A verdade dos "Rabiscos"

10.8.20

Quando tomei a decisão de meter o Tomás na escola, preocupei-me com a inclusão e com a componente social.

O seu desenvolvimento estava assegurado por isso o que que queria era equilíbrio na sua vida.

Não foi difícil decidir pela escola, gostei de o olhar das auxiliares e das educadoras quando fui visitar a escola. Achei que embora não fosse uma escola de topo, com os últimos brinquedos, tinha o que mais procurava: Humanismo.

Decidi no imediato e até então gostei sempre, aliás ainda gosto pois o Francisquinho vai ficar mais um ano. Existem ali de facto bons profissionais, que cuidam, que dão colo e que ensinam.

Mas este último ano não foi seguramente fácil, já escrevi por diversas sobre isto, foi instável e de adaptações constantes.

Até que...

Os trabalhos do Tomás deixaram de ser expostos em sala, primeiro relativizei, segundo achei que o motivo seria pelas terapias estarem a assumir o seu comando e ele não ter tempo suficiente para os fazer. 

Até que alterei todo o seu horário para que ele conseguisse ter mais tempo em sala, mas esses trabalhos nunca apareceram. Seis meses e 0 trabalhos expostos. Deixei de relativizar e a meter em perspectiva tudo, deixei de relativizar, comecei a estar atenta mas já fui tarde. Apareceu o COVID e arrastou-nos a todos para casa.

Veio o ensino à distância e uma professora que não se adaptou a um aluno que precisava um pouco mais. Os trabalhos propostas na plataforma TEAMS não foram adaptados ao ritmo do Tomás. O que me deixou perplexa com tamanha insensibilidade e que me mostrou que afinal eu não estava enganada e que o problema talvez não fosse "só" do tempo que estava em sala.

Não houve sensibilidade de adaptação. Não houve cuidado com a mãe que recebia todas as informações através de uma plataforma da forma mais cruel que existe. 

Com isto, em momento algum o Tomás foi mal tratado, pelo contrário, a meu ver teve excesso de protecção, fazia o que conseguia e como queria, sem aquela orientação que tantas vezes é preciso.

Eu falhei! Admito! Não devia ter confiado, e deixado nas mãos de pessoas alheias. Devia ter exigido resultados diários e andar mais em cima. Mas não, preferi confiar...

Haviam tantas reuniões... Quis acreditar que tudo estava assegurado.

Na minha opinião é mais fácil admitir que não se é capaz do que meter em causa o percurso escolar de uma criança só porque é mais fácil "deixar andar".

Os trabalhos que o Tomás fez ao longo dos seis meses, valem 0, não vi qualquer mão naquilo, vi liberdade e uma despreocupação total.

"Rabiscos" para uma criança de 5 anos não é nada.

Eu posso meter em causa o desempenho do meu filho, que admito que tem dificuldades com a motricidade fina, mas sei do que ele é capaz pois já vi com os meus olhos. Naqueles trabalhos não vi dificuldades mas sim falta de apoio.

O T aproveitou-se, descansou em sala porque ninguém olhou para ele, com olhos de ver e acima de tudo porque não acreditaram que seria capaz.

Sempre vos prometi verdade e realidade e não fazia qualquer sentido não vos mostrar o outro lado das coisas.

É importante mostrar também quando as coisas correm mal e a alertar para os pais estarem atentos e não confiarem da forma como eu confiei.

A isto chama-se vida real.

Todo o trabalho deste ano lectivo foi partilhado nos Stories do meu Instagram hoje.

Todos os "trabalhos" passavam por estes rabiscos sem lógica






10 comentários:

  1. Olá Andreia. Obrigada pela partilha. Nem sempre é fácil confiar e nem sempre é fácil entregar os nossos filhos. O seu desabafo merece toda a atenção, mas pense no impacto que poderá ter na vida daquela professora que poderá não ter dado mais, não por não querer saber, mas por ela própria poder ter as suas limitações ou receios perante uma criança com mais necessidades. Desculpe a franqueza, mas o seu post é muito forte e verdadeiro e obrigada por isso, mas também é impactante na vida daquela professora que se verá agora exposta, creio. De facto o Tomás é um menino muito capaz por tudo o que nos vais mostrando, mas nem todas as escolas estão assim tão preparadas, infelizmente 😔

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    1. Olá Maria João, concordo consigo mas infelizmente se não tivesse presente, senão houvessem as reuniões que tivemos todas em conjunto podia aceitar até um certo ponto. Mas existiram imensas ocasiões para dizer que não conseguia dar o devido apoio ao Tomás pelas mais variadas razões. Aceitava tudo...Mas infelizmente dizer que está tudo bem é mais fácil que enfrentar a questão de frente. O meu filho tb perdeu este ano muito com certas atitudes.

