Os meus super Modelos

18.1.19
Ainda não tinha partilhado convosco o momento de  modelos dos meus filhos!!

O convite foi feito pela Exponoivos que fez 25 anos.

E objetivo do desfile era mostrar que não havia limitações para o amor e que o Amor é um sentimento tão forte que consegue ser transversal a qualquer diferença.

Este desfile teve como protagonistas pessoas com deficiência visual, pessoas com diferentes religiões, com problemas motores, manequins prestigiados e o T e o FM!!

Assim que recebi o convite disse que sim, gosto de lhes passar experiências e esta seria apena mais uma.

Vestiram-se de meninos de alianças e estavam mesmo engraçados com aquelas roupas que lhes davam um ar mais adulto.



O T estava super charmoso e o FM estava super engraçado numa roupa que se respirasse mais um pouco arrebentava.



Estava ali tudo coladinho e a chucha deu-lhe o ar da sua graça.



Tenho sempre algum receio que eles façam alguma birra ou que em cima da hora não queiram ir mas eles já provaram ser como a mãe uns loucos pela vida.

Desfilaram super bem e o T no fim achou mesmo que era a estrela do desfile e até quis desfilar sozinho.



Eu do outro lado fiquei emocionada ao ver os meus filhos a desfilarem super queridos.









A escuridão da Trissomia 21

17.1.19
Centrimagem Estúdio 

Foi uma fotografia tirada ao acaso enquanto me despia para a fotografia da barriga mas quando olhei para ela veio-me à cabeça a escuridão que envolve a Trissomia 21.

Uma fotografia que mostra de uma forma metafórica um caminho que começa por ser escuro mas que se transforma numa luz e alegria imensa.

É basicamente isso que cada mãe e pai sente ao receber a notícia que o seu filho tem Trissomia 21.

É um buraco escuro, onde nos falta a respiração de mergulhar tão fundo, onde nos sentimos tantas vezes sozinhos em busca de informações que são tão escassas (ainda) nos tempos de hoje.

É quase como um reencontro com o nosso verdadeiro eu, onde metemos tudo em causa e onde tantas vezes duvidamos de nós próprias.

Mas independentemente do buraco ser escuro e nos sentirmos perdidas temos nos braços o nosso filho, aquele em que depositamos sonhos e a nossa vida.

E é nesse caminho escuro que nos seguramos mutuamente, e juntos desbravamos esse caminho, passamos por pedras e pedregulhos como se fossem plumas e ao longe começamos a ver uma luz, luz essa que nos guia para um caminho imprevisível mas que nos transmite segurança.

E assim que chegamos a essa luz não a largamos mais, percebemos que perdemos muito tempo da nossa vida a chorar por algo que tem tanto de bom como de menos bom.
Percebemos que a vida é muito mais saborosa com pimenta e aprendemos a saborea-la.

E é essa mesma luz que continua a guiar-nos e chamar por nós e ao longe começamos a ver o nosso filho a desenvolver não com a mesma facilidade que uma criança dita "normal" mas desenvolver e isso é o mais importante.

O nosso filho começa a ganhar luz naquele buraco negro e percebemos que são crianças especiais não pelo cromossoma a mais mas pelo brilho que têm no olhar, pela força que nos transmitem e por um amor que chega a doer de tão forte que é.

É desta forma que vejo o meu filho, como um verdadeiro campeão, daqueles que luta muito para alcançar as pequenas vitórias da vida. É ele o meu herói e hoje posso afirmar que por detrás desta escuridão toda existe uma luz que nos irradia a vida de felicidade!

Centrimagem Estúdio 







Há 10 anos

16.1.19
Aproveitei o desafio que o Instagram lançou para ir ao baú ver como estava há 10 anos.

E como só me conhecem como mãe, vou mostrar-vos um pouco mais de mim.

Há 10 anos, já contava com mais 6 de namoro com o B.

Os dois sempre tivemos a certeza que seria um amor para a vida toda. Tivemos crises como todas as relações têm mas foram esses obstáculos que nos tornaram mais fortes.

Com 24 tinha acabado o curso e começava a aventurar-me no mundo do trabalho.

Vivia em casa dos meus pais e assim foi até ao dia que casei.

Era uma miúda feliz, com muitos sonhos mas o maior de todos era construir família com o B.

Longe de adivinhar que iria enfrentar um dos maiores desafios da minha vida mas 10 anos depois vivo o maior sonho da minha vida, com 2 filhos, cada um com a sua personalidade, com o seu jeito encantador e com outro bebé a caminho.

Com mais flacidez, celulite e menos peito.

Mas com mais experiência, com os amigos certos ao meu lado e com a melhor família do mundo, com uma maior certeza do que quero para a minha vida e ainda com muitos sonhos por concretizar.

Não fosse o sonho comandar a nossa vida!




