O brilho no olhar quando conheceram a irmã

16.7.19
Finalmente consegui vir aqui, estes dias têm sido focados na baby MC e pouco ou nada tem sobrado para escrever-vos como já é habitual.

Ter um bebé recém nascido é maravilho mas o primeiro mês além de ser vivido numa bolha gigante de amor, é uma logística sem igual e que nos obriga a dar prioridade ao que é verdadeiramente importante.

Aos poucos e poucos a vida volta a reorganizar-se e tudo volta ao normal.

Tenho tanto para vos contar, que nem sei por onde começar!! Mas vou com calma contar-vos tudo pela sua ordem.

Se tivesse que eleger o dia mais feliz da minha vida não conseguia, isto porque não tenho só um dia em que me senti verdadeiramente e genuinamente feliz. Felizmente tenho vários e todos eles passam pela minha família, o dia em que me casei, o dia em que descobri que estava grávida pela primeira vez, o dia em que o T nasceu, o nascimento do FM, o maravilhoso parto da MC e quando os meus filhos conheceram a irmã.

E é este dia que há tanto tempo vos queria escrever.

O dia em que apresentamos um irmão a outro irmão é um dia memorável e muito íntimo pois é em quatro paredes que se dá um amor sem igual. Sou convicta quando digo que a maior herança que podemos dar aos nossos filhos é irmãos pois é um amor feito de preto no branco e de uma intensidade que não se assemelha a outro amor.


Foi isso que senti quando a porta do meu quarto se abriu, senti nervosismo nos meus filhos, senti que embora não soubessem bem o que os esperava confiaram no pai que os foi buscar, senti a sua excitação e acima de tudo senti o quanto aceitaram sem medos a sua nova irmã.

Look | Oh Cutxi Kids 





Confesso que estava nervosa, é sempre uma incógnita, sabemos o que queremos mas não sabemos o que esperar.

Embora o amor cresça com uma barriga, nunca sabemos como vão ser as reações.

Antes de me terem rebentado as águas, sem saber que estava a horas que isso acontecesse, fui buscar o T à escola e deixa-lo com a minha avó, onde estava o FM.

Quando os deixei, o FM queria ter ido comigo e sem saber porquê disse-lhe que a mãe tinha de ir ao médico, mal eu sonhava que iria mesmo passado duas horas.

Foi dessa forma que me despedi deles e lembro-me que quando estava a caminho do hospital, ter dito ao B que queria muito voltar e despedir-me deles mas depois achamos por bem não ir porque podiam ficar destabilizados.

O que é certo é que a mãe não voltou do hospital e no dia seguinte foram eles ter comigo.

Vivi meses ansiosa com este momento, com certezas, muitas dúvidas e medos. Nunca sabemos como serão as reações, de como se vão sentir, de como a nossa família vai ficar.

Até já

4.7.19
Tenho estado um pouco ausente por aqui porque além de estar a viver numa bolha de amor ainda estou a organizar toda a logística que requer duas crianças reguilas e um recém nascido.

Em breve conto voltar com muitos textos sobre o que é viver tudo isto pela terceira vez.

Até já

Centrimagem 

Maria Constança

2.7.19
Vou começar pelos inícios dos inícios...

Não queria um parto por cesariana, não que tenha alguma coisa contra mas porque já tinha tido a experiência de um parto natural e sei o quanto nos marca por isso tinha muito presente que tudo faria para que fosse um parto natural.

O que é certo é que as semanas foram passando e mesmo com a agitação do meu dia a dia a MC não queria vir ao mundo.

Como o parto do FM tinha sido por cesariana, este não podia ser induzido e como tal o meu médico sem pressões deixou que o tempo se encarregasse da mãe natureza.

Contudo na minha última consulta tinha a certeza que seria marcada a cesariana, não dava para esperar muito mais e embora quisesse muito um parto natural, tinha de pensar no bem estar da MC.

A consulta das 41 semanas era quarta-feira e nessa mesma semana antes da consulta, dei início a tudo o que estava ao meu alcance para que entrasse em trabalho de parto de forma espontânea.

Foram muitas as dicas que recebi vossas (OBRIGADA!) posso afirmar que neste momento sei tudo o que se deve fazer para entrarmos em trabalho de parto de uma forma espontânea. Por isso se precisarem podem perguntar-me :)

Terça-feira, fui com a minha mãe à praia de Santo Amaro em Oeiras para andar, ao todo foram 5kms. Cheguei a casa tomei um banho de água quente e adormeci. Acordei com contrações mas com a certeza que seria pelo esforço físico que fiz, levantei-me e fui ao médico com esperança que me dissesse que já havia um prognóstico mais favorável.

O CTG acusou contrações e o meu útero tinha passado de fechado a permeável a um dedo. Toque feito!

E antes de acabarmos tivemos todos de tomar uma decisão, marcar o parto. Na minha cabeça já tinha o dia que queria (2ªfeira) mas o meu médico parece que leu os meus pensamentos e disse também 1 de Julho. Dei quase um pulo da cadeira e disse: Está óptimo! Fechado!!

Saí de lá com a certeza que iria dar tudo de mim e que iria meter tudo em prática mas que até sábado não tivesse sinais desistiria desta luta e entregava nas mãos de Deus este meu parto.

Depois do toque e já com muita pressão na bacia (pelo dia anterior), voltei à praia com a minha querida mãe e foram mais 5km sobre a areia mole, quando cheguei a casa, já com poucas forças ainda enchi o peito de ar e subi oito andares, cheguei e tomei um banho bem quente e terminei a ver a novela numa bola de pilates.

Estava confiante que seria durante a noite mas nada. Levantei-me eram 7h porque nesse dia tinha terapia com o T e além da pressão na bacia poucos ou nenhuns sinais tinha, até que de um momento para o outro começo com contrações muito fortes mas muito irregulares, como já tinha tido estas contrações nas 39 semanas desvalorizei por completo, fiz a minha vida normal mas sempre com contrações, fui arrumar coisas no centro de terapias que já partilhei convosco, subi, desci escadas, peguei em livros, limpei, fiz de tudo um pouco e sempre com contrações.

Entretanto eu e a terapeuta do T demos uma entrevista para uma terapeuta do Desenvolve-T e ainda com contrações estava completamente longe de imaginar o que me iria acontecer passado uns minutos.

Acabamos a entrevista, começamos a falar e no meio da conversa senti como se fosse uma rolha a abrir dentro de mim e a água a escorrer pelas pernas.

14.25h "Filipa, rebentaram-me as águas" 
Óptimo. O que quer que faça? Mas já em modo "barata tonta"
Nada, mantenha a calma porque está tudo bem. Dê-me uma cadeira.