Filho do meio

22.7.20
O meu Francisquinho, o filho do meio.

O mais sensível e o que mais precisa de mim. O mais bebé e o que mais tem necessidade de dizer o quanto gosta de mim.

É o que mais exige e o que mais puxa por mim. Faz-me questionar vezes sem conta o caminho que estou a tomar.

Curioso nato e numa busca constante das melhores experências. O que me testa os limites e o que me completa.

Recordo com emoção a primeira vez que o vi, de pele clara e de cabelo loiro. Cherei-o e abracei-o com força e agradeci-lhe a oportunidade de ser sua mãe.

Era o outro lado da maternidade que tanto precisava para me equilibrar emocionalmente.

E desengane-se a mãe que acha que não vai voltar a amar tanto como ama o primeiro. Todas essas inseguranças dissipam-se no primeiro choro. É um amor descontrolado que aumenta automaticamente quando lhes pegamos.

Para quem já tem um filho com necessidades especiais, o medo aumenta pelo facto de não nos sentirmos suficientemente fortes para abraçar dois filhos e lhes darmos a devida atenção.  

Nunca em momento algum decidi ter mais filhos por o Tomás ter Trissomia 21. O T era e é uma responsabilidade inteiramente minha e não quero que nenhum filho meu sinta essa pressão.

Não nasceram para cuidar, nasceram para serem unicamente felizes e é isto que quero tanto para o Francisco como para a Constança.

Quero que se protegam a três porque para mim família é isto e nada mais.

Não seria justo para eles, terem vindo ao mundo com o peso de cuidadores. 

Os filhos são como os nossos dedos da mão, são cinco e cada um tem a sua função e necessidade e é assim que quero que seja sempre.

Sei de antemão que o Francisquinho poderá abrir algumas portas na adolescência porque será normal como irmão fazê-lo mas também sei que hoje em dia é o Tomás que lhe abre as portas para que possa brilhar.

São irmãos apenas, sem obrigatoriedades maiores apenas que sejam amigos e disso não abrirei mão, nunca!

Até ao momento nunca tive nenhuma conversa maior com ele, sinto que não chegou o momento, nem sei se alguma vez chegará. Sinto que ele tem consciência que o imão precisa de um apoio maior. Mas mesmo estando na fase dos "porquês" nunca me questionou Talvez porque existam coisas na vida que não se explicam, sentem-se.

Em momento algum vou obrigar a estar porque tem de ser, partirá sempre deles, sem pressões e sem pesos na consciência.

É este o meu filho do meio, o meu bebé grande, como lhe chamo, é uma caixinha de surpresas, que me dá o mundo com tão pouco. 





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