Planeta das chuchas

24.6.19
Foi assim que o meu marido lhe chamou.

Tanto o T e o FM quando eram bebés nunca usaram chucha mas perto de um ano é que mostraram interesse e desde aí nunca mais largaram, neste momento a chucha era utilizada para dormir, para verem televisão, para os consolar, para tudo. O T na escola não usava mas assim que o ia buscar a primeira coisa que me pedia era a chucha.

Evitávamos imenso o seu uso mas nem sempre era fácil retira-las. Não saíamos de casa sem chucha com medo que se lembrassem e depois tínhamos uma birra instalada.

Isto tudo até ao dia em que o meu marido olhou para o FM e disse-lhe que a chucha iria para o planeta das chuchas, junto de outras famílias, achei que não ia resultar mas o que é certo é que nesse dia pouco ou nada pediu a chucha.

Ao T quando saiu da escola dissemos-lhe o mesmo e bem negociado acabou por aceitar.

Entretanto no Sábado fomos entregar as chuchas ao "planeta das chuchas", na Quinta Pedagógica dos Olivais. Era importante que eles visualizassem as chuchas e que percebessem que ficavam no dito "planeta".



Para quem nos acompanha pelo Instagram, viu como foi feita a entrega, um momento assim meio perdido para eles, estavam inseguros e custou-lhes entrega-las, mas lá ficaram e com algum beicinho e umas explicações à mistura acabaram por as deixar.






Na minha opinião, o timing pode não ser o perfeito porque a irmã está quase a nascer e é normal que eles se sintam e que regridam um pouco. Mas foi uma decisão do meu marido e não a quis contrariar, até porque já tínhamos tomado a decisão que as chuchas acabariam neste Verão.
Para o T a chucha não lhe trazia benefícios pelo contrário e o FM também já começava a ter aquela boca de chucha. Por isso queríamos mesmo acabar com as chuchas!

A decisão está tomada! Mas também não estamos irredutíveis sobre a mesma, se houver um dia que sintamos que eles precisam por algum motivo não lhes vamos negar.
Há coisas que devem ser feitas, com calma, sem stress e ao seu ritmo e é isso que queremos.

Até agora contamos com três dias sem chucha e está a correr bem, pouco pedem e quando as pedem nós explicamos que foram para o "planeta das chuchas" e eles acabam por se lembrar e não falam mais do assunto.
Confesso que ao dormir o processo não é tão fácil, não lhes damos as chuchas, mas damos uma chucha mordedor que tem o formato de chucha mas que não lhes dá aquele consolo de uma chucha normal. Eles aceitam-nas e acabam por adormecer (que era algo que não acontecia até então)

Continuamos a ter as chuchas em casa. Só duas é que deixámos na árvore as outras estão escondidas.



Ainda é tudo muito recente, e ainda vem o maior teste de todos, a  chegada da irmã mas estamos tranquilos. O mais importante é sentirmos que existe um equilíbrio com o que nós queremos e com as suas necessidades.

Sem pressas, com respeito, compressão e com algumas explicações pelo meio tudo se faz.

T-shirt Mum | Dudubaz
Look Boy's | Zara 






Olá Fim-de-semana!!

21.6.19
Chegou o Verão e com ele as temperaturas sobem ligeiramente o que nos permite explorar ainda mais o ar livre.

Nós vamos optar por ir à Quinta Pedagógica e entregar as chuchas na famosa árvore, vamos ver como corre. Acompanhem pelo stories.

Deixo-vos com algumas sugestões que me parecem óptimas.

Lisboa

Sábado

Dia dá a mão à floresta - Hello Park - (Gratuito) 10h
Academia de Rock  - Escola Infante D. Henrique (5€) 11h
Atelier Sensorial Montessori - Lisboa - (10€ a 15€)10.30h

Domingo
Fado Miudinho - Oceanário (35€ - 2 adultos e uma criança) 9h
Ateliers Dolce Vista Miraflores (3€) - 11h
O caminho das fadas - Sintra - Quintinha de Monserrate (6.5€) - 10.30h


Porto
Oficinas S. João - (10€) - 14.30h

Bom fim-de-semana!!

Fotografia - Centrimagem Estúdio

Look
Clube do Menino
Pés de Cereja 







40 Semanas

19.6.19
E assim sem esperarmos chegámos às 40 semanas.

No meu caso, o primeiro filho que supostamente devia ser o demorado nasceu voluntariamente às 37 semanas, já o FM e a MC parece que têm de ser arrancados.

Nesta fase confesso que já a gostava de ter nos braços, primeiro porque estas últimas semanas já nos sentimos muito pesadas e sentimos a nossa energia a baixar dia após dia, segundo porque estamos sempre ansiosos para saber se será hoje ou não.

