“Malditas… Constipações…Viroses?!”

28.11.17
Hoje quem vos escreve é a Enfermeira Ângela e com um assunto muito importante para esta altura do ano.



Outono e Inverno tem que ser de constipações???

Chega esta altura do ano e as “nossas” crianças começam a ficar doentes, principalmente do foro respiratório. É um facto que os problemas respiratórios são mais frequentes no Inverno e isto atribui-se à confluência de uma série de fatores, como seja:

 A maioria dos vírus desenvolver-se num clima frio e húmido, facilitando a sua multiplicação;

 Derivado à estação do ano existir uma maior exposição da criança às diferenças de temperatura…

 Coincidência com o regresso às aulas, que representa uma convivência mais próxima com outras crianças e que derivado aos comportamentos característicos do estadio etário expõe à contaminação.

 O facto de permanecerem muitas vezes em espaços fechados nos infantários, favorecendo a disseminação dos vírus;

 E claro não podemos esquecer do facto do sistema imunitário ser imaturo quando se trata de crianças de meses.

É frequente ouvir-se “Só tem uma virose…”. O que isto significa?

Para existir uma situação de doença é porque o organismo foi exposto a microrganismos que ultrapassaram as defesas do sistema imunitário (ganharam a primeira batalha!) Estes microorganismos podem ser vírus ou bactérias…existem por todos o lado! Foquemo-nos nos vírus!

Os vírus utilizam as células do organismo humano para se multiplicar. São vários e podem afetar os múltiplos órgãos do sistema: pele, intestino, cérebro…

A maioria das infeções é provocada por um grupo bastante variado de vírus, nem sempre possível de identificar o nome, daí a associação ao termo generalista “virose”. Estas infeções traduzem-se num quadro de doença habitualmente mais ligeiro do que uma infeção bacteriana.

Relativamente às infeções virais ao nível respiratório, um dos agentes mais frequentes é o vírus sincicial respiratório (VSR).

O modo de transmissão é por contacto directo com secreções contaminadas e consequente auto-inoculação ou por gotículas emitidas com a tosse.

Relativamente ao quadro de doença viral, habitualmente tem uma durabilidade curta, de 3 a 5 dias, febre baixa, secreções nasais transparentes, tosse seca, com poucas secreções, ou por vezes rouca e irritativa (neste caso habitualmente existe infeção viral da laringe).

Nestes casos o tratamento da criança é sintomático, ou seja, iremos actuar sobre os sintomas que a criança vai manifestando (ex: febre) e deixar que a resposta do próprio sistema imunitário resolva a situação de doença.

Quanto mais pequena for a criança, mais impacto têm os sintomas. Havendo obstrução nasal, a criança tem dificuldade em respirar pelo nariz, logo terá dificuldade em dormir e em alimentar-se, duas atividades básicas importantíssimas. Consequentemente e rapidamente atingimos um quadro de irritabilidade geral.

Todavia grande maioria das vezes o curso desta “constipação” é leve, curta e sem consequências de maior.

E porquê não se dá antibiótico?

Porque o antibiótico serve para actuar contra as bactérias e não em vírus.

E quando se deve concluir que a criança está verdadeiramente doente? 


Pode haver agravamento da doença respiratória e são vários os factores a contribuir para isso: as secreções ficam acumuladas muito tempo, as secreções irem percorrendo o sistema respiratório até atingirem os brônquios e pulmões, causando verdadeira dificuldade respiratória, ou surgir uma infeção bacteriana.

Sinais gerais de alarme - indicativos de observação urgente da criança:
  • Apresentar-se sem energia, prostrado, recusar brincar ao longo de todo o dia mesmo após a febre ceder;
  • Não dormir à noite;
  • Febre alta que se mantém ao longo de mais de 3 dias;
  • Recusa alimentar (passa três refeições sem comer);
  • Iniciar sinais de desidratação (olhos encovados, língua esbranquiçada, boca seca, redução acentuada da quantidade de urina, nos bebés pequenos observa-se depressão da fontanela anterior (“moleirinha”).
  • Sinais de dificuldade respiratória (ruídos respiratórios, “covinhas” abaixo da grelha costal ou espaços intercostais ou no centro do pescoço (tiragem), mexer as “asas” do nariz ao respirar (adejo nasal) e respiração muito acelerada);
  • As secreções são espessas e amareladas escuras ou esverdeadas acompanhadas de dificuldade respiratória;
  • Convulsões febris
Atenção! Crianças com idade inferior a 6meses ou com doenças crónicas de base devem ser observadas de imediato no primeiro dia de sintomas e com febre.

O que fazer para reduzir o risco das constipações, complicações e contaminações?
  • Muito importante o aporte de alimentos ricos em vitamina C (quando idade permite);
  • Realizar frequentemente lavagens do nariz com soro fisiológico mantendo o nariz o mais limpo possível (o importante não é a quantidade de soro mas sim a eficácia da introdução do mesmo e efetiva desobstrução). Neste caso proponho a aplicação cómoda e prática, das monodoses de soro da Mustela, com um sabor agradável. (sim…há soros com sabor desagradável, apesar de ser tudo NaCl);

  • Minimizar a exposição ao frio, bem como às mudanças de temperatura utilizando roupa adequada às condições ambientais;
  • Evitar locais fechados e com grande aglomerado de pessoas;
  • Em casa, cada membro familiar deverá ter a sua toalha (uma organização por cores ou padrões torna-se divertido entre as crianças). O mesmo acontece com os talheres, pratos e copos que entre irmãos têm tendência a partilhar numa autêntica brincadeira à mesa. Todavia quando alguém está constipado devemos evitar ainda mais! 
  • Manter objetos estratégicos desinfetados, em especial quando alguém está doente. São eles: Brinquedos, Comando da TV, Maçanetas das portas, Puxadores dos frigoríficos e microondas.
  • Oferecer líquidos frequentemente mantendo o nível de hidratação adequado;
  • No caso de crianças com doenças crónicas, ou crianças que ficam muitas vezes doentes pode ser necessário o reforço vacinal.
  • Fomentar hábitos de prevenção de infeção em toda a família: correta lavagem de mãos com soluções de sabão em preferência ao sabonete, espirrar e tossir para o cotovelo. 
Para este tema e outros podem recorrer ao B Á BÁ do BEBÉ através do email: b_a_badobebe@hotmail.com

Enfermeira Especialista Ângela Baptista
Principais Fontes Bibliográficas:
Antunes J et al. – Vírus respiratórios, Acta Pediatr Port 2013:44(1):9-14
Filho, G. - Virus e Viroses, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, s.d
Mahony JB. Detection of respiratory viroses by molecular methods. Clin Microbial Rev 2008; 21(4):716-47
Moral, M. et al – Virus, bactérias y antibiótico, sin comprensión, la informacion es confusión, XX Reunión anual SEUP‐Bilbao 2015
http://www.cdc.gov/ncidod/dvrd/revb/respiratory/eadfeat.htm
www.rsvinfo.com - Informação sobre RSV – Vírus Sincicial Respiratório
Acta Pediátrica Portuguesa, SPP , Vol. 47


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