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Maria Teresa

6.7.22

A experiência dá-nos maturidade, faz-nos simplificar e só por isso prepara-nos da forma mais natural que existe.

Ao todo são cinco gravidezes, cinco partos,  e apesar de uma não ter corrido como desejado, foi uma gravidez de curta mas bonita.

Mas esta foi a gravidez mais desafiante de todas, por isso mesmo, porque já contava com quatro gravidezes, porque a idade também já não é a mesma e porque tinha mais filhos para cuidar.

No entanto apesar de muito cansativa, foi vivida da melhor forma possível, sem medos ou sustos. 

Tudo se preparou sem tempo, é essa a principal desvantagem de termos já experiência, saber que apesar de não termos nada, temos tudo. Não complicamos porque sabemos que o bebé não precisa de mil body's, botinhas e golas, nem tão pouco precisa de um berço pronto. O que precisa é de uma mãe e de uma família de braços abertos para o receber.

E a prova disso foi só ter feito a mala da maternidade, no dia que completei as 38 semanas. Mas aqui não sigam o meu exemplo, é uma ansiedade enorme, todos os dias sentia que as águas me rebentavam e até acho que cheguei a sonhar com contrações, tal era o meu medo de não ter tudo pronto no dia.

E se há coisa que a experiência nos dá é tranquilidade e sensatez. E o parto é daquelas coisas que não devemos criar grandes expectativas, é tudo muito incerto. É importante estarmos informadas do que queremos e não queremos, mas de pouco adianta fazermos planos e mais planos porque a probabilidade de nada acontecer como previsto é muito elevada e pode gerar frustrações.

É importante acima de tudo escolhermos um médico que nos respeite, que vá de encontro às nossas vontades e que nos transmita a calma necessária para o grande dia. E confiar!

E assim foi, nos meus partos, todos!

Já numa fase avançada, em que todos os dias é um respirar fundo, para o que ai vem, todos aqueles sinais anteriores dissiparam-se. Nas consultas de rotina, o meu médico dizia-me de uma forma segura "A Andreia vai passar as 40 semanas" e não se enganou.

Entrei nas 40 semanas sem sinais de alarme, passou-se um, dois, e ao terceiro dia, ao anoitecer as contrações chegaram com toda a força. No início não liguei porque podia ser apenas um sinal de alarme, mas cada hora que passava estavam mais regulares e fortes. Pouco ou nada dormi e assim que amanheceu mandei mensagem ao meu médico, ao que me disse para estar tranquila, que não era sinal de alarme, e que se fosse para o hospital ficaria ali horas.

Segui o seu conselho, tomei banho e fiz a minha vida normal, embora já com algumas limitações, avisei os meus filhos que a mãe ia ter o bebé, mas ao longo do dia as contrações diminuíram e quando os fui buscar, nem queriam acreditar que a mãe ainda ali estava e sem o bebé.

A minha (última) gravidez

9.6.22

Sempre gostei de estar grávida, e desta vez não foi excepção.

Para mim é das fases mais bonitas de uma mulher. 

Esta está a ser vivida de forma diferente, com mais maturidade e com alguma nostalgia porque, se das outras vezes sempre soube que iria existir outra oportunidade, nesta sei que é a última.

É certo que nunca devemos dizer nunca, mas no nosso caso, atrevo-me a dizer que será mesmo a última. Quatro já é um bom número!

Fechamos este mês um ciclo e que bom foi viver estes oito anos grávida. Tenho noção que foram oito anos incríveis, de entrega e de uma adaptação constante ás variadas logísticas familiares mas depois deste bebé, é tempo de estabilizar.

Esta foi sem dúvida uma gravidez vivida em família e muito desejada por todos. 

Hoje partilho convosco a minha sessão de grávida, pela lente da Centrimagem. São muitas fotografias, eu sei, mas foi difícil de escolher. Alguma coisa culpem a Centrimagem ;)

O meu vestido não é de grávida mas funcionou super bem, é da Mary Tale. O look deles é da Maria Chicória. Uma marca portuguesa que faz match's super giros.







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Um amor além do mensurável

9.7.21

A ciência dizia que nascia hoje mas quis um amor maior que isso não acontecesse.

Passaram cinco meses que a perdi para um bem maior. Cinco meses de um amor que não se vê mas que se sente.

Continua sem nome e assim será, porque isso para mim pouco importa. Não a vejo como anjo, não a personifiquei, porque não senti até ao momento essa necessidade.

Não tenho nada em mãos porque o amor que lhe tenho vai muito mais além do mensurável, não começa e acaba, como se fosse uma estrada.

Não a tenho fisicamente mas tenho-a o tempo todo dentro do meu coração, num lugar, que jamais alguém ocupará. Uma coisa tenho como certa será minha para sempre e viverá em mim até ao meu último suspiro.

Se continuei a ser feliz? Sim, Muito! Aprendi apenas a viver sem esta minha filha, a ouvi-la, e a tocar-lhe. Mas tenho-a viva em mim. 

A vida meteu-nos à prova e hoje tenho a certeza que não havia outra escolha que não este caminho. 

A prova disso foi o resultado da autópsia. As poucas dúvidas que tinha sobre a minha/nossa decisão dissiparam-me quando ouvi o médico a enumerar todos os problemas graves de saúde que tinha.

Resolvi-me. Aceitei. E segui em frente sem olhar mais para o que aconteceu.

Foi um capitulo que se fechou, sem arestas soltas e sem culpas.

O tempo é amigo, apazigua e da-nos as respostas no tempo certo.

Sei o seu lugar nesta nossa família. Tenho consciência do que ficou por viver e acima de tudo das folhas brancas que ficaram por pintar.

Mas aceitei! Respeitei! E resolvi-me!

Voltei a sorrir!








A decisão

21.4.21

Quando me perguntam sobre o aborto a minha resposta foi sempre unânime, sou a favor desde que se tenha um motivo muito válido para o fazer e que a decisão seja consciente com todas as consequências que isso possa implicar.