Desejado mas não Planeado

15.1.19
O terceiro filho esteve sempre nos planos e foi sempre um desejo nosso.

Se havia certezas na minha vida era esta. Agora era uma questão apenas de tempo.

Confesso que a decisão do segundo filho foi mais rápida que desta. Engravidei do FM quando o T fez o seu primeiro ano de vida.

Deste baby já esperámos mais pois o FM não foi um bebé nada fácil, foi um bebé de muito colo, de noites mal dormidas e a nossa vida demorou praticamente dois anos a estabilizar.

Foram muitas as horas a embalar este baby pelos corredores da nossa casa durante a noite e a vontade de ter um terceiro filho foi um pouco adiada.

O que é certo é que quanto mais estável ficava a minha vida menos vontade tinha, não sei se seria o meu egoísmo a falar mais alto mas era isto que sentia.

No entretanto o marido que em tempos dizia que não queria, começou a dizer que queria e queria. Acho que insisti tanto que ficou com mais vontade do que eu. 

Em Junho decidimos que tirava o Diu e depois era quando fosse. Mas a vontade de ter menina era tão grande que me aventurei em mapas chineses e quase fiz um estudo intensivo às minhas amigas que tinham tido meninas para saber se havia algum segredo...

Cheguei à conclusão que o calendário chinês nem sempre acerta porque supostamente o T seria uma menina, quando percebi que não batia certo, desisti do calendário que já tinha feito.

Loucuras, à parte....

Depois ouvi dizer que se tivéssemos relações antes do dia da ovulação a probabilidade de ser menina era superior isto porque dizem que os meninos são mais rápidos a chegar ao óvulo e as meninas demoram mais um pouco.

Eu lá fui com esta teoria para o médico ao qual se riu e me respondeu que isso são "tretas" e que tudo não passava de probabilidades mas eu sou muito teimosa e levei a minha ideia à vante.

O meu marido achava que era louca, nunca me levou a sério por isso o momento a dois aconteceu sempre porque sim e sem estar planeado mas depois lá lhe dizia que ele estava a ser muito inconsciente porque não estávamos a seguir a minha aplicação que tinha no telefone.

Mas uma parte de mim não queria ter este peso, queria deixar as coisas fluirem com naturalidade, queria engravidar quando tivesse que ser, sem planear o mês do nascimento (que queria tudo menos voltar a ter um bebé de Verão por mais vantagens que tivesse) e o sexo por mais que desejasse uma menina.

Quando tirei o Diu lembro-me que fiquei nervosa, sabia que depois disso voltaria a ser mãe a qualquer momento. E perceber que este filho pode ser o último deixa-me triste, saber que nunca mais irei passar por estas emoções que envolvem ter um filho deixa-me emocionalmente triste.

Depois de ter tirado lembro-me de ter pensado, agora que seja o que Deus quiser, mas que venha a menina por favor que a minha casa não aguenta mais homens.

Entreguei tudo nas mãos de Deus e o controlo na aplicação foi relativo já que o marido estava sempre a boicotar o meu esquema.


À beira de um ataque de nervos

11.1.19
Há fins-de-semanas difíceis e depois existem uns caóticos como o que acabou de passar.

Embora tivesse o coração apertadinho por causa do FM, esperava-me um fim-de-semana sereno, sem preocupações e onde podia descansar em pleno.

Tudo planeando até, a minha avó ter sentido-se mal e ter ido para o hospital o que nos obrigou a mudar todos os planos de 6ªfeira pois o FM iria ficar com ela durante a tarde.

Depois do susto, reorganizamos tudo e esperava-me apenas repouso. Até que a minha mãe teve que se desdobrar em duas para ajudar os meus avós que se encontravam de cama e os meus filhos, um deles também doente e ainda foi uma querida que me fez todas as refeições para o B me levar.

Domingo, o meu avô sente-se pior e teve mesmo de ir para o hospital, a minha mãe é obrigada a ir também, deixando o T e o FM com o meu pai.

No meio disto tudo a minha mãe também fica doente.

Entretanto o B organizou tudo em casa e foi buscá-los assim que acordaram da sesta, viram-me e ficaram todos felizes e eu também.

Mas o caos no meu quarto demorou pouco tempo a instalar-se, desde água espalhada pelo chão, um tabuleiro partido e todos os seus brinquedos espalhados pelo chão do meu quarto foi uma questão de segundos.

O meu repouso tinha acabado.

Mas o ponto alto foi quando o FM chegou junto a mim e vomita a cama toda. Era vomitado pelo chão, tapetes e até as paredes não escaparam.

Aquela casa virou o pânico.

Hoje só de me lembrar riu-me ma ontem confesso que fiquei à beira de um ataque de nervos.

Entretanto hoje já saí da cama e está tudo a correr bem sem percalços.

