mas simultaneamente vai-se dar uma maior importância ao estar, beijinhos e abraços.

Vai ser longe do stress do dia a dia, de horários para cumprir por isso acredito que o maior presente está adquirido: O tempo.

Mesmo em casa à presentes que podem ser feitos pelas crianças e é uma forma de as manter entretidas mas também existem marcas que não se esqueceram do dia do Pai e que podem ser comprados online.

Nós já temos o nosso presente para o Dia do Pai comprado e embrulhado. Mas acho que vou aproveitar o facto de estarmos em casa para também fazerem algo mais personalizado.

1. Desenho 2. Sport Zone 3. Café personalizado Delta Q
4. Personalizar uma caneca 5. Chilli Baby 6. Futah 


Deixar a vida em suspenso

16.3.20
Faz hoje uma semana que ganhei medo, que comecei a ficar insegura perante este vírus, de seu nome Covid-19.

As noites deixaram de ser tranquilas com as notícias a chegarem ao minuto. Aos poucos e poucos comecei a perceber que o Conovírus já não era algo tão estranho e tão longe. Começava a ganhar dimensão e quando na quarta os fui buscar à escola, com a incerteza que esta podia encerrar, peguei nas suas coisas, e saí com a certeza que independentemente da medida do governo eles já não iam mais.

Na cara dos pais via-se medo, uma escola que noutros tempos era alegre sentia-se pânico. Com os olhos em lágrimas, peguei em tudo o que lhes pertencia e saímos.

As notícias continuavam alarmantes e à 00h eu e a terapeuta do T tomamos uma das decisões mais dificeis: Fechar portas do nosso Desenvolve-T!

Trabalhamos com crianças, muitas delas consideradas de risco, damos diariamente esperança às nossas famílias e não podíamos correr riscos. Por elas e e por nós!

Poucas horas de sono e ainda abrimos porta, maquilhei-me para disfarçar a noite mal dormida e abrimos naquele dia a medo, asseguramos os mínimos, e o bom dia alegre que me é característico através da nossa porta deu lugar a bom dia bem baixinho e com medo.

E ali as duas, no meio do nosso sonho, com lágrimas à mistura fechamos!

Fiquei ali duas horas, sem perceber na realidade o que estava ali a fazer, mas algo não me deixava sair, fiquei sem reação, a olhar para aquelas paredes cheias de vida mas já sem alma.

Foi duro! Mas com consciência que tinha sido o melhor para todos!

Depois foi chegar a casa e agarrar-me à minha família, tomar medidas e reorganizar uma vida que era obrigada a ficar suspensa por tempo indeterminado.

Nesse dia não consegui sair da nossa casa, era muita coisa ainda para processar e eu com uma dor de cabeça gigante.

Sexta, acordámos com a decisão tomada, iríamos fazer malas e ir para um dos sítios que mais paz nos dá. Não podíamos ficar ali atrás das janelas a ver a nossa cidade transformar-se num fantasma.

Chorei... mas era o melhor! Deixar tudo por um bem maior custa muito. É a nossa casa que deixamos para trás, os nossos sonhos, as nossas coisas, por todos. Aqui não é uma questão de nos salvarmos mas de salvarmos a nossos pais, os nossos avós, irmãos e amigos.

Nunca ficamos tanto tempo afastados, nunca me vi numa situação destas como todas as pessoas, na realidade acho que ninguém estava preparado para desligar do mundo desta forma.

E de um momento para o outro, deixa de existir o rico, o pobre, o alto, o baixo, o "normal" e o "anormal", o "preto" ou o branco. Existem apenas pessoas e todas somos iguais!

É aqui que a união e o amor tem de prevalecer! Não existe margem para pensar no dinheiro ou na parte mais material da cena.

É uma crise financeira que vai imperar nos próximos tempos, é um país que aos poucos e poucos para porque de nada vale continuarmos a correr como "loucos" em busca de dinheiro quando a nossa saúde entra em jogo.