Só quem passa por um assunto tão delicado como um possível aborto é que pode responder de uma forma válida. Tudo o resto são vozes com opiniões muitas vezes levianas.

No entanto sou contra um aborto, porque sim. Só porque agora "não apetece".

O que vos posso dizer é que vivenciei na primeira pessoa: A decisão de interromper uma gravidez "não válida" ou meter em causa a qualidade de vida de um bebé e o bem estar de uma família inteira.

E sim. Esta gravidez foi interrompida por mim, de forma consciente, sem que houvesse vozes de terceiros a pressionar uma decisão. 

Quando tomei a decisão de fazer a amniocentese foi de ânimo leve, não havia nada que indicasse algo. Mas como já partilhei convosco desde que o Tomás nasceu, que tenho feito por opção pessoal e também devidamente aconselhada pelo meu médico que tanto confio.

Vou sempre sem medos, e esta gravidez não foi exceção. No momento em que a agulha está para ser espetada, a médica recua e diz-me que se a posição do bebé não mudar, que não arriscaria, até porque não havia motivo aparente para a fazer.

Mas assim que o diz, o bebé muda a posição e ela de uma forma segura espeta. 

Repouso absoluto durante três dias. Estava tranquila e pouco ou nada pensava naquele resultado. 

Até que num dia a sair do trabalho, já tarde, o meu telefone toca, e aí tremi! Naquele momento percebi que algo não estava bem, não pelo telefone porque todos os resultados me foram dados dessa forma, mas pela energia negativa que senti, quando vi o nome da minha médica no telefone. 

Respirei fundo, atendi! 

"Andreia, onde está? Estou a ir para casa. Mas está sozinha? Sim. Quer que lhe ligue mais logo? Não, pode já dizer.

Andreia, não tenho boas notícias para lhe dar, e aí foi como se tivesse levado um soco no estômago tão forte, que me levou o ar. Ouvi com atenção: O bebé veem com uma alteração muito grave, com graves problemas a nível de orgãos vitais, motoros e cognitivos. Com uma esperança média de vida pequena. É algo muito raro. E Andreia, não é uma trissomia, vai muito mais além que isso. É Grave!

Já falei com o seu médico ele já sabe de tudo, vá para junto do seu marido e vejam com o vosso médico o melhor para vocês. Do que precisar de mim estou aqui".

Desliguei. Fiquei cinco minutos dentro do carro a chorar e a pensar como é que aquilo me estava a acontecer. Ceguei naquele momento, não consegui pensar em nada. E a dor aumentava quando me lembrava que seria eu, sozinha, a dar esta notícia ao meu marido.

Respirei fundo mas ao mesmo tempo que respirava, as forças falhavam. Em segundos tive de ganhar forças para dar esta notícia quando eu ainda nem as tinha para mim.

Nunca desejei tanto não ir para casa, como naquele dia. Abro a porta de casa a tremer, olho para o meu marido e tenho-o a sorrir para mim enquanto está a dar o jantar à Constança. Vou em direcção à sala, respiro fundo, e em frações de segundos chamo-o, e naquele momento ele percebe que algo não está bem.

Dei-lhe a notícia a chorar e naquele instante vejo-o tal como eu, a desfalecer! Vejo-lhe a revolta no olhar e a preocupação por mim como nunca tinha visto até então.

Naquele momento, metemos tudo em cima da mesa e decidimos juntos! 

Seria um caminho ingrato e sem esperança para um bebé indefeso e para uma família inteira. Não podíamos ser egoístas, ao ponto de trazer um bebé ao mundo para sofrer e dar uma batalha sem esperança aos nossos três filhos que já cá estavam.

Nãos lhes quis fazer isso! Estava muita coisa em causa! 

E foi nesse dia que rejeitei a minha barriga, tive três dias sem olhar para ela. É duro carregar um filho na nossa barriga para depois o "matarmos".

Palavra forte esta! Mas era assim que me sentia. Culpada! 

Foi esta, a razão da minha gravidez interrompida às 19 semanas.

Hoje com alguma ajuda, não me sinto culpada, tenho a certeza da minha decisão! E não me arrependo em nada. E a palavra morte deu lugar à palavra salvar. É nisto que hoje acredito. Que salvei a minha filha do sofrimento.

Sei que este assunto é controverso e que gera muita opinião. Mas não se esqueçam que deste lado está uma pessoa com sentimentos e que não precisa de julgamentos.

A Empatia deverá prevalecer sempre para um mundo melhor!

Eu disse-vos, que a seu tempo vos contaria os motivos, e hoje estão aqui preto no branco.

Obrigada pelo vosso carinho, respeito e amor que nos fizeram chegar neste período tão difícil da nossa vida. Serei-vos eternamente grata.

Um beijinho 

Andreia 



1 Mês (sem ti)

17.3.21

Querida filha,

Faz hoje um mês que te perdemos sem te podermos ver o rosto.

Tem dias que ainda te sinto, como se isso alguma vez fosse possível. Ainda custa ver-me ao espelho e não te ver.

Não te peguei como a natureza manda e esse vazio corrói a alma.

Dei tempo ao tempo, e embora seja ainda tudo muito recente, sinto-me resolvida enquanto mãe. 

Aceitei este nosso caminho curto com dor mas sem culpas e lamentações.

Tem dias que ainda choro por ti. E não existe um dia em que não pense em ti, e acredito que pensarei até ao meu último suspiro. 

És a peça que falta no meu coração. 

E ao contrário do que alguma vez pensei tiveste a proeza de deixar um rasto de amor ainda mais forte entre mim e o teu pai.

Podia ter sido bem pior do que foi e agradeço-te por me teres poupado.

Ainda te tento imaginar nos meus sonhos e projetar um futuro que jamais acontecerá.

Hoje faz um mês que te perdi e já me deixas tantas saudades.






A Dor de um Pai

25.2.21

Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que a Andreia disse: "vem aqui à sala, que temos que falar". Estava a começar a dar-lhes o jantar e larguei tudo, percebi de imediato pela sua voz, que algo não estava bem. Nessa fração de segundos, ocorreu-me que seria com o bebé. E de lágrimas nos olhos disse-me o que estava a acontecer. Como pai, foi impossível também não conter as lágrimas e ali ficámos na sala a chorar abraçados um no outro.

