O nosso Carnaval

21.2.20
Não adoro o Carnaval, aliás não acho mesmo piada. Contudo ganhou graça a partir do momento que fui mãe.

Gosto de ver as crianças mascaradas, de vestirem a pele dos seus heróis e de toda a criatividade que envolve Carnaval..

É giro ver os anos a passarem e eles a vibrar cada vez mais com esta folia.

Não sou aquela mãe criativa, mas gosto de os imaginar com um fato e de preparar tudo de forma a garantir que se divertem ao máximo.

Começa a ser tradição ir à Partyval escolher os fatos de Carnaval, é uma loja que gosto pessoalmente e que tem tudo a pensar nas crianças. Muitos dos fatos são originais como é o caso do Principezinho que escolhi para o FM.

Este Carnaval ainda é mais especial pois já é vivido no meio de duas crianças e uma bebé.

Fomos à Centrimagem registar o momento e não podia ficar com melhor recordação que esta.

Bom Carnaval!!













*




































































Viver com o preconceito

20.2.20
O preconceito consegue ser a palavra mais dura para uma mãe pois vivemos atormentadas por ela.

Talvez pela consciência do que está por detrás de um olhar indiscreto ou de um comentário menos feliz.

Algo simples e até sem razão de ofender mas que nos magoa da forma mais cruel que existe.

Como mãe de uma criança estereotipada aprendi que o preconceito começa e acaba em nós. Somos nós que temos de enfrentar o "problema" que é tudo menos "problema", cabe a nós erguer a cabeça e olhar em frente de "peito inchado" tal como as galinhas o fazem.

Pode ser uma proteção ou até uma forma de viver mas é a forma que encontrei para me proteger do preconceito e de viver feliz.

Não perco tempo a olhar para as pessoas com medo do que podem dizer ou pensar. Simplesmente quero que vejam uma mãe normal com o seu filho porque é isso que sinto que sou.

Quero que vejam normalidade quando vêm a minha família. Sendo que vai-se lá saber o que é ser "normal".

Não podemos depositar nos outros a responsabilidade de os tratarem de forma normal, essa é a nossa responsabilidade. O ser humano vive da imitação, reproduz comportamentos e alinha valores. É aqui que se encontra o segredo.

Não podemos exigir a quem nos rodeia que os tratem de forma igual quando nós somos os primeiros a não fazê-lo por medo ou por zelo.

Talvez tenha sido esse o nosso segredo, a partir do momento, que aceitamos e que choramos tudo o que tínhamos de chorar, não olhamos mais para trás. Era esta a nossa realidade por isso o caminho era em frente e sem rodeios.

Este é o nosso filho! O seu nome é Tomas. Tudo o resto são pormenores.

Jamais a sua trissomia veio antes do seu nome, não quero e nunca irei permitir isso, pelo menos enquanto for viva. Não quero que seja sequer assunto pois tenho consciência que se der ênfase à sua trissomia e às suas dificuldades, elas ganham.

No nosso círculo de amigos, familiares e escola, não vejo diferenças. Todas crianças brincam, todas fazem as suas birras, todas comem as suas gomas. Nunca senti que o meu filho fosse mais ou menos que outra criança.

As crianças não vêm diferenças, talvez pela sua sensibilidade, percebam que em algumas coisas o T pode ter uma maior dificuldade mas isso não chega a ter importância necessária para o tratarem de forma diferente.

Em tempos numa conversa com amigos, diziam-me, que era incrível a nossa forma de estar, que tínhamos conseguido que eles não vissem para além de uma criança e nesse dia percebi que tudo depende da nossa atitude.

Por isso mães aceitem, olhem em frente e não tenham medo dos outros. É a nossa forma de estar que vai definir a forma como os outros olham e agem connosco. Não se preocupem com os ignorantes porque esses haverão sempre...

Um beijinho apertado para todas as mães que passam pelo preconceito.





















O (vício) bom da mama

19.2.20
Sou a favor da amamentação mas também não condeno quem não o seja.

A escolha de amamentar ou dar leite adaptado tem de ser uma escolha da mãe e não das pessoas que a rodeiam.

É uma escolha como tantas as outras.

O mesmo acontece com o desmame, só faz sentido enquanto a mãe e o bebé quiserem. Não temos que esforçar o momento porque este deve ser natural.

Do T amamentei até aos cinco meses e por alguma pressão da sociedade desmamei precocemente, sem eu sentir essa mesma necessidade. Do FM, já não me deixei levar pela pressão e amamentei até eu e ele querer, foram dois anos de muita maminha. E com a MC já vamos com setes meses de muita maminha.