Na mala levei roupas básicas, brinquedos, comida, medicamentos e esperança de voltar à nossa casa o quanto antes e feliz!

Que sensação estranha bater portas sem saber como e quando voltaremos.

Desejo-vos acima de tudo proteção e que em casa juntos vençamos este vírus


É o teu dia e o COVID-19 roubou-nos os abraços

15.3.20
Em 35 anos foi a primeira vez que não passei o aniversário com a minha mãe. Um dia que estava bloqueado na minha agenda desde Janeiro para que pudéssemos simplesmente estar.

Não houve almoço confuso, não houve conversas paralelas, nem crianças a roubarem-nos a comida do prato. Não houve flores, abraços, beijinhos e bolo.

Houve um cantar de parabéns através de um écran que nos afastava do toque e nos mostrava o quanto a presença é o nosso maior bem.

Houve perguntas, houve vontades por atender e uma sede imensa de estarmos juntos.

Um dia agridoce, com sol, mas que nos afastou. Um virús que nos roubou a presença, que nos obrigou a refazer prioridades e que nos fez lutar pela vida de todos.

Tanto por dizer sobre este isolamento voluntário, mas ainda com um nó na garganta para tamanha complexidade.

Refugiei-me nas limpezas e assim passei estes últimos dias. Agora não existem mais desculpas, está tudo limpo. É hora de olhar em frente, mesmo que o coração ainda trema com o futuro.

Parabéns Mãe! Que seja um ano muito feliz e que este Covid-19 desapareça tão depressa como apareceu. Prometo quando isto acabar festejamos em grande.

Love You






Pandemia

11.3.20
Não tinha planeado escrever nada, tive um dia em que não parei um segundo e não tive mesmo tempo.

Mas depois de ter sido declarado PANDEMIA pela OMS é impossível acompanhar ao segundo as notícias sem vos escrever.

Confesso que fui das que tratou este vírus de forma leviana, mas começar a sentir que se perdeu o controlo é assustador.

As escolas estão em iminência de fechar e nós pais obrigatoriamente vamos ter de ficar com eles pois caso contrário de nada vale eles estarem isolados se nós andamos por aí.

Os supermercados encheram-se, as prateleiras ficaram despidas. Portugal está em pânico!

Não aproveitem este estado de alerta para irem para a praia. Isto não são férias. Isto é uma PANDEMIA!

Este vírus não é brincadeira como muitos de nós pensávamos. Este vírus é letal! É verdade que se morre de gripe e de pneumonia mas a questão não é essa. A questão é que não estamos preparados para enfrentar este vírus.

Em Itália escolhe-se quem morre e vive porque os hospitais assumiram a lotação máxima. Temos médicos e enfermeiros a atingirem os limites de cansaço por todos nós. Vamos respeitar por favor as medidas!

Podemos não ser grupos de risco, mas todos nós temos alguém próximo que o é.

Vamos unir-nos e não nos vamos matar uns aos outros. Ninguém precisa de cem máscaras e de cinquenta desinfectantes. Está na altura de não sermos egoístas. De pensarmos também no outro e não só em nós próprios.

Apelo à vossa consciência!

Isto não é brindaria!

Os nossos filhos precisam de nós e nós precisamos dos nossos pais e avós!

Juntos seremos sempre mais fortes!

Aproveitemos este tempo em família para brincar com os nossos filhos, para ver um filme com calma e viver sem olhar para o relógio.




Um vírus chamado coronavírus

10.3.20
Se até então acompanhava as notícias de uma forma muito à distância e tranquila hoje já não me sinto dessa forma.

Muito se falou da especulação da comunicação social, mas exagerado ou não relatavam o que se estava à passar no mundo. Ouve quem se começou a prevenir mas a maioria acredito que só acordou ontem quando nos apercebemos que as equipas médicas foram chamadas para construir um plano de contingência.

Não sou um grupo de risco, a percentagem dos meus filhos é mínima, mas tenho a minha mãe e a minha avó que o são. E é isto que me deixa com medo e apreensiva.