Para mim foi um misto de emoções, muito triste por perceber que não havia nada a fazer e que íamos perder o nosso quarto filho e preocupado porque não queria que a Andreia em momento algum estivesse em perigo. O meu medo foi tanto que a minha minha primeira pergunta foi se ela corria perigo e se ficaria com algum tipo de mazelas além das emocionais.

Como pai (ou para mim porque cada um sente de forma diferente) senti revolta e fui invadido pelo desespero, pelo medo, porque há muitos “se´s”. O que vai acontecer? Como é que vai acontecer? Como é que vai ficar a Andreia psicologicamente? Se existe perigo? E a temida pergunta, e se alguma coisa corre mal?

O sentimento de tristeza em perder um bebé (independentemente do número de semanas) é um sentimento de M*. Sofri, revoltei-me! Mas a minha preocupação maior foi sempre para com a minha mulher.

Há quem lhe possa chamar egoísmo, mas foi o que senti. A mãe dos meus filhos não podia estar em perigo.  Ela é o pilar da nossa casa, e tanto eu como os meus filhos precisamos muito dela.

Quando os meus amigos perguntaram-me como é que eu estava, a minha resposta era sempre a mesma:  "É uma situação muito triste, que ninguém equaciona mas para a Andreia é mil vezes pior, porque é ela  que carrega o bebé na sua barriga e consequentemente é ela que vai ter de passar por um parto."
 
Não quero sequer imaginar a força psicológica que teve de ter para passar por tamanha situação. 

Independentemente de tudo para mim é muito mais fácil “esquecer” mentalizo-me que é a vida e que infelizmente são coisas que acontecem, mas para a mãe, que teve e que ainda está a passar pelas mazelas do parto acredito que tome dimensões incalculáveis. E também quero acreditar que só quando estiver 100% fisicamente é que aos poucos começará a curar o seu lado emocional e a ultrapassar o trauma vivido.

Pode ser a minha maneira de ser, sou muito objetivo, pragmático e tento ultrapassar sempre as pedras do caminho com positivismo. E independentemente da minha dor, para um pai é sempre mais fácil pois não é o nosso corpo que foi violado e nem somos nós que passámos por um parto. 

Tenho algumas dúvidas se alguma vez consiga ultrapassar esta dor por tudo o que já mencionei. 

Agora é tempo de erguer a cabeça, seguir em frente. Apesar que sempre que olho nos olhos da Andreia vejo uma tristeza enorme, como nunca tinha visto. Sei que está a sofrer imenso lá no seu fundo. 

Quanto à hipótese de voltarmos a ter um filho, a decisão é inteiramente dela. Irei sempre respeitar a sua vontade porque jamais irei sentir o que ela sentiu.


Um abraço
Pai




O Colo Vazio

23.2.21

Uma perca gestacional seja ela qual for é um processo solitário, que implica muitas questões físicas e emocionais que deixam marcas.

Primeiro rejeitei a barriga, recusei-me a olhar mais para ela, tinha medo do que iria enfrentar e do que o espelho me iria dizer. Depois obriguei-me a olhar e a enfrentar toda esta situação de frente. Enfrentei o meu medo, toquei-lhe e despedi-me dela aos poucos.

Deitei-me nervosa, sem certezas de como as coisas iriam correr, de como eu iria lidar com um parto natural mas sem bebé. Tinha bem presente as dores das contrações dos meus últimos partos, dores estas boas e que se transformam em lágrimas de felicidade. Por isso recusava-me a ter de passar por elas, não queria sofrer, para no fim não ter nada.

Diziam-me que epidural não se justificava e eu só implorava por ela. 

E foi quando tomei aqueles comprimidos que tudo começou, as dores vinham e iam ao mesmo tempo que eu ganhava força e perdia.

Pelo meio levantava-me, olhava pela janela, e tentava perceber tudo o que me estava a acontecer. Percebi que o feeling de uma mãe nunca se engana, e que o medo que sentia nesta gravidez, tinha razão de existir. 

Ao espelho de uma casa de banho fria, despedi-me e pedi para Deus e todos os anjos que pudessem existir me protegessem de tamanha dor.

Estava aterrorizada, sozinha num quarto. Do outro lado tinha uma mãe a sofrer por mim e segurar as pontas e mm marido que não sabia o Norte e o Sul. E que me disse "Não posso ficar sem ti"

As dores começaram a ser galopantes e com muita intensidade. Já não sabia mais o que fazer, ou o que pensar. Sentia no olhar das enfermeiras tristeza e impotência em segurar aquelas dores.

Caí num sono agitado, até que acordei e implorei que me ajudassem porque eu não estava a aguentar mais. 

Nesse instante deu-se uma mudança de turno, e a enfermeira que saiu deixou-me entregue a uma que  que ninguém quer apanhar.

Conseguiu rebentar-me as águas com a sua brutalidade, ao mesmo tempo que lhe implorava para parar.

E nesse momento disse-me: Vai para o Bloco de Partos! Que horas são? 20.20h, feche as pernas, não faça força, que não pode agora nascer. Só pode ir às 20.30h. Mas como? Eu estou cheia de dores. Arrancou-me o fio que assinalava "Amor para a vida toda, Tomás Francisco e Maria Constança". 

(Re)começar

22.2.21

Como se recomeça, depois de uma queda que nos leva a alma e nos silencia a respiração? 

Não sei, ou melhor sei, porque também há seis anos caí num buraco escuro, em que me obriguei a ser feliz. Mas também sei que cada pessoa é uma pessoa, que existe quem se afunde numa tristeza profunda, e quem consiga nadar até encontrar o cimo. 

As quedas livres não são fáceis, necessitam de tempo, de um trabalho solitário e de muita força de vencer. Não é um trabalho do outro, mas um trabalho nosso!

Perder um filho, custa! E custa muito! Tenha ele semanas de barriga, meses ou anos de vida. É um filho e ponto final.