Não tenho nenhuma meta porque para mim só faz sentido que seja até ambos quererem. É um momento nosso, desgastante por vezes (principalmente à noite) mas igualmente maravilhoso.

Gosto que ela procure a mama para se consolar porque a partir de uma certa altura é esta a função da mama.

Já vi bebés desmamarem com seis meses e com quatro anos e ambos estão certos. Aqui não existem fórmulas mágicas, a amamentação é tudo menos matemático. É variável, depende da mãe e do bebé.

Por isso sou a favor de ser até quando ambos se sentirem felizes! Com a certeza que nenhum filho meu mamará aos dezoito anos.

A amamentação continua a ser o alimento mais completo para os bebés e o que transmite um maior vinculo com o bebé, contudo não é quem dá mama que ama mais. O amor de uma mãe não se mede por leite materno. É apenas uma escolha no meio de tantas outras.

É dos assuntos que gere mais polémica por isso existe uma pressão tão grande para amamentar, também é dos testes mais difíceis de ultrapassar na maternidade pois são as dores, são as dúvidas, são as noites, as gretas e a pressão, tudo num só. É um caminho mas depois de estabelecido é só a melhor coisa do mundo.

É um vicio nosso e do bebé mas dos bons!












As rotinas do fim do dia

18.2.20
O fim do dia consegue ser o melhor e simultaneamente o pior do meu dia.

É a verdadeira "loucura". E por mais que projecte um fim de dia calmo ele acaba sempre caótico e comigo a adormecer no sofá.

Assim que os vou buscar à escola, desligo do mundo lá fora. Não foi fácil deixar o telefone de parte, levou anos até que eu o conseguisse fazer mas consegui. É um processo que demora o seu tempo a adquirir mas com disciplina consegue-se.

Naquelas poucas horas quero que eles apenas me sintam porque já é tudo tão a correr que se eu ainda tiver ao telefone não lhes consigo dar a atenção que merecem.

Chego a meter o telefone no silêncio e são raras as mensagens, telefonemas ou emails que vejo em tempo real. Assim que adormecem tenho tempo para ver tudo.

O jantar se tiver previamente feito torna a logística muito mais fácil e tranquila. Costumo ir buscá-los por volta das 17h, pelo menos é a hora que gosto. Nem sempre consigo cumprir mas não vou além das 18h porque não quero que eles passem mais que oito horas na escola.

É preciso ter consciência que as escolas não são depósitos de crianças.

Não quero que levem isto  como crítica, pelo contrário, tenho muito respeito pelos pais que só conseguem ir buscar os filhos pelas 19h porque estão a trabalhar.

Nunca mais me esquecerei da primeira reunião na escola do T, em que a diretora pedagógica alertou para o assunto, pois haviam crianças a estar na escolha doze horas. É chocante!! Mas é uma realidade cruel dos tempos de hoje.

A culpa não é dos pais mas do sistema que está montado, em que as empresas consideram que sair antes das dezanove é um "luxo" quando é apenas cumprimento de horários.

Em Portugal os bons profissionais medem-se pelas horas de saída e não pela eficácia do seu trabalho. O que é triste porque os valores humanos e familiares perdem-se por completo.

Felizmente posso dar-me ao luxo de gerir os meus horários, de chegar ainda de dia à escola, de ter algum tempo para ir ao parque ou simplesmente ir para casa e "estarmos". Só por isso vale a pena!

Contudo já me alonguei a trabalhar, já os fui buscar para além da minha hora e sempre que isso acontece é uma correria de loucos até irem dormir. A paciência é menor e entro em modo automático para que consiga que eles se deitem às "horas normais".

Confesso que não gosto dessa "lufa lufa" mas há dias que também me acontece.

O fim do dia é um período complicado porque ficamos focadas nas tarefas e deixamos de os ouvir.

É preciso um grande trabalho psicológico para que as tarefas não nos dominem mas nem sempre consigo vencer a exigência dos finais do dia, isto trás frustrações, falta de paciência e até alguma voz mais alta (para não falar em gritos).

Depois adormecem. Olho para eles, e a tristeza e a culpa apodera-se de mim.

E se ao fim-de-semana gosto de viver sem horários, sem rotinas e regras, durante a semana sou exigente com a hora de dormir.

Às 21h estão na cama e ponto final.

Tomam banho assim que chegam em casa, brincam, jantam entre as 19.30h e as 20h, lavam os dentes, leio uma história e rezamos ao menino Jesus e às 21h estão a dormir.

É esta a nossa rotina! Sendo que existem dois segredos para que isto aconteça: ir buscá-los cedo e deixar o jantar previamente preparado.

E aí em casa como é que gerem o vosso final de dia?