De um momento para o outro é como se o ser humano perdesse o controlo da sua própria vida, e que todos lutássemos contra uma catástrofe humana.

É o universo a virar-se contra o humano, foram muitos anos de chamadas de atenção ignoradas constantemente. O básico torna-se complexo e chegou a altura de o respeitarmos e deixarmos de ignorar os sucessivos alertas.

Não é cobardia, ou querer fugir do problema, mas sim actuar na prevenção e quanto a isso não devemos ficar indiferentes.

Existem zonas de risco, como superfícies aglomeradas de pessoas e é preciso parar e dar voz ao mundo. Não é uma questão de sobrevivência pessoal mas de famílias inteiras.

Ainda é incerto este vírus, ainda se luta contra ele, e estuda-se ainda mais sobre ele, há quem diga que é inofensivo, há quem lhe chame epidemia e há ainda que considere a sua propaganda silenciosa, fico-me nas duas últimas.

Ele é mais forte que nós, e talvez evitar os beijinhos e apertos de mãos não seja o suficiente, não sei, não sou cientista, só sei que tenho medo dele e que aos seus olhos somos todos vulneráveis.

Este vírus pode trazer dores emocionais incalculáveis e que jamais se tratarão num quarto de hospital.

Aos poucos e poucos vemos uma economia mundial a desmanchar-se, uma bolsa em queda e um mundo a morrer todos os dias um pouco.

E isso assusta-me!









Decoração do Quarto

9.3.20
Depois de ter decidido as novas camas, tenho andado com a cabeça à volta dos papéis de parede que me transmitam acima de tudo tranquilidade.

O desafio é grande! Pois isto de fazer um quarto unissexo não é fácil. Primeiro porque tudo o que há de menina é tudo muito à base de rosas e embora adoro não é a cor que procuro para o quarto deles pois é uma cor muito forte e intuitiva e tornará o quarto muito de "menina" e não quero que eles sintam que o espaço deles foi invadido.

Segundo também não me quero centrar nos azuis para que este também não fique demasiado rapazolas.

E de muitas cores que tenho visto, o que penso que funciona melhor são os verdes, cinzentos e cores terra. Gosto também de papéis que têm uma junção de várias cores contudo é preciso ter em conta a dose do rosa porque é uma cor que ofusca a outras.

Outro dos problemas é conseguir ligar a decoração com várias idades, embora os três tenham uma idade próxima, não quero que a longo prazo sintam o quarto muito infantil ou que não pertencem a ele.

Eu adoro ver casas com papéis de parede, sinto que dá uma maior identidade ao espaço e os torna mais aconchegantes.

Ainda não decidi mas estes até agora foram os meus eleitos.

No entanto o papel de parede deve estar sempre de acordo com a mobilia e com o ambiente que se quer criar.

Quando penso numa decoração penso a curto, médio prazo, nunca a longo porque gosto de mudar e também porque as etapas devem ser vividas de acordo com as idades.

Desejosa de vos mostrar as minhas escolhas finais mas até ao momento ainda não consegui escolher. Mas estou disponível para receber as vossas sugestões :)






1 Ano sem ti

7.3.20
Um ano sem ti...
Um ano a acreditar que te vou ver ao longe a vir em minha direção
Um ano a olhar para o telefone à espera de te ouvir
Um ano a segurar a avó
Um ano a segurar a minha mãe
Um ano a fazer com que os teus netos continuem a falar de ti com o mesmo brilho no olhar
Um ano a acreditar que foste fazer uma viagem e que um dia voltarás
Um ano de uma saudade sem fim.

Ai avô, que saudades! Que saudades das tuas mãos frias, e do teu sorriso. Na memória ficaram as boas recordações.

A morte é tramada, chega a assustar tal é a distância sem fim que se sente.

Todos os dias olho para o teu sorriso e é inevitável não sorrir também. Sei que estás bem, que estás a olhar por nós e eu continuo a acreditar que foi um até já e que um dia me vais voltar a bater à porta. Há quem possa achar descabido mas foi a forma que encontrei para camuflar este sofrimento que a morte nos dá.

