Socorro! O meu bebé não dorme

31.8.17
Podia ter sido eu a escrever isto, mas não...

Socorro! O meu bebé não dorme é o mais recente livro da Dra. Clementina Almeida, Psicóloga clínica especialista em bebés.

Aproveitei as férias para ler, algo que já não fazia há três anos. Infelizmente o stress do dia a dia não me deixa tempo (nenhum) para grandes leituras... tenho uma série de livros na mesa de cabeceira que gostava de ler mas sempre que os vou para ler não passo da primeira página.


Este livro devia fazer parte da lista da maternidade. Desde o seu prefácio até ao fim que é fantástico! Só tenho pena de não o ter lido antes de o T ter nascido.

Não vos quero desvendar muito sobre este livro pois tiraria toda a sua piada mas deixo-vos algumas notas que acho importantes.

"É lindo, pega bem na mama, só chora quando tem fome... e já dorme cinco horas seguidas!". 

Uma frase tão curta e simples mas tão inalcansável para a maioria das mães. Pelo menos eu faço parte daquela percentagem de mães que nos primeiros meses de vida do seu filho nunca dormiu mais de 2 horas seguidas.

O Sono do bebé é dos assuntos que mais preocupa os pais, mas na realidade e se pensarmos bem o mais natural e normal é os bebés acordarem, seja pelas cólicas, porque têm frio, calor, fome ou simplesmente porque precisam de um aconchego.

Todos os bebés são diferentes, uns demoram dias, outros meses e outros anos para dormirem a noite toda. No meu caso o T demorou seis meses até dormir uma noite compelta, já o Baby FM já contamos com 16 meses de noites mal dormidas. Houve uma altura que começou a dormir a noite toda, até que de um momento para o outro sem saber como e porquê voltou a acordar várias vezes durante a noite.

Com o livro percebei que muitas vezes o "excitex" dos bebés é derivado a quererem a nossa atenção. A realidade é que nós pais temos muito pouco de qualidade com os nossos filhos e por isso eles à noite resistem tantas vezes para se manterem acordados, tudo isto porque querem a nossa atenção, querem sentir o nosso cheiro, querem o nosso mimo.

O período mais crítico dos bebés é do fim da tarde à meia noite, pois eles tentam a todo o custo manterem-se acordados para captarem a máxima a nossa atenção.

Os bebés precisam de nós o dia todo e não é só durante o dia que devemos satisfazer as suas necessidades, eles à noite também precisam de nós por mais que isso implique umas belas horas de sono.

Outra coisa que li e que fez todo o sentido para mim foi, quantas de nós já ouvimos que os bebés devem de aprender a acalmarem-se sozinhos? Muitas! Mas se pensarmos bem, nós adultos quando estamos tristes e desamparados precisamos de um ombro amigo para nos aconchegar o coração. Porque é que com um bebé seria diferente? Dá que pensar...

Deixar um bebé a chorar é como se lhe estivermos a dizer que não nos importamos com ele...  Os cérebros dos bebés que são deixados sozinhos, forçados a dormirem sozinhos perdem oportunidades únicas de estimulação sensorial pois o toque é muito importante nesta fase. Os bebés que choram sozinhos começam a deixar de nos chamar (chorar) pois a memória que têm é que de nada vale chorar pois ninguém aparece.
Quando os bebés choram sozinhos produzem no cérebro cortisol (hormona do stress) e se o seu cérebro ficar cheio de cortisol, inevitavelmente vai queimar neurónios.
Dar colo e responder às necessidades dos nossos filhos desenvolve uma maior capacidade dos nossos filhos se acalmarem sozinhos sempre que se sentirem tristes.
Dar colo ao contrário do que se diz não estraga um bebé mas sim contribui para adultos seguros de si próprios.

Vou dizer-vos o que fazia de mal:
  • Levar o bebé à exaustão - ERRADO 
Achava que deixá-lo exausto era o caminho certo para que ele adormecesse com mais facilidade. Afinal é ao contrário, isso só faz com que lute contra o sono. O certo é perceber quando é que eles precisam de dormir e aí pegar neles, cantar uma música, dar miminhos para que eles caiam no sono de uma forma tranquila
  • Estar a ver Televisão enquanto os embalamos - ERRADO
Uii... então aqui é melhor nem falar do meu exemplo, muitas vezes para não perder a novela, lá estava eu a tentar adormecer o Baby FM com todos aqueles estímulos visuais e sonoros. O truque é irmos para uma divisão da casa, onde possamos porporcionar um ambiente escurecido, sem estímulos exteriores.

