Estava perante uma mulher, com parto ocorrido há 48horas. A minha colega tirou o bebé do berço, entregou-o no colo da mãe e disse: “Vamos coloca-lo à mama?” Ao que a mãe responde: “Não…não quero amamentar!”
Ficou um ambiente algo comprometedor no ar. No entanto…esta mulher após ter sido devidamente esclarecida sobre as vantagens da amamentação foi respeitada e apoiada na sua decisão. A amamentação dever ser acima de tudo um prazer!
Parece por vezes existir uma pressão social para a perfeição da mulher, das suas escolhas, das suas capacidades. Este exemplo real que acima vos apresento, permite somente transmitir que, ainda que a amamentação seja um benefício inquestionável, existe um outro lado, o de uma mulher, que como tal tem direito às suas escolhas, a ter dúvidas…inseguranças, tem direito a errar e acima de tudo a ser apoiada!
Com este artigo quero vos transmitir as maravilhas da
amamentação, mas antes de tudo dizer-vos que pode não ser perfeito, e aliás não têm que exigir isso de vocês.
Quero ainda realçar outro “aspecto” importante, o
papel do pai. Parece que o homem é um pouco afastado desta temática. No entanto, é importante existir um pai motivado, positivo, envolvido, que apoie a mulher neste processo. Inclusivamente, pode ser imprescindível quando surgem problemas, auxiliando diretamente nos cuidados mamários.
A amamentação é um processo ímpar, íntimo e especial que em si só confere vantagens como:
fortalecimento da vinculação, estímulo visual e contacto físico. Resulta de um processo complexo e inato do organismo da mulher. Ao longo da gravidez o sistema endócrino tem vindo a “trabalhar” na produção hormonal. Quando o bebé nasce, e há estímulo mamário existem duas hormonas mandatárias envolvidas neste processo:
a prolactina, grande responsável no estímulo produtivo de leite, e a
ocitocina, responsável pela contração muscular do tecido mamário permitindo a chegada do leite ao bebé. Atenção!
A ocitocina é influenciada pela ansiedade e stress: mães preocupadas, representa menor produção de ocitocina e consequentemente menor produção de leite. Daí a importância deste ser um processo prazeroso.
Para a mulher, representa vantagens como: redução do risco de vários tipos de
cancro e
osteoporose, ajuda a
readquirir a forma física, proporcionando uma perda geral do peso e contribui para que o
útero volte às suas dimensões anteriores (involução uterina).
Para o bebé, o
leite materno é quase como que um
“liquido prodígio” cheio de potencialidades: Reúne os nutrientes essenciais ao crescimento da criança, facilita o processo de digestão, previne infecções (gastrintestinais, respiratórias e urinárias), protege contra alergias, contribui para reduzir doenças crónicas como a diabetes. Para além de tudo isto é económico, ecológico, seguro e está “sempre” disponível, à temperatura correcta.