Pelos nossos "velhinhos"

19.9.17
Hoje não vos falo dos meus filhos, não vos falo de crianças e de bebés, não vos falo de mim, falo-vos dos nossos "velhinhos" que também já foram bebés.

É inevitável não encontrar pelas ruas "velhinhos perdidos", sem ninguém para estar e falar, muitos refugiam-se nas suas casas no meio de uma solidão que dá dó, acabado muitas vezes por abraçarem a morte de braços abertos.

É inevitável não pensar o que é feito daquela família e dos seus filhos...

Filhos estes que têm a obrigação de cuidar, de amar de quem tanto fez por eles. 

Nós filhos, devemos tudo isso aos nossos pais pois nós como pais sabemos muito bem o que fazemos pelos nossos filhos. E tenho a certeza que vamos gostar que os nossos filhos também cuidem de nós da mesma forma que os tratámos.

Se gostámos de ser aconchegados quando nos sentíamos perdidos, se gostámos de ter aquele abraço na altura certa, chegou a hora de retribuir tudo isso mas em dobro.

Também sei que a nossa vida nos engole de tal forma que muitas vezes não nos dá tempo sequer para parar e pensar no que outro possa estar a precisar e a sentir.

Mas é importante não esquecer que essas mesmas pessoas também já foram engolidas pelo seu tempo mas mesmo assim sempre arranjaram tempo para nos dar uma palavra, um beijo ou um abraço na hora certa. 

Ainda no outro dia dei por mim a assistir a uma família super feliz a tirar fotografias com o seu bebé, depois olhei um pouco mais além e vi "velhinhos" com um semblante triste a olhar para aquele cenário de felicidade.

E foi inevitável não pensar porque é que não tiramos fotografias da mesma forma entusiasmada com os nossos  "velhinhos".

É hora de olharmos para eles com respeito, com o mesmo carinho como se tratasse de um bebé. É urgente pararmos para pensar que também chegaremos a velhos, é urgente pensarmos o quanto todos nós temos responsabilidade em dar o nosso melhor para que vivam os últimos anos da sua vida com dignidade e com uma felicidade em pleno.

É urgente percebermos que não seríamos nada nem ninguém sem essas mesmas pessoas que teimamos muitas vezes ignorar.

E por falar em velhice, eu não tenho pena de envelhecer, mas tenho muito medo de quem envelhece ao meu lado, isso sim é o meu maior medo.

Deixo-vos com esta fotografia, sem filtros, com tão pouco mas com tanto. É a minha bisavó materna que infelizmente partiu com os seus 84 anos, uma avó que criou a minha mãe e que ainda ajudou a sua filha a criar a sua neta. Uma avó que me deixa as melhores memórias, que me faz lembrar com saudade quando falava para as novelas, que me dava aqueles conselhos mestres que tanto me encheram o coração.
Já passaram talvez uns 20 anos que morreu e até hoje nunca consegui admitir que tinha morrido, talvez porque para mim viverá para sempre.




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