O Baby FM ainda dorme comigo, sei que é junto a mim que se sente confortável,  e que ainda não está preparado para dormir no seu quarto. O primeiro sono é na sua cama mas assim que acorda vou buscá-lo e passa o resto da noite comigo.  Ao contrário do que se diz os bebés dormirem com as mães é favorável para eles. Os bebés precisam de nós à noite, precisam do nosso cheiro, do nosso toque da nossa respiração. Numa pesquisa feita mostra que os bebés que dormem com os pais choram menos durante a noite.

Passatempo Vela da Vida

31.8.17
Um pouco mais tarde do que previsto mas...

Já temos vencedora!!

Miriam Martins







Espero que esta venda acompanhe os primeiros 18 anos do seu filho com muitas alegrias.

Obrigada a todos que participaram !!

Passatempo completo aqui.


É preciso ACREDITAR!

30.8.17


Assim que o T nasceu abracei-o com a minha maior força e ali fiquei a olhar para aqueles olhos que deixavam a suspeita da sua trissomia no ar.

Ainda sem certezas jurei-lhe que tudo faria para que ele fosse feliz, nem que para isso tivesse que ir ao fim do mundo.

Assim que tive a confirmação da sua trissomia não quis perder tempo pois sabia de antemão que o tempo era o seu principal inimigo, era importante arregaçar as mangas e começar a dar-lhe as terapias necessárias para que ele desenvolvesse dentro do padrão "normal".

Tinha muito presente na minha cabeça, (e ainda tenho) que quanto mais ele estivesse ao nível das crianças "normais" mais aceite ele seria na sociedade.

Atualmente o T faz 6 terapias, é preciso gerir muito bem o tempo, faz com que eu muitas vezes ande de um lado para o outro mas quem corre por gosto não cansa.

Mas independetemente de todas as terapias que o T faz, sei que o mais importante é que ele seja criança. E disso não abro mão!

Jamais quero roubar-lhe a sua infância, desde que chego a casa até ao seu deitar, brincamos (muito) , rimos ainda mais e por vezes lá vai um "ralhete". Ao fim-de-semana não existem terapias, à excepção da Natação, são dias onde brinco com ele da mesma forma que brinco com o Baby FM.

Agora com o começo da escola, conciliar tudo vai ser algo ambicioso. Embora a escola seja muito importante, não quero descurar das suas terapias pelo menos até aos 6 anos que é o período de maior desenvolvimento de uma criança.

Numa consulta de rotina com o T, onde inevitavelmente falámos das terapias que o T faz, a médica com o seu ar pragmático e insensível conseguiu "deitar por terra" todo o nosso esforço familiar em dar ao T o que achamos ser o melhor para o seu desenvolvimento.


Abraço de um filho

28.8.17
Há dias que apenas precisamos de um abraço para ficar bem e hoje foi o dia.

Chegar a casa e saber que temos os nossos filhos sedentos de nos ver, vale por tudo.

As segundas-feiras nunca são fáceis, e se juntarmos a isto um tempo acinzentado como o de hoje, tudo se torna mais difícil.

Hoje foi aquele dia que senti que mais valia não ter saído da cama.

O despertador toca, desligo-o ainda meio atordoada com o sentimento de querer que o fim-de-semana voltasse.

Mas o calendário dizia que era segunda-feira e que começava mais uma semana.

Desde que cheguei ao meu local de trabalho foram problemas e mais problemas, entre tanta coisa por resolver, ainda fui ter uma reunião com a educadora do Tomás de modo a preparar tudo para o início desta nova fase que tanto me deixa angustiada. E embora tivesse gostado muito da educadora o meu coração esteve sempre apertado.

Não foi um dia fácil sem dúvida.

Hoje apenas quero deitar-me com os meus filhos e adormecer juntamente a eles com a esperança que amanhã o dia será melhor.

Até amanhã










O primeiro Susto

27.8.17


Ontem quando dei por mim o Baby FM estava em cima da mesa de jantar. Vou para pegar nele e o T chama-me a queixar-se do pé, e no preciso momento em que olhei para o seu pé, o Baby FM desequilibra-se e cai. Só me lembro de ter gritado e ter ido na sua direção. Estava caído a chorar, não sangrava, só chorava.

