A (dor) e o amor em amamentar um filho

15.8.19
Ninguém nos prepara para a amamentação, é algo natural pensamos nós, pouco ou nada se fala das dores iniciais e o quanto temos de ser resilientes para gozarmos o acto de dar de mamar em pleno.

Fala-se muito do parto e vivemos tantas vezes aterrorizadas com ele quando para mim é das coisas mais simples (talvez porque nunca tenha passado por nenhuma situação traumática). Agora a amamentação é outra conversa...

Ouvi no outro dia que a amamentação chega a ser pior que o parto e não podia concordar mais com essa afirmação...lembro-me de desejar voltar ao parto em prol de todas as dores que estava a passar por causa da mastite que tive.

Se há coisa dura na maternidade é a amamentação!

Respeito todas as decisões, mas eu sou a favor da mama, sei os benefícios que o nosso leite tem para os nossos filhos e o quanto nos ajuda emocionalmente.

Há quem seja como eu, há quem opte por não dar mama em prol de umas boas maminhas, há quem simplesmente não dê porque não conseguiu vencer as dores iniciais, há quem não se queira sentir "presa" e há quem se deixe vencer por comentários menos felizes.

Tudo certo, o corpo é nosso, e cabe  a nós fazermos dele o que bem entendermos. No entanto é importante passar a mensagem que está provado cientificamente os benefícios do leite materno. As marcas de leite adaptado são as próprias a afirmar que jamais existirá uma fórmula equiparada ao leite da mãe. São semelhantes mas inigualáveis.

Conheço todo o tipo de casos, todos discutíveis, posso não concordar mas aceito até porque o mais importante é o bem estar entre uma mãe e o seu bebé. O resto não importa.

É preciso acima de tudo estarmos informadas, termos voz própria e seguir o nosso caminho mesmo que para isso nos sintamos mais "presas" ou com dores.

As primeiras semanas são duras a todos os níveis, é um bebé que se está a habituar ao mundo exterior, é uma família que se está a reorganizar, é um peito que se está a adaptar à sucção de um bebé e é um bebé que se está habituar a mamar.

É um processo a dois, de aprendizagem, de lágrimas mas de um grande amor.



É preciso acreditar, ser forte psicologicamente para continuarmos mesmo quando a nossa cabeça muitas vezes quer desistir e não "ouvir" as tantas opiniões alheias que nos chegam.

Pessoalmente cheguei a ouvir de tudo, que o meu leite era fraco, que o meu filho passava fome quando a balança dizia o contrário, que acordava várias vezes porque tinha fome e que o melhor era usar um leite adaptado com Cerelac (esta para mim é a melhor), que os bebés aos cinco meses já não mamavam...
Enfim, só teorias hilariantes e que só dá vontade de rir de tão ridículas que são.

Pois bem, não existem leites fracos, o nosso corpo naturalmente processa o que o nosso bebé precisa e os bebés não procuram só a mama para se alimentarem, é nela que procuram o consolo e segurança.

Confesso que do FM e da MC sofri muito com a amamentação, cheguei a chorar enquanto dava de mamar, adiava a hora das mamadas só porque antecipava as suas dores, tremia só de pensar que  queria mamar e encolhia-me sempre que a sua boca se abria para ir de encontro ao meu peito.

Era horrível! Por isso digo que é preciso respirar fundo, usar técnicas para aliviar essas dores e acreditar que a seu tempo a amamentação se torna nos momentos mais bonitos da maternidade.

O importante é perceber que por vezes é preciso passar por este período mais difícil para se alcançar a satisfação.

Todas passamos pelo mesmo, não existem as competentes ou as incompetentes, existem sim mães reais, as que sofrem por dentro, mesmo quando estão a sorrir para o seu bebé.

Contudo as mães não se medem pela mama, são apenas formas de estar diferentes na vida e devem ser respeitadas.

Uma mãe é mãe seja com mama ou biberon.





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