Recomeço

18.5.20
O nosso país começa-se a erguer e mesmo que aos poucos e poucos as portas abram não existe oxigénio suficiente para um abrir portas com um sentimento de tranquilidade.

Este meu regresso não está a ser fácil, deixa-me sem ar e baralhada com o que se passou e o que ainda está para vir.

A nossa sociedade não é a mesma e nós também não. 

Parece que agora está tudo mais incerto e turvo. Deixámos de viver na nossa bolha de Amor. Somos obrigados a enfrentar um mundo que já não é o mesmo e nem sei se alguma vez voltará a ser.

Não se apaga de um dia para o outro os medos vividos, as lágrimas da incerteza e os sorrisos ganhos. Houve quem foi muito feliz e eu sou uma dessas pessoas e agora fora da minha zona de conforto  sinto-me perdida.

Foram dias, semanas e meses vividos intensamente, a nossa casa passou a ser o nosso maior património e nunca assumiu um significado tão forte como agora.

É uma sensação estranha, esta que se vive!

Existe desconfiança, as famílias e os amigos começam a reencontrar-se mas sem o toque, os passeios são de medo e sob olhares indiscretos.

Nunca houve tantos julgamentos e inseguranças como agora.

Uma sociedade que quer muito voltar ao normal mas que vai levar o seu tempo.

Precisamos do nosso tempo, de nos levantar, de voltarmos a estabilizar-nos de todas as emoções ganhas e perdidas nestes tempos, sem grandes exigências.

Foram dois meses de novas aprendizagens e de um respirar não bom, nem mau, mas diferente.

E quando se deixar de respirar medo, que olhemos para tudo isto como o dia em que o mundo gritou para nos tornarmos melhores pessoas.






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