Foram apenas segundos mas o suficiente para que a minha vida pudesse ter acabado ali.

Agarrei-me a ele e dei-lhe todo o consolo que precisava. Foram momentos de tensão e que me deixaram com o coração apertado.

Fiquei com medo, muito medo que tivesse um traumatismo. Fomos ao hospital mais perto onde estávamos - o Garcia da Horta. Fomos atendidos de imediato e de uma forma muito cuidada. Foi visto e aparentemente estava tudo bem, ficámos sob vigilância mas aos poucos e poucos o Baby FM começou a correr pelos corredores e a mostrar que tudo não tinha passado de um grande susto.

A verdade é que ver os nossos filhos doentes ou magoadaos deita-nos a baixo de uma forma que nem conseguimos bem explicar.

Ser mãe é sofrer com eles, é ter o coração fora do nosso peito.

Uma coisa é certa desde o momento em que sabemos que vamos ser mães o nosso coração nunca mais fica tranquilo.

O direito (ou não) de escolher o filho que vive e que morre

25.8.17


Partilharam comigo este filme e ao vê-lo é inevitável não ficar com um nó na garganta.

Questionei-me de imediato se nós pais temos o direito de escolher qual o filho que merece viver.

Será que nós pais temos direito em decidir??
Será que o governo tem direito em decidir quem nasce e morre??
Será que os médicos têm o direito de incentivar os pais a "matarem" os seus próprios filhos??

A minha opinião (que vale o que vale) é que NÃO!

O filho é nosso, sangue do nosso sangue e cabe a nós amá-lo, aceitá-lo da sua forma, do seu género tal como ele é.

Talvez o mundo onde vivemos nos leve à loucura da perfeição. Aliás a médica que falou comigo sobre a suspeita de T21 no T, foi peremptória "Se pudéssemos escolher filhos por catálogo, não escolheríamos este".

Na altura não respondi, não tive essa força, mas se fosse hoje tinha-lhe respondido, "tem razão doutora, jamais escolheria um tão perfeito como este".

Não é só os bebés de cor imaculada, de olhos claros e cabelos dourados que tem direito à vida mas sim todos.

A busca da perfeição assusta-me pois torna-nos pessoas mais pobres de espírito.

As crianças com T21 ou com outra patologia têm tanto direito à vida como outra qualquer. São estas crianças que tornam o mundo melhor, que fazem parar quem acha que é dono da razão, são elas que transmitem paz ao mundo.

É triste saber que em Portugal existe uma taxa de aborto de 95%, na Dinamarca 98%, em Inglaterra 90%, em França 77%, nos EUA 67% e que na Islândia atinge mesmo os 100%. Números assustadores, e que deixam pouca esperança aos pais que decidem continuar com a gravidez.

É triste saber que houve tantos bebés que não tiveram a oportunidade de serem felizes...





Trissomia 21 não é doença, não é uma aberração da natureza, não é incompatível com a vida! Trissomia 21 é apenas uma condição genética, provocada pela presença extra do cromossoma 21.

As 10 coisas que mais valorizamos quando estamos sozinhas

24.8.17
Foram apenas três dias, mas foram o suficiente para carregar todas as baterias que teimavam em fraquejar ultimamente.

O tempo é veloz e muitas vezes esquecemo-nos de fazer estas pausas tão importantes e que nos permitem desfrutar da vida em pleno.

A brincar e sem me aperceber já não tinha assim uns dias há dois anos.

Foi inevitável não ter saudades dos baby boys, mas sabia que estavam bem entregues.

Aproveitei estes dias ao máximo e tudo o que fiz deu-me imenso gozo.

São pequenas coisas, muitas delas banais mas que para nós pais têm outro sabor.

Deixo-vos as 10 coisas que mais valorizei nestes dias:

1. Tomar um banho durante 1 hora.
2. Apreciar o silêncio da natureza.
3. Adormecer a olhar para as estrelas
4. Dormir 12 horas seguidas.
5. Comer sem que a comida fosse engolida.
6. Ficar na praia nas horas de maior calor.
7. Ficar na toalha horas a fio.
8. Conseguir ler um livro.
9. Namorar (Muito).
10. Viver sem horários.

Tive muitas saudades é um facto, os baby boys nunca me saíram da cabeça, mas esta escapela de três dias soube muito bem e parece que rejuvenesci uns 10 anos.

Agora sim estou pronta para abraçar mais um ano!

Para o ano há mais!!