O infantário é um verdadeiro infectário

18.12.17

“Sra. Enfermeira: - Porque razão o meu filho vai para escola e constantemente fica doente?!”

Esta é uma pergunta realizada por vários pais…tentarei responder, ainda que não seja possível uma resposta absoluta. Ainda que existam fatores que nos permitam referir relações causais, estão sempre dependentes de variáveis como seja: idade da criança, condições ambientais oferecidas pelo espaço físico da escola, tempo de permanência na escola…entre outros!

Será a ida para a escola uma “porta aberta” à doença?
Talvez possamos falar de idade da criança e uma maior suscetibilidade à contaminação. As crianças, quanto mais pequenas, mais suscetíveis se tornam. Antes de mais, apresentam um sistema imunitário mais imaturo, logo não tão “eficaz”.
Podemos depois falar em comportamentos característicos, em crianças muito pequenas, que as tornam mais suscetíveis. Nelas existem poucas barreiras no contato com o outro. São exemplo: excesso de salivação e por sua vez troca de fluidos com outras crianças; troca fácil de brinquedos (muitas vezes contaminados) que passam rapidamente de mãos em mãos e das mãos para a boca; troca de chupetas, forte dependência de um cuidador adulto, que por sua vez cuida de várias crianças num mesmo momento! (ele próprio é possível veiculo de propagação posterior).
Os sistemas de climatização existentes são também por si só uma facilidade na propagação viral.

O “positivo” é que com o passar do tempo as resistências vão aumentando e como tal as situações de doença reduzindo.

Ir ou não ir à escola?
Como referido ao longo desta nossa “conversa”, a propagação das doenças virais, é particularmente fácil quanto menor é a idade da criança. Ora, por mais cuidados que possamos ter, a transmissão acontece, tanto entre as crianças, como entre as crianças e os seus cuidadores (auxiliares, educadoras…).

Assim, se possível, quando a criança apresenta sintomas de doença deverá ser resguardada, protegendo-se a sí e a toda a comunidade escolar.

Como já percebemos (aqui) uma “virose” pode-se considerar benigna, mas pode causar muitos “estragos”. Vamos fazer para que sejam mínimos estes estragos, para a própria criança e para os outros.



Escola e Enfermeira …
A existência de uma articulação entre a enfermeira e a escola está preconizado nos programas de saúde escolar. A existência desta parceria permite às nossas crianças receberem formação sobre medidas de prevenção da infeção. Sim é verdade! Crianças com três anos podem ser instruídas sobre as práticas de lavagem das mãos, de como se deve tossir e espirrar (pôr o cotovelo), bem como, técnica correta de lavagem do nariz (assoar), sabendo que estes comportamentos são importantes para evitar a propagação de micróbios.

Nas Escolas devem ainda ser preconizadas medidas de controlo de infeção que passam por uma vigilância mais apertada dos contatos entre crianças.
Na escola do seu filho existe saúde escolar? Gostava que houvesse? Sugira e fala com a direção acerca desta parceria!
Enquanto família também podem fazer aprender e cultivar os comportamentos preventivos de doença. Aconselhe-se com o seu profissional de saúde de referência!

Enfermeira Especialista Ângela Baptista
b_a_badobebe@hotmail.com

Breve referência bibliográfica:
Amorim KS et al, Análise critica de investigadores sobre doenças infeciosas respiratórias em crianças que frequentam creche -Jornal de Pediatria - Vol. 75, N”5, 1999
Oom, P. - O Infectário, 2016.

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