A decisão

21.4.21

Quando me perguntam sobre o aborto a minha resposta foi sempre unânime, sou a favor desde que se tenha um motivo muito válido para o fazer e que a decisão seja consciente com todas as consequências que isso possa implicar.

Só quem passa por um assunto tão delicado como um possível aborto é que pode responder de uma forma válida. Tudo o resto são vozes com opiniões muitas vezes levianas.

No entanto sou contra um aborto, porque sim. Só porque agora "não apetece".

O que vos posso dizer é que vivenciei na primeira pessoa: A decisão de interromper uma gravidez "não válida" ou meter em causa a qualidade de vida de um bebé e o bem estar de uma família inteira.

E sim. Esta gravidez foi interrompida por mim, de forma consciente, sem que houvesse vozes de terceiros a pressionar uma decisão. 

Quando tomei a decisão de fazer a amniocentese foi de ânimo leve, não havia nada que indicasse algo. Mas como já partilhei convosco desde que o Tomás nasceu, que tenho feito por opção pessoal e também devidamente aconselhada pelo meu médico que tanto confio.

Vou sempre sem medos, e esta gravidez não foi exceção. No momento em que a agulha está para ser espetada, a médica recua e diz-me que se a posição do bebé não mudar, que não arriscaria, até porque não havia motivo aparente para a fazer.

Mas assim que o diz, o bebé muda a posição e ela de uma forma segura espeta. 

Repouso absoluto durante três dias. Estava tranquila e pouco ou nada pensava naquele resultado. 

Até que num dia a sair do trabalho, já tarde, o meu telefone toca, e aí tremi! Naquele momento percebi que algo não estava bem, não pelo telefone porque todos os resultados me foram dados dessa forma, mas pela energia negativa que senti, quando vi o nome da minha médica no telefone. 

Respirei fundo, atendi! 

"Andreia, onde está? Estou a ir para casa. Mas está sozinha? Sim. Quer que lhe ligue mais logo? Não, pode já dizer.

Andreia, não tenho boas notícias para lhe dar, e aí foi como se tivesse levado um soco no estômago tão forte, que me levou o ar. Ouvi com atenção: O bebé veem com uma alteração muito grave, com graves problemas a nível de orgãos vitais, motoros e cognitivos. Com uma esperança média de vida pequena. É algo muito raro. E Andreia, não é uma trissomia, vai muito mais além que isso. É Grave!

Já falei com o seu médico ele já sabe de tudo, vá para junto do seu marido e vejam com o vosso médico o melhor para vocês. Do que precisar de mim estou aqui".

Desliguei. Fiquei cinco minutos dentro do carro a chorar e a pensar como é que aquilo me estava a acontecer. Ceguei naquele momento, não consegui pensar em nada. E a dor aumentava quando me lembrava que seria eu, sozinha, a dar esta notícia ao meu marido.

Respirei fundo mas ao mesmo tempo que respirava, as forças falhavam. Em segundos tive de ganhar forças para dar esta notícia quando eu ainda nem as tinha para mim.

Nunca desejei tanto não ir para casa, como naquele dia. Abro a porta de casa a tremer, olho para o meu marido e tenho-o a sorrir para mim enquanto está a dar o jantar à Constança. Vou em direcção à sala, respiro fundo, e em frações de segundos chamo-o, e naquele momento ele percebe que algo não está bem.

Dei-lhe a notícia a chorar e naquele instante vejo-o tal como eu, a desfalecer! Vejo-lhe a revolta no olhar e a preocupação por mim como nunca tinha visto até então.

Naquele momento, metemos tudo em cima da mesa e decidimos juntos! 

Seria um caminho ingrato e sem esperança para um bebé indefeso e para uma família inteira. Não podíamos ser egoístas, ao ponto de trazer um bebé ao mundo para sofrer e dar uma batalha sem esperança aos nossos três filhos que já cá estavam.

Nãos lhes quis fazer isso! Estava muita coisa em causa! 

E foi nesse dia que rejeitei a minha barriga, tive três dias sem olhar para ela. É duro carregar um filho na nossa barriga para depois o "matarmos".

Palavra forte esta! Mas era assim que me sentia. Culpada! 

Foi esta, a razão da minha gravidez interrompida às 19 semanas.

Hoje com alguma ajuda, não me sinto culpada, tenho a certeza da minha decisão! E não me arrependo em nada. E a palavra morte deu lugar à palavra salvar. É nisto que hoje acredito. Que salvei a minha filha do sofrimento.

Sei que este assunto é controverso e que gera muita opinião. Mas não se esqueçam que deste lado está uma pessoa com sentimentos e que não precisa de julgamentos.

A Empatia deverá prevalecer sempre para um mundo melhor!

Eu disse-vos, que a seu tempo vos contaria os motivos, e hoje estão aqui preto no branco.

Obrigada pelo vosso carinho, respeito e amor que nos fizeram chegar neste período tão difícil da nossa vida. Serei-vos eternamente grata.

Um beijinho 

Andreia 



Sobre um amor que entrou sem pedir licença

20.4.21

O amor quando nasce pode ser de várias formas, não é preto no branco.

E foi na terapeuta do Tomás, que encontrei um dos amores mais bonitos que alguma pensei conhecer.

Um amor puro, genuíno, que vai muito além de "notas" ao fim do mês.

Lembro-me do dia em que lhe "dei" o meu filho Tomás para os seus braços, ela uma miúda de 24 anos, ele um bebé de quatro meses. Disse-lhe os meus sonhos, e o que ambicionava,  apresentei-lhe o método de estimulação que lhe fazia diariamente e confiei-lhe.

Nos primeiros dias ainda aferi o seu trabalho, ainda analisei os relatórios para perceber o que estava a ser feito, mas rapidamente percebi que tinha em mãos mais que uma terapeuta.

Aos poucos deixei-a assumir o seu comando e eu ganhei o meu papel de mãe. 

Eram quatro horas de trabalho árduo, em que tantas vezes foi mãe, irmã e terapeuta do meu filho.

A Filipa por incrível que pareça é um dos pilares mais fortes da nossa vida. Aquele pilar que ao abanar, arrasta uma família inteira.

Deixou-nos durante seis meses para ir viver um sonho e foram talvez os piores seis meses da nossa vida. 

Mas mesmo longe acompanhou o desenvolvimento do Tomás de perto e quando o seu avião aterrou, jurámos que nunca mias nos separávamos e assim foi até hoje.

Hoje não é só a teraputa do Tomás, é a irmã que sempre sonhei, é a minha confidente, é quem vive as minhas alegrias e as minhas tristezas em primeira mão, é a madrinha da Constança, é a minha sócia. É a minha estrela Guia!

É a nossa Filipa! Foi quem acreditou desde o primeiro dia, desbravou caminhos tantas vezes impossíveis e tornou o impossível, no possível!

Tem no seu trabalho um dom e o dinheiro nunca será suficente para lhe pagar o que fez e faz por nós.

A si Filipa desejo-lhe o que desejo para mim! Uma vida feliz!

Parabéns!! E que venham mais 31 ao seu lado 💗

Andreia




Dores de crescimento

8.4.21

Vê-los crescer dói, pelo menos a mim custa-me.

E se sou muito prática e descomplicada em algumas coisas, aqui sou super complicada. Demoro a aceitar o seu crescimento e isso vê-se no meu adiamento constante nas coisas mais simples, como nos berços, auto cadeiras e outras tantas que chegam a ser parvas. 

Sou daquelas mães que por mim aos 18 ainda usavam perfume Mustela.

Eles terão as suas dores de crescimento que fazem parte e nós como mães teremos as nossas. Queixamos-nos que não temos tempo para mais nada além deles e que a nossa vida é comandada pelas suas vidas mas tememos o dia em que não precisarão mais de nós. E que a nossa casa deixará de ter o barulho de fundo que tanto nos enlouquece mas que nos faz tão feliz.

Aos poucos as roupas de bebé dão lugar a roupas de adolescentes, com vontade própria. O cheiro a bebé dissipa-se no ar. Os berços passam a camas de meio corpo e o nosso colo começa a ser rejeitado em prol dos "amassos" dos namorados/as.

Todos os dias crescem mais um bocadinho e é quando dormem que sinto mais isso. A sua autonomia é prazerosa mas assustadora ao mesmo tempo.

É a vida e cabe-nos aceitá-la da melhor forma!

É aproveitar todos os bocadinhos porque se hoje custa, amanhã deixará saudades!

E vocês como são?

Look 
Boys&Girl | Maria Costura
Mum | Tia Bé






A minha combinação perfeita

31.3.21

Sempre ambicionamos pertencer às famílias numerosas por isso quando o Tomás nasceu, em momento algum desisti do nosso sonho.

E dias antes do Tomás completar o seu primeiro aniversário, descobri que estava grávida. Não houveram medos mas sim uma grande felicidade.

Seriam 20 meses que os separava. E aquele cliché de não conseguir amar outro filho da mesma forma acompanhou-me até o ver pela primeira vez.  É quase como uma explosão de amor que se apodera de nós. E o amor multiplica-se de uma forma que nunca pensámos. É uma multiplicação de um amor único.

Logisticamente os primeiros meses não foram fáceis, eram dois bebés, com necessidades diferentes e embora apenas fossem dois, houve alturas que senti que tinha uma fábrica de bebés em casa pois passava o meu tempo entre um e outro, sendo que o Francisquinho, era daqueles bebés que só estava satisfeito ao colo.

Houve alturas em que me perdi na escuridão da maternidade, outras que chorei porque me sentia a ser engolida num cansaço sem fim.

