Maria Constança

2.7.19
Vou começar pelos inícios dos inícios...

Não queria um parto por cesariana, não que tenha alguma coisa contra mas porque já tinha tido a experiência de um parto natural e sei o quanto nos marca por isso tinha muito presente que tudo faria para que fosse um parto natural.

O que é certo é que as semanas foram passando e mesmo com a agitação do meu dia a dia a MC não queria vir ao mundo.

Como o parto do FM tinha sido por cesariana, este não podia ser induzido e como tal o meu médico sem pressões deixou que o tempo se encarregasse da mãe natureza.

Contudo na minha última consulta tinha a certeza que seria marcada a cesariana, não dava para esperar muito mais e embora quisesse muito um parto natural, tinha de pensar no bem estar da MC.

A consulta das 41 semanas era quarta-feira e nessa mesma semana antes da consulta, dei início a tudo o que estava ao meu alcance para que entrasse em trabalho de parto de forma espontânea.

Foram muitas as dicas que recebi vossas (OBRIGADA!) posso afirmar que neste momento sei tudo o que se deve fazer para entrarmos em trabalho de parto de uma forma espontânea. Por isso se precisarem podem perguntar-me :)

Terça-feira, fui com a minha mãe à praia de Santo Amaro em Oeiras para andar, ao todo foram 5kms. Cheguei a casa tomei um banho de água quente e adormeci. Acordei com contrações mas com a certeza que seria pelo esforço físico que fiz, levantei-me e fui ao médico com esperança que me dissesse que já havia um prognóstico mais favorável.

O CTG acusou contrações e o meu útero tinha passado de fechado a permeável a um dedo. Toque feito!

E antes de acabarmos tivemos todos de tomar uma decisão, marcar o parto. Na minha cabeça já tinha o dia que queria (2ªfeira) mas o meu médico parece que leu os meus pensamentos e disse também 1 de Julho. Dei quase um pulo da cadeira e disse: Está óptimo! Fechado!!

Saí de lá com a certeza que iria dar tudo de mim e que iria meter tudo em prática mas que até sábado não tivesse sinais desistiria desta luta e entregava nas mãos de Deus este meu parto.

Depois do toque e já com muita pressão na bacia (pelo dia anterior), voltei à praia com a minha querida mãe e foram mais 5km sobre a areia mole, quando cheguei a casa, já com poucas forças ainda enchi o peito de ar e subi oito andares, cheguei e tomei um banho bem quente e terminei a ver a novela numa bola de pilates.

Estava confiante que seria durante a noite mas nada. Levantei-me eram 7h porque nesse dia tinha terapia com o T e além da pressão na bacia poucos ou nenhuns sinais tinha, até que de um momento para o outro começo com contrações muito fortes mas muito irregulares, como já tinha tido estas contrações nas 39 semanas desvalorizei por completo, fiz a minha vida normal mas sempre com contrações, fui arrumar coisas no centro de terapias que já partilhei convosco, subi, desci escadas, peguei em livros, limpei, fiz de tudo um pouco e sempre com contrações.

Entretanto eu e a terapeuta do T demos uma entrevista para uma terapeuta do Desenvolve-T e ainda com contrações estava completamente longe de imaginar o que me iria acontecer passado uns minutos.

Acabamos a entrevista, começamos a falar e no meio da conversa senti como se fosse uma rolha a abrir dentro de mim e a água a escorrer pelas pernas.

14.25h "Filipa, rebentaram-me as águas" 
Óptimo. O que quer que faça? Mas já em modo "barata tonta"
Nada, mantenha a calma porque está tudo bem. Dê-me uma cadeira.



Sentei-me e vivi esta experiência pela segunda vez. Aquela sensação de sabermos que seria naquele momento que o nosso filho estava preparado para nascer.
Água por todo o lado!
Feliz!! Muito Feliz!!
Liguei ao meu marido para vir ter comigo, de seguida para a minha mãe, para o meu pai, para o meu médico que me disse para ir para as urgências e para uma pessoa muito especial para mim da CUF.

Enquanto isso a terapeuta do T continuava como uma "baratinha tonta" sem saber bem o que fazer, contrações fortes mas suportáveis!
O Bernardo chega e vamos a casa ainda acabar a minha mala. 
Meto uma cueca fralda e digo estou pronta!
Sou a última a fechar a porta e antes de a fechar olhei para a casa que deixava pois quando voltasse saberia que já não seria a mesma.
Respirei fundo e fechei!

Pelo caminho sempre com contrações. Urgências. Até ser vista pela médica de serviço para me internar, respirei fundo porque as contrações era muito fortes e muito próximas.

