A minha cozinha nova

22.10.20

 Adorava ter uma cozinha grande, não que passe grande parte do meu dia lá, mas é seguramente das divisórias mais importantes e que melhor bem estar me causa.

Das coisas que mais prazer me dá é encher o frigorífico e a dispensa de cor. É ali que me organizo e que tudo começa. Se não tiver uma cozinha organizada dificilmente encontro equilíbrio para as minhas inúmeras tarefas.

Não sou uma cozinheira eximia, nem tão pouco criativa mas sou esforçada para proporcionar à minha família uma alimentação equilibrada.

É ali que reúno a família e amigos para grandes almoços e jantaradas.

De tempos em tempos, destralho a cozinha, sempre em busca de uma maior organização e de mais espaço mas por ser pequena nunca consegui chegar ao que queria.

A quantidade de alimentos repetidos que tinha na dispensa era prova disso porque como deixava de estar no meu campo de visão, perdia-me na hora de ir às compras.

Até que tropecei na página da Bruna - Organizar c' Alma, e lhe pedi ajuda. Uma querida disponibilizou-se para me ajudar e fazer milagres.

Foi a minha casa, viu onde estava o "problema", entregou-me uma proposta, ajustamos com as minhas necessidades e voltou mais tarde para fazer milagres.

Hoje tenho uma cozinha organizada, funcional e que me equilibra para as minhas outras tarefas.

Vejam o vídeo da mudança 😃

Espero que gostem!!





A sorte procura-se

20.10.20



Quando o Tomás nasceu a palavra ou melhor as palavras que mais ouvi, foram duas: Intervenção Precoce. Não havia tempo para esperar, era começar o quanto antes pois embora houvesse coisas que não fizessem muito sentido, tinham que ser feitas, pois quanto mais estímulos ele tivesse mais potenciaria o seu desenvolvimento.

E se queria que mais tarde fosse aceite na sociedade, levei a intervenção precoce como bíblia para a minha vida. Foi aqui que apostei tudo. E que também me fez abdicar de outras coisas, tudo em prol de um bom desenvolvimento.

Dei-lhe a oportunidade de vivenciar todas as terapias que a meu ver o iam beneficiar. Experimentei muito mas acreditei ainda mais. Confiei!

Mas é preciso perceber o que existe e fazer escolhas. Se acreditamos é confiar e não continuar à procura de respostas que teimam em nunca chegar. É certo que não saberemos se as nossas escolhas serão as mais acertadas mas a vida é mesmo isto.

Uma vez o meu marido disse que não sabia se o que fazíamos era o melhor, mas que preferia tentar, do que viver na incerteza do "se" e não posso estar mais de acordo.

É tendencioso da nossa parte irmos em busca de respostas, mas o excesso de informação pode também a desfocar-nos do que realmente é importante.

Todas as terapias são importantes, mas nem todas se enquadram com a criança ou na dinâmica familiar. É escolher com o coração e com a certeza que fazemos o nosso melhor.

No nosso percurso já contamos com muitas profissionais,  umas que não criei laços, outras que passaram a ser um bocadinho também nossas.

Tive azares e sorte como tudo na vida. E em seis anos percebi o que queria para o Tomás. Uma equipa coesa, que fosse mais além do esperado.

Nem sempre é fácil encontrar, mas encontra-se. É apenas preciso acreditar e experimentar.

A Inês é exemplo disso, ex-estagiária de uma terapeuta que me deixou ótimas memorias. Hoje é a terapeuta do Tomás e do Francisquinho e vai muito além da sua profissão. 

Trabalha com alma e isso nem todos conseguem pois há coisas que não se aprendem em cadeira de faculdade.

A sorte procura-se e acreditem que eu procurei muito para ter a melhor equipa a trabalhar com o Tomás.

Resultado disso é o seu sorriso quando está em terapia.