Felizmente não posso induzir porque fiz uma cesariana do FM, o que me dá uma maior margem para esperar que a MC se decida mas não estou de todo livre que o médico se decida fazer a cesariana.

Vamos esperar mais uma semana e ver se de alguma coisa a natureza assume o comando.

O toque foi feito e o útero ainda está fechado mas as contrações já começaram e têm sido bem dolorosas.

Entretanto foi marcada uma ecografia extra e tudo indica que está tudo bem, está apenas bem instalada. Não é grande o que nos permite viver esta semana descansada e sem grandes pressas.

Sei que estão curiosas, pela quantidade de mensagens que tenho recebido mas o que vos posso dizer é que está tudo bem, nós também já estamos ansiosos de a ter connosco mas vamos ter de ter paciência para que ela se decida por ela.

Agora que me sinto cansada é que vou ter de ir correr a maratona e subir escadas...

Fotografia | Centrimagem 

A avaliação

18.6.19

Foi talvez dos dias mais difíceis para mim. Sabia que ia custar, mas não estava preparada para que fosse assim tanto.

Embora o T tivesse ido com duas pessoas em quem confio a 200%, era eu que queria estar lá, era eu que queria sentir aquela vitória, era eu que queria ter dado aquele abraço na hora certa mas não fui eu, foi a minha mãe e a terapeuta do T que viveram tudo isto.

São dois dias intensos e de muitas emoções, onde se vive tudo à flor da pele.

Mesmo a 400kms de distância, sem olhar para as horas o meu coração acelerou e aí tive a certeza da grandeza deste grande amor que não se mede mas que se sente.

O T teve um desempenho brilhante, fez uma avaliação para lá de fantástica, esteve sempre com uma ótima postura corporal (o que é muito importante) e correspondeu a tudo.

Mostrou todo o trabalho de seis meses em duas horas. Foi assertivo, disponível e fez os olhos da terapeuta e da minha mãe brilharem.

Não estava lá para ver mas acredito que tenha sido assim. Os meus brilharam e muito com os filmes que fui recebendo.

Fez-me feliz e fez-me pensar que há quatro anos decidi pelo melhor caminho, não o meu mas o dele.

Eu dei-lhe as primeiras pedras, ele construiu o seu próprio castelo.

Foi uma avaliação diferente, sem mim, mas com ótimos resultados e é isso que importa!!

Estou radiante com mais uma etapa ganha!

Venham mais seis meses de trabalho, que pelo que já sei, serão certamente de muito trabalho.

Agora vou mesmo agarrá-lo e adormece-lo nos meu braços. 

Até amanhã











Sente o meu abraço

16.6.19
Assim que descobri que estava grávida percebi que o mês da  MC seria Junho e desde aí soube que pela primeira vez não estaria ao lado do T num dia tão importante para ele, para a sua terapeuta e para nós.

Um método com um trabalho árduo, em que é preciso abdicar de muito mas que acreditamos desde sempre na sua eficácia.

Assim que chegaram as datas para a avaliação, tremi pois batia certo com a semana entre as  39 e 40 semanas. Respirei fundo mas acreditei que nessa altura já a teria nos meu braços e que iríamos todos.
Nunca duvidei, estava convicta mas talvez tenha sido o meu positivismo a falar mais alto.

Foram marcados quartos no hotel com as várias possibilidades até que hoje tomo a mais dura decisão. O T vai com a terapeuta e com a minha mãe e nós ficamos.

Ir era um risco muito grande e sinceramente podia ter um preço demasiado alto ao qual não estava disposta a pagar.

É aqui que entra a dureza de quando somos mães de mais que um filho, há alturas na vida que é preciso escolher, não se trata de amor mas sim de racionalizar o que é bom para todos e desta vez o meu lugar não era ir.

A quatro horas da minha casa e do hospital podia ser prejudicial para o meu bem estar e da MC. O coração teve de ser posto de lado e a cabeça teve de assumir o seu comando.

Não é fácil, sinto que fazia ali falta, sinto que esta luta não é só dele e da terapeuta mas sim muito minha. Queria ser eu a vê-lo uma vez mais a dar tudo o que tem numa avaliação que muitas vezes chega a ser ingrata pois em duas horas são avaliadas o trabalho de seis longos meses. 
Queria ser eu a ter o meu coração a bater mais forte, queria ser eu a olhar para ele e a dar-lhe a maior força e coragem do mundo. Queria ser eu a aplaudi-lo de pé, queria ser eu a festejar mais esta vitória junto dele, queria ser eu a primeira a dar-lhe aquele abraço e os parabéns.

Infelizmente não serei eu a assistir na primeira fila para tamanha grandeza, estarei nos bastidores, atrás de um telefone a contar cada segundo até ter notícias vossas.

