Pandemia

11.3.20
Não tinha planeado escrever nada, tive um dia em que não parei um segundo e não tive mesmo tempo.

Mas depois de ter sido declarado PANDEMIA pela OMS é impossível acompanhar ao segundo as notícias sem vos escrever.

Confesso que fui das que tratou este vírus de forma leviana, mas começar a sentir que se perdeu o controlo é assustador.

As escolas estão em iminência de fechar e nós pais obrigatoriamente vamos ter de ficar com eles pois caso contrário de nada vale eles estarem isolados se nós andamos por aí.

Os supermercados encheram-se, as prateleiras ficaram despidas. Portugal está em pânico!

Não aproveitem este estado de alerta para irem para a praia. Isto não são férias. Isto é uma PANDEMIA!

Este vírus não é brincadeira como muitos de nós pensávamos. Este vírus é letal! É verdade que se morre de gripe e de pneumonia mas a questão não é essa. A questão é que não estamos preparados para enfrentar este vírus.

Em Itália escolhe-se quem morre e vive porque os hospitais assumiram a lotação máxima. Temos médicos e enfermeiros a atingirem os limites de cansaço por todos nós. Vamos respeitar por favor as medidas!

Podemos não ser grupos de risco, mas todos nós temos alguém próximo que o é.

Vamos unir-nos e não nos vamos matar uns aos outros. Ninguém precisa de cem máscaras e de cinquenta desinfectantes. Está na altura de não sermos egoístas. De pensarmos também no outro e não só em nós próprios.

Apelo à vossa consciência!

Isto não é brindaria!

Os nossos filhos precisam de nós e nós precisamos dos nossos pais e avós!

Juntos seremos sempre mais fortes!

Aproveitemos este tempo em família para brincar com os nossos filhos, para ver um filme com calma e viver sem olhar para o relógio.




Um vírus chamado coronavírus

10.3.20
Se até então acompanhava as notícias de uma forma muito à distância e tranquila hoje já não me sinto dessa forma.

Muito se falou da especulação da comunicação social, mas exagerado ou não relatavam o que se estava à passar no mundo. Ouve quem se começou a prevenir mas a maioria acredito que só acordou ontem quando nos apercebemos que as equipas médicas foram chamadas para construir um plano de contingência.

Não sou um grupo de risco, a percentagem dos meus filhos é mínima, mas tenho a minha mãe e a minha avó que o são. E é isto que me deixa com medo e apreensiva.

De um momento para o outro é como se o ser humano perdesse o controlo da sua própria vida, e que todos lutássemos contra uma catástrofe humana.

É o universo a virar-se contra o humano, foram muitos anos de chamadas de atenção ignoradas constantemente. O básico torna-se complexo e chegou a altura de o respeitarmos e deixarmos de ignorar os sucessivos alertas.

Não é cobardia, ou querer fugir do problema, mas sim actuar na prevenção e quanto a isso não devemos ficar indiferentes.

Existem zonas de risco, como superfícies aglomeradas de pessoas e é preciso parar e dar voz ao mundo. Não é uma questão de sobrevivência pessoal mas de famílias inteiras.

Ainda é incerto este vírus, ainda se luta contra ele, e estuda-se ainda mais sobre ele, há quem diga que é inofensivo, há quem lhe chame epidemia e há ainda que considere a sua propaganda silenciosa, fico-me nas duas últimas.

Ele é mais forte que nós, e talvez evitar os beijinhos e apertos de mãos não seja o suficiente, não sei, não sou cientista, só sei que tenho medo dele e que aos seus olhos somos todos vulneráveis.

Este vírus pode trazer dores emocionais incalculáveis e que jamais se tratarão num quarto de hospital.

Aos poucos e poucos vemos uma economia mundial a desmanchar-se, uma bolsa em queda e um mundo a morrer todos os dias um pouco.

E isso assusta-me!









Decoração do Quarto

9.3.20
Depois de ter decidido as novas camas, tenho andado com a cabeça à volta dos papéis de parede que me transmitam acima de tudo tranquilidade.

O desafio é grande! Pois isto de fazer um quarto unissexo não é fácil. Primeiro porque tudo o que há de menina é tudo muito à base de rosas e embora adoro não é a cor que procuro para o quarto deles pois é uma cor muito forte e intuitiva e tornará o quarto muito de "menina" e não quero que eles sintam que o espaço deles foi invadido.

Segundo também não me quero centrar nos azuis para que este também não fique demasiado rapazolas.

