Uma mãe também precisa de ajuda

23.7.19
"A maternidade é das coisas mais avassaladoras que existe numa família. Domina-nos fisicamente e psicologicamente. Separa-nos e une-nos.
Mete-nos em causa, faz-nos duvidar de nós próprios mas ao mesmo tempo dá-nos forças mesmo quando achamos que não a temos e faz-nos tão mais felizes."

Esta é talvez a melhor definição do que é este mundo que tantas vezes nos faz sorrir e chorar ao mesmo tempo.
Os dias são exigentes, há dias que não conseguimos sequer tomar banho ou almoçar porque é preciso estar ali lado a lado, embalar, dar colo, alimentar e mudar fraldas e nisto o dia passa. Esta fase é desafiadora e testa os nossos limites, não dá para virar costas e dizer um "volto já". É preciso respirar fundo, aceitar que não existe timings para outras coisas, é preciso abraçar com o coração.

A maternidade é o que nós queremos fazer dela, pode ser maravilhosa se aceitarmos tal como ela é com tudo o que implica ou pode ser um "inferno" se quisermos manter a nossa vida do antigamente.

É preciso ser forte! Ter estrutura e apoio familiar para enfrentar os dias difíceis. E não acharmos que somos as super mulheres e que não precisamos de ajuda.

Pela primeira vez provei o que é ter um dia difícil, o que é perder o controlo de nós próprios e descompesarmos por completo.

Infelizmente estes dias não tem sido fáceis, tive uma mastiste que me deitou muito a baixo.

Embora seja algo comum, é algo que nos deita a baixo por completo numa altura em que sabemos que temos um bebé para cuidar e que precisa tanto de nós.

Fiquei doente, muito doente! Enfrentei febre, calores, frios como se tivesse em pleno inverno e dores insuportáveis e me fez duvidar das minhas capacidades.

Mesmo já a tomar o antibiótico, não melhorei de imediato (o que é normal visto que é preciso dar tempo para fazer efeito), as dores na mama eram mais que muitas. E eu que tanto quero dar mama...



É aqui que o nosso emocional vai a baixo e que mete as nossas capacidades em causa.

Na sexta feira, a MC sentiu que eu não estava bem, porque ela que é uma bebé calma, não foi, logo no dia que eu não estava bem.
Queria mamar mas ao mesmo tempo lutava com a mama, não adormecia mais que 10min e só estava bem ao meu colo.

Sozinha, as coisas na casa foram acumulando pois estive colada à MC todos os segundos, mas o cansaço apoderou-se de mim e tive um ataque de choro, daqueles compulsivos e que fogem ao nosso controlo.  Eram as dores e a exaustão a falar mais alto.

Entretanto apercebo-me que o mamilo da mama onde tinha a mastite está em ferida e com medo decido não lhe dar mais dessa mama pois as dores começavam a ser cada vez maiores, Decidi assim tirar o leite com a bomba porque aquele leite que estava preso na mama tinha de sair, de lágrimas nos olhos, respiro fundo e começo a tentar tirar com a bomba. Com dores insuportáveis, não vejo nenhuma pinga de leite sair. Desligo a bomba. E vejo que tenho todo o peito em sangue.
Vou para o banho de água quente para ver se assim estimulo e nada!

E foi nesse momento que me senti a descompensar, o medo de ter de secar o leite, deixou-me fora de controlo, e bloqueou-me de tal forma que não me conseguia acalmar.

Já nas urgências, o médico disse-me, que me tinha de acalmar. Todo aquele leite que estava no meu peito tinha de sair, caso contrário tinha de ser operada.

Acho que nunca me senti tão fraca como nesse dia! Senti mesmo que não seria capaz de enfrentar tamanhas dores.

Medo, muito medo foi o que senti! Não queria deixar de dar mama mas corria esse risco.

Cheguei a casa de rastos, e aí valeu-me o meu marido que me conseguiu de alguma forma chamar-me à razão, ao que era realmente importante.

Foi ele que me drenou o leite, meteu-me a bomba ao peito, enquanto eu chorava e apertava a suas mãos. Foi ele, tudo ele! Acordou comigo para o fazer, era ele que me dizia que estava na hora, quando eu só queria fugir.
E foi assim até eu conseguir fazer sozinha.

Foi aqui no meio desta adversidade que senti o quanto a maternidade pode separar um casal por todas as exigências que envolve e ao mesmo tempo nos pode unir ainda mais.
Foi isto que senti! Senti que não estava sozinha e que senão fossem aquelas mãos fortes a puxarem por mim, eu talvez não tivesse tido as forças necessárias para o ter feito.

Hoje estou bem melhor. Sinto que consegui ultrapassar esta barreira mas com a certeza que nós mães não somos de ferro e também precisamos de ajuda. De alguém que nos mostre o caminho e que nos chame à razão quando começamos a duvidar de nós próprias.

É aqui que a relação homem e mulher é posta à prova. E que nos pode separar ou unir para sempre. A paternidade é isto! É a partilha da felicidade, das dificuldades e da dor quando esta existe. É trabalhar em equipa e lutarmos de mãos dadas.

O amor vence tudo e eu não podia concordar mais com este clichê.

Ninguém disse que a maternidade seria fácil, mas todos dizem que é o melhor do mundo e disso não há dúvidas senão não estaria já no meu terceiro filho.


Fotografia | Centrimagem 





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