O direito (ou não) de escolher o filho que vive e que morre

25.8.17


Partilharam comigo este filme e ao vê-lo é inevitável não ficar com um nó na garganta.

Questionei-me de imediato se nós pais temos o direito de escolher qual o filho que merece viver.

Será que nós pais temos direito em decidir??
Será que o governo tem direito em decidir quem nasce e morre??
Será que os médicos têm o direito de incentivar os pais a "matarem" os seus próprios filhos??

A minha opinião (que vale o que vale) é que NÃO!

O filho é nosso, sangue do nosso sangue e cabe a nós amá-lo, aceitá-lo da sua forma, do seu género tal como ele é.

Talvez o mundo onde vivemos nos leve à loucura da perfeição. Aliás a médica que falou comigo sobre a suspeita de T21 no T, foi peremptória "Se pudéssemos escolher filhos por catálogo, não escolheríamos este".

Na altura não respondi, não tive essa força, mas se fosse hoje tinha-lhe respondido, "tem razão doutora, jamais escolheria um tão perfeito como este".

Não é só os bebés de cor imaculada, de olhos claros e cabelos dourados que tem direito à vida mas sim todos.

A busca da perfeição assusta-me pois torna-nos pessoas mais pobres de espírito.

As crianças com T21 ou com outra patologia têm tanto direito à vida como outra qualquer. São estas crianças que tornam o mundo melhor, que fazem parar quem acha que é dono da razão, são elas que transmitem paz ao mundo.

É triste saber que em Portugal existe uma taxa de aborto de 95%, na Dinamarca 98%, em Inglaterra 90%, em França 77%, nos EUA 67% e que na Islândia atinge mesmo os 100%. Números assustadores, e que deixam pouca esperança aos pais que decidem continuar com a gravidez.

É triste saber que houve tantos bebés que não tiveram a oportunidade de serem felizes...





Trissomia 21 não é doença, não é uma aberração da natureza, não é incompatível com a vida! Trissomia 21 é apenas uma condição genética, provocada pela presença extra do cromossoma 21.



Posso afirmar que sou uma pessoa muito mais feliz com o T. Olhando para trás, choraria tudo da mesma forna pois independentemente de tudo nunca estamos preparados para tal, mas uma coisa é certa tinha aproveitado mais o T enquanto bebé, tinha perdido menos tempo a ler sobre a sua trissomia e tinha olhado mais para ele.

Tenho dois filhos, um achinesado, com o cromossoma extra, o outro com o cabelo dourado, com um sorriso que encanta um mundo. Os dois fazem-me feliz à sua maneira, os dois completam-me, os dois desafiam-me, os dois mostram-me o caminho que querem seguir.

Tenho poucas certezas na vida, mas tenho como certo que jamais seria uma mãe tão feliz e completa senão tivesse o T.

Como mãe do T tenho dúvidas, muitos medos, incertezas mas também tenho isso tudo com o Baby FM.

Este vídeo faz pensar e questiona-nos sobre os nossos valores humanos.

Para pais que tenham um diagnóstico com trissomia 21, antes de qualquer decisão, percebam o que é na realidade e ouçam quem vive de perto com o cromossoma do amor.

Hoje sou grata pelo filho que tenho e por não ter tido esta decisão cruel nas minhas mãos.



10 comentários:

  1. Não podia concordar mais com o q foi escrito! Durante a minha gravidez gemelar num dos bebés a probabilidade de T21 era enorme de 1/31 e foi-me aconselhado na altura fazer biópsia. Na Mac qdo fui repetir a eco e o resultado foi semelhante o médico referiu-se à bebé como o feto mau. Ainda me arrepio quando me lembro das palavras " se quiser optar por tirar o bebé mau corre o risco de perder o bebé bom" ao q eu respondi " para mim não existe nem bom nem mau eu não faço a biópsia pq para mim T21 não é doença"
    Saí da Mac indignadíssima e a pensar como pode um médico, ainda para mais ginecologista, referir-se a um bebé como bebé mau? aquele que não interessa para este mundo, aquele q não se vai adaptar, não interessa? Vivi a gravidez tranquilamente e até com a certeza que ia ter uma bebé com T21, nasceu sem mas tenho a certeza que se tivesse nascido com T21 eu seria igualmente feliz! Obrigada por existirem pessoas como a Andreia que não tiveram medo e seguiram em frente com a gravidez e hoje será muito mais feliz que aquelas que resolveram interromper a felicidade de serem mães de crianças especiais! Parabéns pelo Tomás que me parece ser maravilhoso