Mas se este Primeiro ano foi desafiante traduziu-se ao longo do tempo na melhor coisa que lhes podia ter dado.

Estão a crescer e a descobrir o mundo juntos e isso valeu cada cansaço do passado!! Complementam-se na perfeição, são o braço direito e esquerdo um do outro, pode-lhes faltar tudo, desde que isso não passe por ficarem um sem o outro.

A sua fraqueza é a força um do outro! São a minha combinação perfeita! 

Um é loiro, o outro é moreno, um tem uma alimentação exímia, o outro é a gulodice em pessoa, um tem no mundo nos olhos, o outro o mundo às costas. Um é extrovertido, o outro é introvertido. Um é do mundo, o outro é da casa!

Mas os dois são meus e eu à seis anos não previa que estivesse a construir o meu maior império! Eles, os meus filhos! A minha força!



O dia que dá voz à Trissomia 21

21.3.21

Dizem que é o teu dia mas eu cada vez dou-lhe menos importância!

Um dia que dá voz à trissomia 21. O dia em que me mostra que trissomia é uma definição tantas vezes vaga. Sem o certo e o errado.

Mas afinal o que é a trissomia além de uma alteração genética que resulta de uma anomalia no processo de divisão celular do óvulo fecundado. Uma cópia extra no cromossoma 21.

Chamam-no de cromossoma do amor e disso não tenho dúvidas!

O meu euro milhões! O Tomás é a criança mais mágica e a personificação da simplicidade e do Amor!

E aquelas frases ignorantes pré feitas como "É uma infelicidade ou se tivéssemos que escolher filhos por catálogo não os escolheríamos" não deixam de ser autênticas tolices, isto para não dizer outras coisas piores!

Ter um filho com Trissomia 21 é ir à lua trezentas vezes por dia. É dar a volta ao mundo num só dia. É chorar de felicidade e aplaudir de pé as coisas mais simples da vida. É viver na plenitude do ser e da resiliência.

E eu apenas fui uma sortuda por me ter calhado a melhor rifa no dia 6 de Agosto de 2014. 

Tem coisas menos boas, como tudo na vida. Mas isso faz parte da maternidade!

Existem uns olhos achinesados, alguma maior dificuldade em algumas aquisições de desenvolvimento e uma pureza no sorriso nunca vista.

Que este dia seja apenas um dia que mostra que a diferença está nos olhos de quem a quer ver. O resto é só uma magia que se vê ao longe e se sente na alma.


Ju Araújo



O melhor Pai

19.3.21

Dizem que a mulher procura no seu marido características do seu pai. E embora não os ache iguais, encontrei no meu marido o reflexo do meu. O sentido de família! 

Ser Pai vai muito além de um DNA. Ser Pai é estar na primeira linha das vitórias e das quedas da vida. É quem dá pulos de alegria e quem ampara na queda.  

E eu tive a sorte de ter encontrado o melhor pai para os meus filhos! Um pai presente, preocupado e atento. Um pai que os olha nos olhos, que lhes dá o bom dia e a boa noite com aquele beijinho aconchegante.

Que orienta, que lhes dá banho, que muda as fraldas e que embala.

Que lhes dá liberdade para serem, mas com regras. Que fala e que explica os segredos da vida. Que respeita a mãe.

A todos os bons pais que existem neste mundo. Um Feliz Dia!




Voz própria

18.3.21

Assim que o Tomás nasceu a minha principal preocupação era que ele fosse aceite na sociedade, e a sua aceitação passava por ele se igualar aos seus pares. 

Não queria que em momento algum o olhassem com pena, porque as penas eu deixo para as galinhas, ou que o agrupassem e o catalogassem. Queria apenas que o vissem como um ser individual e com vontade própria. 

Mas para isso tínhamos de ir à luta, e competia a nós desbravar esse caminho, tantas vezes ainda virgem.

O truque foi sorrir e falar abertamente sobre a trissomia e isso só por si além de me fazer passar por "maluquinha", desarmava qualquer pesssoa.

Não me juntei a grupos, não que seja contra, mas isso para mim seria só uma chamada de atenção para a "diferença" do Tomás e eu não queria que a sua Trissomia se sobrepusesse ao seu nome próprio!

Foi aqui que me foquei! Em normalizar a Trissomia, sabendo desde sempre que ele nunca deixaria de a ter, mas também nunca tive essa pretensão, pois o seu cromossoma a mais faz parte dele.

Lutei pela sua comunicação porque isso abriria as portas para o seu futuro! Para mim não havia símbolos ou gestos mas sim palavras, era isso que ambicionava, mesmo que isso implicasse um caminho mais difícil.

Fui em frente com o meu coração, mesmo quanto tive técnicos a dizerem-me que o caminho não passava por aí. Ignorei e procurei as respostas que queria ouvir.

Lutei acima de tudo pelo que lhe tinha jurado: normalidade! 

Não houve, discursos para bebé, mas palavras de adulto desde sempre. Não houve "papa" e "popó" mas sim comida e carro.

Houve terapia e muita! Muitas estratégias entre os técnicos e nós família por um caminho que ambicionava.

Segui o meu instinto e quando via adultos com trissomia 21 procurava ver como falavam, muitos deram-me esperança, outros nem tanto. Mas nunca duvidei! Não sabia o trabalho que tinha sido feito em criança por isso não me focava em exemplos maus mas nos bons, e se havia pelo menos alguém que conseguia, era porque era possível!

Desbravei um caminho longo, para que o Tomás falasse corretamente, articulasse palavras e frases e hoje posso dizer que o faz, nem sempre na perfeição desejada, porque ainda temos um caminho para percorrer mas adequado para se conseguir ouvir.

Não precisa de mim para se exprimir, sabe-o fazer, diz o que quer e o que pensa, e embora curtas já faz frases.

Hoje mandou-me ter calma, e para respirar fundo e aí (incrédula) percebi que nunca estive enganada!







1 Mês (sem ti)

17.3.21

Querida filha,

Faz hoje um mês que te perdemos sem te podermos ver o rosto.

Tem dias que ainda te sinto, como se isso alguma vez fosse possível. Ainda custa ver-me ao espelho e não te ver.

Não te peguei como a natureza manda e esse vazio corrói a alma.

Dei tempo ao tempo, e embora seja ainda tudo muito recente, sinto-me resolvida enquanto mãe. 

Aceitei este nosso caminho curto com dor mas sem culpas e lamentações.

Tem dias que ainda choro por ti. E não existe um dia em que não pense em ti, e acredito que pensarei até ao meu último suspiro. 

És a peça que falta no meu coração. 

E ao contrário do que alguma vez pensei tiveste a proeza de deixar um rasto de amor ainda mais forte entre mim e o teu pai.

Podia ter sido bem pior do que foi e agradeço-te por me teres poupado.

Ainda te tento imaginar nos meus sonhos e projetar um futuro que jamais acontecerá.

Hoje faz um mês que te perdi e já me deixas tantas saudades.






Um novo "Setembro"

15.3.21

Quando percebi que as escolas iam fechar chorei muito, perdi-me em pensamentos negativos e duvidei da minha sanidade mental.

Dei tempo ao tempo, a mim e a eles. Primeiro vivemos em auto gestão. Depois encarei como se fosse umas férias, onde por momentos não houve trabalhos, escolas online e horários definidos.

Pelo meio percebi o que eles queriam e o que não queriam. 

Por fim, reorganizei as ideias, defini um plano. E ao contrário do confinamento passado troquei o campo pela cidade. Pedi ajuda e criei um plano diário, onde coubesse um bocadinho de tudo, desde a casa, à escola, ao trabalho.

Nos tempos livres fui apenas gestora de conflitos e de emoções.

O plano que tracei não dava margens para erro, estava muito bem definido. Eram três horas produtivas, e houve momentos em que foram o meu balão de oxigénio.

Quando as dez horas batiam eu vestia o meu melhor papel de professora, sorria e sentávamo-nos numa mesa de trabalho. 

Ali passava-se tudo, desde as teleescolas que na maioria eram feitas apenas com um corpo presente, às atividades propostas.

Foi cansativo e muito. O ensino não é o meu forte e muitas vezes tive de contar até dez para expirar e inspirar.

Dancei o tango com eles para tornar tudo mais fácil.

A dura realidade de ter filhos com necessidades especiais

12.3.21

Sempre vos falei da dura realidade de ter filhos com necessidades especiais. 

O caminho nem sempre é feito de rosas, existem cravos mas é preciso ter a audácia para os respeitar e aceitar de cabeça erguida.

Mas depois existem coisas que vão muito além do acreditar e do querer. É preciso ter dinheiro, e muito! É necessário ajustar o orçamento familiar vezes sem conta.

E é necessário abdicar de muitas coisas em prol do melhor desenvolvimento possível para os nossos filhos.

Mas depois há quem nem consiga sequer abdicar de nada, porque ou se come ou dá-se "qualidade de vida" e nestes casos prevalece o comer.

É triste, é frustrante e revoltante! Falamos de crianças! De crianças que embora com necessidades especiais deviam ter o direito de poder sonhar por uma "normalidade" que ainda é tão difícil de ser vista nos olhos de outros.

Chamo a isto igualdade de oportunidades e todas as crianças deviam ter esse direito, da mesma forma que também têm o direito de comer e de se vestir.

Quando se fala de terapias, fala-se de sonhos e de um futuro! E é isto que nós pais, apelidados como "especiais", queremos! 

Não é uma questão de querer ter dinheiro para comprar a moradia luxuosa que se vê no Instagram, mas para proporcionar o melhor desenvolvimento para o seu filho.