Um ano...
Um ano em que já se passou tanto.
Um ano sem Ti meu querido avô.



A exigência de um ensino que vai para além do razoável

5.3.20
Incrível como se tira a sesta de uma criança por ânimo leve, porque simplesmente lá em cima numa secretária se pensa que as crianças com cinco anos têm maturidade suficiente para aguentar oito horas de "trabalho" numa escola.

A pressão de uma sociedade que os obriga a serem adultos e não crianças, que os levam a viver dentro de "obrigações" e de uma carga horária com inúmeras atividades para que no final do dia possamos dizer que os nossos filhos são hiper, mega estimulados e de preferência os melhores alunos.

Esquecemo-nos que somos nós, pais, educadores e esta pressão social dos tempos modernos que lhes roubamos a infância.

Não sei que custos teremos no futuro, se o caminho é este ou não mas confesso que esta exigência e pressão que metemos aos nossos filhos, ainda pequeninos, tenha um preço muito alto a pagar.

Uma criança não é nenhum "mini adulto", é um ser pequenino em constante formação pessoal e emocional, livre de espírito e sem responsabilidades e é preciso respeitar o seu tempo.

Aqui não existe a mãe certa ou errada, existe a mãe formatada para a sociedade que está inserida e se foge à linha dita normal é vista como inconsequente.

Ainda ontem uma psicóloga de desenvolvimento cerebral me dizia que era uma atrocidade retirar as sestas tão prematuramente só para que estejam em recreio. Além de ainda terem o cérebro em desenvolvimento, aquela sesta é tão mais importante que qualquer atividade lúdica pois é nas sestas da tarde que as crianças solidificam grande parte dos seus conhecimentos.

A (falta) de paciência perde-se naquelas horas e a incompreensão e a frustração assumem o comando, ainda para mais porque somos dos países que temos as crianças mais tempo na escola.

O T deixou a sesta e tem sido duro para ele, o cansaço é demasiado, principalmente para uma criança que tem uma carga de trabalho exigente como a dele. A sesta no caso dele não é um capricho mas algo super importante no seu desenvolvimento.

A falta dela faz-nos estar em Março, ainda em constantes alterações entre o horário da escola e o das terapias. Um verdadeiro desafio, um autêntico "tetris" da vida.

Vamos uma vez mais reformular o seu horário em prol do seu bem estar, e o próximo passo é voltar à sesta mesmo contrariando as ordens do ministério da educação, que tantas vezes parece saber tudo menos de crianças.

Isto para não falar da exigência de um primeiro ciclo que vai para além do razoável....





Volta ao mundo em cinco anos

4.3.20
Quando o T nasceu foi como se eu tivesse feito uma viagem de 360º, uma viagem daquelas que nos marcam e que nos transformam de tal forma que a nossa vida muda por completo.

A sensação é como se tivéssemos planeado uma vida inteira, uma viagem de sonho, desejada e preparada ao pormenor e já entre as nuvens, somos informados que o avião mudou de rota pelos imprevistos climatéricos e a assim a viagem tão esperada cai por terra.

No início, ficamos desiludidos, depois choramos e até ficamos revoltados pelos nossos sonhos terem ficado naquelas nuvens altas mas depois cabe a nós limpar essas mesmas lágrimas que tanto nos deixaram tristes para tornarmos a viagem que saiu fora dos planos inesquecível.

Esta é a minha história de vida. Foi assim que tudo começou... foi num azar de cromossomas a mais que vi a felicidade no seu expoente máximo.

Existe uma história, que conta de forma "lúdica" o que é isto das viagens, dos sonhos e de uma vida que tem tudo para dar errado para se tornar a melhor de todas, não é de minha autoria, foi dos primeiros textos que li quando recebi a notícia.

"Quando vamos ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem – a Itália. Compra-se logo uma boa quantidade de livros de viagem e fazem-se planos maravilhosos: o Coliseu, o Miguel Ângelo, as gôndolas em Veneza, e até se pode aprender algumas frases úteis em italiano. É tudo muito excitante.