Desenvolve-T




6 Estratégias para ajudar as crianças no momento em que estão hospitalizadas

19.10.20

No artigo anterior falei-vos sobre algumas reações e comportamentos gerais que a criança pode apresentar quando passa pela experiência da hospitalização. O objetivo é conseguirmos minimizar ao máximo o sofrimento da criança. Sabem que a hospitalização em determinadas situações pode ser inclusive uma oportunidade de aprendizagens positivas? Sim! Por exemplo é durante o internamento que por vezes os pais aprendem a massagem de relaxamento ao bebé…ou a saber interpretar o seu choro! Como profissional é esse o objetivo.

Quero partilhar convosco a minha visão pediátrica do cuidar as crianças e família que faz diferença quando existe um internamento ou um processo de doença. Funde-se com o conceito de parceria. Os familiares são atores principais, conhecedores privilegiados da criança e por isso “meus parceiros”. No entanto, é também importante que os pais saibam que as suas manifestações influenciam o comportamento da criança, mas que é legítimo terem as suas fragilidades e limitações, devendo recorrer aos profissionais de saúde para obter suporte. Não têm que estar sozinhos. Assim nesta dinâmica de equipa será mais fácil vivenciar o processo da hospitalização. Concordam?

Apresento-vos algumas estratégias que podem ser utilizadas pelos familiares ou outros cuidadores significativos da criança. São estratégias gerais e mais uma vez refiro que são necessárias adaptações à idade da criança. Aqui com certeza vão ter a ajuda do “vosso” enfermeiro.

Estratégias para aumentar o conforto da criança: 
  • Estar consciente para as alterações comportamentais da criança e conhecê-las (ver artigo anterior)
  • Garantir a presença de um acompanhante significativo para a criança. Está comprovado que esta presença representa melhores respostas ao nível físico (redução de níveis de dor, insónia…) e ao nível emocional (menor irritabilidade, agressividade). 
  • Sempre que possível manter-se na “linha visual” do bebé, tocar e oferecer afetos, mimo! 
  • Permitir a sucção não nutritiva (chuchar) provocando prazer e com isso afastamento do medo e ansiedade. 
  • Utilizar os objetos significativos da criança (ex: fraldinha de pano, numa criança mais velha pode ser uma foto, o seu telemóvel!) 
  • Sempre que possível preparar a criança para os acontecimentos. Deixá-la contatar com o material (brincadeira lúdica) (ex: mãe e filho colocarem a touca cirúrgica, manipularem uma seringa e deixar fazer uma “pica”no boneco!), contar histórias que a aproximem da realidade vivenciada: ”O Diogo vai ser operado!” “Anita no Hospital”. Brincar com o Playmobil do bloco operatório, desenhar o corpo humano identificando o local afetado… 
De acordo com a idade da criança encorajar a sua participação no processo de tratamento, incluí-la nas conversas, sempre em articulação com o enfermeiro responsável. Importante permitir a verbalização e exteriorização de sentimentos da criança e deixar sempre bem claro que os procedimentos não são punição (daí ser totalmente ERRADO os pais ameaçarem as crianças com “olha que se te comportas mal a Enfª dá uma pica!).
Fazer por manter ao máximo as rotinas familiares da criança (hora do banho por exemplo)
Proporcionar, tanto quanto possível, a liberdade de movimentos
O recurso a: Medidas de distração (musicoterapia, jogos, vídeos lúdicos, histórias), Relaxamento/Diminuição da tensão muscular (Massagem-proporcionando o relaxamento através da libertação de hormonas do relaxamento, Posicionamento de conforto, Respiração lenta/ou profunda, Mindufulness, Aplicação de Calor/Frio). Relaxamento criativo em momentos de dor ou procedimentos dolorosos (por exemplo imaginar que somos leves leves como o algodão, bater palmas com muita muita força! 

Utilizar o reforço positivo com palavras encorajadoras e a recompensa.
Dentro do possível tornar o meio hospitalar o menos “formal” possível, adaptando-se ao mundo da criança.

Talvez possam sentir que terão dificuldade em aplicar estas estratégias …mas como disse não estão sozinhos. Os profissionais de saúde irão ajudar. Neste período pandémico que atravessamos vemos medidas aqui referidas com algumas limitações a serem aplicadas, no entanto todos estamos sensíveis ao superior interesse da criança.