Sugestões para o Dia do Pai

10.3.21

Não sou apologista de presentes muitos elaborados ou que impliquem um gasto muito grande financeiramente.

Por isso apresento-vos algumas ideias baratas e giras para tornarem o dia ainda mais divertido e especial.





A realidade de um confinamento com crianças com necessidades educativas especiais

9.3.21

Sem ninguém nos preparar para tal virámos educadores e professores dos nossos filhos. 

Sem sabermos bem como fazer, enfrentámos a questão de frente e este é talvez um dos maiores desafios para nós pais.

É gerir expectativas, frustrações de ambas as partes, as nossas e as deles, um teste à nossa paciência e até ao nosso saber, que tantas vezes ficou esquecido num passado académico.

E a somar a isto, quando se tem um filho com necessidades especiais tudo fica mais dificultado.

É certo que acompanhamos todo o seu desenvolvimento ao momento, o que é bom, porque ficamos com uma percepção maior do que está adquirido e do que ainda temos de trabalhar.

Tomamos consciência das suas dificuldades e das suas limitações. Frustramos e aplaudimos vezes sem conta.

É um trabalho que exige paciência, que muitas vezes nos leva ao limite e em alguns momentos nos faz duvidar.

O Tomás está a um passo de entrar na primária e não tem sido fácil. O ano em que ele devia estar mais focado, é talvez o que está mais desfocado. 

E se para crianças ditas "normais" se o não fizer, é uma questão de tempo. Para crianças com patologias o discurso não pode ser o mesmo. É uma corrida contra o tempo e não podemos dar-nos ao luxo de o desperdiçar.

Mesmo sem competências para tal, e sem qualquer formação de ensino, arregacei as mangas e fui em frente com tudo o que tinha e o que não tinha. Deixei as lamúrias para outra altura, respirei fundo, olhei-me no espelho, sorri e fui!

Criei um plano de atividades, juntamente com orientação da professora, um horário para cumprir, com momentos de trabalho e livres.

E naquelas quatro horas não existem camas por fazer, roupa para estender e comida para fazer. Todo o meu trabalho é feito à tarde, enquanto ele tem as suas terapias, e pela noite dentro organizo as casa e as refeições. Este foi o meu grande segredo para um confinamento feliz e tranquilo!

Quero muito que esteja a terminar, estou cansada, sinto-os também cansados, e a precisar de toda a componente académica e social que só uma escola sabe dar. Mas ao mesmo tempo sinto que estão felizes e equilibrados, o que me deixa feliz.

Mas não é fácil ver um filho a tentar e a falhar, a tentar e a falhar, vezes sem conta. Nem sempre é fácil aceitar. É necessário muitas vezes deixar cair lágrimas para ganhar sorrisos. Aceitar o "não apetece", dar-lhe tempo para querer, arranjar ferramentas de ânimo e adaptar formas de ensino para cada filho.

E acreditar! Acreditar que vão conseguir!

É uma luta diária. Aqui não existe ele ou eu, existimos nós! Somos uma equipa! E juntos vamos vencer, foi isso que lhe prometi há seis anos.

Todos os dias melhora um bocadinho, e no dia em que ele pegar naquele lápis sozinho, de forma autónoma, vou abrir uma garrafa de champanhe sozinha e saborear cada golo. 

Tal como todas as mães, tento todos os dias dar-lhe o melhor de mim. 

E se não é fácil com filhos sem patologias, imaginem quem tem filhos a necessitar de muito e em que todos os profissionais de educação fazem falta...

É um caminho demorado, de uma luta constante, cheio de altos e baixos mas que se saboreia lentamente para uma glória sem fim.

Look | Espiga 




Forte é quem pede ajuda

4.3.21

O saber não ocupa lugar. Por vezes é necessário ir em busca de respostas. E isso é o que tenho mais aprendido no Desenvolve-T.

O medo atrofia-nos, e impede-nos de avançar. Diminui-nos e faz-nos viver numa incerteza sem fim.

Sempre procurei respostas para os meus filhos, quando percebo que algo não está bem, vou em busca de informações, pergunto a quem sabe, questiono, só assim consigo tomar as melhores decisões para eles.

Mas vida gosta de nos meter à prova, e desta vez, fui eu que precisei de me ajudar. O vazio que tinha (e ainda tenho) muitas vezes bloqueava-me, com isto vinha uma culpa que me angustiava. E embora me considere uma pessoa com força, sentia que que precisava de uma ajuda extra. Alguém que me ajudasse a clarificar a mente e a trabalhar mais na consciência.

A vida é um filme, em que somos os protagonistas, e por vezes é preciso sair dele e vê-lo de fora. Foi isso que busquei.

Reorganizei uma manhã, em que não queria falhar como mãe, mas que sabia que naquela manhã nada era mais importante que eu. Sabia que ficavam bem com a avó e com o pai e isso descansava-me! Fechei a porta sem pesos de consciência e fui!

Não temos de ter vergonha por pedir ajuda, forte é quem tem essa coragem, em que percebe que precisa de ajuda. 

Um dos maiores flagelos da nossa sociedade é a saúde mental. E acredito, que com a pandemia ainda se vai acentuar mais.

Precisamos de nos ajudar a nós próprios e de lutar pela nossa felicidade pois somos os únicos responsáveis do rumo que queremos dar à nossa vida.

Na vida não existe a sorte ou azar. Ambas procuram-se! 

Posso dizer-vos que para mim ajudou, foram duas horas ganhas, em que consegui rir e chorar mas que acima de tudo percebi de forma consciente o propósito de tudo.

Ajudem-se é o que vos posso dizer! Comigo resultou, claro que nada do que me aconteceu passou, ainda está muito vincado em mim, mas pelo menos já não existe culpa! E só por isso já me sinto melhor.

A Vida resolve-se sozinha nunca se esqueçam disto.





Encontrar no amor a cura

3.3.21

Seria hipócrita se disse-se que passa de um dia para o outro. Que acordamos e é como se nada acontecesse.

Mas não! É uma dor que prevalece, que nos faz reviver tudo o que já tínhamos vivido e buscar todas as emoções sentidas num passado tão curto.

São consultas desmarcadas e uma data que se apaga no nosso calendário.

Se dói? Muito! Se é um vazio que nos atira para um buraco sem fim? Sim! Mas se voltamos a sorrir? Sim. 

Continua a existir um presente que deve ser plantado para que se faça um futuro feliz! Não se supera de um dia para o outro. Diz-se que o tempo é o melhor amigo e eu acredito!

Mas tenta-se todos os dias encontrar no amor a cura.

Agradece-se o passado e o presente. Chora-se a dor. E voltamos a sorrir! 

Existe uma vida para ser vivida, que merece o nosso respeito e a nossa compreensão. 

E apesar das fragilidades da vida, posso dizer que sou uma sortuda por ter encontrado no amor a minha cura.



A Dor de um Pai

25.2.21

Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que a Andreia disse: "vem aqui à sala, que temos que falar". Estava a começar a dar-lhes o jantar e larguei tudo, percebi de imediato pela sua voz, que algo não estava bem. Nessa fração de segundos, ocorreu-me que seria com o bebé. E de lágrimas nos olhos disse-me o que estava a acontecer. Como pai, foi impossível também não conter as lágrimas e ali ficámos na sala a chorar abraçados um no outro.

Para mim foi um misto de emoções, muito triste por perceber que não havia nada a fazer e que íamos perder o nosso quarto filho e preocupado porque não queria que a Andreia em momento algum estivesse em perigo. O meu medo foi tanto que a minha minha primeira pergunta foi se ela corria perigo e se ficaria com algum tipo de mazelas além das emocionais.

Como pai (ou para mim porque cada um sente de forma diferente) senti revolta e fui invadido pelo desespero, pelo medo, porque há muitos “se´s”. O que vai acontecer? Como é que vai acontecer? Como é que vai ficar a Andreia psicologicamente? Se existe perigo? E a temida pergunta, e se alguma coisa corre mal?

O sentimento de tristeza em perder um bebé (independentemente do número de semanas) é um sentimento de M*. Sofri, revoltei-me! Mas a minha preocupação maior foi sempre para com a minha mulher.

Há quem lhe possa chamar egoísmo, mas foi o que senti. A mãe dos meus filhos não podia estar em perigo.  Ela é o pilar da nossa casa, e tanto eu como os meus filhos precisamos muito dela.

Quando os meus amigos perguntaram-me como é que eu estava, a minha resposta era sempre a mesma:  "É uma situação muito triste, que ninguém equaciona mas para a Andreia é mil vezes pior, porque é ela  que carrega o bebé na sua barriga e consequentemente é ela que vai ter de passar por um parto."
 
Não quero sequer imaginar a força psicológica que teve de ter para passar por tamanha situação. 

Independentemente de tudo para mim é muito mais fácil “esquecer” mentalizo-me que é a vida e que infelizmente são coisas que acontecem, mas para a mãe, que teve e que ainda está a passar pelas mazelas do parto acredito que tome dimensões incalculáveis. E também quero acreditar que só quando estiver 100% fisicamente é que aos poucos começará a curar o seu lado emocional e a ultrapassar o trauma vivido.

Pode ser a minha maneira de ser, sou muito objetivo, pragmático e tento ultrapassar sempre as pedras do caminho com positivismo. E independentemente da minha dor, para um pai é sempre mais fácil pois não é o nosso corpo que foi violado e nem somos nós que passámos por um parto. 

Tenho algumas dúvidas se alguma vez consiga ultrapassar esta dor por tudo o que já mencionei. 