Casacos | Blue Kids
Carneiras | Pés de Cereja 





Gratidão

17.2.20
Que fim-de-semana...

Sábado batizado, ontem os meus anos... foram dois dias de festa! Onde nos divertimos imenso em família. Chegámos Domingo a casa exaustos mas felizes por termos estado acima de tudo em família.

Com muita pena minha, não consegui vir aqui agradecer-vos pelo carinho que fui recebendo ao longo do dia dia mas sintam-no agora.

Entrei ontem em contagem decrescente para os 40, não sei se ria ou se chore. Dizem que os 40 são os novos 20, não é verdade? Vou acreditar nisso, mas a verdade é que me sinto ainda uma "miúda" e não me vejo de todo com a idade que tenho.

Sinto-me livre de espírito e com a mesma energia de outros tempos, a diferença maior é que junto a mim tenho três filhos maravilhosos que me completam.

Assim que a noite caiu, agradeci por estes trinta e seis anos maravilhosos e igualmente desafiantes, pelo carinho que sinto diariamente dos meus amigos e família e por vocês que me acompanham diariamente.

Obrigada!

Já tarde pelo instagram, percebi que estou na posição 283 em 1000 dos influencers portugueses com mais engagement.

Quando comecei a ver, estava longe de imaginar que estaria nesta tabela, muito menos que estava numa posição tão boa. Não ganhei nada é um facto, mas é um reconhecimento de todo um trabalho que tantas vezes não se vê mas que existe.

Quando decidi criar este projeto, não tinha qualquer objetivo de cariz comercial. Como mãe, senti necessidade de mostrar à sociedade que era possível sermos felizes no meio da adversidade.

Na vida existem sempre dois caminhos e cabe a nós escolher qual o nosso. Nós somos os verdadeiros responsáveis pela nossa vida! Antes de tudo temos de ser nós a querer ser felizes tudo o resto acaba por aparecer.

Tratamos os sonhos por tu, e a a Trissomia 21 do Tomás, é só um pormenor na sua vida. Jurei assim que o T nasceu que tudo faria para que ele fosse feliz e aceite na sociedade e foi este o grande propósito para ter criado Tomás - My Special Baby.

Hoje, não sou só mãe do T mas também do FM e da MC, é um blog de maternidade. Onde quero mostrar realidade, uma família que se uniu ainda mais por um cromossoma extra, e que é possível sermos felizes.

É este o meu grande objetivo.

Obrigada a vocês por estarem desse lado comigo. Por rirem e chorarem connosco.

Este reconhecimento não é só meu mas sim de todos vocês!

Chilli Baby






My Valentine

14.2.20
Hoje ao acordar, recebi aquele beijinho de "feliz dia" percebi que já contávamos com 18 Dia dos Namorados (sempre juntos).

Sentei-me por momentos e pensei como era possível já ter passado tanto tempo sem termos dado conta.

Ainda relembro as nossas idas à praia, as escapadelas às aulas, e as parvoíces no carro como se tivesse sido ontem.

Acho que é este jeito diferente de ver as coisas, com uma responsabilidade q.b que não nos faz dar pelos anos. Sinto que seremos eternamente duas crianças cheias de sonhos por concretizar.

Com ele já vivi os melhores momentos da minha vida e os mais tristes. A vida é isto mesmo. Um arco-íris constante.

O tempo deu-nos uma maior aceitação pelas nossas diferenças, deu-nos uma única linguagem e juntos erguemos um castelo.

Este ano atingimos a maioridade e eu não podia estar mais feliz com o caminho que percorri ao teu lado.

E sim... vamos deixar as crianças com os avós e vamos namorar, porque também merecemos!! Porque o amor é mesmo para ser vivido da forma mais "pirosa" que há.

Happy Valentine's Day!!




Diversificação Alimentar

13.2.20
Muitas dúvidas surgem sobre a alimentação dos bebés, mas apenas deve ser vista como mais uma etapa na vida do vosso bebé.
É sinal que está a crescer!

Qual o motivo da diversificação alimentar se iniciar numa idade específica? 

A necessidade de introdução de outros alimentos acontece quando o leite sozinho já não é suficiente para os requisitos nutricionais do bebé. Por exemplo: os hortícolas e cereais apresentam grande biodisponibilidade para o ferro não-heme, já a carne e o peixe são importantes fontes de ferro heme.

Esta introdução não deve acontecer antes dos quatro meses, nem depois dos seis meses e meio. Só a partir desta idade o bebé atinge o desenvolvimento corporal necessário e está pronto para responder com competências adequadas para este novo desafio. Exemplo disso é: a capacidade de segurar a cabeça, a estabilidade do maxilar e a maturidade dos vários sistemas corporais.