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ola Lilia, fico perplexa com a insensibilidade dos médicos. Parece que estudaram anos para nada pois na realidade pouco sabem dos síndromes. Fico feliz em saber que o seu "bebé mau" nasceu bem. Obrigada pelas palavras. Um beijinho

      Eliminar
  2. Ai Andreia...tenho 3 filhos "perfeitos", vivi 2 gravidezes normais, mas tentei sempre fugir ao exame da picada. Questionava porque tinha de o fazer, se era assim tão necessário. Eu não tinha medo do resultado, mas sim do que poderiam temtar convencer-me medoante o resultado.
    Passei por um aborto espontâneo entre aa dias gravidezes e não o desejo a ninguém.

    Felicidades para toda a família, que linda que ela é. O Tomás parece ser uma criança muito feliz.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada Clara pela sua mensagem e carinho :)
      O Tomás é sem dúvida muito feliz!!
      Muitas felicidades!
      Um grande beijinho nosso

      Eliminar
  3. Primeiro que tudo boa noite. Gostava de lhe colocar uma questão. A Andreia não teve opção de escolha tal como eu não tive, apesar dos nossos bebés terem patologias completamente diferentes. Acredito que efectivamente e depois do nascimento do T. a sua opinião tenha mudado (uma experiência destas faz com que tudo mude nas nossas vidas) mas se tivesse havido opção de escolha? Teria pensado da mesma maneira? Se o bebé FM fosse diagnosticado com T21? A verdade é que pode não ser uma doença, mas carece de outro tipo de cuidados que como nós bem sabemos não têm ajudas de ninguém. Gostaria de saber a sua opinião sincera. Beijinhos para o T, que é um menino adorável e fofo que doi.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Tónicha, só soube no parto é uma verdade mas foi sempre um assunto que não perdi muito tempo a pensar. Posso dizer-lhe que eu e o meu marido nunca falamos sobre a trissomia ou outros síndromes. Não consigo dizer o que faria porque acho que só quem passa pela situação é que sabe o que lhe vai no coração naquele momento. Uma coisa é certa se soubesse o que sei hoje não hesitaria em ter. Os únicos cuidados que tenho com o Tomás é no seu desenvolvimento, onde tento lhe dar acesso a muitas terapias para que ele se desenvolva de uma forma natural. Felizmente que os cuidados médicos que tenho com o T são exactamente iguais ao que tenho com o Francisco. O que acho é que existe muita falta de apoio do estado aos pais pois as terapias são todas muito caras.
      Fui o mais sincera :)
      Muito obrigada pelo carinho :)
      Um beijinho

      Eliminar
  4. olá eu estou a gestar um menino com t21 foi-me explicado da pior maneira possível o que é a trissomia 21 com uma serie de nuncas, falaram logo para ponderar o aborto pois sendo na opinião da doutora o mais viável. Nao vou interromper mas peço a Deus todos os dias que me ajude e agradeço-lhe por me dar força suficiente para ouvir o meu coração e não o coração dos outros porque não vejo a hora de ter meu Rafael nos meus braços.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Carla, vai correr tudo bem acredite, vai ser super feliz com o seu Rafael e ele todos os dias vai mostra-lhe o caminho. Força!! Parabéns :) Um grande beijinho

      Eliminar
  5. Eu acho que filho é filho, é do nosso sangue, da nossa carne! Se eu tivesse um filho com t21 eu não abortaria, porque é como a Andreia diz, não é uma doença é só uma diferença. Agora existem doenças bem piores, que certamente é melhor abortar que ter porque serão crianças que nunca serão felizes, que só irão sentir dor. Não é o que se deseja, mas o Tomás, é a prova de que efetivamente uma familia pode ser feliz ao conviver de frente com este problema. Ainda bem que a Andreia criou esta página, pois isto certamente vai ajudar muita gente a desmistificar a doença, a ajudar a provar como uma criança de T21 pode ser linda (apesar dos olhos mais rasgados) e pode ser bem tratada e acarinhada pelos pais. Ser feliz com este problema é possivel, basta ter muito amor para dar e ter bom senso!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Patricia, é isso mesmo que penso. Um filho é nosso e deve ser amado desde sempre. E a pequena diferença não deve ditar o "fim" do nosso filho. Agora casos incompatíveis com a vida, sou a favor porque não adianta de nada.
      O Tomás é o meu maior orgulho e sou super feliz por ser a mãe dele. :)

      Eliminar