Depois de meses de expetativa, chega finalmente o dia. Fazem-se as malas e lá se vai para o aeroporto, horas mais tarde o avião aterra e a hospedeira chega perto e anuncia: - Bem-vindos à Holanda.

-Holanda? Pergunta você, - O que é isso de Holanda? O meu voo era para a Itália, eu deveria estar em Itália, toda a minha vida sonhei ir a Itália. Mas houve uma mudança de voo e o avião aterrou na Holanda e tem que ficar ali.

O mais importante é que eles não a levaram para um lugar horrível, desagradável e sujo, cheio de pestilência, fome e doenças. É só um lugar diferente. Vai precisar de aprender uma linguagem completamente nova, e conhecer um novo grupo de pessoas que nunca teria encontrado.

É só um lugar diferente, com um ritmo de vida mais lento do que a Itália, menos buliçoso e aparatoso, mas depois de lá permanecer mais um bocado de tempo, logo que tenha passado a agitação, vai olhar em seu redor e começa a dar-se conta que a Holanda tem moinhos de vento, tem as túlipas, e que a Holanda até tem os Rembrandts.

Mas todas as pessoas que conhece vão e vêm de Itália e todas se gabam das maravilhosas férias que lá passaram, e para o resto da sua vida vai pensar “Sim, era ali para onde devia ter ido. Era isso que eu tinha planeado.”

E essa dor nunca, nunca, nunca mais passará porque a perda desse sonho é uma perda muito significativa.

Mas… se passar a vida a lamentar-se com o facto de não ter ido a Itália, nunca mais terá o espírito livre para desfrutar as coisas especiais, as coisas maravilhosas da Holanda."

Há cinco anos quando partilhei esta história com o B, a sua resposta foi, "a nossa sorte é que vamos a Italia para o ano.. e assim aproveitamos o melhor de Italia e Holanda".

E assim foi, passado um fomos finalmente à Itália e ainda conseguimos ir às Maldivas!

Ganhamos o mundo em cinco anos!


Os meus (três) doentinhos

3.3.20
Tenho andado mais ausente porque o tempo tem-me fugido das mãos.

Após o Carnaval, um a um começou a ficar doente. E se ter um filho doente custa, ter três filhos é dose. Sentimo-nos a "apagar constantemente fogos" pois enquanto um chora, o outro vomita e o outro pede-nos colo.

As noites, aí essas noites "malditas". A MC tem sido um terror, o FM quer dormir agarrado a mim e não me quer partilhar com a mana. O T, de todos o mais calmo mas que aparece na nossa cama todas as noites com laringite.

É abrir mão das nossas coisas em prol deles, respirar fundo e segurar o barco dentro da nossa paciência.

Entre eles também já ficamos doentes, mas nem para estarmos doentes nos podemos dar ao luxo. É atacar com o que temos na nossa farmácia e continuar firmes com eles.

Coisas simples da vida mas que se tornam pequenos luxos pois se há coisa que tenho saudades é de ter tempo para estar doente.

Felizmente aos poucos e poucos estão a melhorar e tudo volta à rotina.

Agora, é dar tempo ao tempo para nos voltarmos alinhar.

E por aí muito doentinhos?



O meu Francisco Maria

28.2.20
O FM sempre foi muito emocional e reguila, aliás a sua cara apresenta-o logo mas o seu ar de traquinas também deixa escapar um lado mais ternurento.

Eu e ele temos uma ligação muito forte, não que não o tenha com o T e com a MC mas a forma como ele nasceu e como se agarrou a mim desde o primeiro segundo de vida, criou em nós um vínculo muito grande.

Dormiu nos meus braços durante seis meses e mais dois anos comigo. Sempre ali! Mamou até aos dois anos e ainda hoje não gosta de se ausentar muito de casa.

Se há criança que gosta de estar com a mãe é ele.