E não é o "deixa lá", o "já passou" ou o "já tem três filhos, é porque não tinha de ser", que nos dá alento. Cada filho é um filho e cada um foi sonhado e projetado de forma única.

Infelizmente a perda gestacional é algo que existe, mais até do que pensamos, é algo que assombra muitas mães, que corrói almas e se torna num caminho solitário. Mas que não se fala! Não é bem visto e não tem espaço nos romances da maternidade.

Não se viu a cara e aquele bebé passa de feto em segundos, e está tudo bem. Pois mas não está nada tudo bem. Houve uma família que se encheu de sonhos, que criou expetativas e de uma forma cruel tudo acaba sem sabermos como ou porquê.

Infelizmente não tenho a pólvora mágica para a dor, sei apenas que a temos de respeitar, de chorar e de a aceitarmos.

A vida é feita de escolhas! Sempre o disse e continuo a dizê-lo. A felicidade depende única e exclusivamente de nós.

E embora ainda esteja a erguer-me posso dizer-vos que hoje levantei a cabeça, mesmo quando o corpo me pediu para se afundar numa cama repleta de pipocas e chocolates, arranjei-me, ergui a cabeça, olhei em frente, respirei e fui! Segui o meu próprio caminho, não escondendo a dor que ainda sinto, mas que a seu tempo acredito que se apazigue.

Não tenho certezas de nada, não sei se voltarei sequer a um bloco de partos. 

Mas posso garantir-vos que voltarei a sorrir por mim!

Agora vou lutar por mim, pela minha felicidade e da minha família!

Recomeçar 💓






A mãe tem um bebé na barriga para mim

4.2.21

Se antes ainda eram muito bebés para perceber, agora com 4 e 6 anos percebem na perfeição o que a mãe tem na barriga. 

Ficaram super empolgados desde o primeiro dia e não existe um dia que não vêm falar com o bebé, aproximam-se, falam bem baixinho e dizem o quanto gostam dele/a. E eu derreto-me...

E se houve momentos em que tive dúvidas, estas dissipam-se com estes gestos de ternura.

Andam radiantes e até já se disponibilizaram para ajudar a mudar fraldas e para dar colo. A Constança ainda é muito pequenina e pouco dimensiona o que aí vem e tanto dá beijinhos como tenta saltar na barriga.

Sei que será a maior aventura da nossa vida, mas que lhes darei o melhor presente de todos. 

Sinto que os três são o pilar uns dos outros e que o bebé que aí vem vai fechar na perfeição esta união.

Ainda não nasceu e já tem muita sorte pois tem três irmãos ansiosos à sua espera.

Já lhes disse que ainda falta um bocadinho, mas por eles já o/a tinham nos braços.

E como o Tomás diz, a "mãe tem um bebé na barriga para mim". Parece que sou a sua barriga de aluguer...



A dor no coração

29.1.21

Precisamente dois anos depois volto a deitar-me numa marquesa de hospital para arriscar uma vez mais a vida do meu bebé, mas depois da surpresa do Tomás, nunca mais quis conviver com esse medo até ao parto.

É uma decisão exclusivamente da nossa família, em concordância, com o meu médico que confio a 200%. E embora não tenha indícios de nada, tenho um antecedente de um filho com uma anomalia genética e uma idade já considerada de risco.

É a minha terceira amniocentese, e embora hoje estivesse tranquila e achasse que a experiência já me tinha dado a serenidade precisa, quando a hora se aproximou o coração começou a palpitar.

Ainda para mais, atendendo ao panorama nacional, ter que atravessar este momento sozinha custa muito. Não senti que necessitasse das palavras do meu marido naquele momento, mas faltou-me o seu olhar e a sua mão, que tem o dom sempre de me acalmar, mesmo que o seu coração esteja a explodir de nervos.

Atravessar este caminho sozinha é difícil e angustiante. E atendendo à pandemia, e para que a família não corra riscos maiores, eles que eram para estar em casa dos avós, ficaram connosco, e quando cheguei casa tinha-os à minha espera, ao longe disse-lhes que a mãe tinha de se ir deitar e que tinha um dói dói na barriga.

Custa senti-los à porta, sem que me possam tocar. Custa ainda mais saber que o meu marido vai ter de comandar a casa e os filhos nesta minha ausência em pleno confinamento.

Uma amniocentes é um processo invasivo que poucas dores físicas nos dá, mas aquela agulha tão fininha espeta no nosso coração de uma forma abrupta. E embora hoje em dia os riscos sejam pequenos, é difícil gerir este medo pois existe sempre aquele 0,5 a 1% de aborto.

Deve ser uma decisão exclusiva dos pais e é importante que se perceba que não existe o certo ou o errado porque vai depender sempre das motivações de cada família.

Tenho um buraco pequenino na minha barriga, que vai ter de fechar por si, por isso vou ter de ficar de repouso nestes próximos dias.

Vestido | Ld Clothes 




Menino ou Menina?

26.1.21

Das perguntas que mais me fazem mas que consigo perceber pela curiosidade que um novo bebé dá...

E se há seis anos me perguntassem se não queria saber o sexo, a minha resposta seria um Não, redondo! 

Sou pragmática por natureza por isso gosto de tudo muito organizado... mas entretanto vamos amadurecendo, e o nosso certo no passado torna-se incerto no nosso futuro.

Tenho dois meninos e só eu sei o quanto desejava uma menina, ao ponto de perceber que estava a ficar tão ansiosa que tive de mandar o meu desejo para trás das costas e racionalizar, porque sentia que aquilo já não me estava a fazer bem.

O que é certo é que à terceira conseguimos a tão desejada menina. E foi com uma imensa felicidade que recebi a notícia mas ao mesmo tempo, tive um medo avassalador, por não saber ser mãe de menina e na porta do gabinete médico, temi não conseguir viver num mundo cor de rosa.

É sabido que são mundos opostos, os meninos são muito nossos e vêm-nos como as rainhas das suas vidas. São mais físicos é certo mas que contrastam com uma meiguice fora de série.

