O perigo vive perto de nós

22.1.20
Segunda-feira saí mais cedo do trabalho para finalmente fazer as compras para começar a dieta de forma a perder todos os kilos acumulados com os excessos da gravidez.

Não podia adiar mais...

Enchi o meu frigorifico de legumes, frutas, queijos magros. Deitei fora tudo o que tinha consciência que me fazia mal.

Jantei pizza para me despedir e prometi a mim própria que a partir de amanhã voltaria a encontrar o meu "eu" que ficou esquecido em tempos.

Acordei uma vez mais com uma agenda repleta de coisas para fazer e cronometradas ao segundo, era apenas um dia normal, julgava eu,  até que decidi meter a água a ferver enquanto preparava os miúdos.

Eles tomaram o pequeno almoço, foram-se vestir com o pai e, a porta tocou no entretanto, era a minha mãe com a minha avó. Passei a baby MC para os braços da minha avó e dirigi-me para a cozinha para deitar a água fervida num jarro de vidro (eu sei...não se deita água quente para um jarro de vidro) mas não pensei, deitei, e enquanto deitava falava com a minha mãe até que o jarro explode!

Vivi momentos de horror, gritava de dores, a minha mãe só me dizia para tirar a roupa, congelei, não reagi, e só gritava! Com a força natural de uma mãe, a minha arrancou-me o pijama do corpo e eu percorri o corredor da minha casa a chorar de dor. Fui para o chuveiro para meter água fria para acalmar a dor mas nem assim. O frio parece que ainda me fazia pior.

Ao fundo ouvia o T perguntar "o que foi mãe, o que foi mãe" só lhe respondia que estava tudo bem enquanto derramava lágrimas de dor.

Deparei-me com a fragilidade humana, e como em segundos a nossa vida pode mudar por completo, ao mesmo tempo agradecia a Deus por eles não estarem naquela cozinha, por não me ter cortado com os vidros e não ter sido queimada no peito e no rosto.

Meti camadas de Biafine mas a dor não acalmava por nada, chorava, gritava! Até que decidi ir ao hospital, vesti um vestido de botões, calcei uns chinelos e fui com o B.

Deixou-me à porta das urgências e entrei pela triagem sem qualquer inscrição, não podia ficar à espera de ser chamada, pedi ajuda e encaminharam-me para a sala de tratamentos. Encontrei uma enfermeira e ainda sem admissão, sem nada, gritei por ajuda e lá consegui entrar na sala dos curativos.
Trataram-me e acalmaram-me, levei soro e quatro horas depois saí toda ligada.

Tenho o corpo todo queimado, com queimaduras de segundo grau.

Nunca pensei viver tamanha dor. Ainda fiquei a admirar mais os bombeiros pois sempre que vão para um fogo correm o risco de passar pela dor de ser-se queimado, e ficou a lição que o colo é bom e deve ser sempre dado mas longe de uma cozinha.
Se isto tivesse acontecido com a baby MC no pano ou com eles perto de mim como tantas vezes estão, podia ter sido a maior desgraça da minha vida.

Deus sabe o que faz e felizmente que mete a mão sempre na altura certa.

Não consigo reviver este episódio sem me encolher, não consigo sequer pensar em água a ferver.

Foi um momento traumático, estou de cama pois a minha mobilidade é reduzida, sinto-me frágil, mas sem dores.

Começou um longo processo e espero não ficar com marcas deste episódio triste.

Mas apesar de tudo não me desfoquei e avancei com a dieta com a consciência que talvez gordinha fosse mais feliz ;)

Peço-vos cuidado! O perigo está tantas vezes ao nosso lado.




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