E de muitas cores que tenho visto, o que penso que funciona melhor são os verdes, cinzentos e cores terra. Gosto também de papéis que têm uma junção de várias cores contudo é preciso ter em conta a dose do rosa porque é uma cor que ofusca a outras.

Outro dos problemas é conseguir ligar a decoração com várias idades, embora os três tenham uma idade próxima, não quero que a longo prazo sintam o quarto muito infantil ou que não pertencem a ele.

Eu adoro ver casas com papéis de parede, sinto que dá uma maior identidade ao espaço e os torna mais aconchegantes.

Ainda não decidi mas estes até agora foram os meus eleitos.

No entanto o papel de parede deve estar sempre de acordo com a mobilia e com o ambiente que se quer criar.

Quando penso numa decoração penso a curto, médio prazo, nunca a longo porque gosto de mudar e também porque as etapas devem ser vividas de acordo com as idades.

Desejosa de vos mostrar as minhas escolhas finais mas até ao momento ainda não consegui escolher. Mas estou disponível para receber as vossas sugestões :)






1 Ano sem ti

7.3.20
Um ano sem ti...
Um ano a acreditar que te vou ver ao longe a vir em minha direção
Um ano a olhar para o telefone à espera de te ouvir
Um ano a segurar a avó
Um ano a segurar a minha mãe
Um ano a fazer com que os teus netos continuem a falar de ti com o mesmo brilho no olhar
Um ano a acreditar que foste fazer uma viagem e que um dia voltarás
Um ano de uma saudade sem fim.

Ai avô, que saudades! Que saudades das tuas mãos frias, e do teu sorriso. Na memória ficaram as boas recordações.

A morte é tramada, chega a assustar tal é a distância sem fim que se sente.

Todos os dias olho para o teu sorriso e é inevitável não sorrir também. Sei que estás bem, que estás a olhar por nós e eu continuo a acreditar que foi um até já e que um dia me vais voltar a bater à porta. Há quem possa achar descabido mas foi a forma que encontrei para camuflar este sofrimento que a morte nos dá.

Um ano...
Um ano em que já se passou tanto.
Um ano sem Ti meu querido avô.



A exigência de um ensino que vai para além do razoável

5.3.20
Incrível como se tira a sesta de uma criança por ânimo leve, porque simplesmente lá em cima numa secretária se pensa que as crianças com cinco anos têm maturidade suficiente para aguentar oito horas de "trabalho" numa escola.

A pressão de uma sociedade que os obriga a serem adultos e não crianças, que os levam a viver dentro de "obrigações" e de uma carga horária com inúmeras atividades para que no final do dia possamos dizer que os nossos filhos são hiper, mega estimulados e de preferência os melhores alunos.

Esquecemo-nos que somos nós, pais, educadores e esta pressão social dos tempos modernos que lhes roubamos a infância.

Não sei que custos teremos no futuro, se o caminho é este ou não mas confesso que esta exigência e pressão que metemos aos nossos filhos, ainda pequeninos, tenha um preço muito alto a pagar.

Uma criança não é nenhum "mini adulto", é um ser pequenino em constante formação pessoal e emocional, livre de espírito e sem responsabilidades e é preciso respeitar o seu tempo.

Aqui não existe a mãe certa ou errada, existe a mãe formatada para a sociedade que está inserida e se foge à linha dita normal é vista como inconsequente.

Ainda ontem uma psicóloga de desenvolvimento cerebral me dizia que era uma atrocidade retirar as sestas tão prematuramente só para que estejam em recreio. Além de ainda terem o cérebro em desenvolvimento, aquela sesta é tão mais importante que qualquer atividade lúdica pois é nas sestas da tarde que as crianças solidificam grande parte dos seus conhecimentos.

A (falta) de paciência perde-se naquelas horas e a incompreensão e a frustração assumem o comando, ainda para mais porque somos dos países que temos as crianças mais tempo na escola.

O T deixou a sesta e tem sido duro para ele, o cansaço é demasiado, principalmente para uma criança que tem uma carga de trabalho exigente como a dele. A sesta no caso dele não é um capricho mas algo super importante no seu desenvolvimento.

A falta dela faz-nos estar em Março, ainda em constantes alterações entre o horário da escola e o das terapias. Um verdadeiro desafio, um autêntico "tetris" da vida.

Vamos uma vez mais reformular o seu horário em prol do seu bem estar, e o próximo passo é voltar à sesta mesmo contrariando as ordens do ministério da educação, que tantas vezes parece saber tudo menos de crianças.

Isto para não falar da exigência de um primeiro ciclo que vai para além do razoável....





