A hora do banho

17.9.20

Confesso que já há muito que gostava de escrever este post mas como queria mostrar-vos o momento em si ainda não o tinha conseguido fazer.

Talvez por ser a minha terceira filha e por ter atingindo uma serenidade como mãe, permitiu que tivesse uma maior disponibilidade.

Hoje já existe um maior reboliço na hora dos banhos, do que nos primeiros meses mas não deixa de ser um momento entre mãe e filha maravilhoso.

Todas as noites recolhia ao quarto, dava-lhe banho e de seguida fazia a massagem Shantala que aprendi com a terapeuta especializada Magda Soares.

A Shantala é uma massagem bastante completa que estimula todos os músculos. Com um grande objetivo: relaxar e criar vinculo com o bebé. Não é uma simples massagem, é uma massagem que existe tempo e dedicação mas com resultados fantásticos.

E para os bebés que sofrem de cólicas também é muito útil porque alivia a barriguinha.

Para tornar a massagem mais eficaz uso e abuso do óleo de massagem da Mustela que é maravilhoso.

Após a massagem, já relaxada e a cheirar maravilhosamente bem, dava-lhe maminha e adormecia de seguida. Mantendo-se a dormir por umas boas longas horas.

Esta foi a minha técnica que resultou na perfeição duarante o seu primeiro ano.

Era o nosso momento. E que bom que era.

Hoje com a Maria Constança maior, mais irrequieta, mudamos de banheira, para uma maior mais adequada ao seu tamanho, dando-lhe uma maior proteção e evitando um desperdício exagerado de água. Ela adora porque tem espaço para as suas brincadeiras e para quem possa duvidar posso afirmar que os meus três filhos já tomaram banho juntos por diversas vezes. Não sei como cabem, mas eles acabam por se encaixar como peças de puzzle.

Esta banheira chama-se  Shnuggle Toodler e encontram no Espaço Mamãs.  É uma banheira que vai desde os doze meses até aos quatro anos e que é ideal para os "bebés" mais crescidos.

Confesso que as massagens já não são diárias porque a Constança não para um segundo e acaba por não usufruir da massagem em pleno mas sempre que posso uso a técnica mesmo que não cumpra o protocolo a 100%.

O momento do banho tranquiliza bastante e é o momento mais ansiado por mim.

Se nunca experimentaram esta técnica, experimentem porque vão ver resultados.

Boa noite








Amanhã começa a escola

16.9.20

É amanhã que chega o dia...

O dia em que eu vou ficar do lado do portão. Onde lhe vou dizer bem baixinho que "vai tudo correr bem", que "tenho orgulho nele, para confiar e nunca duvidar das suas capacidades".

Onde estarei a tremer por dentro mas firme por fora. Onde estarei a vê-lo ir, ainda sem conhecer quem o leva de mim, a olhar até perde-lo de vista.

Uma escola nova, que não conheço, que nem tão pouco saberei como é a sua sala. Que só conheço um rosto,  que foi visto por cinco minutos.

Aí Covid... não vais levar a vida da maioria, mas vais matar tantos corações...

Amanhã aquelas grades vão encher-se de mães, umas vão estar fortes outras fracas por dentro e a desviarem as lágrimas com sorrisos.

O meu primeiro filho, amanhã vai entrar na escola pública pelos seus próprios pés e vai construir o seu próprio caminho, naquela que (a correr bem) será dele por muitos anos.

Vai limar as arestas que ficaram por limar. Vai ganhar uma maior maturidade. Vai ser o ano que o preparará para o futuro. O ano em que vou precisar de ter uma equipa o mais forte possível.

Onde vou estar presente e atenta.

Onde terei a terapeuta do Tomás na linha da frente.

Uma professora que me inspirou confiança, com experiência, e que me disse que a trissomia 21 não era um problema.

Disse-lhe que o Tomás iria fazer-lhe a diferença na vida, expliquei-lhe onde estavam as suas limitações e onde era preciso estar atenta.

Conheci a directora que me fez acreditar que escolhi a escola certa, com os valores certos que queria para o meu filho.

Onde se rege por princípios como:

  • Não deixar que a curiosidade morra
  • Incutir uma boa relação com o meio envolvente
  • Pouco edifício e muito ar livre
  • Despertar o sentido crítico 
  • Fomentar a concorrência neles próprios e não nos outros
Que o amanhã será sempre melhor que o de ontem.

E por fim que brinquem muito pois é no brincar que crescem felizes e desenvolvem de forma equilibrada.

Estou confiante e certa na minha escolha mas com o coração nas mãos. 

Certa que amanhã ele levará o meu coração com ele.

Um abraço apertado a todas as mães que vão ficar do lado das grades.






De volta

14.9.20

Seis meses depois do dia em que entrei na escola bombardeada pelas notícias dos últimos acontecimentos, invadida de pensamentos e baralhada com o nosso futuro.

