Gerir uma casa de cinco

2.10.19
Não é fácil gerir uma casa, muito menos quando isso implica gerir três filhos simultaneamente.

Não é impossível, mas não é fácil, é preciso organização, método, e estabelecer prioridades mas para tanta atividade também é preciso abdicar de muitas coisas.

Mas para que não haja ilusões senão tivermos disponibilidade de tempo por mais disciplina que tenhamos não se consegue.

Infelizmente ou felizmente o T leva-me grande parte do meu tempo, foi assim desde sempre mas à medida que cresce o desafio vai aumentando. E este ano letivo mostra mesmo isso. Já chorei, já vacilei vezes sem conta, mas o meu querer acaba sempre por ser mais forte e acabo por me erguer e continuar neste caminho que tanto acredito.

No meio disto tudo o FM começou a escola e tenho uma bebé a precisar de mim a 200%. A somar a isto tenho o Desenvolve-T, a Centrimagem (que ainda trabalho na coordenação de casamentos e batizados), o Blog e a casa.

Ao meter tudo isto no papel, ainda me questiono como consigo encaixar tudo isto em vinte e quatro horas, mas com a certeza que se me desafiarem para outra coisa, sou mulher para o aceitar.

Nunca fui mulher de uma só coisa, de um trabalho convencional, nem sei o que é, mas há alturas que invejo quem trabalhe no seu horário estipulado.

Quando me perguntam o que faço, nunca sei o que responder, talvez porque sinta que faço tudo e nada ao mesmo tempo.

É tanta coisa, mas que ao mesmo tempo nos dá um vazio grande, pois passamos o dia de mangueira lançada a apagar fogos e chegamos ao fim do dia sem nada palpável.

A isto junto três filhos, cada um com a sua necessidade, que se torna num desafio constante. Passo o dia entre deixar um na escola e levar o outro à terapia e a dar mama. E quando tenho os três entro na hora caótica mas também melhor do meu dia, das brincadeiras, dos gritos de crianças, dos banhos e do jantar e já só paro às 21h quando os deito. Sendo que o meu parar não é ir para o sofá...isso passou a ser uma miragem para mim. Quando os deito arrumo a casa, para que no dia seguinte quando acorde não tenha nada fora do sítio e consiga começar o dia de forma "equilibrada"e de seguida ponho-me no computador a trabalhar o que não consegui durante o dia.
Quando me deito tenho sempre a consciência que tudo isto é possível porque não trabalho as horas convencionais como tantas outras mães.

São opções que se fazem, aqui não existe o certo ou o errado, mas sim o que conseguimos e queremos perante a realidade que vivemos.

Tenho consciência que com a vida familiar que tenho seria despedida no dia seguinte. Não é sustentável para uma empresa ter uma pessoa que sai de hora a hora, de duas a duas ou até de três em três para ir levar o filho à escola, ao médico, à terapia ou simplesmente para dar mama.

A culpa não é da empresa, nem da família. A vida é isto mesmo! Um desafio constante e cabe a nós escolhermos o melhor para nós e família.

Foi esta a nossa escolha há cinco anos. O marido trabalha no horário "normal" sendo que hoje o horário normal vai muito além do tradicional 9h-18h.

Eu giro um negócio próprio e de família, muitas vezes à distância de um telefone ou email, para que possa acompanhar os meus filhos nas suas atividades que vão para lá do "normal".

Era isto ou contratar uma interna ou um motorista que os levasse a todo o lado, mas aí não estaria presente e isso nunca foi opção na nossa família. E o dinheiro possível que pudesse ganhar seria para pagar a essas mesmas pessoas para tomarem conta dos meus filhos e para mim isso não faz sentido.

Esta foi a forma que encontrámos para gerirmos a nossa vida com qualidade de vida. Mesmo que para isso ficassem adiados muitos sonhos e que me limite profissionalmente a crescer.










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