Agora é tempo de erguer a cabeça, seguir em frente. Apesar que sempre que olho nos olhos da Andreia vejo uma tristeza enorme, como nunca tinha visto. Sei que está a sofrer imenso lá no seu fundo. 

Quanto à hipótese de voltarmos a ter um filho, a decisão é inteiramente dela. Irei sempre respeitar a sua vontade porque jamais irei sentir o que ela sentiu.


Um abraço
Pai




O Colo Vazio

23.2.21

Uma perca gestacional seja ela qual for é um processo solitário, que implica muitas questões físicas e emocionais que deixam marcas.

Primeiro rejeitei a barriga, recusei-me a olhar mais para ela, tinha medo do que iria enfrentar e do que o espelho me iria dizer. Depois obriguei-me a olhar e a enfrentar toda esta situação de frente. Enfrentei o meu medo, toquei-lhe e despedi-me dela aos poucos.

Deitei-me nervosa, sem certezas de como as coisas iriam correr, de como eu iria lidar com um parto natural mas sem bebé. Tinha bem presente as dores das contrações dos meus últimos partos, dores estas boas e que se transformam em lágrimas de felicidade. Por isso recusava-me a ter de passar por elas, não queria sofrer, para no fim não ter nada.

Diziam-me que epidural não se justificava e eu só implorava por ela. 

E foi quando tomei aqueles comprimidos que tudo começou, as dores vinham e iam ao mesmo tempo que eu ganhava força e perdia.

Pelo meio levantava-me, olhava pela janela, e tentava perceber tudo o que me estava a acontecer. Percebi que o feeling de uma mãe nunca se engana, e que o medo que sentia nesta gravidez, tinha razão de existir. 

Ao espelho de uma casa de banho fria, despedi-me e pedi para Deus e todos os anjos que pudessem existir me protegessem de tamanha dor.

Estava aterrorizada, sozinha num quarto. Do outro lado tinha uma mãe a sofrer por mim e segurar as pontas e mm marido que não sabia o Norte e o Sul. E que me disse "Não posso ficar sem ti"

As dores começaram a ser galopantes e com muita intensidade. Já não sabia mais o que fazer, ou o que pensar. Sentia no olhar das enfermeiras tristeza e impotência em segurar aquelas dores.

Caí num sono agitado, até que acordei e implorei que me ajudassem porque eu não estava a aguentar mais. 

Nesse instante deu-se uma mudança de turno, e a enfermeira que saiu deixou-me entregue a uma que  que ninguém quer apanhar.

Conseguiu rebentar-me as águas com a sua brutalidade, ao mesmo tempo que lhe implorava para parar.

E nesse momento disse-me: Vai para o Bloco de Partos! Que horas são? 20.20h, feche as pernas, não faça força, que não pode agora nascer. Só pode ir às 20.30h. Mas como? Eu estou cheia de dores. Arrancou-me o fio que assinalava "Amor para a vida toda, Tomás Francisco e Maria Constança". 

(Re)começar

22.2.21

Como se recomeça, depois de uma queda que nos leva a alma e nos silencia a respiração? 

Não sei, ou melhor sei, porque também há seis anos caí num buraco escuro, em que me obriguei a ser feliz. Mas também sei que cada pessoa é uma pessoa, que existe quem se afunde numa tristeza profunda, e quem consiga nadar até encontrar o cimo. 

As quedas livres não são fáceis, necessitam de tempo, de um trabalho solitário e de muita força de vencer. Não é um trabalho do outro, mas um trabalho nosso!

Perder um filho, custa! E custa muito! Tenha ele semanas de barriga, meses ou anos de vida. É um filho e ponto final.

E não é o "deixa lá", o "já passou" ou o "já tem três filhos, é porque não tinha de ser", que nos dá alento. Cada filho é um filho e cada um foi sonhado e projetado de forma única.

Infelizmente a perda gestacional é algo que existe, mais até do que pensamos, é algo que assombra muitas mães, que corrói almas e se torna num caminho solitário. Mas que não se fala! Não é bem visto e não tem espaço nos romances da maternidade.

Não se viu a cara e aquele bebé passa de feto em segundos, e está tudo bem. Pois mas não está nada tudo bem. Houve uma família que se encheu de sonhos, que criou expetativas e de uma forma cruel tudo acaba sem sabermos como ou porquê.

Infelizmente não tenho a pólvora mágica para a dor, sei apenas que a temos de respeitar, de chorar e de a aceitarmos.

A vida é feita de escolhas! Sempre o disse e continuo a dizê-lo. A felicidade depende única e exclusivamente de nós.

E embora ainda esteja a erguer-me posso dizer-vos que hoje levantei a cabeça, mesmo quando o corpo me pediu para se afundar numa cama repleta de pipocas e chocolates, arranjei-me, ergui a cabeça, olhei em frente, respirei e fui! Segui o meu próprio caminho, não escondendo a dor que ainda sinto, mas que a seu tempo acredito que se apazigue.

Não tenho certezas de nada, não sei se voltarei sequer a um bloco de partos. 

Mas posso garantir-vos que voltarei a sorrir por mim!

Agora vou lutar por mim, pela minha felicidade e da minha família!

Recomeçar 💓






Uma barriga que chegou ao fim

19.2.21

Nunca em momento algum pensei escrever sobre este tema. Já me tinham abordado para o fazer mas jamais poderia escrever sobre algo que desconhecia por completo. Ainda para mais quando se trata de um assunto tão delicado como este.

Até que infelizmente chegou o dia de vos falar na primeira pessoa. Algo que nunca me tinha ocorrido viver mas a vida nem sempre é amiga. Gosta de testar a nossa força e de ver até quando aguentamos.

Uma gravidez que se enfrentou com entusiasmo e com um medo avassalador chegou ao fim às 19 semanas.

Não sei como vos dar esta notícia, porque ainda nem eu percebi o que me aconteceu. Acho que nem tão pouco ultrapassei este pesadelo que se apoderou da nossa família.

No início achei que seria apenas um pesadelo, até acordar e olhar à minha volta e perceber que não passava de uma realidade que tinha chegado para me testar ao limite, que me fez chorar, que me tirou o ar mas que me uniu ainda mais com a minha família e com os meus verdadeiros amigos.

Sei que não existem muitas palavras para esta situação que vai muito além do normal, também não as espero porque nem eu as tenho.

Peço-vos apenas respeito nesta fase delicada da minha/nossa família, que não me façam perguntas e que me deixem viver esta dor e gerir tudo o que nos aconteceu de uma forma o mais tranquila possível.

A seu tempo e se conseguir falarei mais sobre o assunto mas até ao momento preciso de viver esta dor apenas para mim e para os meus.

Agora Deus...

Concede-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar.

Coragem para lidar com as que posso lidar

Sabedoria para distinguir uma das outras, ouvir o meu coração e apaziguar o meu ser.

Que eu escolha fazer desta máxima a minha prioridade. Tudo tem um propósito e não é o que me acontece que têm mais poder mas sim aquilo que eu faço com que o que me acontece. O poder todo está aí.

Agora só quero respeito!

Um beijinho

Andreia 




37 Anos

16.2.21

37 Anos de uma vida recheada de coisas boas, com alguns obstáculos pelo meio, é certo mas talvez seja a pimenta da vida a falar mais alto.

37 anos felizes e acima de tudo rodeados dos pilares mais importantes na vida de um ser humano: família e amor.

Já conquistei muito e também já perdi. Mas o importante é retirar o sumo do que nos acontece e deitar no lixo o que não nos adoça a alma.

Agradeço aos meus filhos,  ao meu marido, aos meus amigos mas acima de tudo agradeço aos meus pais por me terem feito uma privilegiada, por me terem dado o que não tem preço e por me terem proporcionado mais além dos meus desejos.

Por terem chorado comigo e por terem feito dos meus melhores dias também os seus.

É neles que procuro respostas quando me perco nas incertezas da vida. Sei que sou a vida deles mas eles são o ar que respiro e se não fossem eles eu não estaria aqui. 

Sou uma privilegiada, eu sei! Tenho tudo o que quis e o que ambicionei!

Tenho uma vida ainda pela frente, mas um passado já bem guardado e que me tornou mais forte.

Sou o que vocês vêm aqui. Uma miúda sonhadora, que busca o bem e afasta o mal.

Que desvaloriza a doença para que esta nunca lhe ganhe, que luta pelos seus ideias de olhos fechados e que corre o mundo pelo amor.

Perfeccionista por natureza, uma optimista que irrita qualquer pessimista e que busca nas pequenas coisas uma felicidade infinita.

Esta sou eu! E hoje faço 37 anos!




´

Até Velhinhos

14.2.21

Tem dias que discutimos, que descordamos e que nem nos podemos ver à frente mas quando o mundo treme é nos braços um do outro que nos reencontramos.

São as suas palavras sábias que me acalmam e o seu jeito de menino que me faz viajar em pleno nos nossos sonhamos.

Vivi com ele os meus melhores e piores dias e foi isso que nos tornou fortes.

Já construímos um império, já desbravámos caminhos nas trevas, já ficamos sem dormir, já chorámos abraçados,  já vivemos histórias de um verdadeiro conto de fadas, já festejamos, já dançamos até ao amanhecer e já nos perdemos um no outro.

Um amor sem fim e sem igual.

O meu eterno namorado! E que sorte eu tenho de o ter ao meu lado.

Até velhinhos!

Feliz Dia dos Namorados 





Reorganizar uma vida para este novo confinamento

9.2.21

 No início não foi fácil para mim aceitar, "recusava" no meu íntimo esta nova realidade.

Ainda tinha sido tudo tão recente, que não me sentia preparada para voltarmos a fechar-nos em casa. Ao mesmo tempo sentia que os meus filhos estavam esgotados pela privação das brincadeiras com os seus amigos.

