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O Nascimento

16.3.17

6 de Agosto de 2014 - 37 semans

"Vou-me deitar, hoje não estou muito bem"..

Foram estas últimas palavras que disse ao meu marido antes de tudo começar.

1.30h: Fui acordada por uma "explosão" de água.. Acordei e pensei..não acredito..não era suposto isto acontecer..ficou tanta coisa por fazer (aquelas coisas de mulheres que nós adoramos.. fazer as mãos, arranjar os pés, cortar o cabelo. O que vale é que tinha a depilação feita..). Foi isto que me passou pela cabeça depois de estar “inundada” de água..

Depois deste rasgo de pensamento chamei o meu marido. Quando o acordei a dizer o que me estava a acontecer..deu um pulo da cama que só visto.

E eu a chorar porque ficou tanta coisa por fazer e confesso que também não queria (ainda) pois estava a adorar a minha barriga.

O B (marido) trouxe-me uma toalha e depois foram os telefonemas para a minha amiga médica A que me aconselhou a ligar para o meu médico. Depois foi ligar para os meus pais e para alguns amigos.

Mas mulher que é mulher tem de se pôr bonita e lá fui eu para o banho, para depois me arranjar e maquilhar..escusado sera de dizer que não valeu de nada pois mal cheguei à Cuf tive de vestir aquela bata horrivel.

E assim começou uma nova fase na minha vida.

Durante todo o trabalho de parto tive imensas visitas dos amigos mais próximos, dos meus pais e dos meus sogros.

Graças a Deus que existe a Epidural e que torna todo o processo maravilhoso e foi esperar para que dilatação acontecesse.

Ao 12h estava com oito dedos e entrei em contagem decrescente para o grande momento e não tardaram as lágrimas a cair de emoção e de medo ao mesmo tempo.

Às 14h entrei no bloco de partos e afinal percebi que não havia motivos para ter medo pois não haviam dores mas sim uma grande vontade de ver o meu filho.





14.14h Viu-o pela primeira vez.. E tudo começou..

“Mas?!? Há aqui qualquer coisa que não esta bem..mas não pode ser.. as ecos estavam todas boas e o rastreio bioquimico também..”

Respirei fundo e pensei, devo estar a fazer confusão.. e lá foi ele para a sala de pediatria..

Quando chegou perto de mim já vestido..confesso que tive muito medo de o ver pois não queria confirmar com os meus proprios olhos o que estava a achar que seria verdade..

Olhei para ele e apaixonei-me pelo meu filho, era um bebé lindo com os seus 47,5cm e 2,935Kg.

Achei que tudo não tinha passado de um susto.

E ficámos ali ainda na sala de partos os três, eu, o B e o T.

Até que chegou a pediatra e referiu que havia alguma coisa com o T que a deixava suspeitar de algo mas podia ter sido do nascimento e daí querer ir vê-lo no final do dia.

Mas lá no fundo eu sabia que algo não estava bem..

Não demorei muito a reagir..este momento supostamente seria de alegria e não o posso estragar, por mim mas também pelo B, pelos meus pais, irmão e sogros.

Fui para o recobro, fiquei apenas com o T nos meus braços..sozinha e a pensar em tudo o que me estava a acontecer..

Mas tinha de ser forte, era o meu filho!! Abracei-o muito e jurei que nunca o iria desapontar..

Já tinha estado um pouco com o B no recobro mas não o queria preocupar..e fingi que não estava a perceber nada.

Após o recobro, percorri os corredores da maternidade aparentemente feliz com ele nos meus braços para ninguém perceber.. ao chegar ao quarto tinha os meus pais, sogros, irmão, D, A e B à minha espera.

Não falei de nada..

Mas o B já os tinha informado que haviam umas suspeitas estranhas no T.

Comentaram comigo, mas eu desvalorizei. Aquele momento era para ser vivido com felicidade e não com tristeza.

Tentei esquecer..










Até que chegou a pediatra e mandou sair todas as pessoas, ficando só eu e o B. A pediatra olhou para o T e o meu coração acelerou..