A um passo do Céu

13.12.17
A ida a Vila Verde foi vivida de uma forma mais intensa ao contrário das outras vezes. Não que tivéssemos com medo do desempenho do T mas porque sabíamos que a partir daquela viagem a AF deixaria de ser a sua terapeuta.



O almoço de chegada é sempre um turbilhão de emoções, à medida que a hora da avaliação se  aproxima começamos a deixar de ter um raciocínio lógico tais são os nervos... não que não acreditemos no seu potencial mas porque temos medo que no dia em questão ele não mostre do que é capaz.

Mas enchemos o coração de ar e lá fomos com a esperança que o T brilhasse, e assim foi, ele foi fantástico, portou-se lindamente e cooperou com tudo o que lhe foi pedido.

Deixando-me a mim perplexa com tanta sabedoria.






Mesmo com uma sala cheia, com alguns elementos de distração à sua volta, ele conseguiu ter a concentração suficiente para mostrar o que tinha aprendido ao longo destes seis meses.



As terapeutas estavam eufóricas com o seu desempenho e nós não cabíamos de contente por todo aquele carisma e desempenho brilhante.

Percebemos que as palavras lhes faltaram para definir como estava o T, apenas diziam que o adoraram ver.

Saímos felizes e com a certeza que continuávamos no bom caminho.



Entretanto aproveitámos a nossa ida ao Norte para irmos ao dentista - Dr. DA, não que em Lisboa não haja bons médicos, mas porque gostamos muito do seu profissionalismo e dedicação e acima de tudo tem uma vasta experiência em crianças com T21.

A projeção da língua é algo que me preocupa mas o Dr.DA esteve a vê-lo e disse-me que não havia nada de preocupante, não merecia qualquer intervenção externa porque a seu tempo ele normalizava o seu comportamento.

Disse-me também que lhe devia lavar os dentes 3 vezes por dia (nós só escovávamos 1 vez) e cada lavagem devia demorar 3 minutos.

Gostou muito de o ver, disse que não havia motivo de preocupações e que a sua boca estava fantástica.

Entretanto com tudo isto já tínhamos feito mais de 400km, foi jantar e dormir pois estávamos exaustos, mas dizendo bem a verdade o T estava tão excitado com tudo e tão feliz por ter os pais só para ele que enquanto já estávamos a cair para o lado, ele continuava a saltar em cima da cama e a rir às gargalhadas.

De manhã acordámos e lá fomos nós para a 2ª consulta, onde basicamente tivemos uma avaliação mais formal e tivemos acesso ao novo programa por mais 6 meses.

O T neste semestre teve um aumento de 48% de idade neurológica, já tivemos melhores percentagens é um facto mas esta tabela é ingrata pois não tem meio termo e agora as próximas etapas serão com uma decalagem muito grande, pois o próximo passo serão os 6 anos.



Contudo ele está óptimo comparativamente com a sua idade real, faltando-lhe apenas correr e dizer mais de 2000 palavras.

O T já fala muito, e na linguagem ele deu um pulo gigante nos últimos meses mas não é o suficiente comparativamente com uma criança de três anos (sem patologias associadas).



Sempre que temos a avaliação é-nos dada uma tabela de idade neurológica, que é atualizada de 6 em 6 meses mas desta vez foi uma sensação estranha quando a vi, pois percebi que estamos a um nível da alta deste programa. Foi impossível não ter passado com os meus olhos por todos os níveis que já passamos, e relembrar cada diploma alcançado, cada vitória, cada frustração.

Em apenas 5 minutos revivi tudo o que passámos e fiquei com a sensação que algo que tanto ansiei já estava tão perto.

Vamos entrar na fase mais dura do programa, a fase em que tudo demorará mais tempo a alcançar, e onde a tabela é ingrata pois passa automaticamente dos 3 para os 6 anos.

A exigência vai aumentar mas nós cá estaremos para aguentar cada adversidade.

A viagem foi feita a ver a AF a passar todo o trabalho, a orientar a nova terapeuta para estes grandes 6 meses, e embora tivesse o coração pequeno estava feliz por ver todo aquele trabalho em equipa.




Vão ser 6 meses desafiantes a todos os níveis, o programa é muito existente na área da leitura e motora, implica que altere algumas coisas em casa para que se consiga cumprir com tudo o que foi proposto e depois temos uma nova terapeuta, em que lhe é preciso dar tempo para se adaptar a toda esta exigência.




Mas tenho a certeza que fizemos a melhor escolha e que juntas formaremos também uma grande equipa e em Junho lá estaremos para vencer mais uma etapa.

Obrigada R por ter aceite este desafio.

Não quero deixar de escrever sem primeiro agradecer todo o vosso carinho e por todas as mensagens que recebemos que encheram o nosso coração.










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