Quando descobri que estava grávida do FM, decidi que tudo iria fazer para que ele não sentisse qualquer peso nas costas por ter um irmão com necessidades especiais. Ele veio ao mundo por amor e não para vir "tomar conta do irmão". Depois sabia de antemão que ele teria um desafio pela frente pois o T tinha muita atenção virada para ele e eu nunca quis que isso interferisse na sua personalidade ou que lhe criasse alguma mágoa.

Talvez estas minhas preocupações, fizeram com que o protegesse mais e lhe desse sempre muito mais atenção porque o T eu sei que brilha por si.

Dos três é o que está mais doente e o que mais me pede colo. Voltou a dormir agarrado a mim como quando era bebé.

Hoje percebi que passem os anos que passarem é em mim que ele encontrará sempre o seu porto seguro.

O meu bebé grande, o meu Francisco Maria!


8 meses de noites (mal) dormidas

27.2.20
8 meses de um amor que cresce todos os dias mais um pouco.

8 meses de gracinhas e de uns olhos que nos enche a alma.

8 meses cheios de noites mal dormidas.

Aí estas noites malditas que mais parecem pesadelos.

Confesso que nunca fui aquela mãe com filhos fofinhos que dormem desde sempre oito horas seguidas. No início ainda pensei que à terceira tinha acertado mas parece que MC só quis dar o ar da sua graça, porque nos últimos meses as noites têm sido tudo menos calminhas.

Aliás posso arriscar e dizer que têm sido mesmo infernais.

A MC nunca foi uma bebé de dormir muito de dia mas à noite adormecia com facilidade e dormia entre quatro a cinco horas seguidas mas entretanto foi crescendo e aprumando a técnica de não dormir.

Acredito muito em energias e até já pensei que o problema deve estar em mim pois acredito que lhes passo alguma energia que os faz não dormirem, dormirem na nossa cama e que mamem a noite toda.

Com a certeza que não é fome mas sim consolo por algo que não sei bem o que é.

E é nestas noites que o B repete consecutivamente que não vamos ter mais filhos.

A privação do sono é das piores coisas, faz-nos descompensar e andar em piloto automático.

Quero acreditar que possa ser só um pico de crescimento ou até mesmo que seja a vontade em estar com a mãe visto que durante o dia estou a trabalhar.

Sei que existem várias técnicas para os obrigar a dormir mas até ao momento ainda não houve nenhuma que me convencesse pois sinto que todas são anti natura.

O que é certo é que o sono, ou a falta dele é que nos debilita fisicamente e emocionalmente, deixa-nos mais irritados e com pouca paciência.

Neste momento é esta a nossa realidade porque isto de ter um bebé não é um mundo cor de rosa como os livros pintam, é duro, mas ainda não perdi a esperança que a noite seguinte melhore e se dê um milagre.

Sinto que tenho uma cama cheia de amor a custo de noites mal dormidas.

Contudo estão a ser oito meses maravilhosos e aos poucos e poucos sinto que a perco como bebé e isso ainda me custa mais assumir que as noites mal dormidas.

Look | MaryTale 

Placa | Caturra









O nosso Carnaval

21.2.20
Não adoro o Carnaval, aliás não acho mesmo piada. Contudo ganhou graça a partir do momento que fui mãe.

Gosto de ver as crianças mascaradas, de vestirem a pele dos seus heróis e de toda a criatividade que envolve Carnaval..

É giro ver os anos a passarem e eles a vibrar cada vez mais com esta folia.

Não sou aquela mãe criativa, mas gosto de os imaginar com um fato e de preparar tudo de forma a garantir que se divertem ao máximo.

Começa a ser tradição ir à Partyval escolher os fatos de Carnaval, é uma loja que gosto pessoalmente e que tem tudo a pensar nas crianças. Muitos dos fatos são originais como é o caso do Principezinho que escolhi para o FM.

Este Carnaval ainda é mais especial pois já é vivido no meio de duas crianças e uma bebé.

Fomos à Centrimagem registar o momento e não podia ficar com melhor recordação que esta.

Bom Carnaval!!













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