Já o mundo cor de rosa, é uma grande aventura! São meninas, com um feitio mais apurado, senhoras do seu nariz, muito nossas também mas que nos fazem ver que além de nós também existe um rei.

O mundo delas é mais bonito, é de fantasia e remete-nos para a nossa infância.

E eu sou uma privilegiada por ter estes dois lados, são opostos mas que se completam entre si. 

Agora ao quarto filho, não existem preferências! Serei tanto feliz por voltar a abraçar um menino como abraçar uma menina, o importante é que venha bem de saúde. O resto são só pormenores.

A forma que encaramos um quarto filho é completamente diferente da forma que encaramos um primeiro ou segundo. É tudo muito mais simples e descomplicado e pouco interessa, além do seu bem estar.

Sei que tenho muito para preparar, que tenho de resgatar as roupas deles que estão religiosamente guardadas para serem vestidas por mais um bebé da nossa família.

Mas a diferença é que não haverá o rosa ou o azul. Mas sim o branco! 

Só vamos querer saber quando nascer! Se estou curiosa, muito! Mas vou querer acabar o capítulo maternidade desta forma! 

Uma coisa tenho como certa, ou será um menino ou uma menina. Disso não tenho dúvidas!

No entanto posso dizer-vos que o meu palpite é menino e por norma não me engano. O Tomás acha que é uma mana, o Francisquinho, um mano e o pai sonhou com uma menina.

Vamos ver o que o Futuro nos reserva.

Placas | Caturra 



New Baby

6.1.21

Há quem ache loucura, outros amor louco e há que até considere falta de noção ou mesmo que só podemos ser "ricos".

O que é certo é que ao quarto filho, são poucas as pessoas que não fazem aquela cara de surpresa quando sabem, muitos perdem até a vergonha e ficam tão incrédulos que conseguem que duvidemos do passo que demos.

Ter três filhos é coragem, quatro é loucura. E acho que foi essa loucura que me deu medo no dia em que vi aquele positivo.

Hoje sinto-me confiante mas já senti medo. Medo de não conseguir gerir quatro crianças em fases tão diferentes mas com idades tão próximas.

Medo das mudanças que a nossa vida vai implicar. É inevitável também não pensar na parte financeira. E para quem possa pensar que nos saiu o euromilhões posso adiantar que este saiu-me à seis à quatro anos e à dezoito meses.

Não sou uma pessoa mais rica financeiramente seguramente, ambicionava ter mais do que o que tenho, mas tenho uma riqueza interior incalculável.

No momento surgiram muitas questões, mas que as tentamos simplificar, pois caso contrário elas ganharão importância. 

Foi necessário parar estes pensamentos e focar-nos nas grandes vantagens que este novo filho nos trará.

Um novo bebé, uma nova vida vida e um amor maior.

Estamos felizes e isso é o mais importante! 

Sempre falamos em ter quatro filhos, mas ao longo do tempo o meu marido foi reduzindo, de dois, depois para três mas eu nunca cedi ao meu/nosso sonho. Tinha acabado de ter a Constança e já lhe falava no quarto, ele achava-me louca, eu dizia-lhe que era amor.

E embora a nossa casa seja um reboliço, sentia que não estava completa. Faltava ali algo... não sei explicar. Já tinha ouvido mães dizer que se sentiam completas e que para elas o assunto filhos estava "fechado" mas eu ainda não tinha sentido isso.

Entretanto os meses foram passando e a vontade reduziu. A nossa logística familiar ganhou força, e automatizou-se, a Maria Constança cresceu a um ritmo alucinante, e embora ainda seja a minha bebé, já dá sinais que está mais à frente da sua idade.

Recuperei o meu peso ganho na última gravidez, já não me lembro ao certo quantos foram, mas uns vinte cinco kilos seguramente. E pensar em voltar a ganhar tudo fazia-me afastar da ideia de voltar a ser mãe.

Houve alturas em que me senti egoísta e fútil por pensar dessa forma. 

Até que numa conversa bem descontraída com o meu marido voltamos a equacionar o quarto filho, ele dizia que aos 40 já queria estar longe de fraldas e com uma vida mais "fácil" e foi aí que lhe disse que se fosse agora, quando tivesse os 40 já estaria nessa fase pois o bebé teria 3, a Constança 5, o Francisquinho 8 e o Tomás 9. E foi aí que respondeu que tinha razão. 

"Vamos tentar mas se até ao final do ano não conseguires ficamos como estamos." 

Aceitei de imediato mas a achar que seria quase impossível isso acontecer.

Já estávamos em Outubro. E por incrível que pareça foi após essa conversa que tudo aconteceu. O resto vocês já sabem 😉

Mas embora quisesse muito tinha sempre todas as outras questões na cabeça, mas entreguei nas mãos de Deus o quarto filho.

Se ficasse era porque tinha mesmo de acontecer, caso não acontecesse, estava tudo bem nas mesma e ficaríamos assim.

A felicidade ia imperar sempre independentemente do caminho que a minha vida tomasse.

Por isso digo que este filho tinha de vir, a nossa família estava destinada a ser de seis. E não podíamos estar todos mais felizes!

Obrigada por todas as vossas mensagens e carinho. Ainda não consegui ver tudo mas prometo que estou a ler uma a uma. 

Vocês são incríveis!!

Jardineiras | Monkiki


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                



A nossa família vai aumentar

5.1.21


Dois meses sem menstruação...

Dois meses em que achei normal, até me terem feito a pergunta mais temida "está grávida?". E embora a minha resposta tenha sido um não de imediato. Lembrei-me que de facto não tinha menstruação já à dois meses. No entanto achei que seria apenas um atraso porque nem sempre fui regular.

Os dias e as semanas foram passando e o meu marido começou de facto a achar estranho essa ausência. Começou a perguntar-me todos os dias mas eu tentava fugir ao obviou e desculpava-me com "não tenho sintomas" como se fosse uma verde no assunto e não soubesse que todas as minhas gravidezes tinham sido santas.

Eu estava perfeita apenas sem menstruação. Não tinha enjoos, mau estar ou excesso de sono.

