O direito à vida

17.11.16

Muitas pessoas perguntam-me o que faria se tivesse sabido que o T tinha T21 ainda na gravidez e a minha resposta é sempre a mesma, "não sei".

Hoje agradeço a Deus por não me ter posto à prova. Na minha opinião termos de decidir se continuamos ou interrompemos a gravidez deve ser penoso e muito duro para um casal.

A pressão médica para a interrupção da gravidez é demasiada alta, depois existem todos os medos e opiniões que nos fazem avançar e recuar constantemente e permanece sempre a pergunta, "o que será melhor?!?"

Não vou falar do Aborto porque nunca tive que enfrentar essa hipótese. Mas vou falar do direito à vida.

Mas afinal o que é que o T têm a menos que outro bebé sem patologia?!? Posso garantir que não têm nada, pelo contrário têm um cromossoma a mais :)

O T brinca, anda, come, dá abraços, dá beijinhos, faz birras, vê televisão, faz tudo o que uma criança com 2 anos faz, é certo que pode demorar um pouco mais a chegar lá em algumas coisas mas chega e isso é o mais importante.

Nós pais apenas temos de ter umas preocupações extras, com a saúde e com todo o desenvolvimento associado mas com o tempo o túnel que parece tão escuro, começa aos poucos e poucos a mostrar a sua luz.

Agora que tenho o Baby FM percebo a diferença, percebo que consigo aproveita-lo mais enquanto bebé e que estou livre de preocupações no que se refere ao desenvolvimento. Sei que ele terá o seu tempo para fazer tudo por isso confesso que não me preocupo minimamente com o assunto. Não que não queira que ele atinja todas as metas, apenas não estou focada nisso, sei que ele chegará lá de uma forma natural.

Para mim é esta a grande diferença.

Hoje em dia existe uma taxa de 98% de aborto em crianças com T21, é uma percentagem tão grande que me assusta. Mas porque é que os bebés com T21 ficam pelo caminho? Porque é que não lhes damos oportunidades de mostar que estamos todos enganados? Muitas vezes penso para mim, e se tivesse sabido a tempo? e se tivesse sido levada pela pressão? Onde estava o T? Uma coisa tenho a certeza nunca tinha conhecido um bebé tão fascinante como ele...

Atualmente a T21 não pode ser encarada como algo anormal, porque não o é. É importante que antes de tomarmos qualquer decisão vejamos histórias reais, testemunhos positivos, exemplos de vida porque também o há e acreditem que não são poucos. Infelizmente o ser humano gosta é de falar dos dramas e ver sempre o lado mais escuro. O que nos faz muitas vezes tomar decisões erradas que nos podem traçar a vida para sempre.

Outro conselho, não deixem que os médicos decidam por vocês, a vida é nossa e nós é que sabemos o que queremos para a nossa família.

No caso de terem de passar por este grande dilema, façam sempre uma pergunta a vocês mesmos "senão tivesse medo, tinha?" Tenho a certeza que vão encontrar a resposta que precisam.

A todos os pais que passem por esta prova, façam o que vosso coração vos disser e seja qual for a vossa decisão, é a certa para vocês.

Apenas vos posso dizer que não trocaria o T por nada deste mundo. Sou uma Mãe orgulhosa e muito feliz com o seu cromossoma a mais.





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11 comentários:

  1. Na gravidez do meu segundo filho foi me dada quase a certeza que ele teria trissomia 21 e ainda sem confirmação (amniocentese) já os médicos faziam pressão para interromper, mas eu tomei a minha decisão, não iria interromper e só fiz a amniocentese para estar preparada. Felizmente veio normal, mas se viesse com trissomia 21 sinceramente iria ama-lo da mesma forma. Parabéns pela mãe que é.

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  2. Obrigada Catarina. É uma pena haver tanta pressão médica :(

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  3. Este testemunho tão simples e honesto, é precioso. Parabéns e obrigada.

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  4. Andreia acho que já tinha partilhado a minha experiência! Na eco do 1º trimestre da minha gravidez gemelar foi-me dito que uma das bebés apresentava uma TN aumentada, indicativo de T21, embora tudo o resto estivesse bem. Aconselhou a fazer a amnio. Em gravidez gemelares a maioria dos médicos não confiam nos rastreios combinados porque os resultados destes são referentes a dois bebés e não a um...ainda assim o rastreio foi feito e a probabilidade de T21 diminuiu mas era muito superior a outros casos!! Decidimos não fazer a amnio. Este exame seria invasivo e a probabilidade de acabar em aborto de um ou dos dois bebés seria superior à probabilidade de uma delas ter T21!
    Só no nascimento tivemos a certeza de que estava tudo bem com ambas!
    Vivi uma gravidez descansada, com os stress de uma gravidez gemelar mas o factor T21, nunca me preocupou, se uma delas fosse portadora do cromossoma a mais seria tão amada como as outras duas manas! Sempre pensei e penso que a T21 não é, em nada incompatível com a vida e esses bebés têm tanto o direito de nascer e de ser amados como todos os outros!
    Têm um família linda que admiro e sigo diarimente, parabéns!

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  5. Na primeira eco do meu segundo filho foi-lhe "diagnosticado" entre outras coisas t21. A "medica" que fez a eco indicou-me logo para fazer uma ivg. Foi um grande choque.
    Eu fui sempre a favor da interrupção da gravidez, mas quando me tocou a mim, não levei mais de 5 segundos a decidir que o meu filho ia nascer. Felizmente tudo não passou de um diagnóstico muito errado e o meu filho é perfeitamente saudável.
    Isto tudo para dizer que no fundo não importa as "diferenças" que uma criança possa ter. São nossos e isso ninguém pode mudar. No entanto não consigo julgar quem não partilha da mesma opinião que eu. É uma decisão muito pessoal e cada um sabe o melhor para si. Felicidades para si e para os meninos. Tenho a certeza que tudo irá correr bem. Um beijinho

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    1. É verdade..uma decisão muito pessoal e sem previsibilidade pois só passando pela situação é que sabemos como agir.
      Independentemente da escolha, o importante é seguir o nosso coração.

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  6. Eu era um bébé T21. Era, digo bem, porque nasci sem nada "a mais". Sempre fiz a questão à minha mãe, porque não abortaste?? A resposta foi sempre, sempre tive esperança que fosse um erro. Apesar dessa esperança, a minha mãe preparou a todos para o que aí vinha.
    Quando fiquei grávida, só pensava nisso. acredite que só dizia que queria um bébé normal. Quando digo normal, é simplesmente ser igual aos outros. Não por mim, mas por tudo o que isso acarreta. Uma sociedade má, as escolas sem preparação, e claro, toda a preocupação do "se eu morrer ele fica cá sozinho". Acho que foi esse o meu pensamento.
    Ao ver o seu testemunho, até acho que tinha uma imagem negativa, um pensamento tacanho. Não sei!! Vendo o seu T, tão feliz, tão inserido, tão espertalhão, chego à conclusão que o meu medo não tem fundamento.
    NO entanto, concordo consigo, a decisão de ter ou não um filho, é sempre do pais, e nunca da pressão médica.
    bjs

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    1. Obrigada pelo seu testemunho, e fico contente por aos poucos ir mostrando à sociedade que ter um filho com T21 é algo "normal" sem dramas mas sim com uma dose extra de amor :) Um beijinho

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