Aos poucos e poucos vou retomando a minha vida (louca)

Obrigada pelas vossas mensagens queridas e companhia.

Uma boa semana




Dói mas no coração

11.1.19
A Amniocentese é uma técnica de diagnóstico pré-natal que serve para excluir possíveis anomalias cromossómicas, monogénicas e algumas infeções fetais.

É um exame delicado pelo seu risco e deve ser ponderado e perceber-se os motivos que nos levam a fazer tal exame.

É um exame com uma taxa de aborto de 0,5 a 1% pois é feita uma perfuração da bolsa de águas do feto. Não é doloroso fisicamente mas sim psicologicamente.

Quando a agulha espeta não se sente dor física mas sim uma dor enorme no coração pois sabemos que embora a agulha seja fina vai perfurar o local onde o nosso filho se encontra.

É vê-lo a ter o seu espaço quentinho invadido por um objeto estranho. E nós ficamos ali coladas ao écran a rezar para que ele não se mexa e que não se sinta esta violação ao seu espaço.

Foi uma decisão minha e sem qualquer indício de algo. Também o fiz com o FM e desta vez também não equacionei não fazer.

Aqui não é uma questão de aborto ou não, é uma questão de preparação para alguma eventualidade que surja no caminho.

Contudo tenho noção que tanta coisa pode acontecer naquele bloco de partos e que podem surgir tantas outras complicações mas aí deixo na mão de Deus.

Acima de tudo quero viver  uma gravidez em paz e saborear cada pontapé sem aquela sensação de  "e se?". Descobri a Trissomia do T no parto e sei o que é o mundo fugir-nos dos pés sem qualquer aviso prévio...

Sei tudo o que implicou esta minha decisão mas também é importante respeitar os motivos que levam uma mãe e um pai a tomar tal decisão.

É uma decisão pessoal e deve ser tomada em conjunto e com as certezas que tudo pode correr bem mas que também tudo pode correr mal. A taxa de aborto é pequena mas existe e isso não pode ser esquecido.

Tenho um buraco na minha bolsa, e tal como uma ferida ela tem de cicatrizar por ela, os tecidos devem unir-se por isso estou de repouso absoluto para que tudo se feche de uma forma natural.

O meu coração está tranquilo por este bebé mas inquieto por saber que tenho o FM ainda doente, a precisar do meu abraço, do meu colo e eu sem lhe poder dar.

Mas não havia forma de adiar a ameniocentese...

Expliquei-lhe que a mãe ia ter um "dói-dói" na barriga e que não podia estar com ele mas não sei se percebeu.

Custa-me sentir que não estou com ele quando ele tanto precisa de mim.

É isto que como mãe me custa tanto, é abdicar de um filho em prol de outro.

Podia não vos ter dito deste exame mas senti necessidade de o fazer porque sou umas mulher e mãe com tantas inseguranças e seguranças como vocês.

12 semanas 
Fotografia tirada pela Centrimagem Estúdio 



Fragilidades de mãe

10.1.19
Se tivesse que eleger o mais difícil em ser mãe seria a gestão de tempo com os nossos filhos.

Todos os nossos filhos são diferentes, todos com necessidades diferentes mas todos a precisar de nós a 100%.

Seja mãe de 2, 3, de 4 ou de 5 este será sempre o meu maior "drama". A minha maior fragilidade.

A vida corre de uma forma veloz, e há dias que deixamos de controlar. Temos de nos desdobrar em 1000 para que possamos estar presentes em tudo o que é preciso.

É enquanto crescem que querem sentir a nossa presença, o nosso toque, o nosso olhar, o nosso cheiro. É enquanto crescem que precisam de nós.

E quando somos mães de dois ou mais filhos muitas vezes torna-se difícil gerir todas estas necessidades e emoções que tantas vezes coincidem uns com outros.

O não poder estar nos dois lados ao mesmo tempo ainda é algo impossível e o que me deixa um sabor amargo pois é inevitável de não nos culpabilizarmos.

Eles fazem parte de nós e estão no meio de todas as nossas tarefas, são os nossos filhos e só querem a nossa presença.

O FM não melhorou o que nos obrigou a ir ao médico, mas a consulta coincidiu com as terapias do T, terapias essas que não dispenso acompanhar na primeira fila mas tive de optar...bem tentei arranjar forma de ir aos dois lugares mas era algo impossível de concretizar.

Da mesma forma que o T precisava de mim, o FM precisava ainda mais por isso ponderei e arranjei plano para o T ter as suas terapias e fui com o FM ao médico.

Estas escolhas por mais pequenas que sejam custam-nos sempre, o nosso coração fica sempre meio apertado por sabermos que para um ter o outro fica sem.

Mas isto também é crescimento, para eles e para nós.

E para quem ter perguntado o FM continua muito doente, está com gripe e ainda não saiu do meu colo desde 3ªfeira.