No entanto desde que o Bernardo se apercebeu , que já não me largou mais, até que depois de um almoço passou na farmácia e não me deu saída. É hoje! E agora que vais fazer o teste de gravidez.

No meio de um nervosismo miudinho e a pensar que aquilo não me podia estar a acontecer,  disse-lhe que era impossível... e que era só um atraso gigante mas acho que já nem eu acreditava no que estava a dizer.

Já com o teste na mão e já a transpirar de nervos, ainda fui deitar os miúdos antes, precisava de ter tempo para olhar para aquele positivo ou negativo sossegada e sem a euforia dos meus filhos pela casa.

Fiquei ali com eles como faço todas as vezes, a responder às vossas mensagens, até que eles adormeceram e fui pé ente pé, de teste na mão em direcção à casa de banho. Olhei para o teste e pensei, se desse positivo seria a última vez que passaria por aquela sensação. Fi-lo tal como fiz das últimas vezes. 

Entretanto deixei o teste na casa de banho e virei costas.

Fui à sala e disse-lhe que já o tinha feito mas que não tinha coragem de ver o resultado, para ser ele. E assim foi... vejo-o a ir em direcção sem hesitação à nossa casa de banho e o meu coração já palpitava a duzentos à hora. Cruzo-me com ele no corredor dos quartos e ele está nervoso mas a rir e eu já só me apetecia chorar (de nervos). perguntei-lhe, então? Ao qual me respondeu..." mas o que é que tu achas?" Estou grávida? E ele...sim! Não posso!! Deixa ver...

E ali estavam duas riscas bem vincadas... Primeiro que tudo fiquei em choque, quatro filhos?!? Como era possível? Eu queria muito era um facto, mas uma coisa é dizer, a outra é ver que o que tanto dissemos ainda em miúdos se tinha concretizado.

Ainda enviei mensagem ao meu médico, ao quarto, já tenho direito a este grau de afinidade. Ele respondeu-me que não havia dúvidas...

4 Filhos! 4 Filhos! 4 Filhos!

E não saímos dali... já sentados os dois com tudo calmo, falámos sem norte, e entre linhas só questionávamos que não era possível. Na minha cabeça só me ocorria o quarto novo que lhes tinha preparado e que tinha de ser reformulado. Em toda a logística que implicava ter quatro filhos. A questão financeira que é impossível não ser equacionada. Metemos tudo na mesa e no meio de um turbilhão de emoções veio o medo... O medo de falharmos, o medo desta loucura (boa). O medo de tudo e de nada. Decidimos não pensar sobre o futuro porque não o controlamos e pensámos que independentemente de tudo, estávamos a construir uma família sólida, feliz e cheia do mais importante: AMOR! 

Percebemos de imediato que a nossa casa seria sempre cheia e que jamais nos sentiríamos sozinhos! Que seria sempre uma confusão (boa). Que teríamos o ingrediente principal para sustentar esta loucura: AMOR! Que juntos seríamos sempre mais fortes e que os nossos filhos seriam eternamente sortudos porque lhes tínhamos dado algo que jamais encontrarão nas prateleiras dos supermercados. 

União, cumplicidade, partilha e amor serão sempre a base da nossa família e este bebé (ainda sem sexo) será o fechar do nosso ciclo da nossa família.









A (maior) dor da maternidade

26.11.20

Em tempos recebi uma mensagem para que pudesse falar sobre a dor de perder um filho ainda na barriga e embora saiba que infelizmente é algo que acontece não podia escrever algo que felizmente não sei o que é.

Acredito que exista dor, uma dor que nos corrói a alma, mas na vida há coisas que só quem passa por elas é que sabe. 

Tenho consciência que é um assunto tabu, que pouco se fala, e que tantas mães são tratadas com indiferença, pela parte médica quando isso acontece.

E embora eu conheça muito pouco sobre o assunto, sei que um feto por mais pequeno que seja, é um bebé que se está a formar, e é nosso. Não precisamos de o ter nas mãos para chama-lo de filho ou até mesmo para o amar da mesma forma.

É uma perca! E um amor que teve pouco tempo para se materializar.

Hoje partilho uma história, não minha, mas de uma mãe, que sentiu essa dor.

"Corria o ano de 2010, um ano de mudanças e recomeços, já tinha dois filhotes e queria o terceiro de uma nova relação, estávamos felizes, consegui engravidar facilmente, na primeira consulta foram feitos vários exames devido à minha idade, 38 anos.

Corria tudo bem até vir um resultado que nos abalou um bocadinho, lesão de alto grau no Colo do Útero, na altura não compreendi bem o que seria mas a médica que viria a ser a minha médica (Anjo no Hospital de Cascais) alertou-me que era muito grave e o meu problema era a gravidez, fiz biópsia, resultado final "Cancro no Colo Útero".

Vacilei, fiquei meio perdida, quais seriam as minhas hipóteses? Não queria perder o meu bebé, deram-me três soluções e escolhi a que para mim seria a mais acertada, ser tratada grávida. Fui tratada excelentemente e corria bem, mas às 20 semanas numa ecografia de rotina com uma médica que não conhecia levei com esta frase "o bebé está morto, não tem batimentos", assim sem preocupações e eu sozinha, digerir foi difícil, acreditar foi quase impossível.

Causas perdidas

13.11.19
Das perguntas que mais me fazem é se mantive a mesma equipa médica nas outras gravidezes. Se fui à luta? Ou se simplesmente a mantive.

E para espanto de muitos eu nunca tentei arranjar culpados, mesmo quando me o incentivaram a fazer.

E a razão no (meu caso) é simples, de que me valia lutar por uma causa perdida? O T já cá estava, e ainda bem, a sua trissomia nunca o largaria. As minhas energias não podiam estar centralizadas numa luta sem fim mas sim no seu desenvolvimento. Foi aqui que uni esforços e lutei até aos dias de hoje.

Isto porque não senti que tivesse havido culpados. O T escapou aos olhos do "Guro" das ecografias e do meu médico que considero um dos melhores de Portugal.