Enfª Ângela Baptista – Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica



______________________________________________________________________________________________________Nota Bibliográfica: Guias Orientadores de Boas Práticas de Saúde Infantil e Pediátrica – Vol II Ordem dos Enfermeiros 2011 


A Hospitalização

16.10.20

Recentemente o Tomás passou pela experiência da hospitalização. Nesse período muitos foram os comentários solidários para com uma situação pela qual todas as crianças e suas famílias podem passar um dia. Felizmente assistimos a um evoluir positivo, considerando-se somente quando estritamente necessária, e o menos duradoura possível. Representa uma experiência exigente para a criança e a família. Impõem-se alterações repentinas na rotina de vida. 

Com base nos meus conhecimento partilho convosco sobre o que podemos esperar que a criança vivencie durante a experiência da hospitalização. Reconhecer é o passo mais próximo de compreender e ajudar. 

O foco de quem cuida da criança internada passou a ser compreender a experiência da hospitalização, tornando-a menos traumática possível! A família é o maior parceiro do enfermeiro, o cuidador por excelência nos serviços de saúde por ser quem de fato está as 24H diárias. Ambos lutamos para o maior bem estar da criança.

Antes de mais quero tornar de vosso conhecimento a existência de um documento importantíssimo:

“A Carta da Criança Hospitalizada (1988)” ,  implementa dez direitos, que se assumem como mandatários no decurso da hospitalização. Destaco dois:

O 1º direito, que define de forma clara em que condições a hospitalização deve ocorrer: “A admissão de uma criança no hospital só deve ter lugar quando os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia.”

O 2º direito, no qual encontramos respostas relativamente ao acompanhamento da criança: “Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou seus substitutos, junto dela, dia e noite, qualquer que seja a sua idade ou o seu estado.”

Assim, a criança deve estar próxima de quem ama, e que representa para si a sua segurança (exceto raras situações em que, por motivos muito particulares de saúde, a criança não possa estar acompanhada).

Falo-vos agora de fatores que foram estudados como sendo os mais expectáveis numa criança hospitalizada. Porque é importante? Reconhecê-los permite atuar e responder positivamente.

Um futuro incerto

15.10.20

 Os tempos não estão fáceis e não tendem a melhorar.

As notícias que nos chegam são de instabilidade e voltaram para nos assombrar. A possibilidade de uma segunda vaga ainda pior que a primeira, um Natal à porta, o nosso sistema de saúde, a saúde dos nossos e dos demais, os nossos empregos e a nossa vida entregue ao acaso. É assustador!

As medidas voltaram a apertar e a nossa liberdade começa-se a dissipar.

Olho para trás e vejo o que os meus filhos perderam e que continuam a perder diariamente. A Maria Constança embora super estimulada pelos irmãos, nunca foi a um teatro ou musical ou a um simples parque infantil. Na rua não vê muito além de máscaras e isso assusta-me.

Tão pequenina e com uma realidade tão distante dos velhos tempos.

Um ano que começa a preparar-se para acabar e outro que espreita na incerteza.

As escolas estão diferentes. A forma de ver a vida também e se antes era bom brincar na rua, hoje receia-se pelo vírus.

A partilha deixou de fazer parte do nosso vocabulário e isso assusta-me cada vez mais.

Os abraços e os beijos verdadeiros são como água no deserto e isso é assustador, pelo menos para mim.

Assusta-me verdadeiramente esta nova geração. 

Assusta-me sair de casa com medo de contrair o vírus e ainda mais de ser a responsável para passar para as pessoas que mais gosto.

É um medo maior pela incerteza de um mundo que está a mudar e que nos está a roubar o que de mais valioso temos, a liberdade e os afetos.

Cabe a nós pais dosear comportamentos mas com equilíbrio, sabendo que todas as nossas escolhas terão consequências para o futuro dos nossos filhos.

Hoje celebra-se o dia Mundial da lavagem de mãos e nunca foi tão importante como agora explicar aos nossos filhos a sua importância.

Que nos mantenhamos todos seguros e que em breve voltemos a abraçar a vida tal como ela merece.