Volta ao mundo em cinco anos

4.3.20
Quando o T nasceu foi como se eu tivesse feito uma viagem de 360º, uma viagem daquelas que nos marcam e que nos transformam de tal forma que a nossa vida muda por completo.

A sensação é como se tivéssemos planeado uma vida inteira, uma viagem de sonho, desejada e preparada ao pormenor e já entre as nuvens, somos informados que o avião mudou de rota pelos imprevistos climatéricos e a assim a viagem tão esperada cai por terra.

No início, ficamos desiludidos, depois choramos e até ficamos revoltados pelos nossos sonhos terem ficado naquelas nuvens altas mas depois cabe a nós limpar essas mesmas lágrimas que tanto nos deixaram tristes para tornarmos a viagem que saiu fora dos planos inesquecível.

Esta é a minha história de vida. Foi assim que tudo começou... foi num azar de cromossomas a mais que vi a felicidade no seu expoente máximo.

Existe uma história, que conta de forma "lúdica" o que é isto das viagens, dos sonhos e de uma vida que tem tudo para dar errado para se tornar a melhor de todas, não é de minha autoria, foi dos primeiros textos que li quando recebi a notícia.

"Quando vamos ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem – a Itália. Compra-se logo uma boa quantidade de livros de viagem e fazem-se planos maravilhosos: o Coliseu, o Miguel Ângelo, as gôndolas em Veneza, e até se pode aprender algumas frases úteis em italiano. É tudo muito excitante.

Depois de meses de expetativa, chega finalmente o dia. Fazem-se as malas e lá se vai para o aeroporto, horas mais tarde o avião aterra e a hospedeira chega perto e anuncia: - Bem-vindos à Holanda.

-Holanda? Pergunta você, - O que é isso de Holanda? O meu voo era para a Itália, eu deveria estar em Itália, toda a minha vida sonhei ir a Itália. Mas houve uma mudança de voo e o avião aterrou na Holanda e tem que ficar ali.

O mais importante é que eles não a levaram para um lugar horrível, desagradável e sujo, cheio de pestilência, fome e doenças. É só um lugar diferente. Vai precisar de aprender uma linguagem completamente nova, e conhecer um novo grupo de pessoas que nunca teria encontrado.

É só um lugar diferente, com um ritmo de vida mais lento do que a Itália, menos buliçoso e aparatoso, mas depois de lá permanecer mais um bocado de tempo, logo que tenha passado a agitação, vai olhar em seu redor e começa a dar-se conta que a Holanda tem moinhos de vento, tem as túlipas, e que a Holanda até tem os Rembrandts.

Mas todas as pessoas que conhece vão e vêm de Itália e todas se gabam das maravilhosas férias que lá passaram, e para o resto da sua vida vai pensar “Sim, era ali para onde devia ter ido. Era isso que eu tinha planeado.”

E essa dor nunca, nunca, nunca mais passará porque a perda desse sonho é uma perda muito significativa.

Mas… se passar a vida a lamentar-se com o facto de não ter ido a Itália, nunca mais terá o espírito livre para desfrutar as coisas especiais, as coisas maravilhosas da Holanda."

Há cinco anos quando partilhei esta história com o B, a sua resposta foi, "a nossa sorte é que vamos a Italia para o ano.. e assim aproveitamos o melhor de Italia e Holanda".

E assim foi, passado um fomos finalmente à Itália e ainda conseguimos ir às Maldivas!

Ganhamos o mundo em cinco anos!


Os meus (três) doentinhos

3.3.20
Tenho andado mais ausente porque o tempo tem-me fugido das mãos.

Após o Carnaval, um a um começou a ficar doente. E se ter um filho doente custa, ter três filhos é dose. Sentimo-nos a "apagar constantemente fogos" pois enquanto um chora, o outro vomita e o outro pede-nos colo.

As noites, aí essas noites "malditas". A MC tem sido um terror, o FM quer dormir agarrado a mim e não me quer partilhar com a mana. O T, de todos o mais calmo mas que aparece na nossa cama todas as noites com laringite.

É abrir mão das nossas coisas em prol deles, respirar fundo e segurar o barco dentro da nossa paciência.

Entre eles também já ficamos doentes, mas nem para estarmos doentes nos podemos dar ao luxo. É atacar com o que temos na nossa farmácia e continuar firmes com eles.

Coisas simples da vida mas que se tornam pequenos luxos pois se há coisa que tenho saudades é de ter tempo para estar doente.

Felizmente aos poucos e poucos estão a melhorar e tudo volta à rotina.

Agora, é dar tempo ao tempo para nos voltarmos alinhar.

E por aí muito doentinhos?