E ainda bem!! Continuo a dizer que não saberia qual a minha decisão se tivesse descoberto ainda na gravidez e assim fui poupada a essa decisão tão difícil.

Não me adiantava encontrar culpados, além de não os ir encontrar, só me iria desgastar emocionalmente pois não passava de uma causa perdida.

O meu caso não é igual ao do bebé que nasceu sem rosto. Isto sim é uma guerra que deve ser levada ao extremo pois é inadmissível passar através de um ecrã tamanho erro. É negligência médica da forma mais pura que há.

O meu caso, é comum e acontece mais vezes do que se possa imaginar. Não tanto por negligência médica mas por questões de probabilidades. Todos os exames que fazemos são baseados em marcadores e estimativas, em momento algum o que se vê através de um ecrã corresponde a 100% à realidade. Exemplo disso foi a MC: às quarenta semanas dava uma bebé muito pequenina, percentil quinze, entre os 2700kg e 3200kg e nasceu com quarenta e uma semanas com 3685kgs e quase 52 cm. Se havia bebé grande era a minha.

Assim que o T nasceu tudo foi revisto minuciosamente e todos os marcadores estavam lá, não havia nada que indicasse o seu cromossoma extra.

A trissomia 21 livre é isto mesmo, é algo livre, que acontece porque sim, sem qualquer historial. É uma anomalia genética causada pela presença integral ou parcial de uma terceira cópia do cromossoma 21.

Em momento algum senti que não fui bem acompanhada antes e depois do parto. Os meus médicos deram sempre a cara, ficaram preocupados tal como eu e tentaram sempre reconfortar-me perante a situação.

Por isso assim que descobri que estava grávida do FM repeti tudo da mesma forma. Era o Professor Jorge Lima que queria ao meu lado e mais ninguém. Era a sua praticidade e serenidade que precisava.

Um médico que nasceu para fazer nascer bebés e mães, que no ampara nas quedas, que nos dá pouca conversa para "navegar pela maionese", mas que nos dá a maior confiança do mundo. Na dúvida é sempre a ele que recorro, hoje é medico de muitas amigas minhas e espero que tenha sempre uma percurso profissional de ascensão porque se há medico dedicado é este.



No dia do parto do FM tive exatamente a mesma equipa médica do FM, uma pura coincidência e aí lembro-me de chorar muito, não queria ver aquela equipa uma vez mais ali porque embora bem resolvida com o nascimento do T deixou sempre alguma "mágoa". Senti aqueles nervos todos da equipa porque parecia que a responsabilidade tinha aumentado a 100% por ser eu a estar naquele bloco de partos.  Mas aquele jeito simples do meu médico fez-me esquecer, respirar fundo e viver o momento da forma mais feliz que podia.

Não podemos esquecer que os médicos são pessoas, acertam e erram uns por culpa outros sem. Deviam ser julgados como todas as outras profissões mas infelizmente existem muitos valores por detrás da justiça. Não deveria ser assim mas ainda o é.
Por isso na via da dúvida o melhor é escolher um médico referenciado e que nos transmita confiança, isso é o mais importante.

Afinal são eles que nos dão a nossa vida.







Fotografia | Centrimagem 

Quando nasce um filho, nasce uma mãe

25.7.19
Quando nasce um filho nasce uma mãe, mesmo que essa mãe já tenha dois ou três filhos.

A mulher que entra naquele bloco de partos jamais sairá igual.

Incrível como antes os medos são mais que muitos, são tantas as interrogações.

Sempre tive confiante durante toda a gravidez mas à medida que as semanas se iam aproximando aqueles medos que estavam camuflados vieram todos ao de cima.

O medo maior era se me acontecesse alguma coisa. como é que os meus filhos iam ficar, estaria eu preparada para os deixar? 
Outra das minhas inquietudes era sobre a nossa vida, como é que a nossa vida iria ficar com mais um membro da família? Logo agora que tudo estava tão confortável...

Com a MC não havia dúvidas, tinha a certeza que tudo correria bem por isso os medos maiores eram com os meus filhos.

Dei por mim a achar que não iria ser capaz, que não estava preparada para os deixar sem saber como voltaria. Mas ao mesmo tempo que tinha estes pensamentos obrigava-me a não pensar neles e a desviar estas inseguranças para pensamentos positivos.

Maria Constança

2.7.19
Vou começar pelos inícios dos inícios...

Não queria um parto por cesariana, não que tenha alguma coisa contra mas porque já tinha tido a experiência de um parto natural e sei o quanto nos marca por isso tinha muito presente que tudo faria para que fosse um parto natural.

O que é certo é que as semanas foram passando e mesmo com a agitação do meu dia a dia a MC não queria vir ao mundo.

Como o parto do FM tinha sido por cesariana, este não podia ser induzido e como tal o meu médico sem pressões deixou que o tempo se encarregasse da mãe natureza.

Contudo na minha última consulta tinha a certeza que seria marcada a cesariana, não dava para esperar muito mais e embora quisesse muito um parto natural, tinha de pensar no bem estar da MC.

A consulta das 41 semanas era quarta-feira e nessa mesma semana antes da consulta, dei início a tudo o que estava ao meu alcance para que entrasse em trabalho de parto de forma espontânea.

Foram muitas as dicas que recebi vossas (OBRIGADA!) posso afirmar que neste momento sei tudo o que se deve fazer para entrarmos em trabalho de parto de uma forma espontânea. Por isso se precisarem podem perguntar-me :)

Terça-feira, fui com a minha mãe à praia de Santo Amaro em Oeiras para andar, ao todo foram 5kms. Cheguei a casa tomei um banho de água quente e adormeci. Acordei com contrações mas com a certeza que seria pelo esforço físico que fiz, levantei-me e fui ao médico com esperança que me dissesse que já havia um prognóstico mais favorável.

O CTG acusou contrações e o meu útero tinha passado de fechado a permeável a um dedo. Toque feito!

E antes de acabarmos tivemos todos de tomar uma decisão, marcar o parto. Na minha cabeça já tinha o dia que queria (2ªfeira) mas o meu médico parece que leu os meus pensamentos e disse também 1 de Julho. Dei quase um pulo da cadeira e disse: Está óptimo! Fechado!!