Aos poucos fui-me mentalizando, mas dei-me tempo para me organizar.

Respirei fundo, deitei fora as lágrimas necessárias, e segui em frente!

Reorganizei-me e pedi ajuda porque sozinha seria mais difícil. 

Experimentei e vi o que podia funcionar.

Permiti-me estar 100% disponível para os meus filhos no turno da manhã e nessa altura não há margem para emails, telefonemas ou lides domésticas.

As refeições são preparadas de véspera, para que no dia seja só ir para a mesa almoçar. Os computadores e todas as atividades são pensadas no dia anterior, o despertador toca à mesma hora, arranjo-me como se fosse trabalhar e organizo a casa para mais um dia. 

Eles vestem-se, tomam o pequeno almoço e às 9.50h estão em frente ao computador para começar.

O Pai, quando é necessário interrompe o trabalho, para ajudar. Após a tele escola vamos fazer as atividades e ambos fazem os trabalhos juntos.

Dou-lhes o reforço da manhã, alguma brincadeira livre, se houver tempo e almoço.

O Tomás à tarde tem terapias e eu aproveito para trabalhar um pouco, o Francisquinho vai para a avó e a Constança fica com a bisavó.

E foi esta a forma que encontrei para equilibrar todas as tarefas, não é seguramente a melhor, mas até agora tem resultado e tem-me dado alento para continuar.

Isto não é fácil para ninguém, e todos os dias deito-me a agradecer por ter passado mais um dia. 

Com esperança que tudo retome e que as nossas vidas voltem ao normal.

E vocês, como se organizaram?





9 Dicas para manter um cabelo saudável no Inverno

8.2.21

Embora estar mais tempo em casa, não seja sinónimo de mais tempo, partilho convosco os cuidados a ter com o cabelo no Inverno para que o cabelo chegue forte ao Verão.

São pequenos cuidados mas que fazem toda a diferença.

  • Escovar o cabelo (de manhã e à noite) pois vai ajudar a retirar o cabelo morto.
  • Espaçar as lavagens. O nosso couro cabeludo é como uma planta pelo que precisa de tempo para respirar. O ideal é lavar de de 48h em 48h.
  • Usar água morna. Aqui confesso que eu sou péssima porque adoro tomar banho com a água super quente. A água quente seca o cabelo porque lhe tira a oleosidade natural.
  • Secar o natural 
  • Evitar tocar no cabelo, o toque constante vai intensificar a oleosidade.
  • Usar o cabelo solto. Os penteados enfraquecem o cabelo.
  • Evitar usar gorros durante muito tempo pois o couro cabeludo necessita de respirar.
  • Utilizar produtos sem sulfatos, de forma a evitar descamar o couro cabeludo.
  • Preferir produtos em silicones pois podem tornar o cabelo pesado e com uma falsa sensação de cabelo liso e flexível.
Como rotina, e de forma semanal uso alguns produtos que fazem toda a diferença:
  • Exfoliante - permite desintoxicar o couro cabeludo, tornando a raiz mais limpa e saudável.
  • Pré-champô, que ajuda a controlar a produção do sebo.
  • Máscara 
  • Champô
  • Creme amaciador para as pontas
  • Óleo Seco, uso frequentemente nas pontas e também misturado com a máscara.
A juntar a tudo isto é necessário que os produtos que usamos sejam bons. Uso a Lazartigue, que é uma marca Vegan,, com mais de 89% de ingredientes de origem natural e sem sulfatos.

A gama é bastante completa e diversificada e vende-se na farmácia.




 

A mãe tem um bebé na barriga para mim

4.2.21

Se antes ainda eram muito bebés para perceber, agora com 4 e 6 anos percebem na perfeição o que a mãe tem na barriga. 

Ficaram super empolgados desde o primeiro dia e não existe um dia que não vêm falar com o bebé, aproximam-se, falam bem baixinho e dizem o quanto gostam dele/a. E eu derreto-me...

E se houve momentos em que tive dúvidas, estas dissipam-se com estes gestos de ternura.

Andam radiantes e até já se disponibilizaram para ajudar a mudar fraldas e para dar colo. A Constança ainda é muito pequenina e pouco dimensiona o que aí vem e tanto dá beijinhos como tenta saltar na barriga.

Sei que será a maior aventura da nossa vida, mas que lhes darei o melhor presente de todos. 

Sinto que os três são o pilar uns dos outros e que o bebé que aí vem vai fechar na perfeição esta união.

Ainda não nasceu e já tem muita sorte pois tem três irmãos ansiosos à sua espera.

Já lhes disse que ainda falta um bocadinho, mas por eles já o/a tinham nos braços.

E como o Tomás diz, a "mãe tem um bebé na barriga para mim". Parece que sou a sua barriga de aluguer...



Sem fim à vista

3.2.21

Não sei como vocês se sentem desse lado mas eu sinto-me exausta a cada dia que passa, ao ponto de ontem ter adormecido enquanto adormecia os meus filhos.

Parece que o primeiro confinamento custou menos e que foi mais uma ilusão, ao invés deste que tem bem real e duro.

Penso que no primeiro, bem ao mal, todos encaramos como umas "férias", uma oportunidade de estar mais em família e até de meter coisas em ordem que são sempre passadas para segundo plano por falta de tempo e também (claro) por todo o medo que nos envolveu por momentos.

Mas quase um ano depois acredito que o medo continua, mas a revolta, a falta de paciência apoderou-se de nós. Estamos todos esgotados de viver neste "inferno" sem fim.

As notícias são assustadoras, a paciência para os nossos filhos começa a esgotar, o trabalho perde-se pelo caminho e até as crianças se sentem perdidas. 

E se no "antigamente" os meus filhos pouco ou nada questionaram, hoje perguntam diariamente pela escola e imploram pelos seus amigos e para uma mãe isto é altamente desgastante.

A energia acumula e por mais atividades que inventemos sabem sempre a pouco, porque por mais que queiramos jamais substituiremos tudo o que envolve uma escola.

É a liberdade que lhes foi roubada sem pedir licença, é a falta de experiências, e a partilha que cai por terra.

Temo diariamente pela suas consequências, e seria ser altamente positiva se achasse o contrário. Tudo o que nos está a acontecer vai ter graves consequências emocionais, sociais e económicas.

É um país em queda livre, sem fim à vista!

Nós por cá vamos aguentando o barco, uns dias melhores, outros piores mas não tem sido um caminho fácil.

E eu já só queria ter a minha/nossa vida de volta!

E não falo de uns jantares ou almoços, falo de liberdade! E de ver crianças a serem crianças.

Era só isto!




Atrás de uma grande mulher, está sempre um grande Homem!

31.1.21

A logística de ter um filho ou ter três ou mais é completamente diferente. 

E quando a médica disse-me olhos nos olhos que não bastava ter o marido da retaguarda, que era preciso mais alguém porque eu necessitava mesmo de estar de repouso, não hesitei em lhe dizer para não se preocupar que nós íamos assegurar tudo para eu conseguir repousar conforme exigido.

E embora tenhamos muitas ajudas dos meus pais, não nos podemos esquecer que os filhos são responsabilidade unicamente nossa e foi assim que encarei estes dias "árduos".

Sabíamos que não seria fácil, ainda para mais com um confinamento à porta. No dia orientei tudo o que estava ao meu alcance para ajudar e depois tive mesmo de virar costas.

Estes dias foram a prova de fogo, e se eu já admirava o meu marido e o pai que era, hoje sinto-me a mulher mais sortuda do mundo.

Sozinho deu colo, brincou e cuidou dos três filhos de uma forma irrepreensível. Esteve sempre preocupado com o meu bem estar e garantiu que nada me faltasse.

Senti no seu rosto a exaustão que foi pois os nossos filhos ainda são todos muito pequeninos e exigem ainda muito de nós a todos os níveis.

Não adora a aparecer, e vocês sabem disso, mas eu apenas sou o rosto da minha família, sem ele nunca poderia ser a mãe nem a mulher que sou.

É ele na retaguarda, que me atura nos maus momentos, que me olha nos olhos e me conforta com a palavra certa, que me acalma e que mostra tantas vezes o caminho.

E se ele não existisse, a nossa família não existia!

Hoje este post é para ele, porque merece e porque levou uma casa às costas de uma forma brilhante e que me orgulhou a cada minuto destas 48 horas sem fim.

É caso para dizer que atrás de uma grande mulher, está sempre um grande Homem!

A ti meu grande amor, obrigada! 






A dor no coração

29.1.21

Precisamente dois anos depois volto a deitar-me numa marquesa de hospital para arriscar uma vez mais a vida do meu bebé, mas depois da surpresa do Tomás, nunca mais quis conviver com esse medo até ao parto.

É uma decisão exclusivamente da nossa família, em concordância, com o meu médico que confio a 200%. E embora não tenha indícios de nada, tenho um antecedente de um filho com uma anomalia genética e uma idade já considerada de risco.

É a minha terceira amniocentese, e embora hoje estivesse tranquila e achasse que a experiência já me tinha dado a serenidade precisa, quando a hora se aproximou o coração começou a palpitar.

Ainda para mais, atendendo ao panorama nacional, ter que atravessar este momento sozinha custa muito. Não senti que necessitasse das palavras do meu marido naquele momento, mas faltou-me o seu olhar e a sua mão, que tem o dom sempre de me acalmar, mesmo que o seu coração esteja a explodir de nervos.