Tomás

13.10.20
Ainda antes de ter noção do que me estava a acontecer, no meio de um turbilhão de emoções imaginável, ainda com os focos de luzes sobre mim do bloco de partos, apertei-o com força e jurei-lhe identidade.

Que fosse chamado pelo seu nome próprio: Tomás. Movi e ainda movo montanhas para que ele seja reconhecido por si e não pela sua caraterística maior: Trissomia 21.

O segredo de abraçar a diferença é essa mesmo, e embora saibamos que exista, se a olharmos de frente, sem medos. "Sim! O Tomás tem Trissomia 21" ela perde a sua força. Em momento algum achei que isso fosse condicionante para a sua e a nossa felicidade.

Arrisco em dizer que talvez seja é mais feliz porque ele mostra-me todos os dias um jardim repleto de flores, daqueles que só se vêm no país das maravilhas. Ao contrário de tudo o que me disseram é possível ser-se feliz mas também, apesar das adversidades,  nuca dei oportunidade à vida de me fazer infeliz.

Como já disse o caminho que escolhemos para nós depende exclusivamente de nós e quando o T nasceu vi o meu destino rodeado de dois caminhos, era simples: Ou agarrava-me à vida, e aceitava. Ou vivia no sofrimento por um diagnóstico que tem tanto de concreto como de incertezas.

Talvez tenha escolhido o mais difícil, não sei. Mas hoje posso olhar para um futuro com uma única certeza absoluta: O Tomás será o Tomás e será o que ele quiser da vida. A minha única exigência para com ele é que seja feliz, tudo o resto, a vida resolve-se sozinha (como diz a Querida Catarina Beato).

Foi o meu filho que me mostrou da forma mais dura que todos somos iguais com a nossas diferenças. E é isso que sinto quando o vejo junto de outras crianças. Não consigo diferencia-lo perante os seus pares pois quando olho só vejo uma criança feliz.

Não podia estar mais feliz e orgulhosa por o Tomás ter dado a cara a uma das marcas mais queridas da nossa família. A Pés de Cereja convidou-o para ser um dos rostos da nova coleção Outono/Inverno.
Ele brilhou tal como as outras crianças e juntos mostraram que não existe impossíveis, que é possível amar a diferença da forma mais poética que existe.

Porque a diferença está apenas no olhar de quem a quer ver.





Fotografias | Daniela Sousa Photography



Obrigada Pés de Cereja pela oportunidade e por mostrarem que todos somos iguais com as nossas diferenças.

Tenho um miminho para vocês que estão sempre desse lado 😍

10% de Desconto com a apresentação do código TOMAS10 válido a partir do dia 12 de Outubro até ao dia 22 de Outubro.




Fim-de-semana no campo

12.10.20
Há quem diga que não devemos repetir locais onde já fomos felizes. Que as expectativas serão tão altas que é inevitável não nos desiludirmos porque jamais se conseguem replicar estados de espírito.

Concordo que só se vive o momento uma única vez, e que por mais vezes que voltemos vamos sentir sempre de forma diferente, o que não significa que seja menos bom.

Voltámos ao Zmar, e embora tenha sido diferente foi igualmente perfeito.

O tempo ajudou e muito. Lembrou o Verão que acabou de acabar. E vivemos da forma mais crua a natureza. Respiramos ar puro, demos mergulhos na piscina de ondas, corremos até deixar o nosso rasto no ar. E passamos grande parte do tempo isolados, a olhar para os animais e a contemplar a grandeza da natureza.

Senti-os verdadeiramente felizes com pouco. Sem telemóveis e brinquedos. Foi perfeito!!

E nesta fase de maior cuidado, é um resort fantástico para ir pois é enorme e não existe concentração de pessoas. Passamos grande parte do tempo na Quinta Pedagógica sozinhos a contemplar a mãe natureza e com uma sensação de liberdade única.

O Zmar é daqueles locais que dá vontade de repetir vezes sem conta pela paz que nos transmite.

Ideal para estar em família, para longos passeios, sem horas. No Alentejo, perto da praia e do campo e pensado essencialmente para as crianças.

Uma vez mais prometemos voltar.









Chicco
Pés de Cereja