Saí de lá com a certeza que iria dar tudo de mim e que iria meter tudo em prática mas que até sábado não tivesse sinais desistiria desta luta e entregava nas mãos de Deus este meu parto.

Depois do toque e já com muita pressão na bacia (pelo dia anterior), voltei à praia com a minha querida mãe e foram mais 5km sobre a areia mole, quando cheguei a casa, já com poucas forças ainda enchi o peito de ar e subi oito andares, cheguei e tomei um banho bem quente e terminei a ver a novela numa bola de pilates.

Estava confiante que seria durante a noite mas nada. Levantei-me eram 7h porque nesse dia tinha terapia com o T e além da pressão na bacia poucos ou nenhuns sinais tinha, até que de um momento para o outro começo com contrações muito fortes mas muito irregulares, como já tinha tido estas contrações nas 39 semanas desvalorizei por completo, fiz a minha vida normal mas sempre com contrações, fui arrumar coisas no centro de terapias que já partilhei convosco, subi, desci escadas, peguei em livros, limpei, fiz de tudo um pouco e sempre com contrações.

Entretanto eu e a terapeuta do T demos uma entrevista para uma terapeuta do Desenvolve-T e ainda com contrações estava completamente longe de imaginar o que me iria acontecer passado uns minutos.

Acabamos a entrevista, começamos a falar e no meio da conversa senti como se fosse uma rolha a abrir dentro de mim e a água a escorrer pelas pernas.

14.25h "Filipa, rebentaram-me as águas" 
Óptimo. O que quer que faça? Mas já em modo "barata tonta"
Nada, mantenha a calma porque está tudo bem. Dê-me uma cadeira.

40 Semanas

19.6.19
E assim sem esperarmos chegámos às 40 semanas.

No meu caso, o primeiro filho que supostamente devia ser o demorado nasceu voluntariamente às 37 semanas, já o FM e a MC parece que têm de ser arrancados.

Nesta fase confesso que já a gostava de ter nos braços, primeiro porque estas últimas semanas já nos sentimos muito pesadas e sentimos a nossa energia a baixar dia após dia, segundo porque estamos sempre ansiosos para saber se será hoje ou não.

Felizmente não posso induzir porque fiz uma cesariana do FM, o que me dá uma maior margem para esperar que a MC se decida mas não estou de todo livre que o médico se decida fazer a cesariana.

Vamos esperar mais uma semana e ver se de alguma coisa a natureza assume o comando.

O toque foi feito e o útero ainda está fechado mas as contrações já começaram e têm sido bem dolorosas.

Entretanto foi marcada uma ecografia extra e tudo indica que está tudo bem, está apenas bem instalada. Não é grande o que nos permite viver esta semana descansada e sem grandes pressas.

Sei que estão curiosas, pela quantidade de mensagens que tenho recebido mas o que vos posso dizer é que está tudo bem, nós também já estamos ansiosos de a ter connosco mas vamos ter de ter paciência para que ela se decida por ela.

Agora que me sinto cansada é que vou ter de ir correr a maratona e subir escadas...

Fotografia | Centrimagem 

Ansiedade com a chegada do Parto

13.6.19
O terceiro trimestre é de todo o pior, aquele onde nos sentimos já com menos energia e muito mais pesadas.

E o último mês é um verdadeiro desafio, as inseguranças apertam, metemos a nossa vida em causa, duvidamos das nossas capacidades e entregamo-nos a uma incerteza diária.

Começamos a viver um dia de cada vez porque nunca sabemos como vai ser o dia seguinte.

E é este o meu maior desafio na gravidez.

Como sou muito organizada e planeada custa-me imenso viver desta forma, todos os dias a minha agenda é revista várias vezes, sempre com medo de não a conseguir cumprir pois em questão de segundos tudo pode ficar em stand by.

Neste momento confesso que tenho tudo mais que organizado pois estava convencida que a esta hora já tinha a MC nos meu braços.

Nunca pensei chegar às 39 semanas e estar ainda nesta incerteza diária.

Mas aqui é  a vida a mostrar-nos que há coisas que pouco ou nada conseguimos controlar. E sentir a nossa vida nas mãos de um ser tão pequenino chega a ser assustador ou então são as hormonas a falar mais alto. Depois existe toda aquela ansiedade se tudo vai correr bem, se ela nascerá cheia de vida e se nós próprias vamos ficar bem.

Toda este ansiedade é normal mas é preciso segurá-la e não nos deixarmos vencer por estes medos. É preciso desviar pensamentos e entregar o momento a Deus.

De nada nos vale estar muito nervosas, é algo que não nos ajudará certamente por isso temos mesmo que fintar a nossa mente e quando chegar o momento vive-lo da melhor forma possível, mesmo com as dores que possamos sentir.

Na verdade não existem partos ideais porque é algo que não é mensurável, há sim o nosso parto e ele será certamente inesquecível.

E acreditar que tudo dará certo...

Centrimagem 



Sinais de Parto

10.6.19

O trabalho de parto inicia-se idealmente entre as 37 e 42 semanas de gravidez. E quando a hora está quase a chegar importa reconhecer os verdadeiros sinais de parto, ou seja um conjunto de acontecimentos que no seu todo indicam que está na hora de se encaminhar para o hospital, são eles:

  • Contracções com intervalos regulares
  • Intervalos gradualmente menores
  • Aumento da duração e intensidade das dores
  • Ruptura da Bolsa - saída do líquido amniótico, líquido claro e sem cheiro, todo de uma só vez, ou em pequenas quantidades. Registe a hora a que ocorre a ruptura.
  • Perda do Rolhão Mucoso: secreção acastanhada ou avermelhada que indica que o tampão que selou o seu útero durante a gravidez está a sair. É um dos sinais de parto, indicando que o trabalho de parto poderá estar iminente ou ocorrer dentro de poucos dias. Não é quando isolado, um sinal eminente de parto, não exigindo deslocação imediata ao hospital.




Enfª Ângela Baptista