Apenas quero que me sintas mesmo a 400kms de distância.

Agora meu filho, basta de beijinhos e abraços, vai com o teu sorriso e mostra uma vez mais que vieste ao mundo para vencer e para ser muito mais que um cromossoma.

Sente o meu abraço mesmo que longe porque apenas este nosso amor foi separado por uma distância de tempo.

Agora, vai com tudo que a mãe estará aqui à janela a ver-te chegar!

Um abraço da tua mãe



Ansiedade com a chegada do Parto

13.6.19
O terceiro trimestre é de todo o pior, aquele onde nos sentimos já com menos energia e muito mais pesadas.

E o último mês é um verdadeiro desafio, as inseguranças apertam, metemos a nossa vida em causa, duvidamos das nossas capacidades e entregamo-nos a uma incerteza diária.

Começamos a viver um dia de cada vez porque nunca sabemos como vai ser o dia seguinte.

E é este o meu maior desafio na gravidez.

Como sou muito organizada e planeada custa-me imenso viver desta forma, todos os dias a minha agenda é revista várias vezes, sempre com medo de não a conseguir cumprir pois em questão de segundos tudo pode ficar em stand by.

Neste momento confesso que tenho tudo mais que organizado pois estava convencida que a esta hora já tinha a MC nos meu braços.

Nunca pensei chegar às 39 semanas e estar ainda nesta incerteza diária.

Mas aqui é  a vida a mostrar-nos que há coisas que pouco ou nada conseguimos controlar. E sentir a nossa vida nas mãos de um ser tão pequenino chega a ser assustador ou então são as hormonas a falar mais alto. Depois existe toda aquela ansiedade se tudo vai correr bem, se ela nascerá cheia de vida e se nós próprias vamos ficar bem.

Toda este ansiedade é normal mas é preciso segurá-la e não nos deixarmos vencer por estes medos. É preciso desviar pensamentos e entregar o momento a Deus.

De nada nos vale estar muito nervosas, é algo que não nos ajudará certamente por isso temos mesmo que fintar a nossa mente e quando chegar o momento vive-lo da melhor forma possível, mesmo com as dores que possamos sentir.

Na verdade não existem partos ideais porque é algo que não é mensurável, há sim o nosso parto e ele será certamente inesquecível.

E acreditar que tudo dará certo...

Centrimagem 



O mesmo amor mas de forma diferente

12.6.19
No outro dia recebi uma mensagem de uma seguidora sobre como lidava com estes dois amores que sinto, se os tratava de forma igual e como geria todos estes sentimentos.

A resposta acredito que seja comum a todas as mães, o amor por um filho é algo transversal a tudo, não se consegue medir ou apalpar seja ele por um, dois, três ou 10 filhos. O nosso coração aguenta o amor que sentimos por cada filho, todos com um espaço especial no nosso coração.

O amor é igual independentemente do filho em questão.

Não existe o amor A ou B mas sim apenas um amor único!

Já a relação que temos com cada filho é diferente, não é uma questão de amor mas de personalidades de identificações e de identidades.
Os nossos filhos são diferentes e a forma de chegar até eles obrigatoriamente acaba por ser diferente. O que dá para um não funciona para o outro e assim vice versa.

O amor que sinto pelos meus filhos é igual, daria a vida por eles mas tenho consciência que sou uma mãe diferente para cada um.

Tenho um orgulho e uma ligação com o T especial porque com ele aprendi a ser mãe e vivemos coisas tão fortes e já lutámos tanto lado a lado que nos uniu para sempre. Vivo para ele e ele para mim. Contudo sou muito mais exigente com ele.

Já o FM é o meu eterno bebé, aquele filho que me mostrou o lado mais simples da maternidade e o que exige mais atenção porque vive para mim. É o que é mais parecido comigo e um olhar basta para nos compreendermos. E sou muito mais benevolente com ele.

No entanto como mãe tenho noção que o FM precisa mais da minha atenção que o T porque ele só por si brilha sozinho, tem o seu carisma e o palco à sua espera. Já o FM será o irmão do meio, aquele que é preciso cuidar de outra forma, com outro cuidado. Ainda não sei o que é ser mãe de menina mas acredito que serei uma mãe diferente para com ela.

Tenho apenas a certeza que os três terão o meu coração, o meu amor, mas não existem relações iguais porque todos nós somos diferentes e faz parte do ser humano adaptar-se a cada personalidade.

Este amor é como o que sentimos pelos nossos pais, os dois são importantes, não conseguimos escolher entre um e outro mas a relação que temos com cada um é diferente. O mesmo amor mas de forma diferente.

O Amor é tão transversal a tudo que nunca se conseguirá medir de tão forte que é.