Atravessar este caminho sozinha é difícil e angustiante. E atendendo à pandemia, e para que a família não corra riscos maiores, eles que eram para estar em casa dos avós, ficaram connosco, e quando cheguei casa tinha-os à minha espera, ao longe disse-lhes que a mãe tinha de se ir deitar e que tinha um dói dói na barriga.

Custa senti-los à porta, sem que me possam tocar. Custa ainda mais saber que o meu marido vai ter de comandar a casa e os filhos nesta minha ausência em pleno confinamento.

Uma amniocentes é um processo invasivo que poucas dores físicas nos dá, mas aquela agulha tão fininha espeta no nosso coração de uma forma abrupta. E embora hoje em dia os riscos sejam pequenos, é difícil gerir este medo pois existe sempre aquele 0,5 a 1% de aborto.

Deve ser uma decisão exclusiva dos pais e é importante que se perceba que não existe o certo ou o errado porque vai depender sempre das motivações de cada família.

Tenho um buraco pequenino na minha barriga, que vai ter de fechar por si, por isso vou ter de ficar de repouso nestes próximos dias.

Vestido | Ld Clothes 




A felicidade depende de nós

28.1.21

13 Dias no nosso paraíso... que chegaram ao fim.

No inicio não foi fácil aceitar a nova realidade do nosso país, mais assustador foi ainda ver os números a subir de uma forma descontrolada e nunca vista.

E de um dia (quase) para o outro a realidade de Itália tinha-se tornado a nossa.

Foi ali que nos refugiamos destes tempos incertos, com pouca coisa, porque não estávamos preparados para tal, mas fizemos a nossa vida da melhor forma possível.

Não houveram atividades programadas, nem tão pouco educacionais. Desliguei, porque senti que precisava de tempo para me reorganizar e aceitar que uma vez mais os meus filhos iam ficar sem escola e e que nós pais tínhamos de nos desdobrar em mil e uma tarefas.

Houveram acima de tudo brincadeiras livres, beijos e abraços, bolos à mesa, panquecas, pizzas feitas por nós e um cheirinho a pinhal que nos tranquilizava naqueles dias mais tristes.

Não está fácil, mas acredito que não esteja a ser fácil para ninguém! 

Infelizmente por razões, profissionais e algumas pessoais tivemos de regressar a Lisboa. E ao contrário do outro confinamento vai ser aqui que vamos permanecer, pelo menos até "conseguirmos". Gerir um negócio presencial, um teletrabalho, duas telescolas e uma casa não vai ser fácil, mas o que tem de ser tem muita força e assim será.

Para trás ficaram dias difíceis, algumas lágrimas nas entre linhas da vida mas também bons momentos.

Sei que tiveram o mais importante nestes dias e isso é o mais importante.

Acontecimentos são acontecimentos. Não são alegres nem tristes . O significado que lhes damos é que podem ser alegres ou tristes.

E acreditem que aqui nesta casa, existe um caos diário e acredito que na vossa casa também.

Escolham ser felizes no meio desta adversidade.




Menino ou Menina?

26.1.21

Das perguntas que mais me fazem mas que consigo perceber pela curiosidade que um novo bebé dá...

E se há seis anos me perguntassem se não queria saber o sexo, a minha resposta seria um Não, redondo! 

Sou pragmática por natureza por isso gosto de tudo muito organizado... mas entretanto vamos amadurecendo, e o nosso certo no passado torna-se incerto no nosso futuro.

Tenho dois meninos e só eu sei o quanto desejava uma menina, ao ponto de perceber que estava a ficar tão ansiosa que tive de mandar o meu desejo para trás das costas e racionalizar, porque sentia que aquilo já não me estava a fazer bem.

O que é certo é que à terceira conseguimos a tão desejada menina. E foi com uma imensa felicidade que recebi a notícia mas ao mesmo tempo, tive um medo avassalador, por não saber ser mãe de menina e na porta do gabinete médico, temi não conseguir viver num mundo cor de rosa.

É sabido que são mundos opostos, os meninos são muito nossos e vêm-nos como as rainhas das suas vidas. São mais físicos é certo mas que contrastam com uma meiguice fora de série.

Já o mundo cor de rosa, é uma grande aventura! São meninas, com um feitio mais apurado, senhoras do seu nariz, muito nossas também mas que nos fazem ver que além de nós também existe um rei.

O mundo delas é mais bonito, é de fantasia e remete-nos para a nossa infância.

E eu sou uma privilegiada por ter estes dois lados, são opostos mas que se completam entre si. 

Agora ao quarto filho, não existem preferências! Serei tanto feliz por voltar a abraçar um menino como abraçar uma menina, o importante é que venha bem de saúde. O resto são só pormenores.

A forma que encaramos um quarto filho é completamente diferente da forma que encaramos um primeiro ou segundo. É tudo muito mais simples e descomplicado e pouco interessa, além do seu bem estar.

Sei que tenho muito para preparar, que tenho de resgatar as roupas deles que estão religiosamente guardadas para serem vestidas por mais um bebé da nossa família.

Mas a diferença é que não haverá o rosa ou o azul. Mas sim o branco! 

Só vamos querer saber quando nascer! Se estou curiosa, muito! Mas vou querer acabar o capítulo maternidade desta forma! 

Uma coisa tenho como certa, ou será um menino ou uma menina. Disso não tenho dúvidas!

No entanto posso dizer-vos que o meu palpite é menino e por norma não me engano. O Tomás acha que é uma mana, o Francisquinho, um mano e o pai sonhou com uma menina.

Vamos ver o que o Futuro nos reserva.

Placas | Caturra 



Dançar a valsa em família

25.1.21

Encarei este fecho das escolas tal como nos foi transmitido, "uma pausa". Sei que será muito mais que isto mas até nova indicação vou encara-la como tal.

Não será fácil para ninguém, passou muito pouco tempo do último confinamento e nem deu tempo para respirar de alívio.

Quatro filhos, um a meses de ingressar no primeiro ciclo, outro nos quatro anos, uma a querer viver a 200% porque está na idade e um na barriga.

É o caos da nossa família! E de tantas outras...

É um esticar constante, para ir de encontro a todas as necessidades, é um trabalho a exigir respostas, uma casa a pedir organização e uma cozinha que nunca está arrumada pois o tempo entre refeições é mínimo.

É um reviver de um passado ainda tão presente mas já com menos forças!

Vai ser necessário voltarmos a erguer-nos. Organizar estratégias e novas rotinas. As escolas acredito que se estejam também reorganizar (uma vez mais) para dar uma maior resposta aos pais. E nós pais vamos ter de dançar a valsa das nossas família uma vez mais.

Mas até lá vou só querer viver um dia de cada vez, sem grandes obrigações e dar-lhes memórias inesquecíveis.

Porque a partir de 4 de Fevereiro vai "doer"...

E vocês? Como estão a gerir este novo fecho das escolas?

As golas mais giras são da Maria Costura
Camisola | Zippy
Colar | Lupinha




Um futuro incerto

21.1.21

Dez meses passaram desde o último fecho das escolas e eu ainda não quero acreditar que tudo voltou ao mesmo.

E embora na minha opinião, tenha sido a melhor decisão,  deixou-me receosa dos próximos meses. E agora? O que será feito do nosso país? Com uma economia a ser obrigada a parar a fundo e com um sistema nacional de saúde a gritar por ajuda?

As crianças uma vez mais ficam privadas do ensino e dos seus amigos, e nós pais voltamos a ver a nossa vida revirada do avesso. Com a diferença que emocionalmente estamos todos mais desgastados.

E nem o tempo acinzentado tem ajudado a ver os próximos tempos mais coloridos.

Dói-me a cabeça, e tenho estado numa luta interior comigo própria para não cair nesta inércia. E nem os mais optimistas como eu, conseguem sentir esperança nestes próximos tempos incertos.

Tenho medo do que nos espera. Tenho medo por mim, pelos meus pais, pelos nossos hospitais e pelos meus filhos.

O Tomás está num ano crucial, para o ano passará para o primeiro ciclo, e este ano é muito importante.  Sei que não tenho as competências de uma professora e sinto-me perdida por saber que falharei redondamente nesta tarefa. Também sei que por agora é por quinze dias mas a experiência do ano anterior leva-me a não ter essas certezas.

Não será uma luta individual, mas uma luta conjunta por um vírus que nos tem tirado tanto. Na verdade também já nos deu coisas positivas, mas já estava na hora de parar! De voltarmos a recuperar o tempo perdido.

A nossa vida nunca mais foi normal, nunca mais nos deitamos tranquilos com o dia de amanhã e temo que esse dia demore a chegar.

E na Sexta-feira, quando em cinco minutos fiz as malas para me encontrar naquele lugar que tanta paz me transmite, estava longe de imaginar que ficaria aqui "presa" por um fim indeterminado.

Não temos muitas coisas aqui, não as trouxe porque seriam apenas só dois dias, tenho roupa prática e também na verdade, em casa, não precisamos mais que isto.

Temos comida suficiente para umas semanas. Os brinquedos que temos aqui são aqueles para entreter por curtos períodos de tempo. 

Tenho canetas, lápis e tintas deixadas aqui do último confinamento, mas que neste momento ainda não lhes consegui tocar.

Falta-me coragem! 

Sei a pressão que meti sobre mim no passado e sei que não quero voltar a chorar o que chorei. 

Mas neste momento preciso de tempo para recompor-me do abanão que voltamos a ter.

A vida voltou a tremer e cabe a nós agarrar-nos a ela. 

Não está fácil para ninguém! Não nos vamos deixar iludir pelo que vemos nas redes sociais. Vamos sim fazer o melhor que podemos, por nós e pela nossa família.

