A sociedade que criamos

18.1.18
Por vezes parece que não sabemos ou não queremos saber de quanto as nossas atitudes vão refletir o futuro dos nossos filhos.

Três anos depois de ter conhecido a realidade do que é nascer com o cromossoma do amor, de conviver de perto com as suas virtudes e limitações dá-me a certeza que se todos nós nascêssemos com este cromossoma a mais éramos todos muito mais felizes e viveríamos numa sociedade carregada de paz, harmonia e de muito amor.

Em vez disso vivemos numa sociedade egoísta, centrada em nós próprios, onde só os nossos interesses prevalecem, onde se vive para se ser o melhor e onde buscamos a perfeição de uma forma cega.

Uma perfeição camuflada em redes sociais que nos faz acreditar e sonhar numa vida que não existe.

Em famílias perfeitas, em bebés imaculados, em casas super limpas, sem um único brinquedo e sapato espalhados pelo chão, onde só o sucesso vinga e tudo isto para quê? Para nos enganarmos a nós ou a quem nos rodeia?

Todos os dias somos abalroados por alguém que se acha melhor ou mais esperto que nós, é a lei da sobrevivência e aqui ou somos fortes e conseguimos abrir os olhos a tempo ou somos simplesmente esmagados.

Somos pais para erguermos um troféu, que se chama filho, e tudo fazemos para que ele seja sempre o melhor em tudo, nem que para isso lhe roubemos a infância. Cresce obrigado a ter de gatinhar, andar e falar sempre primeiro que os outros. E de uma forma imposta aprende o que é competição da forma mais cruel.

Vivemos obcecados em ter a melhor casa, o melhor carro, mesmo que para isso muitas vezes nos falte comer à mesa, e tudo só para impressionar os nossos vizinhos.

As roupas de marca são invejadas, e quando as vestimos, não as vestimos só pela marca mas sim para nos dar poder, mesmo que para isso nos tenhamos de endividar com o cartão de crédito.

Trocamos casas espaçosas a preços acessíveis, por casas pequenas mas com um código postal que define o nosso status.

Ambicionamos escolher os amigos dos nossos filhos porque apenas queremos que eles escolham pessoas de capa de revista, de "boas" famílias, não lhes dando espaço para liberdade de escolha.
Deixando escapar assim o verdadeiro sentido da amizade.

Deixamos muitas vezes de viver o presente com alma só porque temos a mente virada em projetos e  ambições futuras.

É esta a dura realidade em que vivemos e é isto que inconscientemente passamos para os nossos filhos.

Os nossos filhos serão sempre um exemplo do que vêm em casa, e no futuro quando os virmos a transformarem-se em adultos,  serão um reflexo do que vivemos no passado.

A responsabilidade é nossa, somos nós pais que construímos o futuro do nosso mundo, somos nós que ditamos as regras e é importante que haja esta consciência.

Quando olho para o Tomás, olho com esperança numa vida mais feliz, vivida com o valor real da vida, onde o mais importante é conviver com todas as pessoas, é rir, é chorar é correr, é viver em plena paz e harmonia em detrimento de uma vida competitiva, de stress, e onde a felicidade plena é camuflada pelos bens materiais.

Talvez Deus nos queira mostrar o real valor da vida quando põe no mundo pessoas com o cromossoma a mais, uma coisa tenho como certa é para equilibrar este mundo que tantas vezes esta desequilibrado.

A Trissomia 21 tem destas coisas e eu tantas vezes a "invejo".








5 comentários:

  1. Não tenho experiência com cromossomas a mais... mas tenho a mesma perceção da realidade que descreve...
    Uma coisa tenho dito desde muito cedo, e mantenho... Eu não quero que os meus filhos sejam os melhores... Quero que façam o melhor que conseguirem... Acima de tudo quero que sejam felizes, sem passar por cima de ninguém...
    Gosto de ler estar reflexões...
    Beijinhos
    5 em crescendo

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