2 Dedos.

Entretanto dei entrada no quarto pelas 17h vesti a famosa bata, respirei fundo e todo aquele ar, e quis sentir tudo, quis viver aquele momento mesmo com todas as dores que implicava, porque seria certamente a última vez naqueles quartos.

Tentei aguentar até à epidural mas as dores eram incontroláveis e cada vez mais fortes, peço a epidural e assim que a tomei vi o céu. Que sensação boa!! Que alívio!!



Tudo tranquilo, estava super serena e feliz até ao momento que vejo a enfermeira entrar no quarto com um ar sério e branca da cor da parede.
Percebi de imediato que alguma coisa não estava bem. Pediu para mudar de posição, o CTG acusou uma desaceleração nos batimentos cardíacos, meteu-me uma máscara de oxigénio e naquele momento tinha a minha mãe e o meu marido a olharem para mim em pânico e eu a tentar manter-me calma.

Tudo iria dar certo, não havia como não dar.
Tentei esquecer, mas sempre a olhar para o CTG!

O meu médico entretanto entra na sala, faz-me o toque e fala-me que os batimentos cardíacos desaceleraram muito e que tínhamos de estar a controlar. Nas suas poucas palavras deixou passar a possibilidade de ter que ir para cesariana de urgência tal como aconteceu com o FM.

Não falei disto com ninguém, guardei para mim e rezei para que depois de tanto esforço não acabasse numa cesariana.

Entretanto o efeito da epidural estava a acabar e peço o reforço, a enfermeira faz-me um toque e continuava com dois dedos mas com evolução. Passado uns dez minutos antes do reforço da epidural o médico voltou a fazer-me o toque e 5 dedos.

Achei que ainda iria demorar e digo à minha mãe para ir buscar os miúdos à minha avó e que fosse com eles para casa dela juntamente com a minha avó porque iria demorar ainda.

Mas assim que vai embora e já depois da epidural, o médico volta a fazer-me o toque e disse está pronta! 10 dedos completos! Está pronta...


Como assim?
Então e a minha mãe acabou de sair.
Mas a epidural ainda faz efeito? Sim, disse a enfermeira, não a vou largar, não se preocupe! Vai tudo correr bem.
O B entretanto entra no quarto e eu digo-lhe "é agora". Ficou perplexo a olhar para mim e super nervoso. Parecia ele pai pela primeira vez.



Demos indicação ao fotógrafo que seria agora e lá fomos em direcção ao bloco de partos.

Zero nervosa, a olhar para aquele tecto cheio de luzes e a saborear cada momento como se fosse o último.



Chegou o momento de fazer "Força"! "Força", "Força", "Força", "já vejo a cabeça", "Força", Força", Dê-me as suas mãos e fui eu que a tirei!
Mesmo sem dores senti toda a expulsão e metia-a junto a mim!

Maria Constança, 27 de Junho, 20.15h
3685Kg
51,8cm








 
Que emoção!
Jamais terei palavras para conseguir descrever tamanha grandeza! A mãe natureza sabe bem o que faz.

O B à terceira ganha a coragem (mesmo com medo) de cortar o cordão umbilical e é sem dúvida um momento inexplicável de tão forte que é ver o pai da nossa filha a cortar o que nos ligou durante nove meses.
Que gratidão por um parto tão bonito!



Mas tudo isto foi possível pela equipa maravilhosa que me acompanhou no parto, o meu querido médico que é "só" o melhor e que nos transmite toda a força e confiança necessária mesmo sem usar as palavras. O Professor Dr. Jorge Lima.

À enfermeira Ema que deixou passar a sua hora de saída só para estar ao meu lado, de mãos dadas comigo como se tratasse de um anjo.



E por fim à querida Isabel Vieira que é das pessoas mais queridas e maravilhosas que conheço e que que lutou até ao fim para que tivesse um parto como tanto desejava.

Um agradecimento também especial à Enfermeira Carolina que nos acompanhou no dia seguinte na nossa bolha de amor.

E um obrigada também a toda a equipa que foi sempre incansável connosco e que nos fez sentir sempre em casa.

E um obrigada gigante à Centrimagem por ter fotografado o parto e ter conseguido eternizar um momento tão bonito como o meu parto. As fotografias estão lindas e transmitem com toda a veracidade tudo o que se sentiu no bloco de partos.

Três experiências, três partos diferentes por variadíssimas razões, três emoções vividas naquele bloco de partos, três filhos.

Acabando com a cereja no topo do bolo!

Obrigada pelo vosso carinho que tiveram sempre no meu coração.













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