Chegou a hora, de vivermos a vida real! Porque o mundo está a virar-se contra nós.

Não era suposto hoje ter escrito sobre isto, mas com tanta coisa a acontecer, não me sinto bem em mostrar um lado cor de rosa, quando neste momento não existe. Seria só utopia. E eu sempre vos prometi veracidade...

Protejam-se! 




Os (grandes) heróis desta pandemia

20.1.21

 Muito se fala dos profissionais de saúde, e de facto merecem todo o nosso respeito por estarem na linha da frente, a lutar pela vida de tantos doentes, metendo tantas vezes em risco as suas próprias vidas e das suas famílias.

Mas poucas são as vezes que se fala das nossas crianças! A Pandemia entrou nas suas vidas, sem lhes perguntar se queriam ou se estavam dispostas a ver a sua infância roubada.

Não foi uma escolha, foi uma obrigação imposta em prol de um bem maior.

E são eles que merecem os nossos aplausos, foi-lhes negado as festas com os seus amiguinhos, os abraços e beijinhos, a cultura, o lazer "livre" de regras de higiene, os sorrisos, escondidos através das máscaras, os baloiços e os escorregas e até a educação ficou aquém do expectável.

Foi-lhes roubado a infância! Mas mesmo com tantas proibições continuaram a aceitar, sem revoltas e dramatismos e de sorriso na cara.

Encontraram nas suas casas o conforto da família, que tantas vezes falhava pelo ritmo alucinante dos adultos.

Temos um futuro incerto nas mãos, mas são eles a nossa esperança! A esperança que tudo passe e que consigamos em breve recuperar o tempo perdido.

Porque eu posso ter perdido pelo meio uma viagem, uma noitada com amigos e até alguns jantares. Mas eles estão a perder a sua infância. E estes anos são cruciais para o seu desenvolvimento humano. Jamais voltarão a viver as coisas da mesma forma. E isso dá-me um nó na garganta.

Por isso e apesar de todas as regras, tentei lhes dar "normalidade" no meio deste caos em que nos encontrámos.

Hoje não temos mais tempo, nem sequer para pensar em tudo o que estão perder.

É urgente, recolher, de vivermos em família e de nos descobrirmos e reinventarmos todos juntos, uma vez mais.

E quando isto tudo acabar, que tenhamos a ousadia de lhe agradecer e de os aplaudir pela forma como nos tranquilizaram.

Embora pequeninos, e a maioria ainda sem conseguir dimensionar o problema, são a nossa força, e quando chegamos ao fim do dia desgastados e lhes vemos nos olhos esperança e amor, voltamos a conseguir sorrir.



Déjà- Vu.

19.1.21

Quinta-feira é anunciado um novo confinamento, pelo meio sentiu-se alguma revolta, com tantas exceções.

Sexta entra oficialmente em vigor o segundo confinamento, as ruas continuam cheias de carros e de pessoas e nada parece ter mudado.

Pelo meio faço as malas para que possa fugir desta realidade e para que eles possam brincar ao ar livre e sintam o menos possível todo este sufoco que invade as nossas almas. 

Seriam só dois dias, até que Sábado e Domingo o nosso SNS mostra-nos aquela realidade que todos temiam, o início do colapso dos nossos hospitais, a escolha entre quem vive e quem morre.

Ao mesmo tempo e em contraste com as longas filas de ambulâncias para que pudessem entrar nos hospitais, as praias e os paredões enchem-se.  

As nossas Televisões mostram aquelas notícias que em tempos pertenciam a Itália, e que bem longe já assustavam...

Pedidos de ajuda e de consciência, números de mortes a aumentar e um país que se tornou nos piores em relação ao Covid, tudo virou pesadelo!

Não me acredito que o nosso país tenha chegado a este ponto só pelo Natal e Passagem de Natal, acredito que tenha sido um acumular do pós confinamento, mas muito camuflado pelo "bom tempo" e as festas só vieram dar o apertão que infelizmente talvez todos estivéssemos a pedir.

Nunca vi tanto infectado conhecido e estava longe de imaginar que enfrentaria um cenário de guerra.

E a mala que seria para dois dias, teve de se estender até um tempo indeterminado.

O medo instalou-se. E quando fecho os olhos, volto a Março. A diferença é que a esperança começa a escassear, e a incerteza no futuro toma cada vez mais porporções.

Neste momento estamos pela nossa casa que nos acolheu quando mais precisámos, sem certezas de como vamos voltar e das voltas que este confinameto ainda vai dar.

Apenas sei que quero proteger as pessoas que mais gosto e que estou emocionalmente mais forte para um novo confinamento. Que será certamente sem grandes objetivos e expetativas e vivido dia a dia.

Nunca pensei voltarmos a viver nesta incerteza mas é tempo de agir e de ficar em casa!

Protejam-se, por vocês mas também pelas pessoas que mais gostam.

O SNS nunca precisou tanto da nossa união!

É preciso parar, para voltarmos a viver tranquilos!

Por aqui recolhemos todos à nossa bolha e só vamos sair quando nos sentirmos seguros.

E assim voltámos a Março...




Quando o dinheiro não paga...

14.1.21

Há seis anos, bem ao acaso, encontrei uma terapeuta que foi muito além de uma profissão. A Filipa tem abraçado as minhas lutas como se fossem dela e isso é louvável.

Vive os nossos problemas como se fossem dela e festeja as vitórias de uma forma que emociona ao longe. Ainda me lembro das suas primeiras lágrimas por ver o Tomás a corresponder de forma brilhante a um trabalho que demorou meses a ser feito.

O T tem sido o reflexo da sua entrega notável como profissional e pessoa. Não sei em que patamar o Tomás estaria se não tivesse uma Filipa, sempre de mãos dadas com ele, mas sei que lhe devo o seu desenvolvimento

Cresceu com ele e ele com ela. Um Amor par a vida toda, tão bonito, que chega a invejar de tão verdadeiro que é.  

Em seis anos, separou-se apenas seis meses de nós, porque foi viver um sonho e eu teria sido injusta se lhe tivesse cortado as asas, mesmo com um nó na garganta, disse-lhe para ir e que nós aguentaríamos firmes até ao seu regresso. 

Quando aquele avião levantou voo acho que nunca chorei tanto por alguém...

E mesmo a milhares de quilómetros de distância nunca esteve longe, não havia um dia que não falássemos, em que não me ajudasse e me guiasse nesta luta tantas vezes difícil. 

Digo-o e repito-o vezes sem conta, poderia hoje virar milionária, que nunca lhe conseguiria pagar o que ela já fez por nós. Não existe dinheiro no mundo que lhe pague.

Sorte a nossa que conhecemos a (nossa) Filipa!

De sorriso fácil, com um trabalho fora de série e que honra a profissão, do que é ser terapeuta. Comecei pela melhor e isso faz com que seja muito criteriosa com as escolhas das terapeutas que quero que trabalhem com o Tomás. É ela que me ajuda na sua seleção e foi também muito graças a ela que construi a melhor equipa para o Tomás.

O Tomás não é mais que nenhuma criança, apenas é uma criança que trabalha diariamente desde os quatro meses e o seu desenvolvimento apenas é reflexo disso mesmo. 

Aqui não existe sorte mas sim trabalho.

Já eu tive sorte por me ter cruzado com uma terapeuta exímia, que virou família e é a ela que lhe devo parte da nossa felicidade.

Obrigada Filipa por ter movido o mundo pelo Tomás.









Atividades Extra Curriculares

13.1.21
Todos os pais buscam o melhor para os filhos, vivemos em prol da sua educação e formação e muitas vezes essa ânsia pelo melhor torna-nos cegos.

Ambicionamos  que ao cinco anos já toquem piano, joguem futebol, falem duas a três línguas fluentemente, façam ballet, natação e tantas outras atividades que não me lembro.

E em momento algum nos lembramos que no meio de tanta tarefa, devemos de guardar espaço para que brinquem, talvez porque isso não seja mensurável e avaliado. 

O que mais importa é que sejam os melhores, para que possamos exibi-los como troféus. Afinal de contas, nenhuma mãe que gosta de admitir que o filho não é bom a algo.

E é esta pressão que leva tantas vezes as crianças a crescerem no meio de uma competição feroz e aos poucos se tornarem adultos "sem limites, para atingir os seus fins".

Aprendem desde cedo a competir com os outros quando deviam de aprender a competir com eles próprios.

Enchemos as suas agendas de atividades, passamos a viver em prol das suas tarefas e tantas vezes testamos o nosso orçamento só para lhes dar o que achamos ser melhor.

Mas no meio disto tudo esquecemo-nos de perguntar, olhos nos olhos, o mais importante,  "é isto mesmo que te dá prazer?"; "gostas mesmo?"; faz-te feliz?

E é no dia em que deixarmos de ser escravos da perfeição, que seremos surpreendidos com "mãe, o que mais gostava era de ter tempo livre para brincar".

Sou de opinião que as crianças devem escolher os seus tempos livres, nós pais apenas devíamos de orientar, sem dramatismos e sem grandes expectativas.

E se um dia eles tiverem uma tarde livre, que bom, que brinquem, que imaginem e criem pois são crianças.

O Tomás e o Francisquinhos estão no Inglês por opção deles, primeiro dei-lhes a oportunidade de conhecerem e foram eles que me disseram que queriam muito porque gostavam por isso ainda hoje estão na Helen Doron perto de nossa casa.

Estão também no Futebol, porque o pediram, o Tomás por norma está em campo trinta minutos pois mais que isso aborrece-se, o Francisquinho faz o treino completo sempre de sorriso na cara. No entanto têm dias que não querem ir e eu não obrigo.