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  2. Andreia, compreendo perfeitamente. Dos seus stories só me fica uma incompreensão... não acha que pode ser injusto "avaliar" o trabalho da professora em comparação com a Filipa? A Filipa trabalha com o Tomás 1-1 e certamente a professora terá várias outras crianças a necessitar de atenção...Para além do mais pressupõe-se que as crianças do pré-escolar (5anos) já trabalhem de forma maioritariamente autónoma em preparação para o primeiro ciclo. Acho que poderá dizer que o Tomás é capaz de muito mais, p. ex. quando tem a Filipa em dedicação exclusiva para ele, mas dizer que houve falta de brio e empenho por parte da professora ja me parece mais sério e eventualmente excessivo... já para não falar de potencialmente ofensivo, já que estamos a falar da forma como uma pessoa desempenha a sua profissão.

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    1. Depois de tantas reuniões não consigo entender esta falta de trabalho. Aliás a falta de dedicação não foi demonstrada apenas nesta pasta. Tudo começou na quarentena quando me apercebi das coisas. Mas já reportei tudo

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  3. Às vezes queremos confiar e facilitamos. Acontece com todos. Não se pode facilitar e quando há dúvidas temos que questionar logo.

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  4. Isso so mostrou falta de interesse da professora, foi tipo toma la a folha e um lápis, e pela pouca experiência que vou tendo ao longo de 11 anos de infantário, tenho a certeza que não tavam ao pe dele a ver o que fazia, foi mesmo falta de interesse da professora, e isso me revolta tanto, porque são crianças iguais aos outros..😘😘

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  5. Não diga que falhou. As mães também precisam de ser ensinadas especialmente quando são mães de primeira viagem. E o papel destes profissionais têm tem passar também por comunicar melhor com os pais.

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  6. Boa tarde.
    Compreendo perfeitamente o seu sentimento em relação ao processo educativo do Tomás.
    Sou professora e digo-lhe que dar aulas síncronas a alunos de secundário não é nada fácil. Mesmo no momento de adaptação das tarefas não é fácil. Conseguir motivar, ajudar, atingir os objetivos da disciplina...
    Agora, para um fase mais pequena imagino que o ensino à distância seja ainda mais difícil.
    A comunicação entre a escola e a família é fundamental, claramente este aspeto devia ter sido melhor no seu caso. E não me leve a mal a questão, mas nas aulas teams algum dos pais esteve a acompanhar o Tomás? Percebo que seja importante fomentar a autonomia, mas tendo em conta as necessidades do menino, e todo o contexto de ensino que houve, os pais são a ajuda preciosa em todo o processo em casa. E digo-lhe isto por observar que um aluno meu, com asperger e sindrome de tourette, ficava em casa sozinho, sem o acompanhamento de um adulto. E muitas vezes, o resultado era insatisfatório...
    Uma vez mais, não me leve a mal. Sei que é uma mãe atenta, mas olhe que nesta profissão estamos muitas vezes sozinhos e de mãos atadas, fazemos o melhor pelos noss@s menin@s.
    Pense agora que o Tomás vai iniciar uma nova etapa e que, neste regime de ensino diferente por causa da pandemia, o acompanhamento e trabalho a desenvolver vai ser difícil mas será melhor.
    Calma.
    Beijinho p todos.

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  7. Andreia, tenho um filho com dislexia grave. A escola tem sido uma tortura para nós, pais, e para ele. E também para algumas escolas e professores. Há muitos avanços e recuos, num ano, um professor óptimo, noutro ano, um professor péssimo. Já teve de trocar de escola. É um caminho penoso, cheio de dúvidas e angústias. Há anos que parecem completamente perdidos, outros em que ganham asas. Confie no seu instinto. Se achar que algo está menos bem, não espere. Com alguns professores do meu filho faço reuniões de acompanhamento mensais. Há professores que estão menos preparados para alunos com necessidades educativas e precisam da nossa ajuda para definir objectivos para os nossos filhos. Força!

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