Em que me dirigi à sua sala e lhe trouxe tudo, com a certeza que não sabia como e em que circunstâncias voltaríamos.

Volta a vestir a sua bata e voltei a leva-lo de mãos dadas para a escola.

Mas com a certeza que pelo meio nunca fomos tão felizes, em que nos demos tanto um ao outro e que tivemos a maior oportunidade que a vida nos podia dar: Tempo! 

Olho para trás e recordo com nostalgia todos aqueles meses em que nos fechamos em casa, as nossas brincadeiras e o meu olhar com tempo para admirar as suas brincadeiras. 

Não esquecendo que foram tempos de adaptação, de resiliência e de um esforço acrescido para todos pois fomos obrigados a desempenhar o papel de professores aos nossos filhos, mesmo quando a nossa vocação não era essa.

Foi duro mas não mudaria uma virgula!

No fim de tudo, fomos felizes e isso é o que importa.

Hoje voltas-te a sair das minhas asas, o teu olhar apreensivo pelo desconhecido deixa-me inquieta. Mas tu precisas do teu tempo, e eu do meu. A nossa casa precisa de respirar. 

Precisamos todos de nos reorganizarmos e voltarmos às nossas rotinas.

Não tenhas medo, pois da forma que esperas por mim eu conto os minutos para te ir buscar.

Agora voa! Ri, brinca (muito) e sê feliz! Porque a mãe estará sempre de braços abertos para te receber.

O meu bebé grande.









"Eu fico em casa"

11.9.20

A opinião é unânime quem pode ficar com os filhos em casa até aos três anos deve ficar pois é o melhor para a criança. Evitam-se doenças e ganha-se em beijos de açúcar. 

Ao nível do desenvolvimento os primeiros trinta e seis meses não precisam muito além do aconchego da família e do embalo dos braços de uma avó ou mãe.

Estes meses são os mais importantes para que se formem crianças emocionalmente equilibradas e com a auto-estima necessária para abraçarem o mundo.

Não existe mimo a mais, nem tão pouco colo a mais. Cada criança é uma criança e há bebés que precisam mais que outras, é preciso apenas respeitar o seu ritmo.

A estimulação que precisam pode ser feita em casa e com o nosso dia a dia. Não precisam de muito mais para crescerem de forma saudável.

Felizmente tenho a sorte de ter a minha querida avó, que me criou a mim, ao Tomás, ao Francisco e que agora vai criar a Maria Constança.

79 anos cheios de um colo gigante, em que sobrou sempre espaço para mais um neto. A  minha querida avó.

Sãos os netos que lhe dão vida e que a ajudam a vencer a ausência, que o meu querido avô lhe deixou.

Segunda-feira assume o comando de criar mais uma neta. E eu não podia estar mais feliz por tê-la na minha vida. 

A pessoa que apesar da idade confio de olhos fechados, com uma energia inesgotável, que me ampara nas quedas e quando os meus dias fogem fora do controlo.

A que dá comer como ninguém e a que ensina na perfeição a pontualidade britânica.

A minha querida avó!


E por curiosidade este carrinho de bonecas é da Vertbaudet e foi onde me inspirei neste nosso regresso às aulas. 



 

Casa Feliz

10.9.20

Não estava à espera de ser convidada para ir a uma casa tão acarinhada por todos, a casa Feliz! Quando recebi o telefonema, aceitei de imediato. É importante falar da vida tal como ela é...nunca sabemos quem está do outro lado a ouvir.

Pode ser indiferente para muitos mas pode fazer a diferença para alguém e só por isso já valerá a pena.

Desde a sua operação ainda não tinha parado para pensar em tudo o que nos tinha acontecido. Tem sido um turbilhão de emoções desde então e quando hoje dei por mim estava na Televisão em frente à Diana Chaves e ao João Baião a falar sobre um dos momentos mais duros da nossa vida.

Acabei por me emocionar, foi quase como se tivesse descarregado toda a adrenalina vivida nas últimas semanas. 

Agora tudo começa a tomar o seu rumo. Começamos a respirar de alivio e a cicatriz não passa de uma cicatriz que conta uma história.

Hoje o Tomás aceita-a, recuperou a sua auto estima e voltou a ter o brilho nos olhos e isso para nós é o mais importante.

O palco foi dele e eu faço questão que assim seja. Quero que seja ele a desbravar o seu caminho, a mostrar o seu talento e a sua voz própria.

Eu estarei na retaguarda (sempre) até o dia em que não precisarei mais de estar. Ele merece! 

Porque a normalidade existe dentro de cada um apenas é preciso acreditar.

Obrigada Sic pela oportunidade. Obrigada Diana e João pelo vosso carinho.

Podem ver toda a entrevista aqui. 

Gostaram?


Look Mum | Xicalarica
Look Tomás 
Túnica | Alecrim
Calções | Zara
Sapatilhas |
Pés de Cereja 



Organizar o Regresso às aulas

9.9.20

Oficialmente entramos em contagem decrescente para o regresso às aulas.