As atividades extra curriculares existem para lhes dar prazer e não para os aborrecer.

Independentemente de tudo são crianças e merecem divertir-se e serem felizes.

E vocês como gerem as atividades dos vossos filhos?


Trolley | Nikidomroller.


A reação dos irmãos

8.1.21

Quando soubemos que íamos ter mais um filho não hesitamos por um minuto em dizer aos nossos filhos.

Mesmo sabendo o risco que corríamos, porque o primeiro trimestre é sempre uma verdade incerta, arriscamos. Estávamos confiantes!

Em tempos já lhes tinha perguntado se gostavam de ter mais um bebé em casa e tinham-me prontamente respondido que sim.

Até que a suposição deu lugar a certezas e disse-lhes que a mãe tinha um bebé na barriga. Os olhos brilharam de imediato e agarraram-se à minha barriga.

E desde esse dia que não passam sem perguntar pelo bebé. O Tomás arrisca numa mana e o Francisquinho num mano. 

A Constança, até ao bebé nascer, ainda não tem idade para perceber o que é isto de ter um bebé na barriga por isso continua a ser a bebé da casa.

Sempre que é dia de médico, perguntam-me se correu bem e ficam todos felizes quando o vêem através de fotografias.

Este ano ficarão mais ricos enquanto pessoas. Voltarão a aprender a partilhar a minha atenção.

Vão ser os irmãos velhos, as estrelas guias dos mais novos e embora não lhes queira dar nenhum peso da responsabilidade, a natureza humana vai encarregar-se de lhas dar. 

Sei que estarão à altura, já mostraram isso com a Constança. Vão ser atenciosos para o bebé e também ajudarão os pais de certa forma a cuidar melhor da nossa nova família.

Dei-lhes herança e isso é o mais importante. 

Estamos felizes, muito felizes, todos!!



New Baby

6.1.21

Há quem ache loucura, outros amor louco e há que até considere falta de noção ou mesmo que só podemos ser "ricos".

O que é certo é que ao quarto filho, são poucas as pessoas que não fazem aquela cara de surpresa quando sabem, muitos perdem até a vergonha e ficam tão incrédulos que conseguem que duvidemos do passo que demos.

Ter três filhos é coragem, quatro é loucura. E acho que foi essa loucura que me deu medo no dia em que vi aquele positivo.

Hoje sinto-me confiante mas já senti medo. Medo de não conseguir gerir quatro crianças em fases tão diferentes mas com idades tão próximas.

Medo das mudanças que a nossa vida vai implicar. É inevitável também não pensar na parte financeira. E para quem possa pensar que nos saiu o euromilhões posso adiantar que este saiu-me à seis à quatro anos e à dezoito meses.

Não sou uma pessoa mais rica financeiramente seguramente, ambicionava ter mais do que o que tenho, mas tenho uma riqueza interior incalculável.

No momento surgiram muitas questões, mas que as tentamos simplificar, pois caso contrário elas ganharão importância. 

Foi necessário parar estes pensamentos e focar-nos nas grandes vantagens que este novo filho nos trará.

Um novo bebé, uma nova vida vida e um amor maior.

Estamos felizes e isso é o mais importante! 

Sempre falamos em ter quatro filhos, mas ao longo do tempo o meu marido foi reduzindo, de dois, depois para três mas eu nunca cedi ao meu/nosso sonho. Tinha acabado de ter a Constança e já lhe falava no quarto, ele achava-me louca, eu dizia-lhe que era amor.

E embora a nossa casa seja um reboliço, sentia que não estava completa. Faltava ali algo... não sei explicar. Já tinha ouvido mães dizer que se sentiam completas e que para elas o assunto filhos estava "fechado" mas eu ainda não tinha sentido isso.

Entretanto os meses foram passando e a vontade reduziu. A nossa logística familiar ganhou força, e automatizou-se, a Maria Constança cresceu a um ritmo alucinante, e embora ainda seja a minha bebé, já dá sinais que está mais à frente da sua idade.

Recuperei o meu peso ganho na última gravidez, já não me lembro ao certo quantos foram, mas uns vinte cinco kilos seguramente. E pensar em voltar a ganhar tudo fazia-me afastar da ideia de voltar a ser mãe.

Houve alturas em que me senti egoísta e fútil por pensar dessa forma. 

Até que numa conversa bem descontraída com o meu marido voltamos a equacionar o quarto filho, ele dizia que aos 40 já queria estar longe de fraldas e com uma vida mais "fácil" e foi aí que lhe disse que se fosse agora, quando tivesse os 40 já estaria nessa fase pois o bebé teria 3, a Constança 5, o Francisquinho 8 e o Tomás 9. E foi aí que respondeu que tinha razão. 

"Vamos tentar mas se até ao final do ano não conseguires ficamos como estamos." 

Aceitei de imediato mas a achar que seria quase impossível isso acontecer.

Já estávamos em Outubro. E por incrível que pareça foi após essa conversa que tudo aconteceu. O resto vocês já sabem 😉

Mas embora quisesse muito tinha sempre todas as outras questões na cabeça, mas entreguei nas mãos de Deus o quarto filho.

Se ficasse era porque tinha mesmo de acontecer, caso não acontecesse, estava tudo bem nas mesma e ficaríamos assim.

A felicidade ia imperar sempre independentemente do caminho que a minha vida tomasse.

Por isso digo que este filho tinha de vir, a nossa família estava destinada a ser de seis. E não podíamos estar todos mais felizes!

Obrigada por todas as vossas mensagens e carinho. Ainda não consegui ver tudo mas prometo que estou a ler uma a uma. 

Vocês são incríveis!!

Jardineiras | Monkiki


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                



A nossa família vai aumentar

5.1.21


Dois meses sem menstruação...

Dois meses em que achei normal, até me terem feito a pergunta mais temida "está grávida?". E embora a minha resposta tenha sido um não de imediato. Lembrei-me que de facto não tinha menstruação já à dois meses. No entanto achei que seria apenas um atraso porque nem sempre fui regular.

Os dias e as semanas foram passando e o meu marido começou de facto a achar estranho essa ausência. Começou a perguntar-me todos os dias mas eu tentava fugir ao obviou e desculpava-me com "não tenho sintomas" como se fosse uma verde no assunto e não soubesse que todas as minhas gravidezes tinham sido santas.

Eu estava perfeita apenas sem menstruação. Não tinha enjoos, mau estar ou excesso de sono.

No entanto desde que o Bernardo se apercebeu , que já não me largou mais, até que depois de um almoço passou na farmácia e não me deu saída. É hoje! E agora que vais fazer o teste de gravidez.

No meio de um nervosismo miudinho e a pensar que aquilo não me podia estar a acontecer,  disse-lhe que era impossível... e que era só um atraso gigante mas acho que já nem eu acreditava no que estava a dizer.

Já com o teste na mão e já a transpirar de nervos, ainda fui deitar os miúdos antes, precisava de ter tempo para olhar para aquele positivo ou negativo sossegada e sem a euforia dos meus filhos pela casa.

Fiquei ali com eles como faço todas as vezes, a responder às vossas mensagens, até que eles adormeceram e fui pé ente pé, de teste na mão em direcção à casa de banho. Olhei para o teste e pensei, se desse positivo seria a última vez que passaria por aquela sensação. Fi-lo tal como fiz das últimas vezes. 

Entretanto deixei o teste na casa de banho e virei costas.

Fui à sala e disse-lhe que já o tinha feito mas que não tinha coragem de ver o resultado, para ser ele. E assim foi... vejo-o a ir em direcção sem hesitação à nossa casa de banho e o meu coração já palpitava a duzentos à hora. Cruzo-me com ele no corredor dos quartos e ele está nervoso mas a rir e eu já só me apetecia chorar (de nervos). perguntei-lhe, então? Ao qual me respondeu..." mas o que é que tu achas?" Estou grávida? E ele...sim! Não posso!! Deixa ver...

E ali estavam duas riscas bem vincadas... Primeiro que tudo fiquei em choque, quatro filhos?!? Como era possível? Eu queria muito era um facto, mas uma coisa é dizer, a outra é ver que o que tanto dissemos ainda em miúdos se tinha concretizado.

Ainda enviei mensagem ao meu médico, ao quarto, já tenho direito a este grau de afinidade. Ele respondeu-me que não havia dúvidas...

4 Filhos! 4 Filhos! 4 Filhos!

E não saímos dali... já sentados os dois com tudo calmo, falámos sem norte, e entre linhas só questionávamos que não era possível. Na minha cabeça só me ocorria o quarto novo que lhes tinha preparado e que tinha de ser reformulado. Em toda a logística que implicava ter quatro filhos. A questão financeira que é impossível não ser equacionada. Metemos tudo na mesa e no meio de um turbilhão de emoções veio o medo... O medo de falharmos, o medo desta loucura (boa). O medo de tudo e de nada. Decidimos não pensar sobre o futuro porque não o controlamos e pensámos que independentemente de tudo, estávamos a construir uma família sólida, feliz e cheia do mais importante: AMOR! 

Percebemos de imediato que a nossa casa seria sempre cheia e que jamais nos sentiríamos sozinhos! Que seria sempre uma confusão (boa). Que teríamos o ingrediente principal para sustentar esta loucura: AMOR! Que juntos seríamos sempre mais fortes e que os nossos filhos seriam eternamente sortudos porque lhes tínhamos dado algo que jamais encontrarão nas prateleiras dos supermercados. 

União, cumplicidade, partilha e amor serão sempre a base da nossa família e este bebé (ainda sem sexo) será o fechar do nosso ciclo da nossa família.