Reforço sempre que cada bebé é único, terá o seu ritmo e algumas necessidades específicas, por isso, uma avaliação pelo profissional que vos acompanha é sempre útil e desejável. Claro está que é também uma etapa muito influenciada pelos hábitos culturais e familiares, que devem ser atendidos e incorporados neste processo.

Os alimentos oferecidos ao longo desta etapa influenciam os hábitos alimentares futuros: curioso perceber em alguns estudos que os bebés que consumem maior diversidade de legumes na fase da introdução de novos alimentos consumiam mais legumes aos seis anos.

A OMS* é peremptória quando refere que um bebé a realizar leite materno exclusivo não necessita de qualquer outro alimento para satisfazer as suas necessidades nutricionais. E habitualmente esta é a regra.



Sei que por vezes ficam “confusos” pois quando comparam a alimentação do vosso bebé com outros poderão encontrar diferenças. Pois bem, é uma área em constante estudo e evolução, apesar de existirem diretrizes. Deixo-vos com as últimas orientações:

Aspetos a ter em conta durante esta etapa:
  • Os alimentos devem ser introduzidos com intervalos de tempo entre si, sendo repetidos durante no mínimo três dias afim de se detetar alguma reação.
  • Lembrar que estamos a iniciar o processo de ensinar alimentação…o contato com sabores novos, o amargo e o azedo, as texturas novas, oferecer alimentos saudáveis, vai ensinar quais os alimentos que devem constituir maioritariamente a sua alimentação, é uma etapa super importante que se perpetua e influencia o futuro alimentar da criança. 
  • Conforme o bebé vai crescendo deve-se oferecer alimentos progressivamente mais sólidos proporcionando o mastigar, muito importante para o desenvolvimento da musculatura ora, que também influenciará a linguagem.
  • Não adicionar sal ou açúcar à dieta do bebé até ao primeiro ano de vida. Mesmo após esta idade não estimular o bebé para estes aditivos, lembrando que estão associados a problemas cardiovasculares e metabólicos.
  • Os estudos mais recentes contrariam a ideia de adiar a introdução de alimentos potencialmente alergénicos? Pois é, por ex. na introdução dos ovos, as novas indicações referem ser seguro logo aos 6 meses e que isso está associada à redução do risco de alergia a ovos. O mesmo acontece com o amendoim…oferecido em manteiga de amendoim (atenção às açucaradas/industrializadas) entre os quatro e onze meses. No entanto com relação a estes alimentos consultem e aconselhem-se com o profissional que vos acompanha enfermeiro ou médico. A ideia é não retardar…mas supervisionar possíveis reações. 
  • A partir dos dez meses a alimentação do bebé deve ser constituída por uma sopa e segundo prato onde deverá constar massa/arroz/batata e a proteína. Assim, a sopa já deverá somente conter os hortícolas para não existir excesso de proteína. 
  • Não está recomendado o uso de chás.
  • Bebidas açucaradas não estão aconselhadas, incluindo sumos de fruta que incentivam procura do sabor doce com rejeição da água e podem causar cáries. 
  • O mel não deve ser oferecido antes do primeiro ano de vida pela sua associação ao botulismo infantil. 
  • O momento da alimentação deve ser encarado como uma atividade em si própria, desenvolver o gosto e o interesse pelos alimentos deve ser um objetivo. Assim não devem ser associados métodos distrativos como a televisão. 
  • A alimentação não deve ser utilizada como recompensa.
  • A partir dos dozemeses a criança não deve ser acordada para se alimentar. Durante o dia a quantidade de alimentos oferecidos deverá adequar-se ao nível de saciedade de cada criança, ainda que balizando com as orientações existentes para não atingir extremos. 
Apresento-vos uma tabela representativa dos principais alimentos a introduzir até aos 12 meses de vida e em que meses.



Até breve.

A enfermeira
Ângela Baptista
b_a_badobebe@hotmail.com

_________________________________________________________________________________
(*) OMS – Organização Mundial de Saúde

Principais fontes bibliográficas:(*)Associação Portuguesa de Nutrição. Alimentação nos primeiros 1000 dias de vida: um presente para o futuro. E-book n.o 53. Porto: Associação Portuguesa de Nutrição; 2019. EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies (NDA). Scientific opinion on dietary reference values for energy. EFSA Journal. 2013; 11(1):3005.JAMA. 2016 Sep 20;316(11):1181-1192. doi: 10.1001/jama.2016.12623; Pietrobelli A, Agosti M, Group MN. Nutrition in the first 1000 days: ten practices to minimize obesity emerging from published science. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2017; 14:1491.