A dor no coração

29.1.21

Precisamente dois anos depois volto a deitar-me numa marquesa de hospital para arriscar uma vez mais a vida do meu bebé, mas depois da surpresa do Tomás, nunca mais quis conviver com esse medo até ao parto.

É uma decisão exclusivamente da nossa família, em concordância, com o meu médico que confio a 200%. E embora não tenha indícios de nada, tenho um antecedente de um filho com uma anomalia genética e uma idade já considerada de risco.

É a minha terceira amniocentese, e embora hoje estivesse tranquila e achasse que a experiência já me tinha dado a serenidade precisa, quando a hora se aproximou o coração começou a palpitar.

Ainda para mais, atendendo ao panorama nacional, ter que atravessar este momento sozinha custa muito. Não senti que necessitasse das palavras do meu marido naquele momento, mas faltou-me o seu olhar e a sua mão, que tem o dom sempre de me acalmar, mesmo que o seu coração esteja a explodir de nervos.

Atravessar este caminho sozinha é difícil e angustiante. E atendendo à pandemia, e para que a família não corra riscos maiores, eles que eram para estar em casa dos avós, ficaram connosco, e quando cheguei casa tinha-os à minha espera, ao longe disse-lhes que a mãe tinha de se ir deitar e que tinha um dói dói na barriga.

Custa senti-los à porta, sem que me possam tocar. Custa ainda mais saber que o meu marido vai ter de comandar a casa e os filhos nesta minha ausência em pleno confinamento.

Uma amniocentes é um processo invasivo que poucas dores físicas nos dá, mas aquela agulha tão fininha espeta no nosso coração de uma forma abrupta. E embora hoje em dia os riscos sejam pequenos, é difícil gerir este medo pois existe sempre aquele 0,5 a 1% de aborto.

Deve ser uma decisão exclusiva dos pais e é importante que se perceba que não existe o certo ou o errado porque vai depender sempre das motivações de cada família.

Tenho um buraco pequenino na minha barriga, que vai ter de fechar por si, por isso vou ter de ficar de repouso nestes próximos dias.

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