O Francisquinho começa já na próxima Segunda, o Tomás na Quinta.

Tem sido uma semana de organização, de preparar os materiais, de preparar um quarto (de brincar) que ainda não será de estudo, mas que os receberá sempre que chegarem da escola.

O material e as roupas começam a ser etiquetadas. A mochila está escolhida e a bolsa para os seus snacks também.

Optei uma vez mais pela Stikets pela sua diversidade de pack's e pela liberdade que nos dá em personalizar o material de acordo com os nossos gostos.

No site podem encontrar tudo para um regresso às aulas organizado.

Tracei um objetivo alto para este ano lectivo, diminuir o tempo de écrans aos meus filhos. Estes últimos meses foram passados (muito tempo) a ver televisão ou nos tablets. Confesso que é algo que me inquieta pois não consigo ver nenhuma mais valia no seu uso.  Não gosto e faz-me confusão, confesso. Mas com uma mãe a trabalhar fora de casa, um pai a trabalhar em casa, não se consegue milagres e os écrans continuam a ser das soluções perfeitas para os manter quietos.

Por isso decidi que o seu uso vai ser moderado a uma hora por dia. Que o jantar anteciparia uma hora e que antes do deitar teríamos um momento de brincadeiras livres ou de actividades em família.

Não sei se resultará, vai pedir um esforço acrescido da minha parte, mais tempo, mas não quero deixar de experimentar. Se correr bem fantástico, caso contrário não passou de uma experiência.

E com vocês tudo a postos?











A operação do Tomás pelos olhos do Pai

8.9.20

Não sou de escrever muito, gosto pouco de aparecer, mas tenho plena consciência que é importante dar vozes aos pais. O papel de uma mãe é verdadeiramente importante mas o pai também sente e chora, mesmo que isso não seja mostrado com tanta facilidade.

Nunca mais esquecerei o telefonema: "Ligaram-me do Hospital, e é para o Tomás ser operado amanhã".

Desde esse telefonema até à sua saída foi uma sensação indescritível e que pouco se consegue dimensionar de tão forte que foi.

Confesso que passado duas semanas ainda não sei como me senti. Nunca me tinha sentido daquela forma, naquele momento perdi tudo pois tudo deixou de fazer sentido.

Tive quinze minutos para processar a notícia e quando tomei a realidade chorei, chorei e muito. Não sabia o que sentir, se felicidade por o Tomás ir resolver o seu problema de saúde ou medo por ter o meu filho em risco de vida.

Quando me disseram por diversas vezes "vai tudo correr bem" eu só conseguia responder, que não tinha como correr. Não aguentaria se algo corresse mal por isso não tinha outra forma de acontecer.

O dia da operação chegou e eu não desejo a ninguém pelo que passei, à distância, passei quatro horas a chorar compulsivamente e com um nó na garganta que me cortou a respiração vezes sem conta. Nunca me tinha sentido desta forma.

A possibilidade de perder um filho é das piores sensações que se possa ter e eu admito, não soube lidar com esta fragilidade da minha/nossa vida.

A primeira vez que não me consegui controlar e lidar com o que se estava à passar. Por natureza sou uma pessoa calma e com uma grande capacidade de ver a luz ao fundo do túnel quando o mundo desaba. Mas nada nem ninguém me preparou para esta dor. 

Depois de muito choro e de uma grande inquietude com o meu "eu", recebi o tão esperado telefonema "correu tudo bem e o problema ficou resolvido".

Incrível como de um momento para o outro podemos passar do pior estado para o melhor numa fracção de segundos. É arrepiante!

Felizmente o Tomás está bem e a recuperar. Não foram dias fáceis. Para mim foi particularmente difícil gerir tudo à distância pois cada telefonema que recebia era um sufoco para mim.

Não foi só o Tomás que ficou com uma cicatriz, mas toda a nossa família. Jamais esqueceremos esta semana.

Neste momento a minha preocupação é que o Tomás não encare a sua cicatriz como algo mau mas sim que perceba que ela conta uma história alegre da sua vida pois o seu problema resolveu-se e vai ajuda-lo a crescer ainda mais feliz e saudável.

A história da cicatriz é uma história com um final feliz. O T é um verdadeiro guerreiro, a pessoa mais forte que eu conheço e tenho uma admiração enorme pela sua capacidade em ultrapassar as adversidades da vida. Ele conseguiu ultrapassar esta fase menos boa sempre com um sorriso na cara, “pai já não dói, não” “eu estou muito bem” são palavras que me diz todos os dias. E creio que ele não tem noção do quanto essas palavras significam para mim. 

Agora vai filho, tens a tua vida toda pela a frente e não tentes ser igual às outras crianças porque não vale a pena.. não és igual.. tu és especial.. tu nasceste para fazer a diferença! És o meu super herói, agora voa porque tens a vida pela a frente.

Um abraço meu filho.