O coração de mãe é a maior verdade absoluta

15.7.20
A fala que parece algo adquirido para alguns para outros é um mundo severo e complexo. 

É na linguagem que exprimimos os nossos quereres e impomos os nossos limites. A fala tanto aproxima como distancia.

É preciso estar atento, perceber o que é "normal" do "não normal" e nunca meter em causa o nosso coração seja para o bem ou para o mal.

Uma das questões maiores na trissomia 21 é a fala. E foi aqui que me foquei, sendo que é igualmente importante a parte motora porque tudo esta interligado.

Tentei elevar sempre estas duas áreas da melhor forma possível. Não baixando os braços e focando-me apenas no que achava melhor.

Anulei por completo casos que a meu ver não eram exemplos por variadas razões e tornei os bons como sonhos meus.

Nunca em momento algum questionei a capacidade do meu filho. Tudo o que via de menos bom motivava-me para ir mais além. Nunca, nem nos momentos menos bons, "atirei a toalha ao chão". O negativo deu-me sempre mais força para vencer.

Olhava-o nos olhos e via nele um mundo de oportunidades. Agarrei-me à sua força que foi sempre muito além de qualquer questão.

Fui contra opiniões diversas, não vacilei nunca, aconselhei-me sempre que me surgiam dúvidas, estudava o assunto, ouvia o meu coração e segui sempre em frente, sem olhar a consequências.

Nem sempre este caminho foi fácil, ainda hoje não o é. Existem medos mas que só os deixo vir ao de cima quando é a altura certa. Não perco tempo com o futuro porque ele é mesmo isso algo que está para vir mas sem certezas absolutas.

Confiei no presente e avancei sem vacilar mesmo quando faltavam certezas.

Inspirei-me nos casos de sucesso. E sonhei!

Rodeei-me dos melhores e não foi fácil tê-los comigo, experimentei, e for preciso ter o que não queria para perceber o que queria.

Sempre me preocupei com a fala, foi sempre o meu maior tormento.Tive muitos médicos e profissionais de desenvolvimento a relativizarem o assunto, porque ainda era cedo ou que era normal rejeitar os sólidos. Mas eu não queria saber, a voz do meu coração foi sempre mais forte.

Ainda me lembro o dia que fui a uma terapeuta da fala que me dizia que era normal ele não aceitar sólidos, que seria feitio e não defeito.
Mas eu não descansava e continuei à procura que alguém me ouvisse até que encontrei uma terapeuta que percebeu a minha questão. Tive um ano a ir à terapia fala só para ela lhe dar o almoço e foi nesse mesmo ano que vi o meu filho agarrar numa ameixa e comer à dentada. Sei que é algo simples e sem importância mas para nós foi uma vitória. 

Isto é a prova que nunca ninguém sabe mais que nós mães e que somos nós que vemos mais além.

Não permitam que alguém contrarie o vosso saber, mesmo que isso implique ir contra técnicos especializados.

Quando me diziam que devia ensinar gestos ao T para que aprendesse a falar, recusei. Foi um tiro no escuro pois tinha um método reconhecido a dizer-me para o fazer e eu fui contra ele. Recusei-me e em momento algum lhe ensinei um gesto.
Queria que o Tomás falasse por ele, sem amuletos, mesmo que isso implicasse demorar mais tempo a falar.  

Hoje o T expressa-se, comunica e socializa como ninguém, compreende e fala tudo. Não faz (ainda) frases complexas mas faz simples e isso já é um grande ganho.

E a certeza que eu sempre tive certa.

Infelizmente sei que nem sempre é assim e que os medos se sobrepõem ao nosso instinto mas nunca desistam. Lutem sempre pelo vosso querer porque nunca haverá certezas maiores que o de uma mãe.









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